O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/06/20

A ARTE DE FABRICAR A SORTE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:11

Quem gosta de biscoitinho da sorte?
A guloseima – feita à base de farinha, açúcar, baunilha e óleo – traz em seu interior uma mensagem, uma profecia, um provérbio ou uma lista de números da sorte e é servida como sobremesa em diversos restaurantes chineses dos Estados Unidos e em outros países, como o Brasil.
Dizem os biscoitinhos foram introduzidos pelos japoneses, popularizados pelos chineses e ultimamente são consumidos pelos americanos.
Mas quem escreve as mensagens da sorte? Pessoas como eu e vocês.
Uma reportagem da revista “The New Yorker” fala sobre Donald Lau, um legítimo fabricante da sorte.
Lau é vice-presidente da “Wonton Food Inc.”, em Long Island, a maior fabricante de biscoitos da sorte do mundo.
Segundo a matéria, nos Estados Unidos há 40 empresas do ramo. Só a “Wonton” produz diariamente 4 milhões de biscoitinhos que são vendidos para os cerca de 40 mil restaurantes chineses que funcionam nos Estados Unidos.
Além de seu trabalho administrativo, Donald Lau escreveu durante 11 anos as mensagens que vêm dentro dos biscoitos da sorte.
Em março deste ano, cinco dos seis números impressos num dos biscoitinhos coincidiu com os sorteados pela loteria “Powerball” e cerca de 110 pessoas foram premiadas no valor de 100 mil dólares.
Os oficiais da loteria estranharam a vitória maciça até descobrirem que os números (22-28-32-33-39-40) vieram dos biscoitinhos, que ainda trouxeram a frase: “Tudo o que você planejou finalmente renderá bons frutos”.
“Já tivemos ganhadores antes, mas nunca nesta quantidade”, disse Lau à revista em seu escritório “mobiliado com pilhas de relatórios financeiros e um volume do Dicionário de Provérbios Americanos”.
“O computador escolhe os números, não eu”, diz Lau.
Lau nunca imaginou que um dia se tornaria escritor de biscoitinhos da sorte. Depois de se formar na Universidade de Columbia nos cursos de Engenharia e Administração, ele foi trabalhar no “Bank of America” e depois abriu uma empresa para exportar lenha do nordeste do Pacífico para a China.
No final dos anos 80 ele foi contratado por uma empresa fabricante de “noodles” de Chinatown que mais tarde começaria a produção de biscoitos da sorte. “Fui escolhido porque o meu inglês era o melhor do grupo, não porque eu sou um poeta”, explica Lau.
No início ele conta que era fácil escrever. Ele buscava inspiração do I Ching ao jornal “The Washington Post”, de onde conseguia tirar três ou quatro máximas por dia.
“Às vezes eu estava no metrô, olhava um anúncio e pensava: ‘Ei, isso rende uma boa frase. Eu sempre tinha um pequeno notebook no qual eu anotava rapidamente o que quer que fosse. Acho que nunca me sentei na frente do computador e disse: ‘Vou escrever dez adágios agora’. Isso vem naturalmente”.
Depois de 11 anos de prática Lau começou a ficar carente de ideias. “Escrevi milhares, mas a inspiração foi embora. Já ouviu falar de bloqueio criativo? Foi o que aconteceu comigo”.
Ele passou então a recorrer aos tradicionais provérbios chineses, que apesar de lhe fornecerem “insights” (“O ouro verdadeiro não teme o fogo”), não traziam a previsão pronta (“Sua renda aumentará”).
Atualmente ele seleciona mensagens que estão fora ou ainda em circulação, mas teme que os leitores percebam que são textos requentados e isso resulte na falta de competividade da “Wolton”.
Então Lau decidiu buscar sangue novo. Em breve, a empresa colocará anúncios para contratar um novo escritor. “Talvez na minha aposentaria eu volte a escrever. Talvez até um livro sobre sorte”. Ele resume o impulso do livro em duas dicas simples: “Não tenha em mente algo muito complicado” e “Pense em uma sentença com dez palavras”.
Quem se candidata?

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