O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2011/02/28

ÓRFÃOS DE AMOR

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:33

Até Khadafi acusar Bin Laden pelos levantes na Líbia, o terrorista afegão andava meio esquecido.
Esquecido para você, leitor frio e calculista. Porque milhares de orações são oferecidas a Bin Laden todos os dias.
Ok, milhares pode ser um pouco de exagero. Talvez 16 seja um número mais preciso.
Parece piada de mau gosto, mas trata-se da mais pura verdade. A iniciativa é do site “Adopt-a-Terrorist For Prayer” (“Adote Um Terrorista Para Orações”), mantido por um grupo de católicos.
A página foi lançada em 2008, mas a facilidade de adotar um criminoso foi disponibilizada em 2009. Desde então, 603 pessoas já se registraram para incluir um terrorista em suas Ave-Marias.
O site traz uma lista com 165 pessoas que precisam de nossas orações – todas elas procuradas pelo FBI e pelo Departamento de Estado Americano e com alguma ligação com o mundo islâmico.
Alguns terroristas têm mais fãs, caso de Osama Bin Laden, com 16 “padrinhos”. Já o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, acusado de tentar explodir um avião que ia de Amsterdã a Detroit no ano passado, tem 8.
Apesar de soar estranha, a ideia é absolutamente coerente, conforme explica o site: “Onde está a resposta dos cristãos ao terrorismo? Se a luta contra a violência feita em nome do Islã é primordialmente espiritual, então derrotá-la requer uma resposta espiritual (…) O amor pelos inimigos nos dá a coragem de encarar, superar e transformar o ambiente que os cria. Terrorismo inspira medo. De acordo com Jesus, o antídoto para isso é o amor”.
De fato, Jesus amou Judas. Judas era um mau-caráter. Bin Laden é mau-caráter. Logo, Jesus ama Bin Laden.
Na seção “Maneiras de Rezar” há diversas sugestões para quem não sabe por onde começar: “Espírito Santo, siga incansavelmente Al Zawahiri até as profundezas de seu esconderijo de forma que ele não escape à sua graça”; “Senhor, exponha Shaik Mohammed ao precioso testemunho dos seguidores de Jesus”; “Senhor, liberte Dulmatin do controle de Satã e o abra para conhecer a graça em Jesus”.
Thomas Bruce, o porta-voz do projeto, diz em entrevista ao site da CNN que o principal objetivo é ensinar às pessoas a rezarem pelos inimigos e ajudarem a modificar espiritualmente os terroristas.
“Temos lutado por isso há dez anos nos utilizando de meios materiais e por enquanto não conseguimos mudar nada. Trazer uma perspectiva espiritual – já que o Senhor responde às preces de alguns de seus fiéis – pode e vai trazer uma mudança profunda ao conflito imoral que vivemos”.
Já que precisamos amar nossos inimigos, ficam as sugestões para novos sites: “Adote um Político Para Orações”, “Adote um Marronzinho da CET Para Orações” ou “Adote um NET Para Orações”.

Elevem suas preces AQUI

2011/02/27

REIS DO DESERTO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:11

Depois de quase 60 anos o cartunista Laerte decidiu sair do armário. No ano passado sua intimidade teve mais destaque nos jornais do que seus quadrinhos após se assumir “cross-dresser”.
O “cross-dresser” não é necessariamente gay ou drag queen, mas tem fascinação pelo universo feminino e gosta de se vestir de mulher. Alguns são casados, têm filhos, emprego “normal” e levam uma vida “clandestina”.
O novo estilo de vida de Laerte chocou muita gente, mas no resto do mundo não é mais novidade. Há 19 anos existe em Nova York a “Miss Vera’s Finishing School For Boys Who Want To Be Girls” (“Academia de Miss Vera Para Rapazes que Querem Ser Meninas”), a primeira escola de “crossdressing” do mundo.
O lema da escola é em francês: “Cherchez la femme” (algo como “Em busca do feminino”).
No site, Miss Vera explica: “É perfeito para você, querido estudante, que está à procura de sua mulher interior e quer o feminino como guia. Nossas lições se baseiam na filosofia ‘Inveja de Vênus’. Eu acredito que para cada mulher que queima um sutiã há um homem ansioso para usá-lo”.
A academia oferece 12 cursos – dados pelas chamadas “decanas” – cujos conteúdos variam entre maquiagem, etiqueta, vestuário, modelo fotográfico (com book incluso), artes sensuais, locomoção sobre o salto e a arte da pechincha (o “Save a Pretty Penny”).
A sinopse do curso “Dining Debutante” diz: “Um restaurante é o lugar perfeito para sua primeira aparição. Nós o preparamos com maquiagem e aulas de salto alto. Relaxe e esteja maravilhosa para ver o mundo com novos olhos e novos cílios”.
Já o curso “Maid to Order” prepara o aluno para ser garçonete durante o chá das decanas – inclusive se vestindo com aventalzinho.
O sigilo é garantido porque a maioria dos cursos – apesar de acontecerem na escola – são particulares.
“O que queremos num aluno é o entusiasmo e o desejo de explorar. Providenciamos a orientação, as perucas e o guarda-roupa num ambiente inspirador para que cada um busque sua liberdade de expressão. Não importa o seu estilo. Você se transformará num ser humano mais feliz, saudável e sexy”, explica Miss Vera.
Miss Vera é na verdade Veronica Vera, ex-atriz pornô, ex-jornalista e ex-negociante de Wall Street que enxergou a oportunidade há 19 anos e apostou num público estimado entre 3% e 5% de homens adultos que se vestem de mulher.

Confiram o site AQUI

2011/02/26

LÉ COM CRÉ

Filed under: Matutando — trezende @ 08:37

Aracy de Almeida não morreu. Mora na Líbia, que é onde pretende viver e morrer (de vez).
Muamar Khadafi está a própria Aracy, mas felizmente não é coisa nossa – já temos Tiriricas demais para nos ocuparmos.
Em meio ao caldeirão em que se transformou a capital Tripoli e arredores do país, Khadafi tem chamado tanto a atenção que o próprio motivo das manifestações fica em segundo plano. Tudo graças às declarações típicas de um portador de Síndrome do Pânico.
Segundo ele, Bin Laden teria inventado uma nova versão do “Boa noite, Cinderela”. Renascido de alguma caverna afegã, estaria envenenando adolescentes com “pílulas alucinógenas para tomarem com café com leite, como o Nescafé”.
O ditador líbio também tem atiçado a população com frases que parecem saídas da praça de alimentação do Shopping Iguatemi: “Capturem os ratos! Saiam de suas casas e ataquem!”.  
Depois de dizer à multidão que está no meio deles, pediu para o povo cantar, dançar e divertir-se. Só faltou gritar: “Tira o pé do chão!”.
Khadafi está tão atordoado que perdeu-se no tempo e no espaço confundindo a Praça Verde com a Praça Castro Alves – até porque no alto do trio elétrico ele já estava.
Reportagens que tentam traçar o perfil do ditador ressaltam sua excentricidade. A maneira extravagante com que se veste nos permite denominá-lo de a Lady Gaga dos presidentes. Além disso, o ditador gosta de acampar e receber visitantes numa barraca beduína.
O melhor retrato de Khadafi foi pintado pelo genial José Simão: uma mistura de Vanderlei Luxemburgo com Reginaldo Rossi.
A definição torna-se ainda mais perfeita e ultrapassa a questão da aparência quando analisamos outro traço da personalidade de Khadafi. Assim como seus irmãos-siameses Luxemburgo e Rossi, ele gosta de viver cercado por mulheres. Seus guarda-costas são todos do sexo feminino – que diz serem menos dispersivas do que os homens.
Segundo informações vazadas pelo “WikiLeaks”, uma “voluptuosa loira” o acompanha em todas as situações.
Esse aí gosta mesmo de armar a barraca no deserto.
Mas quem seria essa loira misteriosa? Poderíamos arriscar os palpites mais absurdos – inclusive incluindo na lista a Loira do Banheiro –, mas duas mulheres jamais seriam aceitas para armar a barraca com Khadafi: Martha Rocha e a Mãe Loura do Funk.
Uma pena. A Mãe Loura saberia muito bem como colocá-lo na linha.

2011/02/25

DEPENDE DE NÓS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:09

Recentemente cinco professoras obesas foram proibidas de trabalharem na rede estadual de ensino de São Paulo. O motivo: foram consideradas “inaptas” após o exame médico.
O governador Geraldo Alckmin jura que as reprovações não tiveram “motivações estéticas”, mas o caso mostrou que estética e a capacidade intelectual têm total relação, sim senhor.
Um artigo da editoria de Finanças do site “Yahoo! News” escancara o problema e diz que a fina estampa tem impacto no avanço da carreira. “Alguns dizem que a aparência é mais importante para os empregadores do que uma carta de apresentação”.
Pesquisadores de diversas áreas e países descobriram que a estrutura facial, a cor do cabelo, o peso e o vestuário têm influência sobre o salário e o jeito que as pessoas nos enxergam. Vejamos:
Segundo a Universidade de Harvard, homens que têm pelo menos 1m80 de altura ganham mais do que os que têm a mesma posição com menor estatura.
Outro levantamento foi realizado com a metade das empresas que integram a lista das 500 melhores da revista “Fortune”. A pesquisa mostrou que, em média, os CEOs são 7 centímetros mais altos do que os outros funcionários.
Essa nós já sabemos: o peso da mulher pode ter impacto negativo sobre sua renda e prestígio profissional. O sociólogo Dalton Conley, da Universidade de Nova York, concluiu que um aumento de 1% na massa corporal resulta em 0,6% de decréscimo na renda familiar.
Além disso, se a mulher for 7 centímetros mais alta do que as colegas ela ganha de 5% a 8% a mais.
Segundo o “The Glass Hammer”, um site voltado para mulheres executivas, há uma forte evidência de que as que usam maquiagem conseguem melhores empregos e são promovidas mais rapidamente.
Outra análise da Universidade de Harvard diz que as mulheres, particularmente, acreditam que o jeito de se vestir é um fator vital para chegarem ao sucesso.
Até a simetria do rosto pode contar a favor (ou contra). Quem tem um olho menor do que o outro pode não ser tão atrativo quanto um simétrico.
O mesmo se aplica à postura. Quanto melhor for a sua, maior será seu conceito com os outros.
Dados da Sociedade Americana de Cirurgia Facial e Reconstrutiva comprovam que dois terços dos pacientes se submetem a operações porque querem “permanecer competitivos no ambiente de trabalho”.
Para Rick Wilson, cientista politico da Universidade de Rice, portar um permanente sorriso dá uma força extra. Um de seus estudos mostrou que as pessoas sorridentes são vistas como mais confiáveis.
Já o economista Daniel Hamermesh, da Universidade de Yale, conduziu um estudo chamado “A Beleza no Mercado de Trabalho”. Depois de 21 páginas de tabelas e gráficos ele conclui que os mais bonitos ganham 5% a mais, em média.
Barba e bigode são outro ponto. 63% dos homens calvos ou com queda de cabelo disseram que a característica afetou suas carreiras negativamente. O jornal inglês “The Times” ouviu algumas opiniões e elas foram divergentes: algumas acham o barbudo ou o bigodudo não devem ser incomodados. Outros creem que os pelos do rosto são para esconder alguma coisa.
Momento autoajuda do dia: apesar de todas estas estatísticas, ter sucesso, gordura ou boa postura só dependem de nós.

2011/02/24

CAMINHANDO E CANTANDO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:02

Musical é aquela coisa: ou ama-se ou odeia-se.
Para algumas pessoas, a simples ideia de uma personagem pedir para a outra passar a margarina cantando já é motivo de impaciência.
Quem teve poucas experiências com o gênero, nunca parou para pensar se gosta ou não e pretende iniciar a carreira como espectador de musicais, não comece por “Burlesque”.
O filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original por “You Haven’t Seen the Last of Me”, interpretada por Cher, mas não é nada além de uma compilação de clichês.
“Burlesque” marca a estreia de Christina Aguilera no cinema. Ela interpreta Ali, garota caipira que trabalha numa lanchonete empoeirada e que alimenta o sonho de virar estrela. Sim, ela tem talento. Quando ninguém está olhando faz suas performances com o frasco do desodorante e depois cai na real. Até que um dia ela resolve jogar tudo para o alto.
Troca a bota pelo salto e sai – arrastando uma mala-baú, claro – rumo a Los Angeles. Dorme no ônibus e quando acorda – com o rímel irretocável, claro – dá de cara com o famoso letreiro “Hollywood” encravado no morro. Fama, aí vou eu.
Cher é Tess, dançarina/cantora veterana e dona da boate que dá título ao filme. Ela fará as vezes de anjo da guarda. Apesar de todos os apuros – o cabaré passa por dificuldades financeiras e corre risco de ser fechado –, Tess conserva seu bom coração.
Os clichês continuam nos números musicais. À exceção daquele interpretado por Cher – realmente bom –, todos os outros não animam – inclusive uma versão requentada da inédita “Diamonds Are A Girl´s Best Friend”. Que saudades da empolgação de “Nine”.
Há pouco espaço para a criatividade. Uma dos poucos diálogos interessantes é quando Tess pergunta a seu assistente o que teria acontecido às boas dançarinas de Los Angeles. E ele responde: “Estão todas no ‘Dancing With the Stars’”.
A pergunta que fica é: a história é fraca para privilegiar os números musicais ou vice-versa? Nem uma coisa nem outra. “Burlesque” é tão pequeno e abafado quanto o cabaré de Tess.

2011/02/23

A FOME E A VONTADE DE COMER

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:08

Com a chegada de mais um Carnaval voltamos a observar um desfile de corpos estranhos.
O “mérito” geralmente é atribuído à dieta à base de batata e clara de ovo, mas a verdade é que a mulherada tem perdido a mão nos anabolizantes.
Algumas delas estão com uma aparência que lembra muito uma perereca – coxas, panturilhas e braços malhados. Sem falar na voz de cigarra. Um horror.
Enquanto elas tentam ficar com a forma de insetos, nos Estados Unidos há quem queira apenas saboreá-los. A antropóloga Daniella Martin está nesta cruzada – ela defende o consumo de insetos como alternativa à carne.
Em seu site, “Girl Meets Bug” (“Garota Encontra Inseto”, literalmente), ela relaciona dez motivos para darmos uma chance aos insetos. Dentre os principais, o fato de serem altamente nutritivos (têm muito mais proteína do que a carne de vaca), baratos, limpos, fáceis de serem preparados e alguns deliciosos – ela diz que certas larvas têm gostinho de bacon.
O jeito mais fácil e gostoso de começar a consumi-los é prová-los vivos, logo que chegam dos criadouros.
Dados das Nações Unidas dão conta de que mil espécies são comestíveis e que mais de 80% da população mundial consome algum tipo de inseto.
No site Daniella prepara pratos e dá dicas de consumo. Segundo ela, o preconceito e a repulsa são normais, mas em suas demonstrações culinárias cerca de 75% das pessoas acabam experimentando.
O interesse da antropóloga pelo assunto começou há dez anos, quando foi estudar em Yucatan, México. Enquanto conduzia pesquisas antropológicas e tomava contato com a cultura tradicional dos maias ela aprendeu que eles costumavam complementar a alimentação com insetos por causa da escassez de comida.
“Um dia estava em Oaxaca e de brincadeira comprei um pacotinho de ‘chapulines’ (espécie de gafanhoto temperado com limão e pimenta)”, conta Daniella ao site Aol News. “Mas eles têm um péssimo relações públicas – precisam de uma reformulação de marca”.
Hoje já experimentou baratas, gafanhotos, grilos, minhocas, cigarras, escorpiões, lagartas, caracois, formigas, cupins e larvas de diversos bichos.
Daniela é tão sonhadora quanto uma miss: pretende ajudar a disseminar o interesse e a aceitação das pessoas em relação ao consumo de insetos, reduzir o uso de pesticidas utilizados na agricultura e até resolver o problema da fome mundial.
Se as rainhas de bateria soubessem do valor nutricional de um escorpião ou de uma larva poderiam virar pererecas muito mais rapidamente.

2011/02/22

A RAPADURA NÃO É MOLE NÃO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:56

Pobres professores. Nas últimas semanas foram protagonistas de histórias que de tão bizarras tornam-se engraçadas.
Numa delas, no interior de São Paulo, uma operação da Polícia Rodoviária deu voz de prisão e algemou uma professorinha dentro de um ônibus que seguia para Ourinhos. Isso porque a “elementa”, descaradamente, carregava quilos de crack. Só depois descobriu-se que o crack era rapadura. Mas o estrago já havia sido feito.
Vai, DJ, solta o tema de abertura de “Os Trapalhões”.
O segundo caso é mais chocante. O ano nem começou, mas na “Escola Estadual João Octávio dos Santos”, em Santos, um professor já estava avaliando seus alunos. A reclamação não veio dos estudantes, mas dos pais, que se espantaram com o conteúdo das questões.
A prova era de Matemática, mas citava temas como tráfico de drogas, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas. Acusado de apologia ao crime, o professor está afastado.
No cabeçalho, uma das alunas escreveu: “Avaliação diagnóstica” – professor Lívio.
Vamos ao “diagnóstico”:

1) Zaroio tem um fuzil AK-47 com carregador de 80 balas. Em cada rajada ele gasta 13 balas. Quantas rajadas poderá disparar?

2) Biroska comprou 10 gramas de coca pura que misturou com bicarbonato na proporção de 4 partes de pó para 6 de bicarbonato. A seguir, vendeu 6 gramas desta mistura ao Cascudo por R$ 150 e 16 gramas ao Chinfra por R$ 40 o grama. Então:

a) Quem é que comprou mais barato? Cascudo ou Chinfra?
b) Quantos gramas de mistura o Biroska preparou?
c) Quanto de cocaína contém essa mistura?

3) Jamanta comprou 200 gramas de heroína que pretende revender com um lucro de 20% graças ao “batismo” com pó de giz. Qual é a quantidade de giz que ele terá que colocar?

4) Rojão é cafetão na Praça Mauá e tem 3 prostitutas que trabalham para ele. Cada uma cobra R$ 35, dos quais R$ 20 são entregues a Rojão. Quantos clientes terá que atender cada prostituta para poder comprar a sua dose diária de crack no valor de R$ 150?

5) Chaveta recebe R$ 500 por cada BMW roubado, R$ 125 por carro japonês e R$ 250 por 4X4. Como já puxou 2 BMW e 3 4X4, quantos carros japoneses terá que roubar para receber R$ 2.000?

6) Pipoco está na prisão por assassinato pelo qual recebeu o equivalente a R$ 5.000. A mulher dele gasta R$ 50,00 por mês. Quanto dinheiro vai restar quando Pipoco sair da prisão daqui a 4 anos?

Essa “Escola Estadual João Octávio dos Santos” está mais para “Os Traficantes do Amanhã”. Aliás, isso dá até enredo de escola de samba.
De fato, o “diagnóstico” do professor não foi dos melhores. Além de toda a apologia ao crime, o machismo embutido na última questão é gritante. Esse aí só poderia terminar na UTI.
Se os alunos conseguiram resolver às perguntas merecem congratulações (Matemática não é meu forte), mas se não, pelo menos já sabem que a cocaína é misturada com bicarbonato, pó de giz, açúcar ou o que mais os Biroskas tiverem em casa.
Se alguma vez esses professores já consideraram a hipótese de entrarem para a vida bandida por causa dos baixos salários, a lição foi aprendida: o crime não compensa.

2011/02/21

MISTER M NA LINHA 4

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:08

Em São Paulo, desde 2009 o Procon oferece o serviço “Não Perturbe”. Uma vez cadastrado, o telefone do cidadão fica bloqueado para o recebimento de ligações de telemarketing. Na teoria, 30 dias após a inscrição as empresas ficam proibidas de nos incomodar com ofertas de produtos e serviços que não nos interessam.
Na prática não é bem o que acontece. Os tais “meinha no pé” são insistentes e é necessário muito sangue frio para aprender a lidar com essas pragas.
Uma boa ajuda vem do site “The Consumerist”, que publicou uma lista com “As Dez Confissões de Um Operador de Telemarketing de Seguros”.
Segundo o site, um de seus leitores (justamente um operador de telemarketing da área) escreveu abrindo o jogo sobre seu trabalho. Ele contou de que forma recebe as comissões, as táticas e que tipo de informações devemos ou não fornecer durante a conversa. Confiram:

1) Esteja preparado para ser bombardeado por ligações de diferentes companhias quando solicita um orçamento online. O que ocorre é que uma empresa vende a informação para várias agências e empresas. O valor pago é de U$ 8 para cada orçamento que termina bem-sucedido.

2) Mesmo que seu telefone esteja na “Do Not Call List” (bloqueada para o recebimento de chamadas de telemarketing) podemos contatá-lo em até 90 dias depois que o pedido foi feito. Para não receber mais ligações apenas diga, assim que atender o telefone, “inclua-me na sua lista de bloqueio de chamadas” ou “não ligue neste número novamente”.

3) Geralmente tentamos cruzar dados de seu atual segurador com a cobertura que oferecemos. Fornecemos a menor cobertura, então você tem o menor preço. É desta forma que conseguimos mantê-lo no telefone, o que é meio caminho andado.

4) Os contatos são realizados da seguinte forma: 10% por telefone, 0% por email e menos de 5% por correio. As ligações telefônicas são as mais baratas e as mais efetivas. Já os emails, apesar de serem gratuitos, são ineficazes.

5) Quando um operador diz que está te fazendo um preço promocional ele está mentindo. Operadores não têm poder para isso, apenas a seguradora.

6) Os seguros mais rentáveis são os de vida, de pensão e de saúde. Forçamos a barra nestes três porque uma vez adquiridos, geralmente não são cancelados. Além disso, recebemos comissão durante todo o período de vida do cliente. Seguros de carro e de casa são os mais disputados, mas os menos rentáveis. No entanto, são os mais procurados.

7) Acidentes e multas pesam contra você, mas apenas por um período – geralmente de três anos. Eles podem aumentar a mensalidade uma vez que você é mais “perigoso” à seguradora. Algumas companhias não o notificarão mesmo que você tenha cometido três ou mais infrações dentro dos três anos, como direção imprudente ou sob efeitos do álcool. Não é possível omitir dados sobre isso, afinal, podemos fazer um levantamento de seu histórico ao volante.

8) Não forneça o número de sua carteira de habilitação quando operadores e agentes solicitarem sob o argumento de que precisam deste dado para realizarem o orçamento. Eles só necessitam de nome, data de nascimento, tipo do veículo e histórico de incidentes.

9) Seu histórico de crédito também influencia sua taxa de seguro de automóvel. Isso porque pessoas com menos crédito são mais arriscadas às companhias. Pessoas casadas e com filhos têm um bom desconto porque teoricamente são mais responsáveis do que as solteiras. O mesmo se aplica a motoristas novos e velhos. O perfil que paga a maior mensalidade é o solteiro, homem e com menos de 25 anos.

10) A área de seguros é muito competitiva. Faça cotações pelo menos uma vez ao ano para conseguir o melhor negócio e renove sua cobertura. Se seu carro não é tão novo, abaixe o valor de sua cobertura de colisão e seguro abrangente. Você economizará cerca de 50%.

2011/02/20

CAMICASES DA NOTÍCIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 12:00

Vida de jornalista não é fácil. Tida como glamurosa, a rotina da profissão é constantemente confundida com a das estrelas, mas a realidade é bem menos cor-de-rosa.
Só no recente capítulo das manifestações no Egito tivemos dois casos que não apareceram na “Caras”: os jornalistas brasileiros presos pela polícia local e a jornalista da CBS que foi espancada e violentada.
Trata-se de uma função que combina diversas outras: a de médico, bombeiro, ator, palhaço, e, por fim, contador de causos.
Para alguns felizardos ela tem uma dose menor de sofrimento – e nem por isso deixa de ser Jornalismo. Que o diga Gersh Kuntzman, editor do jornal “The Brooklyn Paper”, de Nova York, que narrou a experiência de provar comida para cachorro.
A aventura de Gersh foi motivada pelas empresárias Hannah Mandelbaum e Alison Wiener, da “Evermore”, uma empresa que fabrica rações para animais de estimação.
Segundo Gersh, elas lançaram o desafio de que comeriam seu próprio produto – uma das gororobas caninas sabor carne ou frango – uma vez ao dia durante todo o mês de março. Gersh também quis participar e recebeu uma mistura de carne e miúdos de frango, inhame, cenoura, couve, cevada, vitaminas, minerais e sementes de abóbora.
“E sabem de uma coisa? É substancioso e um pouco granulado sim, mas o único aroma desagradável veio da couve. Lembra um pouco patê, mas mais insosso. O tipo do patê que um poodle francês cheiraria e sairia fora”.
Com muito bom humor, ele continua: “Eu poderia ter parado na primeira garfada – afinal já havia servido ao Jornalismo (alô comitê do Prêmio Pulitzer!) – mas algo me fez comer mais. É bom. E quando eu coloquei um pouco de molho picante – molho humano, claro, eu não como molho para cães – ficou realmente delicioso”.
O jornalista Ben Muessig, ex-funcionário de Gersh em alguma redação, escreveu um artigo sobre a empreitada para o site “Aol News” intitulado “Eating Dog Food: The Future of Journalism?” (“Comer Comida Para Cachorro: O Futuro do Jornalismo?”).
No texto ele conta que “Gersh tem construído a reputação de nunca ter se esquivado de servir de dublê para tarefas extravagantes. Ele já foi modelo nu numa aula de Desenho Artístico, já defecou em frente às câmeras para testar a integridade de um toalete ‘amigavelmente ecológico’ e já experimentou um supositório de cafeína. Tudo em nome da notícia”.
Num email ao ex-patrão, Ben perguntou por que o editor de um jornal precisa experimentar comida para cachorro. A resposta: “Isso é diferente de, sei lá, revelar o escândalo do Watergate ou publicar documentos do Pentágono? Sim, claro, mas há também uma grande similaridade: estamos todos batalhando incansavelmente para fornecer à sociedade informações essenciais sobre o que acontece na comunidade. No caso do meu consumo gratuito de comida para cachorro, meus leitores agora sabem que se eles estiverem presos em casa por causa de uma nevasca e as únicas coisas que tiverem forem uma latinha de ração e um pacote de ‘Saltines’ o jantar está garantido”.
Se ele comeria comida para cachorro todos os dias? “Claro, mas por $ 14 (R$ 26) o litro eu terei de achar uma perua rica para me manter”.

2011/02/19

POLÍCIA PARA QUEM PRECISA

Filed under: Matutando — trezende @ 08:36

A ex-modelo Martha Rocha entrou para a História graças ao seu fracasso.
O boato é de que ela teria perdido a coroa de Miss Universo por causa de algumas polegadas extras no quadril.
Nesta semana Martha Rocha voltou às bocas. Não a bela, mas a fera. A homônima da miss tomou posse como a nova chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro graças ao fracasso. Não dela, claro, mas do ex-chefe da polícia civil carioca, Allan Turnowski.
E que fracasso. Guilhotinado em praça pública por algumas polegadas extras na língua.
Aliás, o nome da operação não poderia ser mais apropriado: Guilhotina. O padrinho desse batismo estava certo de que cabeças iriam rolar. Talvez só não soubesse que seria a do cabeça.
A Miss Polícia tem agora alguns rojões pela frente. O mais simples será lidar com a desconfiança dos colegas num ambiente predominantemente masculino.
Se esse é o rabo de foguete mais suave, o resto é silêncio. Literalmente. Martha Rocha precisará agir sem estardalhaço para não assustar suas presas – que já se mostraram altamente bem-informadas.
Poderíamos lamentar o fato de termos chegado ao ponto de precisarmos de polícia para vigiar a própria polícia. Mas temos mais é que festejar. Finalmente decidiu-se investigar algo que a nação brasileira inteira já sabe desde que Cabral chegou por aqui. Os que ainda não desconfiavam da corrupção policial assistiram à “Tropa de Elite 2”. Está tudo lá bem explicadinho.
O mais irônico é que depois do filme de José Padilha e do sucesso da operação que varreu os traficantes dos morros, as “otoridades” policiais gozavam de um prestígio nunca antes visto na história deste país. Durou pouco a lua-de-mel.
O sonho das misses costumava ser a “paz mundial”. A delegada Martha Rocha pode se dar ao direito de ser um pouco mais prosaica: desejar apenas a paz nacional.
Que a força esteja com ela.

2011/02/18

JEANNIE É UM GÊNIO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:22

Hoje um exemplo de que como fazer do seu limão uma limonada.
Kirsty Nicholson começou a sofrer de claustrofobia aos seis anos de idade. Mais ou menos na mesma época ela aprendeu a dançar e a se imaginar no seu emprego dos sonhos: o Circo dos Horrores.
Até aí, nenhuma novidade. Toda criança sonha em ser astronauta, trabalhar em circo ou ser bombeiro.
Sempre que a trupe passava por sua cidade – Stockton-on-Tees, na Inglaterra – ela ia assistir ao espetáculo.
O tempo passou, Kirsty cresceu, estudou na “Cleveland School of Music” e se tornou cantora. Em outubro do ano passado participou de uma audição para o circo e foi aprovada.
“Achei que seria cantora, mas depois que perceberam como eu era flexível eles pediram que eu aprendesse a me acomodar dentro de uma jarra”, diz ela ao jornal “Daily Mail”.
Pelo jeito, como cantora Kirsty era uma boa contorcionista. Se quisesse o emprego, teria de superar sua claustrofobia.
“Sempre fui muito flexível, mas ficava petrificada em lugares pequenos. Então quando me disseram que seria a garota da garrafa achei que não seria capaz”.
Foi aí que sua mãe sugeriu que ela começasse a praticar em casa e passou a forçá-la a se retorcer dentro de cestos de lixo.
O esforço deu resultado. Kirsty foi se dobrando em lugares cada vez menores – dentro da máquina de lavar, sob a pia ou dentro do guarda-roupa – e hoje é capaz de se acomodar numa jarra de 60 centimetros de comprimento por 45 de largura.
Além da claustrofobia ela precisou se curar de uma apendicite. Algumas semanas antes de sua primeira performance, Kirsty teve de retirar o apêndice. Após a cirurgia, fugiu do hospital.
Segundo ela, o mais difícil não é entrar no recipiente, mas perceber que fecharam a portinha. “Não dá para abrir de dentro, então tenho de repetir para mim mesma que alguém virá me salvar. São apenas cinco minutos, mas é muito quente lá dentro”.
Kirsty conta ainda que quando não está viajando e não tem nada melhor para fazer, assusta a família se escondendo em lugares improváveis da casa. “A princípio eles achavam estranho, mas hoje dão risada”.
Portanto, pensem duas vezes antes de reclamarem de que precisam entrar numa calça 36.

2011/02/17

FAROESTE COM ESTILO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:35

Não há quem passe impune por um remake. Uns o definem como uma opção para a falta de criatividade e o caminho mais curto para chamar a atenção da mídia. Outros, que se trata de uma “homenagem” aos clássicos.
Qualquer que seja a alternativa escolhida, comparações são sempre inevitáveis. Talvez por este motivo muitos até evitem reviver histórias já levadas à tela – caso de Francis Ford Coppola, que quando esteve no Brasil fez questão de dizer que não trabalha com refilmagens.
Mas os que arriscam às vezes petiscam. Caso deste “Bravura Indômita”, que concorre a dez Oscar.
Roteirizado e dirigido pelos irmãos Coen, conta com produção-executiva de Steven Spielberg e o vencedor do Oscar no ano passado, Jeff Bridges. Tanto peixe grande tem uma explicação: o remake de 1969 trazia o patrimônio John Wayne, que em 1970 ganhou o Oscar pelo papel.
“Bravura Indômita” não é um filme fácil. Primeiro porque não estamos acostumados à estética do faroeste – pelo menos não no cinema. Depois porque o protagonista vivido por Jeff Bridges é uma personagem que não desperta simpatias. Seja pela aparência, pela voz ou pelo comportamento bronco.
Por último, ultrapassar a primeira meia hora exige paciência. Além das duas características anteriores, os minutos iniciais são altamente verborrágicos. Enquanto somos “contextualizados”, dá-lhe citações a episódios passados nos quais a personagem esteve envolvida.
A dificuldade inicial é vencida quando Jeff Bridges entra de vez em cena. Solto o freio de mão, começamos a nos sentir livres para curtirmos a belíssima fotografia da paisagem texana e nos deliciarmos com um elemento sempre presente nos trabalhos dos irmãos Coen: o humor.
Baseada no livro homônimo de Charles Portis, a história se passa em 1880 e narra os esforços de Mattie, uma garota de 14 anos, para vingar a morte do pai. Para tanto, contrata Cogburn (Jeff Bridges), considerado um policial federal de “verdadeira coragem” (ou de “bravura indômita”, como foi pomposamente traduzido).
Violento e algumas vezes macabro, “Bravura Indômita” é um tratado sobre a amizade e a confiança. Esse leva o boneco.
No elenco, além da estreante Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar, estão Matt Damon e Barry Pepper – cuja cara vocês já viram em algum filme de guerra.
Pena: “o homem dos seus sonhos”, Josh Grolin, faz apenas uma participação.

Sintam o clima do filme AQUI

2011/02/16

DDDRIN

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:44

Essa vem da “CNN Asia”: os mesmos antigos egípcios que nos apresentaram o papel, o relógio e os cosméticos também foram responsáveis pelo desenvolvimento da “tecnologia” de remoção da cera do ouvido através de poções que incluíam óleo de cipreste, gordura suína, sangue de gato ou cabeça de morcego.
Mas milhares de séculos depois, os japoneses produziram um avanço revolucionário nos cuidados com o ouvido.
Há cerca de cinco anos o governo japonês anunciou que a limpeza de ouvidos não seria mais considerado um procedimento médico e tornou inócuas as licenças médicas para os limpadores de ouvido. Daí surgiu um novo tipo de negócio que tem florescido às centenas em Tóquio e em outras grandes cidades: salões de beleza especializados nesse tipo de desentupimento.
“As pessoas vão relaxar”, diz Yoshimi Sasaki, gerente de uma das unidades da “Yamamoto Mimikaki-ten”, a maior das redes, que abriu em 2006 e hoje tem nove filiais na região de Tóquio. “É tão relaxante que três entre quatro clientes – a maioria homens – dormem durante a sessão”.
O tratamento básico oferecido pelo salão dura 30 minutos e custa cerca de 2.700 ienes (cerca de R$ 60).
As boas-vindas dão a impressão de que se trata de um serviço realizado por gueixas. O cliente troca a roupa por um quimono e uma atendente lhe serve chá regado a um pouco de papo furado. Depois deita a cabeça do cliente sobre o colo e cobre seu rosto com um lenço.
Com a ajuda de um “mimikaki” – espécie de hashi de bambu com uma pequena concha na ponta que pode ser de metal ou plástico – ela calmamente retira a cera dos ouvidos do cliente enquanto massageia ouvidos, orelhas e serve mais chá.
Sasaki explica ainda que é importante aprender príncipios básicos da remoção. Retirar a quantidade correta de cera é vital para a saúde dos ouvidos. Para a realização do trabalho é necessária uma semana de treinamento.
Apesar de a clientela ser majoritariamente masculina, estão começando a surgir salões voltados às mulheres.
Depois de 40 anos trabalhando como barbeira, em 2009 Hikaru Takahashi abriu o “Beatific”, que atualmente também conta com uma escola de limpeza de ouvidos. Há professores que ensinam como as mulheres devem dar uma geral nos orelhões dos maridos e outros que treinam professionais que pretendem se especializar no assunto.
O tratamento básico do “Beatific” dura 70 minutos, custa cerca de 8.400 ienes (R$ 190) e inclui lavagem e uma meticulosa limpeza de ouvido, massagem nas orelhas, pescoço e ombros.
Outro serviço inclui massagem adicional, facial, depilação da orelha e “cartomante auricular”. Através da observação das características auriculares de cada um, Takahashi diz ser possível prever o futuro.
Será que ouvi direito?

2011/02/15

AMOR KAFKIANO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:44

Ontem o mundo comemorou o Dia dos Namorados, uma homenagem a São Valentim.
O santo – cuja existência e superpoderes são questionados – teria sido um sacerdote detido e torturado até a morte por ordem do imperador romano Cláudio 2º.
Reza a lenda que o sacerdote se apaixonou pela filha de um de seus carcereiros, a quem enviou uma carta apaixonada em que assinava como “teu Valentim”. O episódio daria origem à tradição dos namorados.
Deveras romântico.
O zoológico do Bronx, em Nova York, resolveu deixar o romantismo de lado. Com o slogan “Flores murcham. Chocolates derretem. Baratas são para sempre”, o zoo propôs que os apaixonados batizassem uma barata com o nome do amado – pela módica quantia de 10 dólares.
“Não consegue se decidir sobre o que dar a alguém especial neste Dia dos Namorados? Às vezes a resposta está ao nosso lado, justamente como há milhões de anos, como as baratas!”.
Mas o zoológico prometia que o amado não emprestaria seu nome a qualquer barata, mas a uma barata gigante de Madagascar, a maior e mais barulhenta de todas as espécies.
O zoo conta com 58 mil delas e cerca de 1.700 foram batizadas nos dois primeiros dias da “promoção”.
Segundo os idealizadores, homenagear alguém no batismo do inseto é sinal do reconhecimento do quão persistente, talentoso e leal seu amado é. Ou a constatação de sua virilidade e força.
Após a compra, a pessoa recebe um certificado que diz mais ou menos o seguinte: “Seu amado batizou uma barata com o seu nome. Ela mora no tronco de uma árvore dentro da exposição ‘Madagascar’ no zoo do Bronx. Apareça para uma visita”.
Romântico? Talvez para casais de biólogos, veterinários ou góticos.
“Eu vou comprar uma barata pra me defender”.
Segundo o site do zoológico, os fundos arrecadados serão usados pela “Sociedade de Conservação da Vida Selvagem” para a proteção da fauna das florestas de Madagascar.
Fica a dica para o nosso 12 de Junho.

Confiram o site AQUI

2011/02/14

A ARTE EGÍPCIA

Filed under: Matutando — trezende @ 08:25

Não é necessário ter visitado o Egito para saber como era o estilo dos desenhos daquela civilização.
Nas ilustrações podemos observar que eles não tinham noção de perspectiva. As pessoas são sempre representadas de perfil, meio que saindo pela tangente.
Sinal da falta de talento artístico dos egípcios? Que nada. Prova de sua sabedoria. Afinal, passaram-se séculos e séculos e o ser humano continua saindo pela tangente – principalmente políticos.
Dois exemplos: um cá (Romário) e outro lá (Hosni Mubarak).
Na primeira sessão na Câmara dos Deputados, Romário nem chegou a dar as caras. Trocou sua estreia no plenário por uma partida de futvolei em seu Saara particular, a praia da Barra da Tijuca.
A foto da escapulida foi estampada num jornal carioca, mas ninguém levou muito a sério. 
Dias atrás o mundo parou para assistir ao vivo o discurso de renúncia de Hosni Mubarak, mas acabou vítima da pegadinha do malandro. Anticlímax total.
A notícia que todos aguardavam só viria na manhã seguinte, quando o vice-presidente confirmou que Mubarak havia deixado oficialmente o cargo.
Antes de se empirulitar para o seu Saara particular, Mubarak deixou uma notinha de quatro linhas que não explicava muita coisa: “Cidadãos, nestes tempos difíceis o presidente Mohamed Hosni Mubarak decidiu renunciar à Presidência da República e indicou o Conselho Supremo das Forças Armadas para comandar o governo da nação. A paz esteja convosco, com a misericórdia e as bênçãos de Deus”.
Não tivemos outra escolha a não ser dizer Amém.
Por enquanto não foram publicadas imagens do ex-presidente egípcio jogando futvôlei em Sharm-el-Sheik.
Já Romário, em sua segunda jogada tenta marcar um gol. Suspende a partida de futvôlei e a sunga e se fantasia de terno para seu discurso de posse na Câmara. Em vez de uma nota mixuruca de quatro linhas, falou por mais de cinco minutos e foi aplaudido no final.
No encerramento declarou que acredita que como deputado será mais cobrado até do que quando defendeu a camisa da Seleção Brasileira ou dos clubes pelos quais passou, mas que pretende “continuar a oferecer aos críticos e aos descrentes” sua melhor resposta:  seu trabalho.
Se não conhecessemos Romário e seu apreço pelos treinos, até acreditaríamos. Esse aí é um legítimo personagem da arte egípcia.

2011/02/13

O DIA EM QUE A CONTA CHEGA

Filed under: Matutando — trezende @ 10:16

O noticiário não tem estado dos mais palpitantes. Tanto, que o assunto da semana foi Cristina Mortágua.
A ex-modelo, ex-pantera, ex-Edmundo e ex-musa dos anos 90 foi protagonista de um barraco digno de novela mexicana.
Alexandre, filho de Cristina com o Animal, prestou queixa de lesão corporal contra ela. Transtornada – segundo o filho pela bipolaridade e pela ação de remédios –, Cristina apareceu na delegacia e agrediu sua cria e a delegada. Sem grana para pagar a fiança, acabou no xilindró.
O episódio denota um drama comum às mulheres com o perfil modelo e atriz: o despreparo psicológico para lidar tanto com o envelhecimento quanto com o ostracismo.
Nós, aqui da janela, conhecemos muito bem o círculo vicioso vivido por todas elas. Depois da exposição nas capas de revista, dos affairs com jogadores de futebol ou pagodeiros, elas acabam procurando o sabonete na banheira do Gugu ou batendo boca no programa de Luciana Gimenez.
Depois de alguns anos, reaparecem completamente irreconhecíveis graças às intervenções plásticas mal-feitas. Se tivessem dinheiro, teriam maçãs do rosto como as de Naomi Campbell e Madonna – provavelmente esculpidas pelo mesmo cirurgião.
Mas não. Portam narizes do tipo “choveu, molhou” e rostos-maçaroca que não sabemos dizer muito bem se o vilão foi o botox, o preenchimento, o lifting ou a argila.
Novamente, nós aqui da janela, pensamos que um rosto tão mexido só pode ser sinal de desordem interna.
A próxima etapa é virar evangélica e renegar todo o passado. Algumas até se transformam em insistentes pregadoras e pastoras. Engordam – “cuidar do corpo não é de Deus” –, casam-se com alguém da igreja e se envergonham de terem ilustrado páginas de revistas masculinas.
O último passo é dar cabo na própria vida. Umas o fazem com remédios, outras se jogam da janela do prédio e ainda sobrevivem. Depois tomam chá de sumiço.
Cristina Mortágua está a caminho da terceira e última etapa deste círculo vicioso. De fato, deve ser muito triste e doloroso passar de pantera à gata vira-lata.

2011/02/12

QUESTÃO DE PELE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:15

Esta é para cutucar os vegetarianos: que tal saborear um belo medalhão de filé mignon e depois, com a endorfina circulando pelo organismo, entrar na lojinha ao lado do restaurante e comprar uma bolsa feita a partir do couro do boi que você acabou de traçar?
Essa é a inovação oferecida pelo restaurante “Marlow & Sons”, do Brooklin, em Nova York.
À primeira vista a proposta soa meio mórbida, mas não há como negar a ótima jogada de marketing do proprietário, Andrew Tarlow, que contratou a esposa – a designer Kate Huling – para confeccionar os acessórios de luxo.
Apesar do preço salgado – entre R$ 555 e R$ 740 – não é tão simples adquirir bolsas, cintos, bolas de futebol e carteiras. “Estamos mantendo a produção pequena. É algo apenas para os clientes que frequentam o restaurante”, explica Kate Huling.
“Veja a rapidez com que você come um hamburguer. A ideia do sacrifício animal passa logo, enquanto que a bolsa é algo que pode durar por gerações. Estamos interessados em dar às pessoas uma outra oportunidade de honrar o animal e fazer parte de todo o processo”, explica a designer.
Os acessórios – bem mais convencionais do que a foto acima – são produzidos a partir da mesma fonte: o couro curtido do gado e do porco – alimentados organicamente – disponíveis no cardápio do restaurante.
As peles saem do açougue, vão para um curtume em Gloversville, transformam-se em peças de couro no distrito fashion de Midtown e voltam para as prateleiras do “Marlow & Sons”.
Kate recebe de 10 a 20 bolsas a cada duas semanas.
No próximo outono, mais uma novidade: passarão a ser oferecidos também chapéus confeccionados com pelo de coelho e blusas de lã de ovelha.
Se a moda pega, os proprietários do “Fogo de Chão” e do “Porcão” ficarão com seus cofrinhos ainda mais recheados.

Querem conhecer o cardápio do “Marlow & Sons”? Vejam AQUI

2011/02/11

PEROBA NELES

Filed under: Matutando — trezende @ 08:30

Quem está com esse jingle-chiclete na cabeça levante a mão:
“Amigo, se alguém entra na sua casa e coloca meinha pra não sujar o chão é porque pensa em você o tempo todo. Na tecnologia, no atendimento, nos produtos… Perfeição não teremos. A vida é maluca mesmo. Mas consideração e meinha no pé, ah, me gusta… No dia, no diaaaa em que eu virei um Net”.
É muita cara-de-pau veicular um comercial como esse. O último desejo de um cliente insatisfeito é a tal meinha no pé. Era preferível que os “técnicos” da Net entrassem em nossas casas com os pés sujos de lama e fossem capazes de solucionar os problemas “na tecnologia, no atendimento, nos produtos…”.
Ao contrário do que diz a propaganda (enganosa), o cliente não exige perfeição. Sonha apenas com bom atendimento e o cumprimento dos serviços contratados.
Provavelmente 90% de vocês já devem ter tentado falar com o Serviço de Atendimento ao Cliente da Net. Depois de ouvirem o menu com mais de 10 opções de atendimento, mil musiquinhas de elevador, um sem-número de troca de atendentes e outras várias ligações “caídas”, nada de resolverem o seu drama. O objetivo é esse mesmo: nos vencer pelo cansaço.
Além das tentativas frustradas de contato – por telefone, email, pombo-correio ou sinais de fumaça – muitos clientes recorrem aos sites do tipo botando a boca no trombone. No mais famoso deles, o “Reclame Aqui”, a Net figura na 7ª posição.
Ler as reclamações não é uma tarefa recomendada para quem sofre de gastrite ou úlcera. O descontentamento com os serviços é amplo – vem de todo o Brasil – e causa “gastura”.
Há quem reclame do agendamento da “visita técnica” e o consequente não-atendimento por conta da “agenda lotada”; do sinal ruim (ou da falta dele); da não-suspensão temporária do serviço por motivos de ausência; da impossibilidade no cancelamento de serviços; falta de sinal no telefone, na Internet e na TV por dias ou semanas; cobrança de fatura indevida; promessa de ponto adicional gratuito que nunca é instalado; contratação de uma velocidade (10 mega) e o recebimento de outra (5 mega) e por aí vai. Melhor parar por aqui para não estragar o dia de vocês.
Quantos outros milhares de protestos terão de ser feitos para que providências sejam tomadas? A Anatel não tem como multar a Net? Ou melhor ainda, cassar a licença de funcionamento? Que espécie de máfia age para evitar isso?
No caso da pista do Aeroporto de Congonhas foi necessário um acidente com centenas de mortos e desdobramentos judiciais para o governo entrar em ação. Infelizmente nos assuntos relacionados à Net não temos cadáveres para escancarar o problema. No máximo, mortos-vivos cansados de reclamarem com as paredes. Ou alguém se habilita a envenenar um Skavurzka?
Enfim, o jingle-chiclete ficaria melhor assim:
“Amigo, se alguém tem o compromisso de lhe prestar um serviço e coloca meinha na cara é porque pensa em te assaltar o tempo todo. Te fazer de palhaço, te cobrar o que não deve, te irritar… Bom atendimento não teremos. A vida é maluca mesmo. Mas descaso e meinha na cara, ah, não me gusta… No dia, no maldito diaaaa em que eu virei um Net”.

2011/02/10

MOCINHO DO TEMPO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:06

Apesar de toda a tecnologia e dos avanços científicos do século 21, uma tradição que se tornou conhecida graças ao filme “O Feitiço do Tempo” – pelo menos para nós, brasileiros – ainda resiste: o Dia da Marmota.
O evento acontece todo dia 2 de fevereiro, é transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão americanas e atrai milhares de visitantes ao distrito de Punxsutawney (Pensilvânia). Todos só querem saber de uma coisa: assistir à cerimônia da previsão do tempo realizada pela marmota Phil.
Celebração tão inusitada só poderia mesmo servir como pano de fundo para um filme.
Reza a lenda que se a marmota não vir sua sombra quando sair da toca, o inverno acabará mais cedo e ela dá por encerrado seu período de hibernação. Mas se ocorre o contrário, é sinal de que o frio intenso continuará por pelo menos mais seis semanas.
Neste último dia 2, na 124ª edição da festa, Phil deu de cara com sua sombra. Ou seja, os americanos devem enfrentar nevascas por mais dois meses.
A tradição veio com os imigrantes alemães que se estabeleceram nos Estados Unidos. Os fazendeiros da época utilizavam o método para tomar decisões sobre a semeadura de suas plantações. Desde 1887 Phil já previu invernos pelo menos 100 vezes.
Mas é chegada a hora de desmascarar essa marmota. Segundo o Centro Nacional de Dados Climáticos, Phil está correta em apenas 39% das vezes.
Phil pode mesmo colocar suas barbas de molho. De acordo com uma reportagem publicada pelo site “Woman´s Day”, mais oito animais/insetos são capazes de fazer a previsão do tempo:

- Sapos: coaxam mais alto e por mais tempo quando o mau tempo se aproxima.
- Pássaros: a altura de seu voo está diretamente ligada às condições do tempo. Se estão bem alto é porque o tempo está (e permanecerá) claro.
- Vacas: segundo a lenda, quando as mimosas percebem o mau tempo ficam apreensivas, impacientes, matando mosquitos com o rabo.
- Abelhas e borboletas: se estiverem longe das flores é sinal de que o tempo vai fechar.
- Ovelhas: se elas se amontoarem, uma tempestade vem por aí.
- Joaninhas: quando elas se agrupam, o dia estará quente. Mas se estiverem à procura de abrigo, o frio está próximo.
- Formigas: preparam-se para o mau tempo construindo uma proteção extra em seus formigueiros ou fechando os buracos. Formigueiro alto é sinal de aguaceiro.

Os porcos? Ah, esses ficam fofos de galochas.

2011/02/09

PROCURANDO BEM

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:48

O que têm em comum um boxeador e uma bailarina? À primeira vista, nada. Mas procurando bem, no mínimo unhas e dedos dos pés ou das mãos completamente destruídos.
Em “Cisne Negro” o diretor Darren Aronofsky – o mesmo de “O Lutador” – sobe novamente ao ringue com a missão de passar da luva de boxe à sapatilha.
A guinada é bem-sucedida, já que está diante de mundos aparentemente opostos, mas que no fundo são unidos por desafios muito parecidos, como disciplina, dedicação, treino e, sobretudo, pressão.
Mas o sucesso alcançado por Aronofsky em “Cisne Negro” não se reduz à semelhança dos dramas de seus atores. Como nos melhores momentos de embate em “O Lutador”, a tensão é mantida até o final.
“Cisne Negro” não tem nada da esperança de “Billy Elliot” ou da alegria de “Flashdance”. É sim um suspense dramático inspirado em “O Lago dos Cisnes”.
A história da garota condenada a ser um cisne para o resto da vida e que precisa encontrar o príncipe encantado para ser mulher novamente sofre diversas alterações e vem carregada de sofrimento e realismo fantástico.
A Odette de Tchaikovsky vira Nina, uma bailarina criada para a perfeição. A vida sonhada por sua mãe – ela também uma ex-bailarina – pode ser descrita com a ajuda de “Ciranda da Bailarina”, de Chico Buarque. Todo mundo tem piolho, pereba ou marca de vacina. Só Nina não pode ter.
A superproteção a que é submetida só causa estragos, a ponto de Nina transformar sua progenitora em “sparring”.
“Cisne Negro” foi indicado a cinco Oscar – incluindo o de melhor filme, diretor e atriz, para Natalie Portman.
Natalie está com um preparo físico invejável. Apesar de ter estudado balé dos 4 aos 13 anos de idade, a atriz se aprontou para o papel durante um ano com treinos de dança, musculação e natação. O resultado, uma interpretação convincente e dez quilos a menos na balança.
O filme tem ainda no elenco Vincent Cassel e Winona Ryder fazendo uma ponta como bailarina aposentada.
Confiram.

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