O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/07/31

A LOBA VIROU ONÇA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:02

Os tios Sukita podem tratar de colocar suas barbas de molho após a leitura de “A Dating Paradigm Shift For Women In Their 30s” (algo como “Uma mudança de paradigma nos namoros das mulheres na faixa dos 30”).
O artigo, de Hugo Schwyzer, foi publicado no site de comportamento feminino “Jezebel” e dá conta de que mulheres por volta dos 30 anos que geralmente namoravam homens mais velhos estão se interessando pelos mais novos.
O autor conhece bem o terreno. Ele é professor de História e das questões de gênero na Universidade de Pasadena e entre seus cursos estão “Homens e Masculinidade” e “Beleza e Imagem Corporal”.
Para identificar essa nova tendência, além de sua observação de praxe, ele levou em consideração o desabafo de diversas amigas e entrevistas realizadas com 49 mulheres através do Facebook.
Segundo Hugo, há evidências de que a “onça” – termo criado pela mídia para se referir às mulheres mais velhas que perseguem homens mais novos – está à solta. Com uma pequena diferença: em vez dos 40, a tendência aparece entre as de 30.
Nas entrevistas – algumas realizadas pessoalmente, outras por email – Hugo conversou com moçoilas entre 26 e 40 anos. Todas elas tiveram experiências anteriores com homens mais velhos e o principal: estão namorando (ou têm interesse em namorar) caras mais novos.
Os motivos? Inúmeros. Segundo elas, homens entre 20 e 30 anos são menos estressados, melhores ouvintes, mais seguros, mais maduros, sentem-se menos intimidados com o sucesso feminino e são sexualmente mais atraentes – derrubando o mito de que mulheres não são “visuais” e acham cabelos cinza a característica mais sexy do mundo.
Elas foram sinceras ainda em outro ponto: várias delas sentem-se desconfortáveis na hora de tornar público o namoro.
Há uns dois anos Marisa Orth definiu essa situação melhor do que ninguém. Ela declarou que gosta de homem-pantufa: “gostoso de usar dentro de casa, mas que você morre de vergonha de mostrar para os outros”.
Segundo Hugo, relacionamentos entre casais formados por homens mais velhos e moças mais novas ainda fazem (e farão) parte de nossa cultura, mas é bom ficar de olho nas onças. Elas vão beber água.

2011/07/30

O GRANDE TIO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:43

A preocupação com a saúde – refletida diretamente no modo como as pessoas se alimentam – chegou ao museu.
Através de documentos, rótulos de alimentos, trechos de filmes e músicas, fotografias, pôsteres e uma série de outros objetos, a exposição “What’s Cooking, Uncle Sam?”, nos Arquivos Nacionais de Washington, mostra que Tio Sam sempre acompanhou de perto os hábitos alimentares de seu povo.
“A exposição fala do vasto e perpétuo papel que o governo desempenhou sobre tudo o que é comestível, com metas louváveis e perversas ao mesmo tempo”, diz o “The New York Times”.
A alimentação já teve funções diferentes ao longo da história daquele país, mas nunca deixou de ser tema de políticas públicas. Enquanto hoje a meta do governo é alertar a população sobre os perigos da gordura, no início da década de 20 a ideia era combater a desnutrição.
“O governo esteve envolvido com nossa comida desde o início da América colonial”, diz o historiador Andrew F. Smith.
A ideia de uma exposição para mostrar os esforços do governo foi da diretora do Arquivo, Christina Rudy Smith, que encontrou um documento de 1776 que se utilizava da promessa de “três sólidas refeições ao dia” para atrair os homens a se alistarem no Exército.
Há inúmeras outras curiosidades.
No início dos anos 1900 o Departamento de Agricultura enviava exploradores para diversos lugares – no estilo Indiana Jones – para estudar e descobrir novas espécies de plantas e trazê-las aos Estados Unidos. O mais famoso deles foi Frank Nicholas Meyer, que descobriu um tipo de limão que mais tarde levaria seu nome.
Vários americanos eram voluntários para experimentar comida contaminada. O “Esquadrão do Veneno” ajudou os cientistas a entenderem melhor os efeitos do ácido bórico e outros aditivos.
Alguns anúncios publicitários antigos e mesmo gráficos nutricionais são verdadeiras obras de arte. Um deles, de 1911, diz: “Coma Carpa!”. “A carpa foi introduzida nas águas americanas em 1880 e se proliferou tanto que chegou a prejudicar a fauna e a flora nativas”, diz Alice Kamps, a curadora da mostra.
Outro, de 1918, diz: “Pequeno americano, faça a sua parte: coma milho, deixe o trigo para nossos soldados”.
Os ex-presidentes também aparecem na mostra. Há uma foto de 1974 da última refeição de Richard Nixon: uma rodela de abacaxi com uma bola de queijo cottage e um copo de leite. Há também uma imagem de Eisenhower fazendo um churrasquinho em sua varanda.
A “The Pig Cafeteria” (acima) foi uma exposição organizada pelo Departamento de Agricultura para educar fazendeiros sobre novos métodos da agricultura e da criação de animais – especialmente porcos.

Confiram algumas fotos AQUI

2011/07/29

LUA FASHION WEEK

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:36

Os macacões usados pelos astronautas que participaram da missão que levou o Homem à Lua saíram das mãos de costureiras acostumadas a cerzirem espartilhos e sutiãs.
Essa e outras revelações estão no livro “Spacesuit: Fashioning Apollo”, de Nicholas de Monchaux, professor de Arquitetura da Universidade de Berkeley, na Califórnia.
Na obra, lançada no início do ano, ele revela os bastidores desse trabalho altamente complexo para o qual pouca gente – ou ninguém – se voltou desde 1969.
Os macacões usados por Neil Armstrong e seus colegas foram obra da “International Latex Corporation” (“Playtex”, para o consumidor), que criou seu “A7L”, de 21 camadas.
Segundo o professor, em meio a complexos sistemas de engenharia, estava esse dispositivo técnico materializado por costureiras que tiveram de trabalhar de maneira totalmente artesanal, sem o uso de alfinetes. Os macacões – apesar de criados de acordo com os princípios industriais militares mais convencionais – eram objetos de artesanato.
No entanto, o mérito da companhia nunca foi exposto porque não era permitido que nenhuma empresa colocasse seu logotipo no que quer que fosse.  
O “Txchnologist”, site sobre tecnologia, entrevistou o professor Nicholas. Quando questionado se as costureiras da “Playtex” são as heroínas não-reconhecidas do programa espacial, Monchaux disse: “Para mim, certamente. Como outras pessoas envolvidas no processo, elas literalmente tiveram as vidas dos astronautas em suas mãos. Elas demonstraram habilidade e dedicação incomparáveis. As mesmas mulheres confeccionaram os macacões tanto para o ônibus quanto para a estação espacial. O trabalho delas não é, de forma alguma, obsoleto”.
Segundo ele, não houve nenhum outro esforço de design parecido. Houve sim diversos projetos abandonados. O da “Playtex” foi único, de alta-costura.
Ao contrário dos soviéticos, que eram bem práticos, os Estados Unidos gastaram muito dinheiro para aperfeiçoar zíperes, por exemplo. Foi necessário um design complexo para desenvolver um zíper totalmente hermético.
“Os soviéticos nem se importaram com isso. Simplesmente costuraram um tubo de tecido que foi preso à cintura. Para usá-lo, o astronauta tinha de engatinhar como se estivesse entrando novamente no útero da mãe. Os soviéticos estavam sempre dispostos a optarem por uma solução menos elegante se tivessem  praticidade”, diz o professor.

2011/07/28

QUE DIA FELIZ

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:11

Nesta semana o McDonald’s anunciou que fará ajustes em sua refeição mais popular: o McLanche Feliz.
A porção de batatas-fritas será diminuída em mais da metade. Nos Estados Unidos, essa parte será substituída por fatias de maçãs, enquanto no Brasil e em outros países da América Latina será trocada por frutas da estação.
Nos Estados Unidos, o McDonald’s já oferece os pedaços de maçã, mas com calda de caramelo. Com a mudança, a porção terá menos açúcar e não será acompanhada de calda. A opção de trocar as batatas por cenouras baby será mantida.
Mas essa está longe de ser a primeira ou segunda mudança na refeição infantil. Em seus 30 anos de vida ela já sofreu diversas alterações e foi alvo de inúmeras polêmicas, como mostra uma linha do tempo do McLanche Feliz publicada pela revista “The Week”. Confiram:

1979
O McDonald’s lança a primeira versão do lanche, cuja embalagem era uma carrocinha de circo. A escolha era entre hambúrger e cheeseburger, além das batatas-fritas, cookies e o refrigerante. O chamariz eram as váras opções de brinquedo: um stêncil “McDoodler”, uma “McWrist” carteira, um bracelete, um cadeado, um pirocóptero ou uma borracha “McDonaldland”. De acordo com a ABC News, o primeiro McLanche Feliz continha 600 calorias

1979
No mesmo ano é lançado o primeiro lanche temático: o “Star Trek Meal”

1983
O “Chicken McNuggets” surge como uma alternativa ao hambúrguer

1987
É introduzido o primeiro “Disney Happy Meal”, que ajuda a atrair as crianças com personagens como Mickey Mouse, Cinderela, Simba e Nemo

Abril de 1997
A rede começa a oferecer como opção de brinquedo os “Teenie Beanie Babies”, pequenos bichinhos com enchimento. Segundo a ABC News, mais de 100 milhões de “Teenie Beanie Babies” foram vendidos

Setembro de 2002
Os pais de duas adolescentes processam o McDonald’s sob a alegação de que a rede servia sanduíches pouco saudáveis e que eram prejudiciais à saude. O advogado disse que a lanchonete seduzia as crianças com seus playgrounds e seus “desejáveis” brinquedos do McLanche Feliz

Setembro de 2003
Sob a consultoria de Bob Greene, o “guru fitness” de Oprah Winfrey, o McDonald’s passa a testar uma versão adulta e saudável para o McLanche Feliz. O lanche “Go Active” substituía o hambúrguer e o brinquedo por salada e trazia uma apostila de exercícios e um podômetro (aparelho que conta passos). O que a reportagem da “The Week” não conta é se isso deu certo

Junho de 2004
O McDonald’s introduz escolhas mais saudáveis no McLanche Feliz, como leite desnatado, suco de maçã (em vez de refrigerante) e pedaços de maçã com calda de caramelo de baixa caloria. A refeição passa a conter 375 calorias

2006
Nas propagandas do McLanche Feliz, a rede passa a usar fotos de “Chicken McNuggets” e fatias de maçã

Maio de 2007
Personagens do filme “Shrek Terceiro” são usados para promover versões mais saudáveis de McLanche Feliz. Além disso, o “pançudo” Shrek incentiva atividades físicas por meio de joguinhos online no site do McDonald’s

Dezembro de 2007
É lançada uma promoção polêmica: estudantes que tivessem boas notas teriam impressos no boletim cupons para serem trocados por um McLanche Feliz. A “The Week” não diz o desfecho da história

Agosto de 2008
Apesar de o McDonald’s anunciar que a versão light do McLanche Feliz continha apenas 375 calorias, um estudo revelou que 93% dos lanches comercializados excediam o limite recomendado de 430 calorias para uma refeição infantil

Outubro de 2010
Como parte do “Projeto McLanche Feliz”, uma artista de Manhattan deixa um lanche fora da geladeira para observar quanto tempo ele sobrevive. Seis meses depois ele permanence com carinha de novo

Novembro de 2010
Um comitê de São Francisco ameaça banir o McLanche Feliz da cidade se não fossem seguidas algumas rígidas orientações, como: todo lanche servido com brinquedo deveria vir com frutas e vegetais. Além disso, a refeição deveria conter menos de 600 calorias

Dezembro de 2010
Uma mãe da Califórnia e o “Centro da Ciência Para Interesse Público” processam o McDonald’s para convencê-lo a parar de oferecer brinquedos nas refeições.

2011/07/27

COMO SER MULHER

Filed under: Folheando — trezende @ 11:49

Por que tenho de fazer depilação cavada? Devo colocar botox? Os homens nos odeiam secretamente? Por que as pessoas vivem nos perguntando quando vamos ter bebê?
Essas são algumas das perguntas de “How to be a Woman” (“Como Ser Mulher”), da jornalista britânica Caitlin Moran.
O livro – de uma das colunistas mais lidas do jornal britânico “The Times” – está na lista dos mais vendidos do site “Amazon” desde o lançamento, há cerca de quatro semanas.
Mas segundo as resenhas já publicadas, não se trata de uma obra feminista clássica.
Caitlin não apresenta estudos sobre as diferenças entre os gêneros masculino e feminino ou entrevista mulheres que sofreram abuso doméstico. Seu objetivo não é esse.
A jornalista parte de suas experiências pessoais para examinar traços da feminilidade.
Segundo Caitlin, nunca houve época melhor para ser mulher. “Temos o direito ao voto e à pílula e não somos queimadas na fogueira como em 1727”. Entretanto, algumas questões permanecem, e Caitlin toca em pontos polêmicos: saltos não deixam a mulher poderosa. Pelo contrário, são uma bobagem e é impossível de se caminhar sobre eles. A “brazilian bikini” – como nosso estilo de depilação na virilha é conhecido lá fora – “é um horror”. Ter uma faxineira não é uma atitude antifeminista, assim como pornografia não é algo tão terrível.
Caitlin ainda diz que ensina às suas duas filhas a sentirem pena das meninas da MTV porque há consequências em se vestirem como elas quando ainda são muito novas: “Os caras não vão ouvir o que vocês estão falando, só vão olhar para suas pernas”.
A jornalista conta que teve uma adolescência difícil. A mãe, uma riponga, além de vestí-la com roupas da cor do arco-íris, dizia-lhe que desodorante causava câncer e que o sutiã era algo desnecessário na vida da mulher.
Quando ficou menstruada pela primeira vez, sangrou em silêncio por três meses.
Caitlin foi alfabetizada em casa e, apesar de jornalista premiada e escritora precoce – publicou seu primeiro romance aos 15 anos – nunca frequentou a universidade.
Sua família era grande e pobre – Caitlin é a mais velha de oito irmãos. Como se alimentavam mal, sofriam de obesidade. Caitlin tinha pouquíssimas roupas e começou a sofrer bulling aos 13 anos. “Não tinha amigos e os meninos me jogavam pedra quando me viam”.
Tudo isso, no entanto, não a impediu de ter uma vida e uma carreira bem-sucedidas. Caitlin é colunista do “The Times” há quase 20 anos e já recebeu diversos prêmios. Este ano ela ganhou o de melhor entrevistadora de 2011 da imprensa inglesa por causa de sua entrevista com Lady Gaga. Dentre as revelações, a cantora admitiu que tinha lúpus.
Segundo Caitlin, o segredo é levar tudo com humor. Rir de tudo, de si mesma e sempre é uma arma infalível.

2011/07/26

A MARCA DA MALDADE

Filed under: Matutando — trezende @ 09:30

Na sexta-feira passada, em São Paulo, o bairro do Brooklin parou por algumas horas para assistir à simulação de um ataque terrorista a um hotel cinco estrelas.
Ainda que de mentirinha, visualizar o cenário com todos os seus elementos – gente gritando, som de helicóptero, viaturas policiais, ambulâncias e fumaça no alto do prédio – é chocante.
O que ninguém imaginava é que no mesmo dia um atentado terrorista acontecia de fato, na Noruega.
Em vez de um hotel, o fulano agiu ao ar livre, detonando bombas no centro de Oslo e matando dezenas de pessoas num acampamento.
Diante de tragédias assim, além da comoção mundial, o comentário-padrão: “ah, o cara era louco”.
Por que a tentativa de justificar atos absurdos como esse sob o argumento da loucura, do desequilíbrio psiquiátrico e psicológico? Por que é tão difícil reconhecer que existe (muita) gente má? O fulano é ruim. Ponto.
Segundo ele, seus crimes foram uma atrocidade, mas necessários.
Uma pessoa que demonstra plena consciência de seus atos não é tão maluca assim.
O fulano não é o atirador do Morumbi Shopping, nem aquele que entrou numa escola carioca disparando tiros a esmo – esses sim doentes mentais – e nem Deborah Guerner. A promotora já fez caras e bocas e simulou desmaios, mas os médicos informam que ela sempre deixa o posto médico “tranquila e clinicamente estável”.
O norueguês não agiu num acesso de fúria. Seu ataque foi calmamente arquitetado ao longo de pelo menos dois anos – tempo suficiente para abastecer-se legalmente de quilos e mais quilos de fertilizante para a construção das bombas e redigir um manifesto de 1.500 páginas: “2083 – Uma Declaração Europeia de Independência”.
O atentado é atribuído ao “crescimento da extrema direita”. Crescimento? Ora, os ultradireitistas/xenófobos/racistas/fanáticos sempre existiram. Estão por aí e são mais fáceis de serem encontrados do que cabeça de bacalhau. Eles só esperam uma chance para se manifestarem.
Vira e mexe, nas redes sociais, o preconceito contra nordestinos vem à tona. No ano passado uma garota sugeriu no Twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Na semana passada, entrevistei Sílvia Novais, eleita miss “Itália nel Mondo” – título concedido à mais bela descendente de italianos. Sílvia, que é baiana e filha de mãe negra, foi alvo de ataques racistas em diversos sites nacionalistas. Uma das frases dizia: “A negra nojenta não pode ser italiana, talvez ela tenha um avô italiano do avô do avô…”.
A diferença entre esses e o fulano é que talvez os que se escondem atrás de um teclado não sejam tão inteligentes ou simplesmente não tenham condições financeiras de organizarem um atentado. Com um pouco mais de capacidade intelectual e dinheiro no bolso teriam a coragem para se tornarem tão perigosos quanto esse Bolsonaro norueguês.
Tão chocante quanto tudo isso, a notícia de que o fulano pode pegar, no máximo, 21 anos de cadeia. Numa prisão, aliás, muito mais confortável do que um hotel cinco estrelas.
Os noruegueses continuam de uma ingenuidade atroz.

P.S.: assim que publiquei este post meu computador foi alvo de hackers. Portanto, retirei o nome do atirador, a quem me refiro apenas como fulano.

2011/07/25

OS PASSAGEIROS DA AGONIA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:50

Na semana que passou uma tentativa de estupro em pleno metrô paulistano chocou a todos.
Nos ônibus há o risco iminente de assaltos, arrastões e até sequestros – como o do 174 carioca –, os trens metropolitanos precisam de vagões exclusivos para mulheres, mas o metrô era considerado um dos poucos locais seguros da cidade. Caiu mais um mito.
O metrô de Nova York e de outras grandes metrópoles sofrem com problemas semelhantes, o que não alivia nosso sentimento de indignação, mas nos traz um alento diante da possibilidade de classificarmos o comportamento como típico de país subdesenvolvido.
Até atitudes menores – como folgados que se apropriam com avidez dos assentos – são mais comuns do que se imagina.
O “SeatHogs.com” é um site que traz leveza ao assunto. Trata-se de um site dedicado a publicar fotos de passageiros espaçosos em transportes públicos de Nova York.
Segundo o autor, são atitudes que caracterizam o “Seat Hogging”: colocar malas ou bolsas no assento ao lado; espalhar as pernas ou braços; bloquear o acesso ao lugar (com o corpo ou pertences); sentar no assento reservado a idosos ou deficientes físicos; espichar-se em mais de um banco para dormir; não oferecer lugar para grávidas; e toda pessoa que precisa ouvir um “com licença” para liberar a passagem.
Há certos casos, no entanto, que não são considerados “Seat Hogging”, tais como: gordos que ocupam sem querer o assento ao lado; crianças pequenas sentadas em bancos grandes; gente que ocupa o banco do corredor quando o do lado da janela está vazio (“o passivo-agressivo”); guardar lugar no teatro ou em local similar; deixar um assento vago entre um casal e outro; pessoas sujas e fedorentas (“mas, por exemplo, se alguém está cheirando muito mal e literalmente limpa a área ao redor equivale a ‘Seat Hogging’ e nós publicaremos a foto”).
O site existe há dois anos e sobrevive da contribuição de leitores. Além de enviar a foto, o leitor deve informar quando, onde aconteceu a cena e uma breve descrição do ocorrido.
A ideia surgiu depois que um empresário de Manhattan colocou no Facebook a imagem de uma mulher com as pernas cruzadas ocupando dois bancos enquanto raspava um bilhete de loteria. A foto causou indignação e ele resolveu criar o site para causar constrangimento em quem apresenta esse tipo de comportamento.
O autor – que prefere se manter no anonimato para evitar represálias de pessoas que já tiveram suas imagens publicadas – disse ao jornal “The Washington Post” que tudo é uma questão de egoísmo.

Conheçam o site AQUI

2011/07/24

BACK TO BLACK

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:55

Nem Keith Richard nem Rafael Ilha. Amy Winehouse furou a fila e foi atendida.
A gente já sabia, só não imaginava que seria tão rápido. O rápido aqui é relativo – já que ela tinha problemas com drogas e álcool desde os 18 anos.
Amy não recebeu ajuda – e nem queria. As pessoas que estavam à sua volta simplesmente se omitiram: familiares, amigos e “responsáveis”.
Para que forçar uma estrela a fazer algo contra a sua vontade – principalmente quando as cifras envolvidas são estratosféricas? Sob os olhos dos empresários do meio musical era confortável assisti-la bancando a bêbada no palco desde que o bolso estivesse cheio.
Ninguém quis abrir mão de seu quinhão e deu no que deu.
Em outubro do ano passado Amy deu uma entrevista – talvez a última – para a revista “Harper’s Bazaar”. Nela é possível perceber o nível de confusão mental vivido pela cantora.
Abaixo, a entrevista traduzida:

Amy Winehouse: Unplugged
No lançamento de sua nova coleção de moda, a controversa superstar diz que está mais feliz do que nunca. Mas ela realmente mudou?

Por Polly Vernon

Mesmo a partir de uma certa distância e apesar de ela ser realmente pequena, Amy Winehouse, 27, é inconfundível. Eu a reconheci instantaneamente: uma estrutura pequena emoldurada por um cabelo preto colmeia, a boca grande e a saliente curva de seu peito – que pode ou não ter sido melhorado através de cirurgia estética. (Winehouse não comenta sobre o implante de seio que teria acontecido em outubro de 2009, mas ele parece muito maior do que era alguns anos atrás).
A cantora chega ao pequeno estúdio fotográfico montado em Londres para a “Harper’s Bazaar” descalça, extravagantemente tatuada e vestida apenas com um vestido frente única de algodão – parte da coleção que Winehouse criou com a marca britânica Fred Perry. Hoje ela desfila as roupas para o rock star que virou fotógrafo, Bryan Adams.
Eles já haviam começado o ensaio quando eu cheguei; Adams havia feito uma parada para comer alguma coisa. Ele estava tentando convencer Winehouse a comer também oferecendo-lhe bolinhos de arroz vegetarianos. “Não, Bryan!”, dizia ela num tom alto e totalmente teatral. “Eu preciso de proteína, Bryan!”.
Ela então despacha um dos integrantes de sua equipe para ir atrás de uma salada de lagostim e também: “Um pepino, assim posso bater no Bryan com ele”. E se encaminha para se arrumar para a próxima fase das fotos.
Esse foi meu primeiro contato com Winehouse. Ela parece um pouco exigente, um pouco afeita ao drama, mas também concentrada, disciplinada, ansiosa para terminar o trabalho, engraçada.
Quando discuto com Richard Martin – o gerente de marketing da marca Fred Perry – sobre como tem sido a experiência de trabalhar com ela, ele me diz que ela tem sido encantadora – inteligente, apaixonada, dedicada, cheia de ideias sobre o que ela quer. “Detalhes, tecidos, ela está por dentro de tudo. De tudo”.
Amy Winehouse pode ter virado a página?
Os três últimos anos têm sido difíceis para a artista. De um lado, ela conquistou fama internacional ganhando o Grammy de melhor álbum com “Back to Black”. De outro, tornou-se vil. Graças ao seu casamento tumultuado com Blake Fielder-Civil e rumores sobre ataques de fúria, uso de drogas e várias passagens pelas clínicas de reabilitação. Winehouse tem sido associada à celebridade mais obscura, destruída e preferida pelos tabloides.
Recentemente sua vida parecia mais calma. Em julho de 2009, ela e Fielder-Civil se divorciaram. Desde então ela tem estado mais discreta em relação àquela que costumava ser perseguida pelos tabloides.
Um início de relacionamento com o cineasta Reg Traviss provocou o interesse da imprensa, mas em geral ela tem evitado problemas e a incompreensível cobertura da mídia.
Antes de Winehouse começar a próxima fase da seção de fotos, eu a vi tomando um bom trago de vinho. “Não que eu seja uma rock star alcoólatra”, ela fala alto.
Eu não tenho ideia do que motivou isso, mas posso dizer que nos 45 minutos seguintes ela havia mudado. Estava psicologicamente instável, cambaleante em seus saltos altos. Depois ela começou a dar show para a câmera – com direito a piruetas. “Vai logo, Bryan!”, ela gritou. “Isso parece uma doação de sangue de três horas!”.
Ela levanta sua minissaia preto e branca e balança os quadris. O ensaio termina e Winehouse sai imediatamente do set.
Eu a encontro sentada na beirada da cama de seu camarim tomando uma sopa ruidosamente. Um de seus representantes diz que ela dará a entrevista em alguns minutos.
Quero perguntar diversas coisas a Winehouse. Ela é feliz? Saudável? Está trabalhando em algo novo? Está apaixonada? Como é o relacionamento dela com o pai, Mitch, que é taxista em Londres? Ela sente falta de Blake? Quer se casar? Ter filhos?
Mas logo a ficha cai e é improvável que eu consiga as respostas. Ela não está… presente. Está distraída e vaga. Minhas perguntas mais diretas a confundiram.
Como você está?, eu pergunto.
Ela dá mais uma golada na sopa.
“Estou ótima. E você?”. A voz dela era ofegante, meio infantil. Ela pronunciava algumas palavras com grande cuidado, mas outras eram sílabas ininteligíveis.
Estou bem, eu digo. Ficou cansada do ensaio?
“Não sou muito boa nisso”.
Por que não?
“Porque sou música. Não sou exatamente boa para fazer poses, ser modelo ou agir como modelo”.
Você gosta disso tudo?
“Hmmmm … Gosto… Depende de quem está com você”.
Mas você gosta do Bryan?
“Sim! Gosto muito dele, ele é um cara ótimo”.
Conte-me sobre o projeto Fred Perry. Parece que você realmente sabe o que quer dele.
“Muito, muito. Está quase tudo pronto para a coleção outono/inverno 2012”.
Foi fácil?
“Mmm-hmmm. Sim, sim, não tão difícil porque…”
Alguém aparece, entrega a ela a salada de lagostim e leva o pote de sopa vazio.
“Obrigada, baby!”, ela diz para quem lhe trouxe a salada e se vira pra mim:
“Eu sabia exatamente o que eu queria e eu amo tanto Fred Perry. Fiquei honrada quando disseram: ‘Você quer vir aqui e criar uma coleção?’ Eu? Tipo eu?” e aponta o dedo para o peito. “Quero!”.
Como está seu trabalho de uma maneira geral?
“Um, escrevendo um montão. Apenas… escrevendo um montão”
O empresário nos interrompe: “Sobre o que você está perguntando a ela?”
Música.
Ele diz que Winehouse não pode falar sobre seu novo álbum. Ela só pode falar sobre Fred Perry.
“Sim”, ela diz com gosto. “Apenas Fred-Perry”
Okay. Você se considera um ícone de estilo?
“Estilo do quê?”
Um ícone de estilo, eu repito
“Não, claro que não!”
Mas você é! Muitas pessoas mudaram a aparência em consequência do seu visual. Tatuagens ganharam um novo status. Até o delineador carregado está sendo imitado.
“Uh-huh. Não acho que seja verdade. Só me visto como… Eu sou um negro velho, me desculpe! Sou como um velho negro judeu. Me visto como se eu estivesse nos anos 50”.
Quem te inspira?, eu pergunto. Mas Winehouse está distraída. Deixa cair um pouco de salada na cama.
“Deixei cair camarão no cobertor do Bryan Adams”, ela diz assustada. E recolhe com um guardanapo.
Ele te perdoa.
“Você acha que ele vai?”
Com toda certeza.
“Quais são minhas inspirações? Elizabeth Taylor”
Você quer se parecer com Taylor?
“Não exatamente. Ela tinha olhos roxos. Isso é estranho”
Ela faz uma pausa e continua seu raciocínio: “Thelonious Monk. Charlie Mingus. Miles Davis… Thelonious Monk novamente e alguns rappers de hoje, como Nas, Busta Rhymes e Mos Def”
Alguma inspiração de estilo?
“Não sei”. Ela parece frustrada procurando por alguma referência fashion. “Chanel”
Eu decido pegá-la de surpresa com uma grande questão para ver o que acontece.
Amy, você é feliz?
Ela semicerra os olhos de maneira suspeita.
“Em relação a quê?”
À vida.
“Estou feliz com essa salada”
Você acorda e se sente feliz?
“Não entendo o que quer dizer”. Pausa. “Tenho um namorado ótimo. Ele é bom pra mim”
Você está apaixonada?
“Ainda não sei… Estamos juntos há três meses e meio”
Pelo tempo dá para notar que ela está se referindo a Reg Traviss.
E tem alguma ambição que ainda não realizou?
“Não!”, ela diz. “Se eu morrer amanhã, serei uma menina feliz”.

2011/07/23

SURREALISMO

Filed under: Entrevista — trezende @ 11:02

Até quem se considera cansado de guerra e pensa que já viu de tudo na vida vai se surpreender com a história de Moacir Santaguita.
Moacir tem 69 anos, é dentista em São Paulo e se autoimpôs uma “maratona sexual” entre 2001 e 2002. Durante quase um ano ele consumiu 146 caixas de Viagra – a foto acima comprova toda a história.
Após tomar conhecimento dessa experiência surreal, entrei em contato com Moacir por telefone, que apesar de estar com uma paciente em seu consultório, disse que poderia conversar comigo.
Ele contou que teve a ideia após a morte da esposa, quando arranjou uma namorada 15 anos mais jovem. “Como ela já tinha uma certa quilometragem com namorados anteriores, eu não podia fazer feio, devia ter um desempenho à altura”, diz ele.
A maratona começava na sexta-feira à noite e terminava na segunda pela manhã “porque ela tinha que ir trabalhar”.
A namorada, no entanto, nunca soube que participava da maratona de Moacir. A moça considerava seu desempenho surpreendente, mas nunca desconfiou – talvez pela cena armada por Moacir. “Toda sexta-feira eu comprava dez cocos verdes e tomava na frente dela. Ela achava que era efeito do coco, mas não sabia que eu já tinha tomado o Viagra” – ou “vitamina V”, como às vezes ele se refere ao remédio.
Moacir virou especialista no assunto. Explica de que forma o remédio age no organismo, dá dicas e faz revelações surpreendentes.
Segundo ele, muitos homens não sabem tomar a “vitamina V”. “Há toda uma preparação anterior. É bom começar o dia com um chá de boldo do Chile ou com algum remédio para deixar o fígado limpinho. Afinal, é ele quem processa tudo”.
Além disso, o efeito do remédio é muito mais potente com o estômago vazio. “Às vezes saíamos para jantar e eu não comia nada, dizia que não estava com fome. Só tomava uma água tônica”, conta.
Moacir garante ainda que numa cartela do comprimido azul pelo menos dois deles são placebo. “Por isso é bom ter sempre ter uns dois de reserva”.
Hoje a namorada é ex, Moacir guarda as caixas como um troféu, está solteiro – “mas não sozinho” – e diz que em breve vai revelar sua história em rede nacional.
Depois de quase 30 minutos de papo, Moacir diz: “Você pode me ligar daqui a meia hora porque tem uma paciente aqui na cadeira?”.

2011/07/22

VARIAÇÕES SOBRE O MESMO TEMA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:04

Tem emprego melhor para um desempregado do que “avaliador de miojo”?
Parece piada, mas Hans Lienesch é justamente o cara.
Ele tem 36 anos, é desempregado, mora em Seattle e já avaliou mais de 400 tipos de miojo/noodles/macarrão instantâneo de várias partes do mundo em seu site, o “The Ramen Rater” (“O Avaliador de Miojo”).
À primeira vista o site é repulsivo, já que o banner é uma imagem de miojo que se assemelha a um emaranhado de minhocas brancas. O papel de parede das laterais é uma coletânea de macarrões que o autor já experimentou.
Hans começou suas avaliações em 2002, mas sempre foi fã do prato. Na infância, costumava ir ao “Uwajimaya” – um grande mercado de produtos asiáticos que a família dele frequentava em Seattle.
Antes de escrever resenhas sobre noodles, ele teve outros “sites avaliadores”. O mais notável deles foi o “The Sauce Rater” (“Avaliador de Molhos”), para o qual produziu mais de 250 textos até decidir criar seu próprio molho. Segundo ele, algo mais divertido, já que todos os que havia provado eram uma variação sobre o mesmo tema.
“Os macarrões instantâneos têm essa tendência. Toda empresa tem seu sabor ‘frango’ e ele segue praticamente o mesmo padrão de uma marca para outra. Mas, surpreendentemente, descobri que graças às diferentes guarnições, óleos temperados ou sachês de pó que estão incluídos, os noodles podem ter um sabor especial”, diz ele.
A avaliação de Hans começa antes mesmo de abrir o pacote. Ele fotografa a embalagem, os temperos, o macarrão cru e todo o processo de preparação. Depois de degustá-lo – às vezes com acompanhamentos que vão além dos que estão incluídos – dá de uma a cinco estrelas. Detalhe: ele remove a embalagem com todo o cuidado e a guarda em sua coleção – organizada numa pasta.
Entre as marcas avaliadas, à exceção de “Nissin” e “Myojo”, todas são nossas desconhecidas, como “Sapporo Ichiban”, “Tung-I”, “Wai Wai”, “Maruchan”, “Indomie” e “Ve Wong”.
No “top ten” elaborado por Hans, os dois primeiros colocados são da Indonésia: “Indomie Mie Keriting Goreng Spesial” e “Indomie Mi Goreng Rasa Ayam Panggang Jumbo Barbecue Chicken”. O terceiro é japonês: “Nissin Yakisoba – with Mayonnaise”.

Quem gostou da ideia, pode visitar o site AQUI

2011/07/21

AQUI JAZ

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:20

Tenho o hábito de ler rótulos de alimentos. Hoje, tomando café da manhã, achei curioso o aviso na caixa do leite: “sem conservantes como todo leite UHT”.
Como um troço altamente perecível que sobrevive seis meses dentro de uma caixa não tem conservantes? Que piada.
Resolvi então elaborar uma lista (muito grosso modo) do meu cardápio diário conferindo os ingredientes das embalagens. Apesar de me considerar uma pessoa saudável, fiquei absolutamente chocada com a quantidade de produtos químicos que coloco para dentro num único dia.
Das duas, uma: ou vamos desenvolver anticorpos contra tudo isso e as próximas gerações serão resistentes a tanto lixo, ou o organismo humano – apesar dos avanços da Ciência – não será capaz de processar a dose de químicos e desenvolverá novíssimas doenças.
Confiram:

Café da manhã
Suco de manga ou pêssego light: acidulante e antioxidante ácido ascórbico, sucralose, acesulfame K e estabilizante goma xantana;
Leite desnatado: estabilizantes citrato de sódio, monofosfato, difosfato e trifosfato de sódio;
Café (a embalagem diz que é café torrado e moído);
Adoçante: sorbitol, ciclamato de sódio, sacarina sódica, benzoato de sódio, metil parabeno e acidulante ácido cítrico;
Pão multigrãos: além de vários tipos de grão, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico e conservador propionato de cálcio;
Requeijão light: fermento lácteo, cloreto de sódio, estabilizante fosfato dissódico, conservante sorbato de potássio, regulador de acidez e bicarbonato de sódio

Lanche
Iogurte natural desnatado: amido modificado, fermento lácteo e estabilizante gelatina. Observação: “pode conter traços de castanha de caju” (?)
Várias gotas de adoçante: mais sorbitol, ciclamato de sódio, sacarina sódica, benzoato de sódio, metil parabeno e acidulante ácido cítrico

Almoço
Aparentemente saudável. Geralmente sem embutidos, mas com frango (turbinado com hormônios), salada, legumes, grãos como feijão, milho, grão-de-bico (carregados no agrotóxico).
Independentemente do cardápio, a comida é preparada com óleo e sal.
O rótulo do óleo: “Ingredientes: produto oriundo de soja certificada não-transgênica com adição de antioxidante ácido cítrico”.
O sal: cloreto de sódio, iodato de potássio e antiumectantes A.U.VI. e A.U.VII.
Para acompanhar, uma Coca-Cola Zero: água gaseificada, extrato de noz de cola, cafeína, aroma natural, corante caramelo IV, acidulante ácido fosfórico, conservador benzoato de sódio, regulador de acidez citrato de sódio e edulcorantes artificiais: ciclamato de sódio, acessulfame de potássio e aspartame.

Lanche da tarde:
Maçã, caqui ou outra fruta (todas trabalhadas no agrotóxico);
Café (“apenas” torrado e moído);
Leite desnatado (mais uma boa dose de estabilizantes citrato de sódio, monofosfato, difosfato e trifosfato de sódio);
Adoçante (sorbitol, ciclamato de sódio, sacarina sódica, benzoato de sódio, metil parabeno e acidulante ácido cítrico);
Pão francês: além de água, sal, farinha de trigo e fermento, os coliformes fecais e estafilococos do padeiro devem ser levados em consideração;
Mais a dose de fermento lácteo, cloreto de sódio, estabilizante fosfato dissódico, conservante sorbato de potássio, regulador de acidez e bicarbonato de sódio do requeijão

O jantar é uma mistura de café da manhã e lanche da tarde.
Não fumo, não bebo, não cheiro. Morri.

2011/07/20

MARMITA DE SUSHI

Filed under: Vox populi — trezende @ 09:49

A coisa mais fofa do mundo é quando um cara fica vermelhinho ao receber um elogio.
Bom, pelo menos essa é a opinião das mulheres japonesas sobre qual atitude consideram mais fofa nos homens. 
O comportamento masculino teve 100% dos votos numa pesquisa realizada pelo site japonês “Goo Ranking”, que durante dois dias recebeu respostas de 1.148 pessoas.
Confiram o resultado:

100%: quando ficam ruborizados após um elogio
97,6%: quando ficam felizes ao encontrarem sua comida favorita na marmita
83,5%: quando, ao comer, ficam distraídos
80,3%: quando parecem indefesos quando estão num sono profundo
79,9%: quando gostam de falar sobre seus hobbies
63,1%: quando se divertem com seus melhores amigos
51,8%: quando se esforçam para fazerem os outros rirem
44,2%: quando ficam desajeitados realizando algum trabalho manual
41,8%: quando praticam esporte com raça
40,2%: quando ficam com cara de sério ao cozinhar
38,2%: quando lutam contra o cansaço
34,9%: quando não gostam de emails decorados
32,5%: quando se empolgam assistindo partidas esportivas
24,1%: quando ficam desapontados ao cometerem um erro
22,9%: quando olham o cardápio e ficam indecisos sobre o que pedirem
22,1%: quando saem correndo ao perceberem que estão atrasados
16,9%: quando tomam água num só gole quando estão com sede
13,7%: quando falam sobre trabalho ao telefone
5,2%: quando fingem que sabem sobre um determinado assunto

Chama a atenção a criatividade das respostas. O que não fica claro é se elas foram espontâneas ou eram alternativas do questionário. Como o site é todo em japonês, a dúvida persiste.
De qualquer forma, achar fofo ver um homem feliz diante de uma marmita – que teve 97,6% das respostas – é um gosto específico das japas. Há imagem mais grotesca do que um homem faminto olhando um ovo frito?
E vocês, leitores, que atitudes consideram fofas no sexo oposto?

2011/07/19

SEM DESCER DO SALTO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:27

Diante dos escândalos envolvendo o “News of the World”, a constatação é simples e segura: aquilo não era um jornal, e sim uma organização criminosa.
Fácil também é entender a morte do jornalista que denunciou as escutas ilegais – apesar de inacreditavelmente a polícia não relacionar o desaparecimento do repórter às maracutaias do jornal.
Outra coisa é certa: espionagem é a palavra do momento.
Já que nem os peixes grandes estão conseguindo se safar, nós, o chamado sexo frágil, precisamos colocar nossas barbas de molho.
Esqueçam a ideia de virarem a Martha Rocha, trabalharem na polícia ou andarem com algemas na bolsa. A melhor opção é a “Stiletto Spy School” (algo como “Escola Para Espiãs de Salto Alto”), que abriu as portas há três anos e conta com unidades em Nova York e Las Vegas.
“Aprenda a manusear oito tipos de armas de fogo – incluindo as semiautomáticas – com munição suficiente para satisfazer o Rambo”, promete o site.
O currículo da escola é extenso e variado. Além de táticas de sobrevivência “Mc Guyver”, aulas de direção para perseguição, técnicas de luta com faca, esgrima, tiro de precisão e treinamento de elite com agentes aposentados das Forças Especiais de Israel e dos Estados Unidos, a escola também tem espaço para perfumaria. Literalmente.
A “Stiletto Spy School” ensina regras de etiqueta à mesa, técnicas de pôquer, degustação de vinhos, danças de sedução – “para você usar a sedução e o flerte tanto com os aliados quanto com os inimigos, um conhecimento essencial para uma espiã” – e a preparação de um martini – “dos filmes do James Bond da década de 50, os martinis simbolizam elegância e logo você vai aprender a combinação perfeita dos ingredientes para o drama e a intriga”.
A escola é a realização do sonho de Alana Winters, que desde os 4 anos de idade era fã das “Bond Girls”, de “As Panteras” e, mais tarde, de Lara Croft e Sydney Bristow (da série “Alias”). Depois de crescer se perguntando onde poderia aprender a ser como as estrelas do cinema, fundou a escola.
Afinal, diz o site, “Você não precisa ser a maior, a mais forte ou a mais rápida – basta conhecer os truques”.
O “News of the World” sabe bem disso.

Visitem o site AQUI

2011/07/18

A BOBAGEM É COMO UM VÍRUS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:55

O “Jogo do Deitado”, do Facebook, já era. O “Bed Jumping” também.
A novidade do verão americano é o “Owling”, que consiste em posar para uma foto de cócoras, tal uma coruja (daí o nome “owling”). De preferência, o clique deve ser feito num lugar incomum, como o teto de um carro, o tronco de uma árvore ou o topo de uma escada.
Para quem não se lembra, o “Jogo do Deitado” – que também recebeu nomes como “Lying Down Game” ou “planking” – era na verdade a foto de uma pessoa de barriga para baixo em algum lugar. Quanto mais estranho, melhor.
Já no “Bed Jumping” a brincadeira consistia em fotografar-se pulando sobre uma cama de hotel ou de casa.
Enfim, bobagens que se transformam em “virais” na Internet e que nos ajudam a fugir da realidade por alguns momentos.
O “Owling” começou na semana passada e já conta com duas páginas no Facebook dedicadas à “atividade”.
A causadora da nova moda é Allison Smith, uma estudante de Jornalismo de 24 anos. “Uma amiga e eu estávamos bagunçando e queríamos inventar algo diferente do ‘planking’, que já havíamos explorado ao máximo”.
Após Allison colocar a foto em seu perfil no Facebook com a legenda “Owling?” ficou surpresa com a reação. “Era apenas uma foto-padrão”.
O termo já foi parar até no “Urban Dictionary”: “a nova mania do viral; um pouco parecido com o ‘planking’, exceto pelo fato de que você se agacha, fixa o olhar como uma coruja e depois sobe a foto para o Facebook”.
Eu, que já mostrei aqui no blog minha contribuição ao “Bed Jumping”, prometo uma foto de “Owling” em breve. Aguardem.

P.S.: Há vezes em que o “planking” dá errado… Vejam AQUI

2011/07/17

MENINO DO RIO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:46

Tatuagem é como roupa. Veste-se.
Assim como é necessária uma dose de bom gosto no momento da escolha da peça – ou do desenho –, é fundamental ter bom senso em dobro para perceber o que combina – ou não – com o seu tipo físico e personalidade.
Há pessoas de quadris largos e baixinhas que simplesmente não podem usar uma saia balonê, assim como há aquelas que não seguram um dragão nas costas ou uma caveira no abdômen.
Um artigo curioso publicado na seção “City Critic” (“Crítica da Cidade”) do “The New York Times” estabelece algumas regras de etiqueta tanto para os usuários quanto para os admiradores das tattoos.
No início, o autor Neil Genzlinger faz uma série de perguntas: se uma pessoa tatuada está na sua frente no corredor do metrô você deve ou não olhar para ela e sua tatuagem? Ou para ambas? Se você tem uma mulher pelada tatuada no bíceps, deve escondê-la se um menor de 17 anos – sem a companhia de um adulto ou responsável – passar por você? Se alguém pede a um tatuador que ele escreva uma frase sucinta, mas com erro, o tatuador deve corrigir a gramática?
Para responder às dúvidas e elaborar um “código de ética” para o uso das tattoos, o autor passou algumas horas no estúdio de Ami James acompanhado de dois conhecidos tatuados: Suzanne O’Connor, uma colega do “The New York Times”, e o ator Gregg Mozgala.
Ami James se tornou conhecido graças ao reality show “Miami Ink”. O programa – que já foi exibido no Brasil pelo “People and Arts” – é um reality show que mostra o processo de trabalho dos tatuadores desde que ouvem a ideia dos clientes até o resultado final.
Ami James – que aprendeu todos os macetes por baixo dos panos, antes de a tatuagem ser legalizada em Nova York em 1997 – “deu algumas opiniões surpreendentes para quem tem o corpo tomado por desenhos e vive disso”, diz o artigo. Segundo James, “nem todo mundo precisa de uma tatuagem”.
James conta ao jornalista que hoje a lista de tattoos que ele não faria em seus clientes seria extensa – “apesar de já tê-las realizado quando era desconhecido e faminto”.
Uma delas é a que ele define como “job stoppers”: qualquer desenho nas mãos ou acima do pescoço que não seja possível de ser escondido numa entrevista de emprego. Ele também não tatua mais menores – mesmo com o consentimento dos pais – e desenhos com conotação negativa como a suástica. “Se você escreve ‘orgulho branco’ em alguém você é parte disso”, conta James.
“Também não espere entrar no estúdio do tatuador pedindo para ele tomar qualquer decisão por você”, continua o artigo. “Algumas pessoas entram e dizem ‘O que devo fazer?’. E eu digo: ‘Nada’”.
Sobre as diferenças entre o tipo de pele dos habitantes de Miami e Nova York, James fala que em Nova York as peles sofrem menos com o Sol, o que torna o trabalho mais fácil.
O jornalista quer saber quem está se tatuando mais hoje em dia. E a resposta de James: “Tenho tatuado mais donas de casa do que qualquer coisa”. Em que parte do corpo? “Nas costelas”.
Sobre as perguntas do início do artigo, James diz que é aceitável olhar discretamente para as tatuagens de estranhos. É aceitável ainda perguntar sobre os desenhos de pessoas que você não conhece – especialmente se você também tem um. “É a nova maneira de se começar uma conversa”, diz o ator Gregg Mozgala.
Segundo ele, três razões fazem que a tatuagem seja melhor começo de conversa do que cães: “não precisam ser levadas para passear, não precisam ser alimentadas e não estragam seus móveis”.
Sobre a etiqueta para os portadores de tattoos, James fala que “já que estabelecemos que é aceitável que estranhos olhem para a sua tattoo, a cortesia requer que você a mostre por inteiro. Se você tem, por exemplo, um rabinho visível na barriga e o restante da criatura localizada mais ao sul, vista-a ou não. Tudo depende da ocasião”.
Essa aí em cima, por exemplo, só se justifica numa aula de Geografia.

2011/07/16

O DOCINHO QUE TAVA AQUI

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:32

Pessoas que travam a longa batalha contra a balança podem ter encontrado um aliado improvável – o garfo grande.
Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Utah, pessoas que comem menos são aquelas que utilizam garfos maiores.
A experiência de dois dias foi realizada num restaurante italiano. As mesas foram postas com garfos grandes e pequenos. Em ambos os casos, a diferença era de 20% em relação aos talheres normais.
Após o uso, cada prato foi pesado a fim de calcular o quanto de comida havia sobrado. E o resultado: voluntários com garfos maiores deixaram mais comida no prato.
Os autores do estudo dizem que o garfo grande dá mais indicação visual do que o pequeno sobre o quanto ainda falta para concluir a refeição.
Ainda de acordo com os pesquisadores, o que faz as pessoas saciarem seu apetite é um processo: a escolha do prato, o momento de saboreá-lo e a hora da conta.
O estudo, publicado pelo “Journal of Consumer Research”, conclui: “A vovó já nos aconselhava a mastigar bem para que o nosso corpo tivesse tempo suficiente para nos dizer que estávamos cheios. Mas como as pessoas hoje vivem ocupadas e não podem mastigar bastante, usar um garfo grande pode ser útil para controlar excessos”.
Há controvérsias.

2011/07/15

DEU NÓ

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 08:56

Depois que o prefeito Gilberto Kassab instituiu a lei “Cidade Limpa”, São Paulo ficou livre de faixas, outdoors, luminosos e todo tipo de publicidade. A cidade pode ter ficado mais limpa, mas ficou também mais triste.
Uma categoria, no entanto, conseguiu burlar as regras do prefeito: os amarradores do amor e pais-de-santo especialistas em curar males do coração.
Em alguns postes é possível cruzar com pequenos cartazes prometendo “seu amor de volta em 24 horas” – ou o seu dinheiro de volta.
Um deles me chamou a atenção: “Trago seu amor em 6 horas”. Uau. Praticamente mais rápido do que um voo São Paulo-Manaus.
Memorizei o telefone e tratei de recitá-lo como um mantra até o meu destino – havia tempos queria ligar para um Pai Oxum da vida.
Abaixo, a transcrição da conversa:

- Oi, boa noite, eu vi um cartaz de amarração num poste perto do shopping e queria saber como funciona
– Trago sua alma em 6 horas. Se não der certo, devolvo seu dinheiro. Sai R$ 300. Se você depositar agora (que horas são?) até às 6h, 7h da manhã ele vai te ligar
– E do que você precisa?
– Nome, sobrenome e data de nascimento dos dois
– Tá bom. Deixa eu até anotar aqui
– Viu, mas eu não vou te atender no meu consultório porque ele tá em reforma. A gente marca um encontro que é mais fácil. Quer se encontrar agora?
– E é você mesmo quem faz? Como você se chama?
– Bianca
– Bianca, qual a diferença do atendimento no consultório?
– O ambiente. Com imagens e velas grandes de três metros
– Depois que eu faço o depósito, como funciona?
– Eu pego o dinheiro e vou na Federação comprar os materiais. Porque eu não cobro o meu trabalho, só os materiais, que não são daqui, são da Índia. Se você ligar nas outras que fazem amarração elas vão te cobrar uns R$ 600, R$ 700
– É a Federação dos Amarradores?
– Eu não posso divulgar o nome da Federação
– Que materiais são esses?
– Velas, incensos, algumas imagens e dois bonecos simulando vocês dois. Por isso que eu preciso do nome de vocês. Para colocar nos bonecos
– Bonecos? Você vai espetar os nomes com uma agulha?
– Não, vou amarrar os dois
– Amarra bem forte, tá? Você faz tipo uma macumba?
– Não, não, vou para um lugar reservado e faço a simpatia
– Mas isso é garantido mesmo? Eu tô desesperada… Já faz mais de um ano…
– É garantido. Fiz um trabalho outro dia que ela tava separada dele fazia dois anos. Ele tava até casado com outra mulher já e voltou pra ela
– Sei
– Você não quer se encontrar agora? Que horas são agora?
– Quase 8 da noite
– Então… Até 3, 4, da manhã ele vai te procurar. Se ele morar perto de você, vai te procurar. Se morar longe, vai te ligar
– E ele vai me falar o quê?
– Ele vai ligar dócil, bonzinho, dizer que te quer de volta, que se arrependeu…
– E você faz esse trabalho reservado aonde, numa esquina?
– Não, no mato
– Posso ir junto?
– Não. É bom você não estar junto porque é um mato longe
– E os materiais, vão ficar lá a noite inteira?
– Até o resultado. Depois o pessoal da Federação passa lá e recolhe
– E se não der certo, posso fazer de novo?
– Pode. Mas é 100% garantido. Quer se encontrar agora?

Que Nossa Senhora Desatadora dos Nós nos proteja.
Só não descobri ainda quem é a mais desesperada: a amarradora ou quem liga para ser amarrada. 
Se alguém se interessou, posso passar o telefone.

2011/07/14

UM MOSTRUÁRIO INUSITADO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:38

Ele nunca está no topo das pesquisas por seus atributos físicos, mas Wayne Rooney (conhecido informalmente como Shrek) tem um dos narizes mais atraentes da Inglaterra, dizem os especialistas.
O nariz do astro do Manchester United é considerado o mais atraente pelo acadêmico que completou o que ele afirma ser o primeiro estudo do tipo a classificar e arquivar os diferentes formatos de nariz.
O professor Abraham Tamir, da Universidade Ben-Gurion de Israel, bateu perna em shoppings na Europa e em Israel tirando fotos disfarçadas de pessoas com narizes interessantes. Depois ele organizou 1.300 imagens e relacionou cada nariz a um rosto de uma pintura ou peça de arte, o que lhe possibilitou afirmar que há 14 tipos de nariz – com classificações que variam de “carnudo” a “celestial”.
O estudo foi publicado no “Jornal de Cirurgia Craniofacial”.
“Antes de Rooney deixar que o elogio suba à cabeça, entretanto, ele deveria saber que os que têm nariz como o dele – pequeno e levemente empinado na ponta – são vistos como imaturos física e espiritualmente”, alerta o pesquisador.
O mais comum, particularmente entre os homens, é o carnudo (ou corpulento), exemplificado pelo príncipe Philip. O carnudo aparece em quase um quarto dos rostos estudados.
Segundo o professor Tamir, pessoas com nariz desse tipo provavelmente são generosas, emotivas, prestativas e sensíveis. Por outro lado, tanto o carnudo quanto o falcão – como o de Barbra Streisand – estão entre os menos atraentes.
(Se o carnudo é o do príncipe Philip, como denominar aquela napa com formato de morango que sofreu mutação? Bulboso talvez?)
O nariz romano – como o de Tom Cruise, comum entre cerca de 9% dos pesquisados – é sinal de ambição, coragem e pensamento claro.
Outro nariz clássico, o grego, como o do capitão do Arsenal, Cesc Fabregas, é portado por apenas 3% das pessoas.
O ator Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter, é um dos que engrossam a lista dos 9% do nariz aquilino, sinal de pessoa estrategista e com mente para os negócios.
13% dos pesquisados têm nariz celestial como o da atriz Carey Mulligan. Esse, acredita o professor, é o mais atraente, ao lado dos que têm nariz como o de Rooney.
Kate Middleton é outra que pode ficar envaidecida pela sua napa – encontrada frequentemente em pinturas, o que sugere que os artistas viam esse tipo de nariz como algo belo.
Simon Withey, da Sociedade Britânica de Cirurgiões Plásticos, toca num ponto fundamental e que desmonta toda a teoria do professor israelense. Segundo Simon, os resultados seriam completamente diferentes se a pesquisa fosse realizada em outra parte do mundo.
Pequeno detalhe.

A propósito, nesta quarta-feira o brilhante Antônio Prata publicou uma crônica ma-ra-vi-lho-sa sobre nariz. Confiram:

ASSOANDO O NARIZ
Estou gripado. Faz uma semana que meu nariz escorre ininterruptamente, como a nascente de um rio, ou explode em tonitruantes espirros, como um vulcão desativado que, após anos de silêncio, retoma suas atividades.
Eu não deveria me incomodar com a fúria da natureza: durante toda a infância e a adolescência, a rinite alérgica foi minha fiel companheira. Por quase duas décadas, andei por aí com rolinhos de papel higiênico enfiados nos bolsos, escravo das vias que, não satisfeitas por serem aéreas e superiores, queriam também ser hídricas -e conseguiam: essas narinas anfíbias, inundadas como um brejo, coaxantes como sapos.
Foi na passagem para a idade adulta, meio que de uma hora pra outra, que o nariz parou de me atormentar e resolveu resignar-se às duas únicas funções para as quais veio ao mundo: respirar e meter-se onde não é chamado.
Não sei nada de medicina e desconfio das relações que o senso comum costuma tecer entre doenças e estado de espírito; provavelmente o fim concomitante da rinite e da adolescência tenha sido mera coincidência, mas sinto como se o bem-vindo estio nasal tivesse a ver com uma mudança de postura, certo ganho de confiança, capacidade de olhar as coisas (um pouco mais) de frente, fruto da maturidade.
Assoar o nariz, como usar chapéu ou fazer piadas, é uma forma de proteger-se do mundo. Uma pequena covardia, um ato de autossabotagem. Durante os segundos em que se usam as narinas como corneta, fica-se temporariamente isento de quaisquer responsabilidades. Impossível dar em cima de uma garota e assoar-se ao mesmo tempo. Contar uma história, não dá. Jogar bola, sem chances. Bater boca, fora de cogitação. Neurose das mucosas: por conta de um mero grão de pólen, um pelo de gato, um ácaro acariciando a parede das fossas nasais, o sistema imunológico decide ativar o alarme, grita “Fogo! Fogo!” e liga os sprinklers, inundando caixas e caixas de lenços de papel.
Por essas e outras, sempre acreditei que assoar o nariz é um vício da vida contemplativa. Como se o embotamento de nosso sentido mais animal, o olfato, fosse pré-requisito para a negação do corpo e a opção pelo intelecto: não sinto, logo penso, logo existo. Difícil imaginar um general com rinite alérgica. Ou um piloto de F-1. Charles Bronson deve ter espirrado só duas ou três vezes -e na infância. Já escritores, humoristas, filósofos, vejo-os todos com uma pequena pirâmide de papel higiênico amassado ao lado de suas poltronas. Woody Allen é praticamente só nariz. E Groucho Marx, então? Veja um retrato de Descartes: é evidente que ele está segurando um espirro.
Nesses últimos sete dias de gripe, me senti transportado de volta à adolescência. A uma festa em 1993, em que, sentado numa mesa no canto, via a garota dos meus sonhos sendo xavecada por um boçal de boné para trás e não podia fazer nada: não com o nariz naquele estado, não me assoando e limpando as caspinhas de papel caídas na camiseta. “Quem sabe mais pra frente?”, eu pensava, fazia alguma piada e voltava a cuidar dos meus assuntos: sssrrrrrruuuuummmmfffffchhhhh.

2011/07/13

ENGENHOSIDADE ESTRUTURAL

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:42

Dia 25 de junho aconteceu em Nova York mais um daqueles eventos criativos. Foi a terceira edição da “Jell-O Mold Competition”, uma competição de escultores de gelatina.
Organizada por um coletivo de artistas do bairro do Brooklyn, a disputa foi um show de criatividade e reuniu cerca de 20 participantes.
Deu de tudo: do busto do presidente Obama (o “Jeel Obama”) às dentaduras aí em cima.
As regras da competição diziam que os participantes poderiam se sentir livres para usar diferentes tipos de gelatina ou materiais, mas a gelatina deveria ser o principal componente da escultura. Além disso, teria de ser segura o bastante para ser saboreada – cada participante serviria cinco porções de sua obra aos jurados.
O grande vencedor foi o trabalho “Jelly Fishin”, do designer Peter Pracilio, que criou iscas de peixe sabor framboesa e pequenos peixes no espeto de sabores variados servidos com um pó de cacau.
A “Little Shop of Horrors: Dentures” (“Pequena Loja dos Horrores: Dentaduras”), feita nos sabores morango e coco, ganhou o prêmio “Engenhosidade Estrutural”.
Já o prêmio especial do juri foi para “Where Do Eggs Come From?” (“De Onde Vêm Os Ovos?”), do designer Hugh Hayden, que preparou um frango e sua infinita produção de ovos. Além de colocar um ovo dentro da ave, distribuiu os ovos como rastros.
Os trabalhos foram julgados em cinco categorias: criatividade, estética, engenhosidade estrutural (ou escultural), apelo culinário (ou comestível) e apresentação.
Portanto, Peter Pracilio pode não ter feito a melhor peça (como a dentadura ou o frango), mas é provável que tenha faturado o prêmio pela apresentação. Ele apareceu vestido de pescador – com direito a capa e botas de plástico amarelas.
Segundo um dos jurados, a gelatina foi criada no fim de 1.800 por Pearl B. Wait, que combinou um produto para tosse que ele estava desenvolvendo com uma sobremesa de frutas preparada pela esposa.
Anos depois, sob o governo do presidente Ronald Regan, as balinhas “Jelly Belly” se transformaram na lembrancinha oficial dos encontros diplomáticos. O presidente – fã declarado de jujubas – pediu à “Jelly Belly” que criasse uma jujuba azul. Assim, teria todas as cores da bandeira americana num pote.

Vejam algumas fotos AQUI

2011/07/12

NA BATIDA DO TAMBORIM

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:05

Não é todo mundo que tem paciência com musicais. Tem gente que acha o fim da picada uma personagem pedir à outra para passar a manteiga cantando e ambas saírem da mesa sapateando.
Mas quem é fã do gênero tem uma ótima opção em São Paulo. Ainda que cometa o pecado de ter canções traduzidas, “Mamma Mia!” é uma delícia.
Em cartaz desde o fim do ano passado, o espetáculo é a versão made in Brazil para o musical homônimo que estreou há 11 anos em Londres com canções do quarteto sueco Abba.
A profusão de musicais de sucesso no Brasil é tendência há pelo menos dez anos, mas eles ainda são um mercado novo para o meio artístico. Elenco e produção pulam de uma montagem para outra para dar conta da demanda. 90% deles ganham versão de Claudio Botelho.
No caso de “Mamma Mia!”, além da adaptação do texto, foi feita a versão das músicas. E é aí que mora o perigo.
“Feel the beat from the tambourine, oh yeah! You can dance, you can jive, having the time of your life” virou: “Sinta a batida do tamborim, ié, ié. Vem dançar, pra valer, hoje a rainha é você!”.
“Mamma Mia, here I go again. My my, how can I resist you?” se transformou em “Mamma Mia, olha eu aqui, meu Deus, ai eu não resisto!”
“The winner takes it all” também é infame: “e tudo ao vencedor!”
Quanto sacrilégio. Por que não manter as versões originais? Tomara que os abbas não nos ouçam.
No elenco, quem faz as vezes de Meryl Streep é Kiara Sasso – que participou de praticamente todos os musicais recentes. No entanto, a protagonista Donna ganha uma interpretação burocrática e o carisma zero de Kiara. Vale pelo gogó.
O rei dos musicais, Saulo Vasconcelos – ex-Fera e ex-Fantasma da Ópera – não está num papel privilegiado. Fica meio de escanteio, desperdiçado na pele de Sam (no cinema, Pierce Brosnan) e muito aquém de seu talento.
O palco é mesmo da gordinha Andrezza Massei, que interpreta Rosie, uma das amigas de Donna. Andrezza rouba todo o carisma da protagonista e o distribui à plateia em forma de animação, alegria e um vozeirão à altura de suas proporções corporais.
Além de Andrezza, os destaques são a promissora Pati Amoroso (a segunda protagonista), a solução simples e criativa encontrada para os cenários – com direito a uma linda lua cheia no final – e os figurinos, divertidos.
Como os musicais que chegam por aqui são superproduções importadas, eles cobram seu preço por isso. Levem dinheiro. E saiam sapateando.

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