
Fato: a obesidade é a doença do século 21.
Por anos e anos a explicação para o aumento de peso parecia definitiva: a obesidade não seria mais do que o resultado da combinação de uma alimentação desregrada – e em excesso – com a falta de exercícios físicos. Alguns cientistas admitiam um componente genético.
Por outro lado, durante muito tempo cientistas ambientais já falavam da influência de fatores externos no aumento de peso – teoria sempre rejeitada pelo “mainstream”.
Agora a maré está mudando. Este mês, o jornal “Obesity Reviews” apresenta um estudo aprofundado sobre a relação entre meio ambiente e obesidade.
A ideia não é nova, mas as discussões anteriores restringiam o papel do “meio ambiente” à cultura fast food.
Basta olharmos à nossa volta para percebermos que, mesmo comendo o mesmo hambúrguer e tendo estilos de vida semelhantes, há pessoas que engordam mais do que as outras.
Os pesquisadores começaram a reconhecer que a obesidade vai muito além do cálculo de calorias e já estão convencidos de que há outros mecanismos importantes, como o hormonal.
São os hormônios que engordam os animais para o abate, bem como estão presentes em certos medicamentos que causam aumento de peso em humanos. Basta um leve desequilíbrio hormonal para o resultado aparecer na balança.
Paula Baillie-Hamilton, especialista em metabolismo e toxinas ambientais da Universidade da Escócia, foi uma das primeiras a relacionar a epidemia de obesidade aos químicos. Em 2002 ela ressaltou “a produção exponencial e o uso de químicos sintéticos orgânicos e inorgânicos”.
Ela até inventou um termo para essas substâncias: “calorias químicas”. Segundo Paula, a exposição a esses elementos pode danificar os mecanismos de controle de peso de nosso corpo.
Muitos estudos já mostraram que esses “desreguladores endócrinos” têm relação com a puberdade precoce, o câncer, as deformidades ao nascimento, o sistema imunológico debilitado e outras doenças. Agora a obesidade está nesta lista.
Outro cientista, Bruce Blumberg, na Universidade da Califórnia, fez um estudo em ratos e comprovou: as cobaias grávidas que receberam alimentos com doses de hormônios tiveram filhotes com 10% a mais de células de gordura do que as outras.
Ainda não é possível dizer o quanto de obesidade é causada pelos químicos e o quanto é pelo balanço de calorias. Por ora, a recomendação dos cientistas é que nos mantenhamos o quanto possível longe dos químicos.
Além de dar preferência às frutas frescas – em vez das embaladas em plástico – é recomendável evitar até certos tipos de água em garrafas plásticas – elas contêm um tal de “bisphenol-A” –, cosméticos e sabonetes com “ftalatos” – plásticos derivados do PVC – e embalagens que podem ir ao microondas e à máquina de lavar.
Socorro!

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