
Durante uns bons anos a TV brasileira sofreu com a carência de novos humoristas e comediantes. Depois de Chico Anysio, Jô Soares e Ronald Golias atravessamos um deserto de talentos que de vez em quando parecia prestes a receber uma chuva.
Entre Tons Cavalcante, Tiriricas, Geraldos Magela, Vesgos e Sílvios fomos nos distraindo, ao mesmo tempo em que um zumbi nos rondava: o banco da Praça.
O tempo foi passando e até o pessoal do “Casseta & Planeta” perdeu a graça – demorou um bocado, mas esses ainda tiveram a sabedoria de tirar o time de campo.
De repente, como num passe de mágica, o mundo começou a fazer stand-up. Quem trabalha com Comunicação sabe: hoje qualquer um tem um show de stand-up que “é grande sucesso de público”.
Ele é entregador de pizza, mas está em cartaz com um stand-up. Ele é advogado criminalista e apresenta um espetáculo de stand-up num barzinho em Moema. Ele é médico, mas nas horas vagas conta piadas e é autor de stand-up.
Das duas, uma: ou todo mundo tinha um Ronald Golias adormecido dentro de si e demorou para descobrir ou estamos ficando menos exigentes. Fazer rir é para poucos.
O fato é que em meio a esse marasmo, de dois anos para cá surgiram alguns “novos talentos”. Apareceram os meninos do “CQC”, Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Bruno Mazzeo e vários outros atores provenientes de espetáculos de (adivinhem!) stand-up.
Até que enfim a nova geração de comediantes tinha uma cara. Jovens, bonitos, bem-informados e sem preconceitos. Eles sabem tudo, brincam com tudo, podem tudo. Será que podem tudo mesmo?
Revezes recentes mostram que alegria de brasileiro dura pouco. Está entrando areia nessa lua de mel.
A exposição, os elogios, o assédio da imprensa, dos anunciantes e do público acabou gerando o efeito “se sentindo”. E a “nova cara do humor brasileiro” está se queimando a cada dia que passa.
Além das frases racistas e preconceituosas de Danilo Gentili e Rafinha Bastos no Twitter, a piada com autistas no programa “Comédia MTV” – na paródia “Casa dos Autistas” – caiu mal e causou uma série de protestos. Alguns convidados do novo programa-solo de Danilo Gentili, na Band, estão recusando convites para participar da gravação.
Adnet sentiu o peso de ter uma atração diária com mais de 15 minutos. Seu “Adnet Ao Vivo”, que começou diário, hoje é semanal e não passa de um amontoado de imitação de vozes.
Bruno Mazzeo é um mistério a ser desvendado. Depois do sucesso de seu “Cilada”, no Multishow, fez quadros para o “Fantástico” inspirados na série, cansou de ouvir que era “novo talento”, engordou o cofrinho virando garoto-propaganda da Embratel e se perdeu. Hoje ele é o tipo de personagem que sempre criticou. Toda semana é “flagrado” no Leblon com a nova namorada, posa de excêntrico e está sempre de mau humor.
Já no “CQC”, é evidente o confronto de egos na bancada do programa. Enquanto Rafinha Bastos vomita suas inúmeras grosserias e piadas sem graça sobre gaúcho viado e outros estereótipos mais do que batidos, Marcelo Tas abusa de sua autoridade – com petulância – para não deixar que Marco Luque roube a cena.
Dia desses, Tas não teve dúvidas diante de um dos erros cometidos por Luque e lhe deu uns tapas na cabeça. Na volta do comercial o clima estava carregado.
Luque ainda é o que se sai melhor no papel de bobo. Talvez porque não esteja ali para representar o que não é.
Neste domingo, a “Folha de S. Paulo” publicou uma matéria sobre as faces do “CQC”. Nela, um comediante que não quis se identificar diz: “Acho extremamente contraditório o artista posar como paladino da cidadania e depois abrir uma lata de refrigerante. A credibilidade vai para o brejo”.
O “jornalismo moleque”, como Marcelo Tas insiste em repetir, está mesmo perdendo a linha. O nome do programa – “Custe o que Custar” – está sendo levado ao pé da letra.
A melhor explicação sobre o comportamento de Danilo Gentili veio do próprio Danilo. Definição ou um bom álibi para justificar sua falta de noção, o fato é que há poucas semanas, no programa “De Frente com Gabi”, ele declarou que é um analfabeto emocional.
Depois de uma confissão como essa, Danilo está perdoado.
Só o Danilo.
P.S.: Nos próximos dias estarei em Buenos Aires. Novos posts a partir de 01/06. Até!


Os mineiros chilenos entraram para a História.
Os textos mais gostosos de serem lidos geralmente são os que mais deram trabalho para serem escritos. Burilar um artigo ou um livro a ponto de deixá-los com um ritmo de como se tivessem sido redigidos em cinco minutos é o desejo de qualquer um que escreva.
Se o seu filho mente aos 3 anos de idade, fique satisfeito. Se ele mente aos 7, coloque as barbas de molho, mas não o repreenda. No entanto, se entre os 8 e os 9 anos ele continua a faltar com a verdade, leve-o ao psicólogo antes que o comportamento vire uma compulsão difícil de ser tratada futuramente.
Num dia, o presidente do FMI. No outro, Arnold Schwarzenegger.
A crença de que o céu ou algo além da vida nos espera é história pra boi dormir inventada para pessoas que têm medo da morte.
No email de esclarecimentos que enviou à imprensa depois da matéria publicada pela “Folha de S. Paulo” sobre seu fantástico patrimônio, Palocci fez uma opção arriscada. Ao tratar o assunto com a máxima naturalidade corre o risco de, em vez de enterrar o assunto, fazer com que ele vire tema de indignação nacional – pena não sermos chegados a um panelaço como os hermanos.


A capa da “Folha de S. Paulo” de hoje traz uma foto chocante: a de Sebastiana de Lourdes Silva, de 116 anos, que pode ser reconhecida pelo “Guinness Book” como a mulher mais velha do mundo.

Morre tanta gente no mundo diariamente que muitos têm a tendência de banalizar a queda de um avião que faz centenas de vítimas.

Uma estranha cerimônia aconteceu neste sábado na cidade de Marikina, leste de Manila, capital das Filipinas. Foi a “Festa da Circuncisão”, como a imprensa local se referiu ao evento.
A cada dia que passa, fico mais boquiaberta e chocada com as maravilhas que a tecnologia nos proporciona. Como existia vida antes da Internet? Essa é uma pergunta que me faço todos os dias.
A guerra dos sexos é eterna e provavelmente nunca encontrará uma explicação definitiva. Mas pelo menos um ponto a Ciência já conseguiu desvendar: que as variações hormonais e de humor a que as mulheres são submetidas todos os meses não são charminho ou desculpa para atitudes deselegantes e pouco educadas.
Ok. O Pará é o segundo maior Estado do país, mas daí a dividí-lo em três é outra história.

O anúncio da morte de Osama Bin Laden me trouxe a certeza de que estava diante de um acontecimento histórico tão importante quanto a chegada do Homem à Lua.