
A notícia da semana não foi a morte de Elizabeth Taylor, mas a demonstração de coragem explícita de Casey Heynes, um gordinho australiano que saiu do anonimato graças ao seu ato de bravura.
O mundo já assistiu às imagens que revelam em poucos segundos o dia de fúria de Casey. Farto das piadinhas dos colegas sobre seus atributos físicos, Casey jogou tudo para o alto. Literalmente. Tal qual um sapo que precisa desenrolar a língua no tempo exato para não espantar a presa, o garotinho foi certeiro. Rodopiou seu agressor e acabou com a brincadeira num golpe. Nem Anderson Silva foi tão veloz.
Casey é o nosso herói, o pequeno “Incrível Hulk” dos fracos e oprimidos – o “fraco” aqui é só força de expressão mesmo.
O menino também está sendo chamado de “Zangief Kid” – lutador russo personagem do jogo “Street Fighter”. E mais: com a mesma velocidade com que o vídeo se espalhou pelo planeta, Casey ganhou uma legião de fãs e um site não-oficial (confiram aqui).
O melhor da cena não é nem o golpe de Sean, mas o estado em que o “bolinador” abandonou a briga – ele mesmo um magrelo dentuço e alvo fácil de “bullying”.
O agressor sai em frangalhos, mancando e andando lateralmente como um caranguejo – esse aí nunca mais jogará “Street Fighter” ou assistirá a filmes com Bruce Lee ou Jackie Chan.
Ok, ok, não é politicamente correto incitar a violência juvenil, mas é inegável que o pós-golpe é de chorar de rir.
Casey lavou a alma – a dele e a nossa. Ele fez o que nós adultos muitas vezes temos vontade – mas que (in) felizmente os mandamentos da boa convivência em sociedade não permitem.
No entanto, antes de decidir que a melhor defesa é o ataque, Casey já sofreu um bocado. Numa entrevista a um programa de TV disse que pensou até em suicídio.
O fato é que o “bullying” existe desde que o primeiro menino das cavernas foi para a escola e continuará pelos séculos dos séculos amém.
É até curioso o jeito com que muitos pedagogos, psicólogos e pais têm encarado o problema. Parece que não tiveram infância, nem apelido, nem nunca foram motivo de riso entre os colegas seja pelo corte de cabelo, pela altura, voz fina, orelhas de abano, dentes de coelho ou até mesmo por razão alguma.
Bastou nomear o comportamento – ainda por cima com uma expressão em inglês – para que surgissem especialistas e programas da tarde dispostos a debatê-lo. Tamanha é a ênfase que às vezes chegamos a pensar que estamos diante de uma doença incurável – e que no fundo é.
O “bullying” infantil nos prepara para os inúmeros “bullyings” do mundo adulto. Coisas da vida.
Para quem ainda não assistiu ao vídeo, veja AQUI
E o menininho que foi se queixar do bullying na escola e o pai lhe disse algo como “Deixa pra lá, meu quatrolho!”…
Cruel, não?
Beijocas dominicais.
Comentário por Selma Barcellos — 2011/03/27 @ 17:31
É verdade. O bullying no período escolar é o assédio moral na vida profissional.
Comentário por Ricardo Rezende — 2011/03/27 @ 19:44
Tati, realmente, eu quase chorei de rir com o pós-golpe! Sobre o tal “bullying”, já estou de saco cheio disso. Acredita que até até a turma do Pânico já convidou uma pedagoga para o programa do Rádio? Fala sério! Quando era criança, tinha dentes enormes (você deve se lembrar). Apelidos não me faltavam, claro! Pus aparelho, minha aparência melhorou MUITO, mas ainda sou dentucinha. E bem resolvida. Acho que essa moçada é muito mole, a vida é simples demais para eles…
ADOREI o post (como sempre ótimo e muitíssimo bem escrito) e a reflexão que nos proporcionou.
Beijos e saudades de você, prima!
P.S.: Venha por uns dias aqui em BSB!!
Comentário por Vaninha — 2011/03/28 @ 10:15