O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/05/25

CAPETAS EM FORMA DE GURIS

Filed under: Matutando — trezende @ 08:17

Durante uns bons anos a TV brasileira sofreu com a carência de novos humoristas e comediantes. Depois de Chico Anysio, Jô Soares e Ronald Golias atravessamos um deserto de talentos que de vez em quando parecia prestes a receber uma chuva.
Entre Tons Cavalcante, Tiriricas, Geraldos Magela, Vesgos e Sílvios fomos nos distraindo, ao mesmo tempo em que um zumbi nos rondava: o banco da Praça.
O tempo foi passando e até o pessoal do “Casseta & Planeta” perdeu a graça – demorou um bocado, mas esses ainda tiveram a sabedoria de tirar o time de campo.
De repente, como num passe de mágica, o mundo começou a fazer stand-up. Quem trabalha com Comunicação sabe: hoje qualquer um tem um show de stand-up que “é grande sucesso de público”.
Ele é entregador de pizza, mas está em cartaz com um stand-up. Ele é advogado criminalista e apresenta um espetáculo de stand-up num barzinho em Moema. Ele é médico, mas nas horas vagas conta piadas e é autor de stand-up.
Das duas, uma: ou todo mundo tinha um Ronald Golias adormecido dentro de si e demorou para descobrir ou estamos ficando menos exigentes. Fazer rir é para poucos.
O fato é que em meio a esse marasmo, de dois anos para cá surgiram alguns “novos talentos”. Apareceram os meninos do “CQC”, Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Bruno Mazzeo e vários outros atores provenientes de espetáculos de (adivinhem!) stand-up.
Até que enfim a nova geração de comediantes tinha uma cara. Jovens, bonitos, bem-informados e sem preconceitos. Eles sabem tudo, brincam com tudo, podem tudo. Será que podem tudo mesmo?
Revezes recentes mostram que alegria de brasileiro dura pouco. Está entrando areia nessa lua de mel.
A exposição, os elogios, o assédio da imprensa, dos anunciantes e do público acabou gerando o efeito “se sentindo”. E a “nova cara do humor brasileiro” está se queimando a cada dia que passa.
Além das frases racistas e preconceituosas de Danilo Gentili e Rafinha Bastos no Twitter, a piada com autistas no programa “Comédia MTV” – na paródia “Casa dos Autistas” – caiu mal e causou uma série de protestos. Alguns convidados do novo programa-solo de Danilo Gentili, na Band, estão recusando convites para participar da gravação.
Adnet sentiu o peso de ter uma atração diária com mais de 15 minutos. Seu “Adnet Ao Vivo”, que começou diário, hoje é semanal e não passa de um amontoado de imitação de vozes.
Bruno Mazzeo é um mistério a ser desvendado. Depois do sucesso de seu “Cilada”, no Multishow, fez quadros para o “Fantástico” inspirados na série, cansou de ouvir que era “novo talento”, engordou o cofrinho virando garoto-propaganda da Embratel e se perdeu. Hoje ele é o tipo de personagem que sempre criticou. Toda semana é “flagrado” no Leblon com a nova namorada, posa de excêntrico e está sempre de mau humor.
Já no “CQC”, é evidente o confronto de egos na bancada do programa. Enquanto Rafinha Bastos vomita suas inúmeras grosserias e piadas sem graça sobre gaúcho viado e outros estereótipos mais do que batidos, Marcelo Tas abusa de sua autoridade – com petulância – para não deixar que Marco Luque roube a cena.
Dia desses, Tas não teve dúvidas diante de um dos erros cometidos por Luque e lhe deu uns tapas na cabeça. Na volta do comercial o clima estava carregado.
Luque ainda é o que se sai melhor no papel de bobo. Talvez porque não esteja ali para representar o que não é.
Neste domingo, a “Folha de S. Paulo” publicou uma matéria sobre as faces do “CQC”. Nela, um comediante que não quis se identificar diz: “Acho extremamente contraditório o artista posar como paladino da cidadania e depois abrir uma lata de refrigerante. A credibilidade vai para o brejo”.
O “jornalismo moleque”, como Marcelo Tas insiste em repetir, está mesmo perdendo a linha. O nome do programa – “Custe o que Custar” – está sendo levado ao pé da letra.
A melhor explicação sobre o comportamento de Danilo Gentili veio do próprio Danilo. Definição ou um bom álibi para justificar sua falta de noção, o fato é que há poucas semanas, no programa “De Frente com Gabi”, ele declarou que é um analfabeto emocional.
Depois de uma confissão como essa, Danilo está perdoado.
Só o Danilo.

P.S.: Nos próximos dias estarei em Buenos Aires. Novos posts a partir de 01/06. Até!

2011/05/24

TEM GOSTO PRA TUDO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:54

Não é difícil ditar a lista dos itens encontráveis na geladeira do brasileiro médio: água, refrigerante, margarina, sobras do almoço, um punhado de verduras murchas, ovos, um pedaço de queijo e, quiçá, uma latinha de cerveja na porta.
Concentremo-nos no queijo. Exceto alguns que requerem um paladar com extrema boa vontade – como o gorgonzola – o queijo é tão onipresente nas nossas geladeiras que nem imaginamos que possa existir um chinês que nunca tenha visto uma peça de mussarela na vida.
Mas queijo não é um alimento favorito ou comum entre os chineses. Tradicionalmente, os laticínios eram associados aos povos nômades que viveram na periferia da China e eram considerados bárbaros. Os Han (a maioria étnica), com algumas exceções, evitavam comer laticínios. Alguns eram e ainda são intolerantes à lactose.
É o que nos conta a inglesa Fuchsia Dunlop, escritora, chef especialista em culinária chinesa e a primeira ocidental a estudar na “Sichuan Institute of Higher Cuisine”. Fluente em mandarim, ela escreve para algumas publicações chinesas e para o jornal “Financial Times”.
Recentemente, influenciados pelo estilo de vida ocidental, alguns pais chineses começaram a alimentar seus filhos com leite.
Queijo, no entanto, é algo que ainda não desce na garganta de muito chinês. Alguns xangaienses sofisticados comem Stilton – um queijo azul tipicamente inglês – da mesma forma que alguns ingleses finos comem tripas e intestino. Mas muitas pessoas – especialmente as que vivem em algumas províncias – nunca sequer provaram um pedacinho de queijo.
Num artigo publicado nesta semana, Fuchsia conta o resultado de um teste interessante que realizou com alguns chefs de cozinha e donos de restaurante que reuniu em Shaoxing. Ela levou, de Londres, um tupperware com cinco variedades de queijo para que eles experimentassem.
“Durante as minhas várias visitas a Shaoxing, fiquei fascinada pelos alimentos cheios de odor – incluindo alguns tipos de tofu fedorentos e pratos com vegetais consumidos semiapodrecidos. Todos chocantes à primeira mordida, mas estranhamente viciantes”, conta ela.
Quando Fuchsia destampou o tupperware, um cheiro pouco agradável tomou conta do restaurante. Mesmo assim, com seus hashis, as cobaias provaram as variedades e deram veredictos favoráveis – ainda que usando adjetivos negativos para descrever os sabores.
A maioria concordou que os vegetais semiapodrecidos se dispersam rapidamente na boca. Já o queijo, além de grudar em tudo que é canto, mantém o sabor por muito tempo porque é gorduroso.
Um dos chefs disse: “tem cheiro de russo. A diferença para algumas comidas chinesas é que enquanto as nossas deixam um cheiro estranho na boca, esse aqui afeta até o odor do suor da pele”.
Segundo Fuchsia, o único queijo que provocou consternação foi o brie. “Tem um fedor animal que agride o nariz. Definitivamente o mais fedido de todos. Eu realmente não posso enfrentar”, disse Dai Jianjun.
A rejeição ao brie me despertou a curiosidade de experimentar carne de cachorro. O que seria mais detestável?

Leiam o artigo completo AQUI

2011/05/23

AMOR PROFUNDO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:08

Os mineiros chilenos entraram para a História.
O que eles provavelmente não imaginavam é que um lugar úmido, empoeirado e escuro pudesse servir para alguma coisa além de local de trabalho para mineiros.
A noiva Jude Onions lançou a moda: comemorar a despedida de solteira dentro de uma caverna. A escolhida foi a de Gaping Gill, um dos maiores complexos de cavernas da Inglaterra.
O sistema de cavernas localiza-se na montanha de Ingleborough, em Yorkshire Dales, e chega a 400 metros de profundidade.
A câmara principal, a de Gapping Hill, tem uma cachoeira gigantesca – grande o bastante para conter a catedral de Saint Paul em seu interior.
O local só é aberto ao público uma vez ao ano – entre maio e o início de junho – e Jude aproveitou a data para comemorar com 25 amigas.
Uma de cada vez, as convidadas foram guinchadas a uma profundidade de 100 metros. Até que todas elas chegassem ao lugar da festa foram quase duas horas.
Vestidas de capacetes e plumas dos pés à cabeça, elas celebraram com vinho e comeram num bufê instalado lá embaixo. A festa ficou completa com a apresentação de uma banda.
Jude – que é professora-assistente – também trabalha como voluntária para a “Cave Rescue Organization” (algo como “Organização de Resgate em Cavernas”) e conheceu o noivo durante uma expedição de Natal na caverna de Ireby Fell, em North Yorkshire, há quatro anos.
Não é só o local escolhido por Jude para realizar sua despedida de solteira que causa estranhamento. Ela foi pedida em casamento dentro do forno de um bar, há dois anos, pelo noivo, o espeleólogo Johnny Latimer – dizem que propor casamento em lugares pequenos e apertados é uma tradição entre esses aventureiros.
“Eles fecharam a porta e Johnny disse: ‘Jude, quer se casar comigo?. Saímos de lá cheios de farinha e todo mundo brindou com champanhe”.
A lua de mel do casal será numa expedição de cavernas pela norte da Espanha.
Vamos ver em quanto tempo a cápsula Fênix será chamada para o resgate…

2011/05/22

NÓ EM PINGO D’ÁGUA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:57

Os textos mais gostosos de serem lidos geralmente são os que mais deram trabalho para serem escritos. Burilar um artigo ou um livro a ponto de deixá-los com um ritmo de como se tivessem sido redigidos em cinco minutos é o desejo de qualquer um que escreva.
Assim como chamar a atenção pela beleza natural é o que todo ser humano quer – mesmo que conte com a ajuda de inúmeros produtos e segredos de beleza.
A simplicidade e a naturalidade nunca vão sair de moda. E é o que muita gente persegue.
De acordo com esse raciocínio, as coisas mais simples são as mais belas. Como um gota caindo na água, por exemplo.
A foto acima é uma das incríveis imagens realizadas pelo fotógrafo alemão Markus Reugels, especialista em pingos d’água. Markus se orgulha de não recorrer a nenhum tipo de manipulação por computador.
Dentre as inúmeras combinações que ele já testou para ter um resultado como esse aí em cima está a de corantes alimentícios com iluminação especial. Ele também utiliza bandejas, cascas de ovos ou colheres como suporte para suas experiências.
As formas – que variam de 3 a 15 centímetros – podem ser alteradas de várias maneiras acrescentando açúcar, enxaguante bucal ou uma goma (“goma guar”) à água.
Para fotografar o exato momento em que a gota cai na água, ele se vale de um sensor – com o dedo não seria rápido o suficiente para apertar o disparador da câmera.
Seu obturador – a mais de 16.000 por segundo – consegue capturar detalhes que o olho humano não é capaz de observar.
Markus tem 33 anos e mora em Schweinfurt, na Bavaria. Ele conta à reportagem do jornal “Daily Mail” que a forma dos respingos é muito difícil de ser controlada ou repetida.
“Os formatos básicos, como os guarda-chuvas e os discos voadores, são fáceis de criar, mas para os respingos duplos é preciso ter muita paciência e perseverança”.
Taí o homem que consegue dar nó em pingo d’água.

Confiram a galeria de fotos de Markus. Uma mais linda que a outra. Vejam AQUI

2011/05/21

PARA MALUF, COM CARINHO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:15

Se o seu filho mente aos 3 anos de idade, fique satisfeito. Se ele mente aos 7, coloque as barbas de molho, mas não o repreenda. No entanto, se entre os 8 e os 9 anos ele continua a faltar com a verdade, leve-o ao psicólogo antes que o comportamento vire uma compulsão difícil de ser tratada futuramente.
A mentira é o que nos torna humanos, diz o livro “Born Liars: Why We Can’t Live Without Deceit” (“Nascidos Mentirosos: Por que Não Podemos Viver Sem Mentir”), de Ian Leslie, que deve ser lançado na próxima semana.
Segundo ele, todo ser humano já nasce mentiroso. Mas mentir é mais complicado do que parece. Petizes que sabem contar boas lorotas serão capazes de reconhecer a verdade mais facilmente.
Entre 2 e 4 anos de idade a mentira é usada para evitar punições e castigos. As crianças muito pequenas não sabem enganar os outros muito bem, mas o cenário começa a mudar a partir dos 4 anos, quando elas adquirem a prática e a habilidade.
Afinal, diz Leslie, a mentira é boa para a imaginação e leva à evolução. Uma lorota inteligente faz entrar em ação a teoria de Darwin: o que conta a melhor sobrevive.
Não são apenas os humanos que omitem a verdade. Até Deus precisou contar mentiras. No Gênesis, ele diz a Adão e Eva que eles morreriam se comessem o fruto proibido. Ninguém morreu. E aqui ficamos os descendentes para contar a história.
Ainda segundo o livro, sem mentiras nós podemos adoecer, entrar em depressão ou enlouquecermos em contato com a realidade. E cita novamente a Bíblia: “Todos os homens são mentirosos” – Salmo 116:11.
Assim como aprender a mentir, identificar um mentiroso não é tarefa fácil. Isso porque o trapaceiro geralmente é atencioso, fluente e não tem problemas em manter contato olho no olho.
A maneira mais simples de identificá-lo é tentar analisar o rosto demoradamente – “como num filme em ‘slow motion’” – e pedir para ele contar o ocorrido nos mínimos detalhes até chegar a um ponto em que ele não possa controlar a história. Ou pedir que ele retome certas partes do relato sem cair em contradição.
A teoria é boa, mas se fosse fácil reconhecer um picareta não existiriam os advogados de defesa, os psicólogos, nunca conheceríamos a história do Pinóquio e Maluf jamais teria virado uma lenda.

2011/05/20

SE CORRER O BICHO PEGA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:23

Num dia, o presidente do FMI. No outro, Arnold Schwarzenegger.
E de pensar que esses são só os famosos – há muitos mais bolinadores à solta. Afinal, se há assédio sexual em Nova York e na Califórnia, o que dizer do sertão de Quixeramobim?
O comportamento de Schwarzenegger não chega a surpreender. É como se o mundo e a mulher dele já soubessem de tudo – aqueles músculos deviam servir para alguma coisa.
Já no caso de Strauss-Kahn, a seriedade – de sua figura e do cargo – é incompatível com a atitude desesperada que demonstrou. Mas só o mico de sair algemado de um avião diante das câmeras de TV e arruinar a carreira política vale mais do que dez prisões.
José Simão definiu muito bem os episódios: “Que coisa mais antiga ter caso com a empregada…”.
E, pelo jeito, não vai sair de moda nunca.
Uma reportagem interessante do “The New York Times” conta como o FMI está agindo depois do escândalo e revela que não é a primeira vez que Dominique Strauss-Kahn joga seu “charme” para uma funcionária.
Além de relatar uma série de casos de mulheres que foram assediadas por seus patrões, a matéria coloca ainda mais lenha na fogueira ao citar que o possível sucessor de Strauss-Kahn – Kemal Dervis – também teve um caso com uma subordinada enquanto trabalhava no Banco Mundial anos atrás. Hoje a mulher é funcionária do FMI.
Segundo o jornal, entrevistas e documentos mostram que o FMI é praticamente um mundo paralelo quando o assunto é sexo. As leis americanas não se aplicam lá dentro – eles têm as suas próprias.
Uma estranha regra – que alguns especialistas e ex-funcionários classificam como encorajadora – diz: “Relações íntimas entre supervisores e subordinadas não constituem assédio”.
“É uma coisa meio ‘Piratas do Caribe’; as regras são mais como uma diretriz”, explica Carmen M. Reinhart, economista que trabalhou no FMI entre 2001 e 2003.
Virginia R. Canter, que entrou no FMI no ano passado com a missão de investigar reclamações de assédio, conta que recentemente a instituição tomou uma série de medidas para proteger as funcionárias. Um novo código de conduta adotado a partir de 6 de maio especifica que contatos íntimos com subordinadas “possivelmente resultam em conflitos e devem ser revelados à autoridade apropriada”.  
“É o reconhecimento de que algumas vezes os relacionamentos surgem no ambiente de trabalho. Mas isso não quer dizer que não somos sensíveis ao tema e que investigaremos quaisquer evidências de assédio”, diz Virginia.
Criado em 1945, o FMI tem 2.400 empregados e recentemente diversificou e contratou algumas mulheres. Mesmo assim, de cada 30 executivos-sênior, apenas seis são do sexo feminino. Apenas 21,5% dos gerentes são mulheres.
A nova política de relacionamento é uma resposta não apenas ao escândalo envolvendo Strauss-Kahn nesta semana, mas a um episódio que ocorreu em 2008 envolvendo uma economista húngara – Piroska M. Nagy – e o tarado em questão.
Na época, uma investigação independente concluiu que não houve assédio. Strauss-Kahn se desculpou publicamente e muitas funcionárias do FMI ficaram consternadas com o desfecho do caso.
“Como devemos nos comportar na sala do sr. Strauss-Kahn? Vamos nos sentar e pensar: ‘Será que ele está me avaliando como um potencial objeto sexual?’”.
Strauss-Kahn já saiu de trás das grades. Mas já pensaram se todos os bolinadores fossem descobertos? Ia faltar prisão.

Leiam a matéria completa AQUI

2011/05/19

BURACO NEGRO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:21

A crença de que o céu ou algo além da vida nos espera é história pra boi dormir inventada para pessoas que têm medo da morte.
Estranharíamos se a opinião viesse de um padre, claro. Mas ela pertence a alguém que também dedicou a vida a um único propósito: à Ciência. Trata-se de Stephen Hawking, considerado o mais brilhante cosmonauta e físico desde Albert Einstein.
Segundo Hawking, nada acontece a partir do momento que o cérebro cintila pela última vez.
Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, ele fala sobre suas noções de vida e morte numa entrevista ao jornal “The Guardian” desta semana.
A expectativa dos médicos que identificaram a doença – rara e incurável, que degenera os músculos do corpo – era de que os sintomas progredissem e o levassem à morte em poucos anos. Hoje, aos 69, ele diz que isso o fez curtir a vida ainda mais.
“Vivi com uma perspectiva de uma morte precoce pelos últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas também não tenho pressa para ir. Tenho tanta coisa para fazer antes…”, diz ele. E completa: “Vejo o cérebro como um computador que para de funcionar quando seus componentes falham. Não há paraíso ou vida após a morte para computadores que dão pau”.
Sua visão sobre o assunto vai além da exposta em seu livro mais recente, “The Grand Design”, no qual ele afirma que não há necessidade de recorrer a um Criador para explicar a existência do universo.
A obra provocou a indignação de vários líderes religiosos, que o acusaram de cometer uma “falácia elementar”.
Depois do best seller de 1988 – “Uma Breve História do Tempo”, que vendeu mais de 9 milhões de exemplares – Hawking chegou ao estrelato e até foi uma das personagens do desenho “The Simpsons”.
Quando perguntado sobre qual a importância de sabermos por que estamos aqui, ele explica: “O universo é governado pela Ciência. Mas a Ciência diz que não podemos resolver as equações no mundo abstrato. Precisamos usar uma teoria tão eficaz como a da seleção natural de Darwin para explicar por que algumas sociedades provavelmente sobreviverão”.
“Estamos aqui”, diz o “The Guardian. “O que devemos fazer?”
E Hawking responde: “Temos de buscar o maior valor para as nossas ações”.

2011/05/18

ADMITE-SE CASEIRO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:21

No email de esclarecimentos que enviou à imprensa depois da matéria publicada pela “Folha de S. Paulo” sobre seu fantástico patrimônio, Palocci fez uma opção arriscada. Ao tratar o assunto com a máxima naturalidade corre o risco de, em vez de enterrar o assunto, fazer com que ele vire tema de indignação nacional – pena não sermos chegados a um panelaço como os hermanos.
Segundo Palocci, o enriquecimento de profissionais que já passaram pelo Ministério da Fazenda, pelo BNDES ou pelo Banco Central é algo corriqueiro, resultado apenas de prestígio. Declarou que mais da metade de seus colegas deputados também são “sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou de atividade rural” e que a passagem por órgãos do governo “proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais no mercado”.
Normal, normalíssimo. Haja prestígio para comprar um apartamento de quase R$ 7 milhões e um escritório de mais de R$ 800 mil.
Pelo menos Palocci não apelou para o argumento clássico de que seus milhões vieram das várias palestras que costuma ministrar. Provavelmente palestras intituladas “Como multiplicar seu patrimônio por 20 em quatro anos”.
Com a mesma naturalidade que empurrou os colegas para a berlinda, informou que está em dia com a Receita – mas nada de revelar para quais empresas teria prestado consultoria. Afinal, ele lá é homem de quebrar a “confidencialidade contratual”?
Como é de praxe em escândalos do tipo, é simples descobrir quem foram (ou são) esses clientes. Se realmente Palocci prestou contas à Receita, basta colocar o Leão para rugir.
O ministro declarou ainda na nota que não reside no imóvel citado na matéria. Disso a gente sabe. Depois que saiu dos noticiários, a mansão de Ribeirão deve ter ficado vazia.
Essa mansão tem história. O velho caseiro Francenildo já dizia que o “chefe” (como Palocci era tratado pelos seus colegas na época do escândalo do Mensalão) chegava dirigindo seu Peugeot prata e usava a casa para dividir o dinheiro que chegava numa mala.
Pelo visto, a partilha comandada por Palocci acontecia como nos desenhos animados: “Um pra você, dois pra mim”.
O caso da República de Ribeirão não deu em nada. Quebraram o sigilo bancário do caseiro e ponto final.
Talvez seja a hora de pensar em quebrar o sigilo de mais alguém… Ou de arranjar outro caseiro.

2011/05/17

A FORÇA QUE FALTAVA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:30

O que é o que é: Neymar tem, Eike Batista não. Pode ser longo, curto, despertar inveja ou ser usado como arma de sedução – ou até como arma mesmo.
O cabelo, oras.
Enquanto Neymar abusa do visual moicano e demonstra seus poderes de Sansão fora dos gramados, Eike Batista tenta disfarçar a falta de telhado recorrendo a um método italiano de “reconstrução” capilar sem cirurgia. O resultado é aquele arbusto em cima da cabeça.
Nunca antes na história deste país – e dos outros – os cabelos foram tão comentados. Justin Bieber que o diga. Sandy pintou os dela de loiro e virou devassa. Até Donald Trump resolveu revelar o segredo de seu topete recentemente.
Na semana passada, um jogador de futebol australiano foi expulso de uma partida porque seu cabelo – moicano – foi considerado “perigoso” pelo árbitro. Os fios, espetados com a ajuda de gel, poderiam provocar ferimentos nos olhos dos outros jogadores.
Hoje, o assunto na capa de dois jornais estrangeiros também são as madeixas.
No britânico “Daily Mail” a notícia é sobre um assassino italiano que tem fetiche por cabelos. Danilo Restivo – que já matou e mutilou mulheres na Itália e na Inglaterra – finalmente está sendo julgado.
No “The New York Times” o enfoque também é policial. Nos últimos dois meses, em várias cidades americanas, o alvo dos bandidos tem sido lojas que vendem cabelos naturais para alongamentos e outros tipos de extensão capilar.
As quantias são chocantes: 150 mil dólares em pacotes de cabelos levados de uma loja em Houston; 10 mil em San Diego; 85 mil em Missouri; 10 mil em Michiagan e 60 mil em San Leandro, na Califórnia.
Os criminosos costumam comercializar o produto em casa, na rua, no porta-malas do carro ou pela Internet – através do site eBay – para pessoas comuns ou para donos de lojas do ramo.
“Força na peruca” é, de fato, a expressão do século 21.
Mas por que e pelo o que as pessoas estão se descabelando?

2011/05/16

FILHOS DE WOODSTOCK

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:43

Um dos comerciais atualmente no ar na TV diz que apesar da modernidade, as pessoas continuam perdendo seus cachorros. Pois é. E apesar dos inúmeros hotéis de charme e albergues, tem gente querendo acampar no quintal do vizinho.
Em parte por economia, claro, mas em parte por charme. Não é só o “vintage” que está na moda.
O site “Campinmygarden.com” (“Acampe no meu jardim”) diz ser a primeira comunidade online a oferecer opções de hospedagem em quintais ou jardins pelo mundo. Lançado em abril, o site já conta com 7 mil sócios.
No momento em que se cadastra, o usuário pode anunciar seu quintal, jardim ou puxadinho ou fazer uma reserva de hospedagem no quintal alheio.
A busca por um espaço pode ser feita de duas formas: por localização ou por evento. Há de tudo: do Festival do Cavalo, em Windsor Castle, até o Campeonato da Torta Recheada, em Maidstone. Ambos na Inglaterra.
Os quintais e jardins são classificados de acordo com o conforto, as facilidades oferecidas e a distância do evento. Eles podem ser “bamping” (camping básico) ou “glamping” (camping glamuroso).
Segundo a fundadora do site, Victoria Webbon, o tamanho não importa e os proprietários podem cobrar por serviços extras, como lavanderia ou “babysitting”.
Assim como no sistema dos albergues da juventude, os associados se comprometem a ser transparentes e honestos nas informações que disponibilizam. Além disso, cada proprietário está ciente de que deve permitir que os acampantes tenham direito a até 28 dias de hospedagem por ano.
No site, cada espaço conta com um breve resumo e o valor da diária (a partir de 9 libras) – alguns deles têm opiniões e críticas de usuários.
Apesar de contar apenas com uma varanda, fiz o meu registro. E a notícia: não há nenhum quintalzinho cadastrado no Brasil.
Como veem, além das obras a passos de cágado para a Copa e as Olimpíadas, os brasileiros parecem pouco empolgados para sediarem os eventos.

Visitem o site AQUI

2011/05/15

CHAMADA A COBRAR

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 11:56

A capa da “Folha de S. Paulo” de hoje traz uma foto chocante: a de Sebastiana de Lourdes Silva, de 116 anos, que pode ser reconhecida pelo “Guinness Book” como a mulher mais velha do mundo.
Segundo ela, o segredo da longevidade é rezar e desfrutar cada dia da vida. E Sebastiana aproveitou mesmo. Nunca levou desaforo para casa, sempre foi alegre, curtia festas até o raiar do dia, foi fumante até os “cento e poucos anos”, não se casou e não teve filhos. Um azougue.
Mas não conseguiu evitar o inevitável: a cobrança do tempo. Sofreu um AVC aos 111 e ficou cega aos 112 por causa da catarata. Há 24 anos mora no mesmo asilo.
A nutricionista do local conta que a centenária é lúcida e não rejeita nada. Come a cada três horas – o que dá um total de sete refeições por dia – e que sua refeição favorita é pão francês molhado no café com leite. Nem poderia ser diferente. Um bom bife à cavalo é que não seria.
Tomara – e que se for da vontade de Sebastiana – que o Livro dos Recordes a reconheça como a mais velha do mundo. Mas com toda certeza Sebastiana daria tudo para, em vez de virar verbete de uma publicação bizarra, voltar a ser feliz. Não jovem, mas feliz.
Se ela ainda conta com um mínimo de lucidez sabe que a vida que leva não pode ser considerada vida, mas sim uma reles existência. Afinal, uma pessoa que já remexeu o esqueleto pelos pistas de dança e que hoje é obrigada a se locomover numa cadeira de rodas tem consciência de que algo está errado.
Sebastiana está passando por um processo de mumificação em vida. Tal uma árvore seca, sua pele está marrom e cheia de ranhuras. Das cavidades oculares esticadas brotam olhinhos levemente azulados que já viram o “futuro repetir o passado” dezenas de vezes.
Impossível fechar os olhos a esse drama, mas uma realidade da qual muitos de nós escaparão – sim, alguns irão desta para uma melhor antes de virarem múmias ambulantes e não terão a menor chance de entrarem para o “Guinness Book”.
A reportagem conta ainda que Sebastiana trabalhou parte da vida como empregada doméstica e que tentou uma vez morar com um namorado, mas se separou dele depois da primeira noite que passaram juntos. Vive dizendo que “homem não presta”.
Será que em sua extensa vida Sebastiana trabalhou como arrumadeira em algum hotel de Nova York e já ouviu falar de um hóspede chamado Dominique Strauss-Kahn?

2011/05/14

SANTA INOCÊNCIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:22

A dica para começar o dia de bom humor é assistir ao vídeo “Kids React to Osama Bin Laden´s Death” (algo como “A Reação das Crianças à Morte de Osama Bin Laden”).
Produzido pela produtora americana “The Fine Bros.”, ele faz parte de uma série de vídeos em que crianças comentam episódios que deram o que falar.
Neste, que reuniu petizes de 6 a 14 anos, eles analisam a morte do terrorista, propõem soluções e, principalmente, põem a imaginação para funcionar. Aparentemente, apesar de americanas, elas têm ascendência de nacionalidades diversas.
O vídeo começa mostrando os pequenos assistindo, individualmente, ao pronunciamento de Barack Obama sobre a morte de Bin Laden.
As diferenças surgem já no comportamento demonstrado enquanto cada uma assiste às imagens. A menorzinha, Morgan, de 6 anos, leva as mãozinhas ao peito.
Depois, a primeira pergunta: sobre o que ele estava falando? Todos sabiam quem era Bin Laden ou explicaram que se tratava de alguém “do mal”. Dylan, de 9 anos, diz: “Eu não sei a razão, mas ele queria matar todo mundo”.
Emma, de 8 anos, explica que ele destruiu as Torres Gêmeas e matou muita gente: “Muita gente morreu naquele dia… umas 42 pessoas”.
Quando perguntados sobre como se sentiram quando souberam que o terrorista estava morto, Dylan diz: “Perguntei à minha mãe se isso era uma coisa boa e ela disse: ‘Sim!’”.
Mas a resposta mais engraçada veio das gêmeas neuróticas Megan e Shannon, de 10 anos:
Megan: “Eu fiquei muito feliz, mas também um pouco mal”.
Shannon (gritando e gesticulando): “Por que você ficou mal quando a pior pessoa no mundo está morta?”.
William, de 10 anos, mais ponderado, fala: “Fiquei feliz, mas não estou comemorando porque apesar de ser a vida de um homem mau, ainda é a vida de um homem”.
Após comentarem a festa das pessoas nas ruas, eles foram questionados sobre a foto de Bin Laden morto. Ela deveria ser divulgada?
Todos creem que sim, mas Jake, de 11 anos, dá a resposta mais original:
“Sim, mas não deixem as crianças virem”.
Você não gostaria de vê-la?
“Bem, eu não sou exatamente o tipo de cara que vomita quando vê alguém morto”.
Por que os terroristas odeiam tanto os Estados Unidos?
Dylan, perdido como sempre: “Eu não entendi o que aconteceu. Nós estávamos tentando ajudá-los, mas eles estavam tentando matar a gente”.
Por fim, o entrevistador pergunta: “Se você fosse o presidente, como acabaria com o terrorismo?”
Parece piada para sustentar estereótipos, mas a mais velha, loira, de 14 anos, sai-se com uma resposta típica de miss: “Tentaria a paz mundial”.
A caçula, Morgan, diz: “Diria às pessoas para não se preocuparem com isso”.
Como?
“Deus abençoe todo mundo! Deus abençoe! Deus abençoe! Mas a todos que morreram, diria: ‘Isso é triste…’”.

Não deixem de assistir ao vídeo AQUI

2011/05/13

GOSTO AMARGO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:03

Morre tanta gente no mundo diariamente que muitos têm a tendência de banalizar a queda de um avião que faz centenas de vítimas.
Levante a mão quem já ouviu o seguinte comentário diante do acidente com um Boeing na Europa: “Isso é o que morre no Brasil diariamente, de fome…”.
Descaso? Egoísmo? Realismo? Melhor não colocar a mão nessa cumbuca.
O que acontece é que muitas vezes perdemos a noção de quem matou mais: Hitler, a guerra no Iraque ou as da Indochina?
O projeto “100 Years of World Cuisine” (“100 Anos da Cozinha Internacional”) extermina quaisquer dúvidas.
Criado pelos artistas Clara Kayser-Bril, Nicolas Kayser-Bril e Marion Kotlarski, ele percorre 25 conflitos de 1915 até hoje representando 38 milhões de mortos.
Uma maneira criativa – e um tanto mórbida – de contextualizar a realidade da guerra e comparar os estragos causados por um conflito e por outro.
Em vez de setas, barras, curvas e círculos fracionados, uma mesa posta como num banquete pouco convencional. A ideia é clara: mais sangue, mais mortos.
“Não somos historiadores e nossas escolhas foram feitas, em parte, a partir de nossos próprios julgamentos. É obviamente impossível expor todos os conflitos até hoje, assim como chegar a um acordo sobre a data exata de quando uma guerra começa e quando termina. No entanto, concentrar-se no total de mortes não deve apagar de nossa cabeça que milhares sobreviveram a mutilações, exílio ou estupro”, dizem os artistas.
Os vidros de conserva e a toalha quadriculada passam a noção do aconchego e dão um tom “hum, que delícia, compotas artesanais”. Então, por que e pra que numa cozinha?
“Nossas cozinhas são o coração da casa. Quando estamos preparando uma receita é o momento em que menos esperamos que uma violência aconteça. É uma hora banal, uma tarefa diária. Trazendo a imagem para a cozinha enfatizamos o absurdo que é a guerra”, explica Marion Kotlarski.
O “banquete” começa com a que é considerada a primeira matança do século 20: o Genocídio Armênio, em 1915, no qual foram mortas 1 milhão e 500 mil pessoas.
Sobre a pergunta do início do texto, os números são: 1) Holocausto: 5 milhões. 2) Iraque: 100 mil. 3) Indochina: 6 milhões.
Tema oportuno para uma sexta-feira 13, não?

Vejam a foto em detalhes AQUI

2011/05/12

ETERNOS APRENDIZES

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:23

O personagem das últimas semanas é Donald Trump.
Depois de levantar a lebre sobre o verdadeiro local de nascimento de Barack Obama e revelar pretensões de se candidatar à presidência dos Estados Unidos, Trump voltou às bocas.
Bilionário, o magnata dos cassinos é mais conhecido pelo seu topete e pelo reality show “The Apprentice” – que até ganhou uma versão por aqui, “O Aprendiz”, com o genérico Roberto Justus.
Trump é capa da edição de maio da versão americana da “Rolling Stone”. Na entrevista, ele fala sobre tudo – desde que dorme só de cueca até que é sortudo geneticamente: seu pai viveu até os 94 anos e sua mãe, até os 90. No fim, revela um grande segredo.
“Razoavelmente posudo aos 64 anos de idade”, ele faz mistério quando o assunto é sua candidatura presidencial. Diz que o mundo saberá a resposta em junho. Em caso afirmativo, na ocasião vai revelar o valor de suas finanças que, segundo ele, vai chocar o mundo: cerca de 7 bilhões de dólares, “se não mais”.
“Veja, estou em primeiro nas pesquisas e ainda não fiz nada!”.
“O que não é verdade”, diz a revista, lembrando todo o imbróglio causado por Trump em relação à certidão de nascimento de Obama.
“Precisamos de um homem de negócios. E eu tenho sido bem-sucedido nisso. Atualmente tenho as melhores propriedades do país. Eu realmente tenho coisas boas. O ponto é: administro um escritório num país que está essencialmente falido e necessita de um empresário de sucesso”.
Depois de tomar uma Coca-Cola, afirma: “Nunca coloquei um cigarro na boca em toda a minha vida. Nunca bebi, nunca estive num boteco, nunca me droguei e nem nunca tomei uma xícara de café. Eu diria, no entanto, que gosto de um pouco de cafeína. As pessoas acham que sou uma caldeira a ponto de explodir, mas na verdade tenho pressão baixa, o que surpreende todo mundo”.
Indagado se tem uma bíblia em casa, diz que sim. Perto da cama.
Quando foi a última vez que foi à igreja? “Duas semanas atrás, em Palm Beach, na Flórida”.
Sobre o que era o sermão?, pergunta a revista. “Prefiro não falar sobre isso, francamente”.
Sempre que fala da audiência de seu programa – o “Celebrity Apprentice” – ou da tendência das pesquisas presidenciais, ele se empolga, torna-se chato e precisa ser cortado.
Donald Trump também tem mania de germes. Lava as mãos compulsivamente. Onde quer que vá, leva sempre lenços umedecidos e higienizados no bolso do terno.
A revista pergunta: “Como Donald Trump pode fazer campanha se ele não troca apertos de mão?”
“Claro que tenho cumprimentado as pessoas. Não tenho problema com apertos de mão. Não é apenas uma questão de saúde. A questão é que com germes não há ‘talvez’. Está provado. Você pode pegar resfriados e outras coisas. O costume japonês é muito mais inteligente”.
Mas a maior revelação de toda a entrevista é o que Trump faz com seus cabelos.
“Lavo com ‘Head and Shoulders’, mas não seco com secador. Deixo secar naturalmente, o que leva cerca de uma hora”. Enquanto isso, ele lê os jornais do dia e assiste alguma coisa na TV. “Aí penteio. Sim, uso pente. Se eu penteio pra frente? Não. Dizem que eu faço ‘comb over’, mas não é exatamente isso. É uma mistura de pra frente e pra trás. Faço assim há anos”.
(Há dois anos abordamos o tema do “comb over” neste blog. Para quem não está lembrado, veja AQUI).
Somos ou não eternos aprendizes?

Leiam a entrevista completa AQUI

2011/05/11

NO DOS OUTROS É REFRESCO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:19

Uma estranha cerimônia aconteceu neste sábado na cidade de Marikina, leste de Manila, capital das Filipinas. Foi a “Festa da Circuncisão”, como a imprensa local se referiu ao evento.
Nas Filipinas, a circuncisão é um rito de passagem que a maioria dos meninos tem de enfrentar na pré-adolescência. Tradicionalmente, o procedimento é marcado para o período das férias de verão, que vai de março a maio.
Apesar de os oficiais de saúde alardearem que o objetivo era promover a circuncisão segura – uma intervenção dessas no hospital custa cerca de R$ 75 – a ideia por trás do evento era um pouco menos altruísta: entrar para o “Guinness Book” como a maior circuncisão coletiva do mundo.
Segundo o jornal inglês “Daily Mail”, “enquanto alguns garotos choravam nos braços das mães e sufocavam os soluços com as camisetas, os médicos conduziam centenas de operações em mesas de cirurgia improvisadas no estádio de Marikina. Do lado de fora, milhares de garotos em fila aguardavam sua vez”.
Os oficiais de saúde acreditam ter reunido 1.500 meninos.
No entanto, o sofrimento coletivo da garotada não valeu de nada. O porta-voz do “Guinness Book” declarou ao “Daily Mail” que “nunca, sob nenhuma circunstância ou monitoramento, apoiaria ou reconheceria esse tipo de recorde”. Segundo ele, “procedimentos médicos devem ser realizados a pedido do médico e o bem-estar dos pacientes deve vir sempre em primeiro lugar”. De fato, como mostra a foto acima, não foi o caso.
Diante da preocupação do “Guinness” com a higiene e o bem-estar dos circuncisados, as autoridades filipinas ainda argumentaram que nas áreas rurais o procedimento é muito mais cruel: não é realizado por médicos, envolve facão e a não-aplicação de anestesia.
Vai ser mercenário assim em Manila…

Confiram outras fotos AQUI

2011/05/10

WWW.VIDA.COM

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:26

A cada dia que passa, fico mais boquiaberta e chocada com as maravilhas que a tecnologia nos proporciona. Como existia vida antes da Internet? Essa é uma pergunta que me faço todos os dias.
No caso da ação para capturar Bin Laden, o Google Earth – ou sei lá que outro programa os americanos usaram – foi fundamental. Eles já tinham todos os detalhes do interior da casa, a altura do algoz e, se bobear, sabiam até se ele estava barbeado ou não.
Numa proporção bem menor, há aplicativos para celulares e iPhones igualmente impressionantes. O “Shazam” é um deles. Ele permite que o usuário reconheça a música que está tocando em qualquer ambiente. Basta apontar o aparelhinho para a caixa de som e pronto: a tela mostra o nome da música, do cantor, do álbum e indica um link para baixar a canção. O “Shazam” é a pá de cal definitiva no “Qual É a Música?”.
Agora chega a notícia de que um grupo de pesquisadores desenvolveu um software de reconhecimento visual para ajudar a identificar espécies de árvores a partir da fotografia de uma folha. O trabalho é um projeto conjunto entre a Universidade de Columbia, a Universidade de Maryland e o Instituto Smithsonian.
O aplicativo para iPhone, gratuito, chama-se “Leafsnap” e contém belas imagens em alta resolução de folhas, flores, frutas, pecíolos e sementes. A partir da imagem da folha, o aplicativo fornece todos os detalhes – inclusive o nome popular e o científico da planta.
Por enquanto o banco de dados inclui árvores do nordeste dos Estados Unidos, além de Nova York e Washington, mas em breve trará espécies de todo o país.  
Estamos muito próximos de um aplicativo que lerá pensamentos.

Vale a pena conferir e impressionar-se com a lista de folhas mapeadas AQUI

2011/05/09

ALERTA VERMELHO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:12

A guerra dos sexos é eterna e provavelmente nunca encontrará uma explicação definitiva. Mas pelo menos um ponto a Ciência já conseguiu desvendar: que as variações hormonais e de humor a que as mulheres são submetidas todos os meses não são charminho ou desculpa para atitudes deselegantes e pouco educadas.
Está comprovado que somos um laboratório químico em plena efervescência. Todos os meses ele explode e leva tudo aos ares.
Ciente disso, um site recém-lançado ajuda os homens a lidarem com esse problema com humor. Trata-se do “The Daily Cramp” (“A Cãimbra Diária”, literalmente).
Eles dizem: “Vamos encarar isso. Homens simplesmente não entendem as mulheres. E há uma razão para isso: elas têm um ciclo hormonal que nós não temos. É como se elas tomassem anfetaminas e calmantes todos os dias e nós não sabermos que pílula elas tomaram. O ‘The Daily Cramp’ é um informativo diário que ajuda os homens a resolver o maior mistério dos últimos 10 mil anos: mulheres. Desde o início dos tempos os homens não têm defesa contra a ‘Síndrome da Ursa Louca’. Mas recentemente um grupo de cientistas trapaceiros chegou a uma descoberta. O informativo os ajudará a domar a ‘Ursa Louca’ e colocá-la para hibernar”.
Quando o interessado se cadastra, via email ou Facebook, ele precisa colocar o nome da ursa louca e fornecer algumas informações, como o primeiro dia do ciclo menstrual dela e sua duração.
Todos os dias o usuário recebe uma newsletter que acompanha um gráfico prevendo as mudanças de humor – ilustrado com as respectivas expressões faciais da ursa. Cada fase conta com pequenos testemunhos de “mulheres reais” sobre como elas se sentem naquele momento específico.
O serviço – que já conta com seis mil assinantes – é invenção é de um trio de amigos americanos.
Um deles, Jon Hilley, ex-funcionário do “Goldman Sachs”, conta que a ideia surgiu enquanto conversava com sua namorada sobre a tabela hormonal dela. “Os caras pensam que as mulheres têm um período do mês em que sangram, mas a química no organismo delas está em constante mudança”.
Ele admite que a newsletter pode até ser banal, mas não insulta as mulheres. “Vamos até o limite”.
Imaginar que alguma mulher se sentirá ofendida parece bobagem, mas em tempos de politicamente correto sempre aparece alguém achando pelo em ovo. Nesse caso, acusar o trio de fazer chacota da desgraça alheia ou considerar o site de mau gosto seria coisa de ursa feminista e xiita em TPM.

Visitem o site AQUI

2011/05/08

ESTADO DE ATENÇÃO

Filed under: Matutando — trezende @ 09:29

Ok. O Pará é o segundo maior Estado do país, mas daí a dividí-lo em três é outra história.
Na década de 90 chegamos a ouvir rumores sobre um suposto movimento separatista gaúcho, mas a notícia de que algum paraense estivesse insatisfeito é novíssima.
É quase certo que a ideia de dividir o Pará em três Estados não tenha vindo do devaneio de um feirante do Ver-o-Peso, mas da mente doente de algum político que um dia acordou e disse: “Taí, vou separar o Pará”.
De qualquer forma, de onde quer que tenha surgido a proposta, a população vai decidir através de um plebiscito se quer a criação de mais dois Estados, o de Carajás e o de Tapajós.
Se ganhar o status de unidade federativa, Carajás vai ser uma espécie de São Paulo do Pará. Herdará as maiores reservas minerais e os principais empreendimentos da Vale da região. Será um Estado próspero, o que causará melindre em Tapajós e Pará.
No entanto, os dois vizinhos têm à mão um ótimo argumento para baixar a bola de Carajás quando o luxo e a riqueza lhe subirem à cabeça. Lembrá-lo de seu passado nada glorioso: o de ter sido o palco do famoso massacre dos sem-terra de Eldorado dos Carajás.
Com a péssima moda de convidar um famoso para “interpretar” o Hino Nacional, quem cantaria os hinos dos dois novos Estados? Luan Santana ou Vanusa? Sim, porque a Fafá já é de Belém.
Mas os maiores dramas decorrentes do esquartejamento do Pará mobilizará todos os brasileiros. Quem vai ficar com a Joelma? E com o tecnobrega? A castanha-do-pará vai mudar de nome? Quem vai pagar a conta das respectivas Câmaras Municipais?
Se é para esculhambar, proponho a criação do Estado de Serra Pelada. A principal atividade econômica seria obviamente o garimpo do ouro. Já seus habitantes personificariam como nunca antes na história desse país o espírito do brasileiro: o de pelado e nu com a mão no bolso.

Quer conhecer o hino do Pará? Ouça AQUI

2011/05/07

COLCHA DE RETALHOS

Filed under: Folheando — trezende @ 07:43

O assunto de hoje é para quem gosta de se sentar na janelinha.
Trata-se do livro “Window Seat: Reading the Landscape from the Air” (“Assento na Janela: Lendo a Paisagem do Ar”), disponível nas versões americana e europeia.
Lançada em 2004, a obra é do jornalista Gregory Dicum, especializado em temas como Gastronomia, Turismo e Meio Ambiente e colaborador de diversas publicações, como o “The New York Times” e o “San Francisco Chronicle”.
Na primeira versão, o autor divide os Estados Unidos e o Canadá em regiões e descreve acidentes geográficos, formações aquáticas e transformações feitas por humanos em áreas nativas. Ele também explica de que maneira as formações geográficas tiveram peso na atividade humana e até como a cultura e a História modificaram a paisagem.
Além disso, Gregory responde a dúvidas comuns, como por que algumas áreas são organizadas em quadrados e outras em círculos, dá dicas sobre como identificar paisagens famosas – como o Grand Canyon e a DisneyWorld – e outras nem tão conhecidas, como prisões, minas e rodovias interestaduais.
As 70 fotografias aéreas foram feitas a partir de 35 mil pés (cerca de 10.500 metros de altura) e mostram as principais rotas aéreas da América do Norte.
No capítulo do Texas, por exemplo, o autor ensina a identificar poços de óleo, a fronteira com o México e as cidades fundadas por alemães.
Mas quem compraria um livro desses? Basicamente pessoas que viajam com frequência, apaixonados ou estudiosos da Geografia. No entanto, a melhor resposta sobre o perfil do leitor está na seção de resenhas do site “Amazon”.
Um deles diz: “Sim, eu sou um daqueles chatos que em voos transcontinentais ouve o seguinte pedido da aeromoça: ‘O senhor pode fechar a persiana?’. Como disse um colega meu, também  louco para se sentar na janelinha, ‘Você tá brincando? A vista do Grand Canyon vale esse tipo de transtorno e o custo do voo”.
Outro escreve que não se trata de um livro técnico e é perfeito para adolescentes inteligentes – “a menos que você saiba identificar blocos e montanhas de gelo, lagos formados por degelos e consiga explicar como 100 mil anos de ação glacial formaram as lindas paisagens que vemos do alto”.
“Já que os salgadinhos, as bebidas grátis e os filmes nos foram retirados, olhar pela janela é a melhor diversão dentro de um avião”, acredita outro leitor.
Os que ficaram desapontados com o livro criticam o fato de que as fotografias de satélite, além de pequenas, não terem semelhança com o que, de fato, é visto da janela.
Há cerca de três anos Gregory Dicum esteve no Brasil para realizar pesquisas para o livro “The Coffee Book”. Num artigo para o “The New York Times” sobre o Rio de Janeiro ele escreveu que os botequins são “instituições de bairro” que funcionam como café, balcão para almoço e bistrô. “O cafezinho é a alma do botequim, e o botequim é uma ligação direta com a era de ouro do Rio”, diz o jornalista, que também cita a Confeitaria Colombo como exemplo desse período dourado.

Quem se interessou pelo livro pode comprá-lo AQUI

2011/05/06

O RETORNO

Filed under: Matutando — trezende @ 09:52

O anúncio da morte de Osama Bin Laden me trouxe a certeza de que estava diante de um acontecimento histórico tão importante quanto a chegada do Homem à Lua.
No entanto, a sensação mista de alegria e euforia que parece se apossar dos jornalistas nessas horas não aconteceu. Na verdade, pulgas imensas instalaram-se atrás de minhas duas orelhas.
Tal os velhinhos céticos que ainda hoje suspeitam das pegadas dos astronautas no solo lunar dizendo que tudo não passou de encenação barata ou dos que juram que Elvis não morreu, tive dúvidas sobre o desaparecimento do terrorista.
Ora, Bin Laden não brinca de esconde-esconde. É o terrorista mais famoso e sagaz do planeta. Nunca seria capturado por um vacilo de um de seus mensageiros e jamais estaria dando mole numa “mansão” que destoava da paisagem desértica e pobre do Paquistão. Nem avestruz nem pavão. Bin Laden é tatu.
Espantou-me ainda a rapidez com que pessoas em todas as partes do mundo compraram a ideia da morte do criminoso e saíram às ruas para celebrar a vitória. A popularidade de Obama subiu 11 pontos em poucas horas – justamente num momento em que ele se encontra no meio de uma polêmica sobre seu real local de nascimento.
Minha reação foi a mesma das colegas de trabalho de Sílvio Santos, que costumam completar a famosa frase do patrão – “Eu só acredito…” – respondendo “… vendo!”. Esse bordão martelou na minha cabeça: eu só acredito vendo.
É realmente esquisito os americanos terem a chance de exibirem a cabeça de Bin Laden como troféu e não fazê-lo.
Por que não divulgar as fotos? Será que pelo menos 1 dos 80 membros da unidade Seal que participaram da ação não tinha uma praga chamada celular com câmera? Imagens dos mais variados assuntos são vazadas diariamente, mas justo a de Bin Laden com a boca cheia de formiga não temos?
Precisamos de uma prova – um presunto estendido no chão, sob jornais, que seja.
Por que mataram a cobra e agora não querem mostrar o pau?
Igualmente estranha é a forma que os americanos encontraram para, segundo eles, evitar que o túmulo de Bin Laden se transformasse em santuário. De posse do defunto, o atiraram ao mar – não sem antes cumprirem a tradição islâmica de lavar o corpo e recitar algumas preces.
Que ritual islâmico que nada. Se houve um corpo, ele recebeu o mesmo tratamento que o do atirador que matou diversas crianças numa escola carioca. Apesar de ter deixado instruções sobre como gostaria que fosse o enterro – lençóis brancos e tal – o assassino acabou nu, numa cova rasa e como indigente.
Sobram outros pontos obscuros na operação – principalmente porque informações recentes contradizem em vários pontos a versão oficial inicial.
Num primeiro momento, os Estados Unidos disseram que os agentes tiveram de encarar um tiroteio de cerca de 40 minutos até botarem as mãos em Bin Laden, que como estava armado e tentou resistir usando uma mulher como escudo.
Depois disseram que Bin Laden não estava armado, que não usou ninguém como escudo e não ofereceu resistência. Simplesmente levou chumbo na cabeça.
A única novidade que me faz começar a considerar a hipótese da morte de Bin Laden veio da TV “Al Arabiya”, que divulgou relato de uma das filhas do terrorista que estava no local. Segundo ela, seu pai foi pego ainda vivo e depois alvejado pelos soldados.
Isso se a garota não é mercenária e não se vendeu por uma Barbie e um CD da Miley Cyrus.
Do contrário, podem esperar: Bin Laden volta no segundo filme, vivinho da silva.

Próxima Página »

O tema Rubric. Blog no WordPress.com.