O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/04/22

UM FILME MUITO DO INZONEIRO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:32

Nas últimas duas semanas mais de 2 milhões de brasileiros saíram orgulhosos do cinema. O motivo é “Rio”, animação de Carlos Saldanha que estreou em 150 países.
Não é para menos. O filme é uma linda homenagem ao Rio de Janeiro e chega para coroar nossa ótima fase de queridinho do planeta. É Copa, é Olimpíadas, é cenário de filme, é palco para shows internacionais, é mercado para atores estrangeiros… É o país do futuro, enfim, tornando-se o país do presente.
Saldanha – que mora nos Estados Unidos há quase 20 anos – é o brasileiro que deu certo. Depois de ficar famoso em Hollywood com a série “A Era do Gelo”, realiza o sonho antigo de mostrar os encantos cariocas para o resto do mundo.
Nas inúmeras entrevistas concedidas para divulgar seu trabalho, Saldanha revelou que todas as vezes que vinha ao Brasil lia reportagens sobre pinguins que chegavam à costa brasileira ou sobre tráfico de aves exóticas.
Como sempre teve interesse por temas ecológicos, começou a colecionar essas histórias. Mas, enquanto maturava a ideia, surgiram vários filmes com pinguins e ele teve de mudar o personagem principal. Daí a opção pela ararinha-azul.
“Rio” parte da história de duas ararinhas-azuis para falar sobre o tráfico de aves exóticas e mau-trato animal.
Blu e Jade nunca se viram. Ele mora em Minnesota desde que foi capturado ainda filhote na Floresta da Tijuca e ela vive no Rio de Janeiro. Eles precisam se acasalar porque são os últimos exemplares da espécie.
Nos Estados Unidos, as ararinhas têm as vozes de Jesse Eisenberg (o garoto de “A Rede Social”) e de Anne Hattaway (“O Diabo Veste Prada”).
Enquanto espetáculo visual e representação do espírito brasileiro, o filme de Saldanha é perfeito. É emocionante contemplar numa animação em 3D o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, a Vista Chinesa, os Arcos da Lapa, o bondinho de Santa Teresa e a Marquês de Sapucaí. De arrepiar mesmo.
Além disso, estão presentes todos os elementos que definem nossa “identidade nacional”, como a paixão pelo futebol, o Carnaval, a alegria, mas também a malandragem, a miséria dos morros e a infância sem perspectiva.
A produção tem o mérito de mostrar as duas faces do Rio – nem tanto ao mar do Leblon, nem tanto às balas perdidas.
Mas enquanto diversão, “Rio” só entretém nos 20 minutos iniciais. Após uma abertura deliciosa, cheia de som e fúria, o que se vê é uma história que renderia um bom curta, não um longa-metragem. Os conflitos são tão envolventes quanto a trama de uma gaze.
“Rio” tem poucas cenas apoteóticas. Uma delas é tascar um “Say You, Say Me”, de Lionel Ritchie, logo que o casal de ararinhas-azuis troca o primeiro olhar. Um tiro.
A dica para encarar “Rio” sem sentir o comichão de sair da sala é apreciar a paisagem e curtir a trilha sonora – que ficou a cargo de Sérgio Mendes. O músico convidou amigos como Will.i.am (do “Black Eyed Peas”), Carlinhos Brown e até Jamie Foxx (o eterno Ray Charles).
Uma coisa é certa: o Rio de Janeiro continua lindo.

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8 Comentários »

  1. Estou ansiosa para ver o filme. Pelas amostras achei tudo muito bonitinho..
    Senti saudades do Rio de Janeiro que conheci e curti.
    Inzoneiro… eu nunca pensei nessa palavra, fora do contexto de meu Brasil, brasileiro rsrrs

    Comentário por picida ribeiro — 2011/04/22 @ 10:35

  2. Não sei se o filme entretém só nos 20 minutos iniciais. Na sessão em que assisti ao filme, todos deram muita risada, em várias partes do filme, tanto no começo, meio e fim.

    Minha única crítica é quanto ao excesso de música.

    Comentário por Grandes Filmes — 2011/04/30 @ 01:19

  3. Não só a palavra é fora do contexto como o filme todo. Enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos e se isolam nos seus condominios de luxo, a guerra civil “não declarada” esta nas ruas. Estive no Rio em 1995 e não vi nada demais, a não ser que você tenha um bom “fundo” para gastar, o que é irreal para a maioria esmagadora dos brasileiros(inclusive para a população da “cidade maravilhosa”). O Saldanha não está errado e quem achou o filme “bonitiho” também, não. O que está errado são as politicas públicas e a “maquiagem” que insiste em tentar nos convencer que esta tudo bem no RJ, sendo que é MENTIRA!!! É tudo manipulação, somente para evitar os protestos civis, de uma população humilhada pelo trafico, pela policia, pelos politicos, pelos ricos e por si mesma. No filme faltou o Caveirão e o forno de microondas onde o Tim Lopes foi assado. Aprender samba? É lindo! Mas, muito mais útil seria aprender como se desviar de tiros de fúzil. Parábens ao Saldanha, conseguiu mostrar que o Brasil é o país do Samba e da bagunça… Se é que tem alguém que pensa diferente….

    Comentário por MIKE — 2011/04/30 @ 08:40

  4. Retificando um comentário:
    É melhor começarem a olhar mais as mulheres no RJ, pois os casos de estupro contra adolescentes cresceram asustadoramente. E ai esta o governo de novo querendo usar a “maquiagem” para diminuir a culpa….
    Me desculpem, mas não dá para se deixar convencer por uma simples animação…

    “O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) divulgou, nesta sexta-feira, dados sobre violência contra a mulher em 2010. O destaque foram os casos de estupro. Das 4.589 vítimas desse tipo de crime, 3.751 referiam-se à “estupro de vulnerável”, em meninas com até 14 anos de idade.

    “Esse aumento das notificações de violência contra a mulher não pode ser visto como um aumento da violência. O que aumentou foi à notificação, a visibilidade. Ganhou porque as mulheres que estavam nos segmentos territoriais onde hoje estão as Unidades de Polícia Pacificadora não são vitimizadas pela segunda vez”, disse a Chefe de Polícia Civil, delegada Marta Rocha.

    Em 29,7% dos registros, a vítima tinha relação de parentesco com o criminoso, e 10% dos suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros.

    Os registros de estupro ocorridos no Estado do Rio de Janeiro em 2010 apresentaram uma média 313 mulheres vítimas por mês ou uma média diária de 10 vítimas de estupro do sexo feminino.”

    Comentário por MIKE — 2011/04/30 @ 08:49

  5. A impressão é que o filme da é noção geral do que é Brasil para os gringos, filme de gringo para gringo, sabe aquela maneira que gringo vê o Brasil e a gente odeia? Porra!!! Não passaram a atmosfera real, achei meio fake, o filme carrega aquele ranço da visão de gringo que morou no Brasil , achei péssimo os micos trombadinhas me admira muito o governo do Rio não falar nada, o vigia da empresa arrancando a roupa no meio do serviço, um buldog de Carmem Miranda, achei patético, é um filme atrasado que insiste em passar uma imagem totalmente distorcida do Brasil, faltou inteligência, faltou perspicácia, faltou cuidado, Bem que falaram que ia ser um tentativa de recriar o que a Disney fez a 50 anos atrás, usaram e abusaram de recursos gráficos e foi só, se os gringos não estivessem no momento baba-ovo esse filme seria um fiasco, Alguem assistiu Rango? sem palavras, outro nível, percebe-se um fino trabalho intelectual, coisa que faltou no Rio, faltou um brasileiro de verdade. Saldanha, vc é um bosta!!!

    Comentário por Aonda — 2011/04/30 @ 13:56

  6. Vc tem razão em uma coisa: tudo bem que o filme é visualmente lindo mas peraí… não tem roteiro nenhum. A história é um saco e não te prende.

    Comentário por Ana Carol — 2011/04/30 @ 22:21

  7. como filme de categoria de animação sugere um filme mais familia, nao tao adulto, e o filme apavorou, lindo lindo lindo, mostrou realmente as faces do rio, eu me emocionei ao ver o meu brasil sendo exposto em animação decente pro mundo todo

    Comentário por bruno soares — 2011/05/01 @ 00:00

  8. orgulho desde que nao faça apologia ao homossexualismo como esta sendo praxe nas produçoes atuais.

    Comentário por Ricardo — 2011/05/01 @ 00:51


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