O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/08/11

SABORES OCULTOS

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:36

Para quem já não aguenta mais o olhar de soberano do sommelier de vinhos cada vez que leva uma taça à boca, controlem-se, porque o negócio está migrando para bebidas nunca dantes degustadas.
A reportagem do jornal “Der Spiegel” acompanhou uma degustação de água.
“A água da chuva está sendo servida. Ela viajou 16 mil quilômetros da Tasmânia para ser provada por uma dúzia de convidados no subúrbio de Hamburgo. Na frente deles, um homem vestindo terno e óculos”, começa a matéria.
Jerk Martin Riese, de 34 anos, é maitre do estrelado restaurante “First Floor”, em Berlim, onde criou um menu com 40 seleções de água.
“Riese é sommelier de água e em breve vai se mudar para Los Angeles. Antes disso, vai deixar um pouco de seu conhecimento no bar Redroom, em Hamburgo”.
Segundo a matéria, o grupo da degustação é variado e inclui advogados, representantes comerciais, gente da imprensa e “restauranteurs”. Enquanto aguardam o início da sessão, fazem um “esquenta” experimentando uma variedade de água da fonte cujo rótulo diz que ela é “carregada bioenergeticamente”.
A degustação começa. A primeira a ser provada é uma água da fonte da Noruega, cujo sabor é leve. Depois passa-se à água da chuva da Tasmânia, que também é suave.
“Amanteigada”, diz um dos convidados. “Quase oleosa”, acrescenta o sommelier.
No passado a água tinha apenas duas variedades: com ou sem gás. Agora há água de Fiji, da Patagônia ou da África do Sul. Há até água do Tennessee, vendida em garrafas encravadas com cristais Swarovski. Ela custa cerca de 92 dólares no restaurante “First Floor”. Riese conta que ela é adorada pelo pessoal do leste europeu.
Segundo Riese, a água da Tasmânia cai do céu e nunca toca o chão. “A Tasmânia é um dos lugares mais remotos do mundo, o que faz que sua água da chuva seja a mais pura e limpa da Terra”.
Depois ele apresenta uma água do norte da Alemanha (com um “sabor efervescente”) e uma água espanhola (“efervescente, mas com um toque salgado”).
Quando toma a água, Riese gira seu copo como as pessoas fazem com o vinho.
Ele também dá dicas sobre que variedade vai bem com um vinho branco Riesling: “tem de ser a melhor de todas”. Já um velho Bordeaux requer algo mais efervescente.
Além dos conselhos, a missão de Riese é dar à água o sentido de produto: o preço, o design da garrafa e, acima de tudo, toda a história que torna isso possível.
“Todas as histórias contadas por Riese durante a degustação estão dentro das possibilidades reais e lógicas, de alguma maneira. Mas outro homem entra na sala. Foi ele quem convidou Riese para vir e apresentar sua água nesse evento em Hamburgo. Quando ele começa a falar o tom muda”, explica a reportagem.
“Seu nome é Markus Stegmaier e ele é CEO de uma companhia chamada ‘Q-Aqua’. Ele afirma que a água tem ‘memória’ e que a dele é carregada com vibrações bioenergéticas”.
Essa característica é obtida a partir da reunião de cristais curativos, pedras preciosas e ervas medicinais e é capturada de alguma maneira – que ele não revela.
As frequências absorvidas são transferidas à água, que se livra da negatividade e tem aumentada sua positividade.
Elementos como lavanda, mirra, jade, quartzo e outras essências têm influências apaziguadoras. Enquanto musgo, ginseng, malaquita e outras criam uma água fortificante.
“Essas vibrações passam através da garrafa, através do vidro”, diz Markus.
Algumas pessoas da plateia começam a resmungar quando ouvem isso. “É mais ou menos como acontece com um celular – a radiação passa através das paredes”.
Que saudades do Renato Machado.

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