O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/06/01

AINDA SÃO OS MESMOS

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 08:13

Havia 13 anos que não visitava Buenos Aires. Além dos alfajores, recordava-me do colorido do Caminito, dos cafés que traziam um clima parisiense à cidade, das largas avenidas – e das duas fases que gastávamos para transpô-las –, do malabarismo necessário para fazer o registro de um túmulo famoso no apertado cemitério da Recoleta e do quanto a cidade era arborizada.
Naquela época ocorria o lançamento do projeto de Porto Madero, que não passava de um lugar inóspito, malcheiroso e pouco amistoso.
Quase 15 anos se passaram. Depois de milhões de panelas e de pelo menos quatro botas batidas – as de Néstor Kirchner e as de Ernesto Sábato – Porto Madero é uma realidade. Graças a um bem-sucedido processo de revitalização, tornou-se um polo de entretenimento em que muitos turistas batem ponto todas as noites.
Batida também tornou-se a rua Florida. A via – se é que algum dia já foi florida – encontra-se desmatada graças à ação de turistas e ambulantes que a ocupam desordenadamente. A Florida é hoje a filial oficial da 25 de Março.
Apesar dessas duas mudanças significativas e opostas na paisagem urbana, a cidade continua suficientemente charmosa para sustentar o posto de outra filial: a de Paris da América do Sul.
O céu azul, emoldurado pelas árvores de galhos acinzentados e folhas amareladas, continua a formar um lindo quadro, enquanto que os habitantes mantiveram o invejável hábito de entregar-se à leitura em qualquer cantinho provido de mesa, cadeira, pires e xícara.
O tradicional corte de cabelo masculino – aquela mistura de moicano com rabo de cavalo – segue sendo tendência entre os hermanos mais jovens.
Tendência também são os passeadores de cachorros. A profissão está em alta em Buenos Aires. Um passeador é capaz de prender à cintura cerca de 20 coleiras ao mesmo tempo. O visual é interessante, mas o resultado está nas calçadas, totalmente emporcalhadas pelas fezes dos amiguinhos. Sorte é não pisar em uma.
Outro costume notável e tradicional entre os hermanos é a predisposição genética para protestar. Nesta semana mesmo vários acampavam tanto na avenida Nove de Julho quanto na Praça de Maio.
O primeiro grupo – formado por ex-soldados da Guerra das Malvinas – exigia o reconhecimento como veteranos de guerra e seus direitos militares pagos pelo governo. Já o da Praça de Maio foi armado por uma ONG para chamar atenção para a pobreza e a falta de moradias.
Já que não podemos com os hermanos nas discussões sobre futebol, seria ótima ideia nos juntarmos a eles para absorvermos um pouco deste talento para o protesto. Quem sabe não colocaríamos Palocci e outros cães que emporcalham o Brasil na coleira?
Nos próximos capítulos, relato impressões sobre a visita ao Teatro Colón, à Livraria El Ateneo, ao Museu Evita, à feirinha de San Telmo, ao bairro de Palermo e à Casa Rosada.

P.S.: o fileteado da Malfada aí em cima é da feirinha de San Telmo

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3 Comentários »

  1. Garotinho está brincando com o Palhoccinho. Coleiras adiadas até segunda ordem.

    Descansou, grande Tati? Pois agora conte tudo.

    Estaremos aqui.

    Beijocas saudosas!

    Comentário por Selma Barcellos — 2011/06/01 @ 16:50

  2. Bom Dia viajanTati!
    Precisa e contagiante sua crônica sobre Buenos Aires. Mas, Paris da América do Sul? Guardadas as devidas propopopopoporções… No geral, tratam a gente bem, a cidade é muito interessante, linda mesmo, e o que fizeram em Puerto Madero é um exemplo! O uso misto das edificações ao longo dos diques; comércio (lojas, restaurantes e bares) no térreo e residências alternando-se com escritórios em mais dois ou três andares no máximo. Um show de urbanismo, com passeios largos, praças arborizadas e floridas, pelo menos assim estava em janeiro.
    Bjão, bem vinda de volta e faço coro à companheira Selma: queremos saber mais sob o seu ponto de vista…
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2011/06/02 @ 08:45

  3. Seus comentários e avaliações estão absolutamente exatos.
    E destaque e gloria para o alfajor. rsrs

    Comentário por picida ribeiro — 2011/06/03 @ 08:09


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