O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/08/23

AO PÓ VOLTAREMOS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:31

Cada um ganha seu dinheiro como pode: desde sendo um reles operário numa linha de produção, passando pelos que são pagos para ouvirem (e resolverem) problemas alheios, pelos que se prostituem ou até roubando mesmo.
Kathy Reichs ganha o seu – que não é pouco – analisando ossos.
Ela é antropóloga forense, tem 63 anos, e há mais de 20 tem usado suas habilidades científicas para ajudar a identificar vítimas e a determinar a causa da morte de vários casos investigados pelo “Laboratório de Ciências Judiciais e de Medicina Legal do Canadá”, em Quebec.
Trata-se de um trabalho altamente curioso – tanto que seus livros de ficção serviram de inspiração para a série televisiva “Bones”, da qual ela é uma das produtoras.
“Os ossos me contam a história da vida da pessoa – qual a idade, o sexo, sua história familiar”, diz Kathy. “Às vezes posso até dizer se a pessoa era canhota ou destra, se teve filhos ou não. Há casos em que não é possível realizar a autópsia normal porque o corpo está muito comprometido, então os ossos me dizem muita coisa”.
Para identificar o sexo, por exemplo, ela toma como base os ossos da pélvis – mulheres têm ossos maiores do que os homens. Já para descobrir a etnia, analisa o crânio.
Para determinar a hora da morte, uma vez que as camadas mais superficiais da pele se foram, o jeito é recorrer à entomologia: “Você repara nas larvas – que espécies estão presentes e em que fase elas estão de seu ciclo de vida. Mas se já não existem mais pele e nem insetos, fica mais difícil”.
Segundo Kathy, ela só recorre à reconstrução facial em último caso. Para exemplificar, ela conta sobre um caso em Montreal em que um rapaz foi encontrado esquartejado dentro de uma caixa, num parque. Ele teve mãos, nariz e orelhas arrancadas e o rosto, pelado. “Então tive sete diferentes versões de reconstrução facial feitas por laboratórios ao redor do mundo”.
Kathy começou sua carreira trabalhando como arqueóloga na Carolina do Norte. A polícia encontrava ossos e levava à universidade para que ela os analisasse. Aos poucos, foi sendo chamada para ajudar a resolver casos policiais.
Ela já auxiliou os militares americanos na identificação dos restos mortais no genocídio da Ruanda, identificou vítimas da Segunda Guerra Mundial, chegou a examinar restos mortais no monumento ao Soldado Desconhecido, na Filadélfia, até a missão que ela considera mais difícil: as vítimas do atentado ao World Trade Center.

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