O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/29

MOMENTO RETRÔ

Filed under: Matutando — trezende @ 08:18

Neste último post do ano quero agradecer a todos os leitores – os que leem e deixam comentários e os que leem em silêncio e preferem matutar com seus botões.
Em 2011, espero continuar com a valiosa companhia de vocês para comentarmos notícias que muito provavelmente renderão assunto por aqui, como Dilma Rousseff, as obras para a Copa e o desempenho de Tiririca no Congresso Nacional.
Para comemorar o encerramento do ano, elaborarei uma retrospectiva com os fatos mais chocantes ou bizarros de 2010. Alguns foram tema de posts, outros simplesmente não mereceram menção – seja pelo caráter inútil ou por não se adequarem ao nosso perfil.
Um ótimo 2011 a todos, com muita sorte!

Vamos aos vencedores:

Emoção do ano: resgate dos mineiros chilenos

Zebra do ano: Marina Silva

Prato do ano: ração humana

Tombo do ano: Silvio Santos e seu Panamericano

Filme do ano: invasão do Complexo do Alemão

País do ano: Bulgária

Homem do ano: Maria Gadu

Mulher do ano: Hebe Camargo

Verbo do ano: tuitar

Youtube do ano: técnico alemão tirando e comendo catota

Sagas do ano: “sertanejo universitário” e “Crepúsculo”

Religião do ano: Espiritismo

Mico do ano: Sthefany Brito chegando de peruca ao aeroporto do Rio “para não ser reconhecida”

Barraco do ano: todos os que envolvem Dado Dolabella

Frase do ano: “Eu quero defender toda aquela corrupção”, by Weslian Roriz

Goela abaixo do ano: Bob Pai e Bob Filho (Fábio Jr. e Fiuk) 

Propaganda do ano: “Pintos Shopping”, com Gianecchini

Penteado do ano: à la Justin Bieber

Mercenário do ano: Sylvester Stallone dizendo que gravar no Brasil foi bom, pois pode-se matar pessoas, explodir tudo e os brasileiros ainda dizem: “Obrigado, obrigado. E leve um macaco”

Idiota do ano: goleiro Bruno

Visitante gringo do ano: Paul McCartney

Novidade fashion do ano: enfim, esmaltes de cores variadas

Personalidade do ano: polvo Paul

Vergonha de ser brasileiro do ano: eleição de Tiririca

Modinhas do ano: espetáculos stand up, gravidez e cupcakes

Palavra do ano: pombagirice

Luto deste e dos próximos anos: Michael Jackson

P.S.: Nos próximos dias estarei offline. Novos posts a partir de 04/01. Até!

2010/12/28

PINÓQUIOS DE ONTEM E HOJE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:51

Os pseudofamosos costumam usar o álibi da correção de desvio de septo para esticarem a fuça. Curiosamente, toda intervenção resulta num nariz novo. Sinal da incompetência do cirurgião ou de que o focinho era mesmo desviado?
Tão ingênuo quanto o álibi é o fato de acreditarem no pioneirismo do ato. Enquanto Romário assume seu lado pavão e corrige seu septo, seu tatatatatatatataravô era muito mais “prafrentex”.
Um recém-descoberto livro do século 16 detalha uma das primeiras rinoplastias de que se tem notícia. “The Surgery of Defects by Implantations” (algo como “A Cirurgia de Defeitos Através de Implantes”) foi publicado em 1597 por Gaspare Tagliacozzi, professor de Cirurgia e Anatomia da Universidade de Bolonha.
O livro descreve operações realizadas para reparar faces que foram feridas ou parcialmente destruídas em batalhas.
O volume é todo escrito em Latim e ilustrado com imagens das ferramentas utilizadas nas operações e diagramas representando o processo de recuperação dos pacientes.
Numa das operações mais antigas – mostrada na figura da esquerda – o paciente permaneceu três semanas com o braço para cima e com o nariz preso ao bíceps. Após mais duas semanas, o nariz estava moldado.
Apesar de ter boa aceitação na época, as cirurgias foram rapidamente esquecidas após a morte do professor Gaspare porque as autoridades religiosas consideravam que as operações eram interferências no trabalho de Deus.
Além de intervenções de nariz, o livro revela técnicas para cirurgias de orelhas e lábios.
A obra-mãe de todas as intervenções estéticas foi arrematada por um cirurgião plástico por 11 mil libras (cerca de R$ 28.600) na casa de leilões “Dominic Winter”, na Inglaterra.
Como veem, o tatatatatatatataravô de Romário era, além de “prafrentex”, extremamente corajoso.

2010/12/27

NATAL EM JOGO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:45

Durante os dias que antecedem o Natal o discurso é de que se trata de um tempo de paz, solidariedade e harmonia. Ah, o Natal… Momento de reunir a família para celebrar a vida.
Na prática, no entanto, o espírito natalino só existe nos comerciais de panetone, o que pode ser comprovado pela falta de educação demonstrada durante as compras, na irritação dos motoristas e em alguns casos até nos desentendimentos velados durante a festa do dia 24. Natal é, no fundo, a data perfeita para saias-justas e confusões. Uma dose de champanhe além da conta ou uma palavra mal-colocada desandam ainda mais a maionese e intoxica os convidados.
Segundo uma pesquisa encomendada pelo site de compras britânico MyVoucherCodes.co.uk, não são os bebuns, as sogras ou os cunhados inconvenientes os principais responsáveis pelo mal-estar familiar, mas os jogos de tabuleiro.
Um terço das famílias discute jogando um “Banco Imobiliário” ou uma partida de xadrez. Em segundo lugar está o descontentamento com os presentes seguido da eterna briga pelo controle remoto.
Ainda de acordo com o estudo, mais de um terço dos lares começa a discutir por volta das 8h30 da manhã da véspera de Natal. Uma a cada cinco famílias vai se desentendendo aos intervalos durante o dia.
Os barracos mesmo acontecem a partir de uma da tarde, quando as crianças começam a reclamar dos presentes, o peru queima e alguém reclama que o outro está bebendo demais. Os ânimos só se acalmam novamente quando todos estão em volta da mesa falando dos que não estão presentes.
Segundo Corinne Sweet, psicóloga entrevistada pelo site “Express”, é essencial preparar-se psicologicamente para reduzir expectativas. “Já que o Natal não é perfeito, é fundamental tomar um ar toda vez que você se sentir irritado”.

Top 10 causas das discussões no Natal:
Jogos de tabuleiro
Insatisfação com o presente
Escolha da programação de TV
Discussão sobre quem vai dirigir
Tarefas envolvendo a cozinha
Tensão com os parentes
Divisão de tarefas familiares
Abuso do álcool
Passar pouco tempo com a família
Trabalhar além do horário

Fica a dica para 2011: aprender a jogar.

2010/12/24

MERDA!

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:49

Enquanto os jornais discutem se a figura do Papai Noel é ou não apropriada ao Natal brasileiro, tratemos de conhecer uma personagem da Catalunha tão indispensável quanto o Menino Jesus na manjedoura: o “Caganer”.
Ninguém sabe dizer ao certo a origem da tradição, mas ela existe desde o século 18. Nos Natais catalães é de lei: toda casa tem seu “Caganer” no presépio, símbolo de fertilidade e boa sorte.
Reza a lenda que existiu um camponês que não colocou o “Caganer” em sua cena da Natividade e o resultado foi um ano de péssima colheita.
Apesar de estar sempre presente nos presépios, a personagem nunca é colocada na frente. Está sempre de canto, debaixo de uma ponte ou atrás de uma árvore. O que é um sinal de respeito acaba virando diversão para as crianças, que brincam de procurar o “Caganer”.
A tradição também pode ser notada em outros países europeus, como Holanda, França, Itália ou Alemanha, mas é mais comum na região da Catalunha.
A partir de 1940 os catalães modificaram, de leve, o costume. Além do anãozinho tradicional, o “Caganer” assumiu outras formas, como freira, diabinho, Papai Noel e celebridades – como os membros das realezas espanhola e britânica – e personalidades como o Papa Bento XVI, Barack Obama, Fidel Castro e até Lula.
Mais recentemente o presépio espanhol ganhou outro enfeite: o “Pixaner”, o “urinador”.
Mas o “Caganer” e o “Pixaner” não são as únicas figuras porcalhonas da tradição natalina catalã. Há também o “Tió de Nadal” (“Nadal” é Natal em catalão). O Tió… bem, o Tió é um tronco.
A partir de 8 de dezembro (dia da Imaculada Conceição), os catalães começam dar de comer ao tronco, que normalmente ganha uma carinha sorridente e perninhas e é coberto com uma manta para não passar frio à noite.
No dia de Natal – ou na véspera – o Tió vai parcialmente para a lareira. Enquanto “apanha” com uma varinha e “ouve” algumas canções tradicionais natalinas, ele é incentivado a “defecar” guloseimas. O Tió não defeca objetos grandes, já que eles são trazidos pelos Três Reis Magos.
Pensando bem, o Papai Noel é mesmo uma figura sem-graça…

Querem comprar um “Caganer”? Sugestões AQUI

P.S.: Até segunda-feira estarei offline. Aproveito para desejar um ótimo Natal a vocês, leitores.
Como diz o povo do teatro, Merda!.
Até!

2010/12/23

A CARA E A CORAGEM

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:18

Esses dois aí são Red e Jonny Evans. Estão na faixa dos 30 anos, mas agem como duas crianças fãs do “RBD”.
O mérito é que eles se confessam “meganerds” e se autodenominam “dois jovens apaixonados da tropa de elite de Star Wars”.
A ideia de tirarem fotos usando o capacete-símbolo de “Star Wars” veio em 2006, durante a lua-de-mel. Eles compraram a peça numa feira de brinquedos e passaram a registrar seu cotidiano nas mais inusitadas poses e situações – desde cortar a grama do jardim até ir ao supermercado.
O resultado desta espécie de louvor à cara-de-pau é que o álbum fotográfico do casal virou sucesso na Internet.
Jonny conta ao “Daily Mail” que era para ser apenas uma piadinha interna – e foi assim por um bom tempo. “Mas eu a convenci a mostrar as imagens mais recentes a alguns de nossos amigos e coloquei-as no Flickr (site de compartilhamento de fotos)”. Depois disso, de alguma forma, a popularidade aumentou espantosamente. “Nós fomos ‘linkados’ por várias pessoas e nossa página passou a ser visitada 100 vezes por minuto”.
Atualmente a página conta com mais de mil imagens que incluem o casal num piquenique campestre, na cadeira do dentista, tirando sangue ou numa visita ao circo.
Red e Jonny tiram fotos toda semana em Toronto, onde moram. “Colocamos o capacete na mochila e sempre temos a câmera conosco. Se estamos num local público, planejamos a foto, fazemos o clique rapidamente e saímos correndo antes que alguém diga alguma coisa. Às vezes há momentos ótimos, quando você vê a cara das pessoas não acreditando no que veem”, conta Jonny.
Segundo ele, a dupla é sempre reconhecida quando vai a eventos de ficção científica – como a Comicon – ou feiras de brinquedos. “As pessoas querem tirar foto com a gente e nos chamam pelo nome”.
O casal tem cerca de 2 mil seguidores no Flickr e a página já ultrapassa os 500 mil “page-views”.
Além de ter encontrado a mulher de seus sonhos, Jonny diz que já alcançou a outra coisa que mais queria na vida: aparecer na revista oficial de “Star Wars”, a “Insider”.
Depois de enviar uma de suas fotos por email, a revista quis entrevistá-los. “Foi o auge da minha nerdice”, diz Jonny.

Vejam fotos AQUI

2010/12/22

REHAB NATALINO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:05

No início do mês um senhor de 68 anos que trabalhava como Papai Noel na loja de departamentos Macy’s em São Francisco (EUA) foi demitido porque teria feito uma piada de mau gosto para um casal de velhinhos.
A ofensa teria sido uma pergunta que o ex-Papai Noel sempre fazia aos idosos que se sentavam em seu colo: “Você está bem?” Se a resposta fosse positiva, o Papai Noel respondia: “Xi, isso não é bom”.
Piadinha sem graça, sem dúvida, mas daí a merecer o olho da rua há um certo exagero.
Talvez se esse Mau Velhinho tivesse bom-senso seu emprego estivesse garantido. Há ainda uma segunda opção: matricular-se num curso de Papais Noeis e encher de grana o bolso de quem inventa uma descolada dessas.
Um dos mais tradicionais é oferecido em “Wookey Hole”, em Somerset, Inglaterra, uma espécie de Noelândia que funciona apenas entre dezembro e janeiro. Além dos shows e apresentações de personagens infantis, tem parque de diversões, circo, parque de dinossauros e diversas atrações ao ar livre.
O diretor, James Lovell – ou “Ministro da Diversão”, como é conhecido no lugar – diz que a escola é a única do tipo em toda a Inglaterra e que tem treinado Papais Noeis há mais de 15 anos.
O currículo do curso inclui aulas sobre a história do Papai Noel, a linguagem que deve ser usada com as crianças, um workshop de caracterização (com dicas de vestuário e maquiagem), um guia dos presentes mais esperados e até a relação dos nomes das renas.
James explica que para ser um bom Papai Noel o aluno tem de ser gentil, estar atualizado com os gostos infantis, ter noção de magia e brilho pessoal. “Os olhos são o que há de mais importante. Ele usa barba e roupa pesada, portanto, a parte que as crianças realmente veem são os olhos. Além disso, ele precisa ser bom de improviso. Muitas vezes as crianças ficam tão paralisadas com a presença do Papai Noel que não sabem o que dizer, então a habilidade de improvisação é essencial”.
Os dez mandamentos do Papai Noel são:
1) Nada de perucas fajutas
2) Barbas precisam estar no tamanho padrão
3) Nada de treinadores (?)
4) Manter a roupa limpa e em boas condições
5) Ser capaz de dizer “oi” em dez idiomas
6) Comportar-se bem – nunca pular ou correr
7) Cuidar da boa higiene pessoal – nunca cheirar a álcool
8) Estar ligado nos dez CDs e brinquedos que as crianças mais querem
9) Conhecer a história e as origens da personagem
10) Saber o nome de todas as renas

Além de péssimo no improviso, tudo indica que o Papai Noel da Macy’s tenha pecado no mandamento 7.

2010/12/21

DESAFIO INATIVO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:43

Uma das brincadeiras mais legais deste ano na Internet foram as piadas que surgiram a partir da frase “Misturei Activia com…”.
A pioneira talvez tenha sido a do Johnnie Walker – cujo resultado é conhecido –, mas há infindáveis exemplos, como “Misturei Activia com Caetano Veloso e agora meu intestino me pergunta: por que você me deixa tão solto?”.
O viral acabou servindo para divulgar a marca da Danone de graça.
Mas nesta semana veio o balde de água fria: talvez o iogurte não seja essa Coca-Cola toda.
Segundo reportagens publicadas pela imprensa americana, a Danone terá de pagar uma multa de 21 milhões de dólares e parar de propagandear os efeitos milagrosos do Activia.
A decisão é da “Federal Trade Comission” (a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos), que entende que não há comprovação científica a respeito dos resultados de dois produtos: o Activia e o DanActivia.
O mercado do iogurte nos Estados Unidos é um negócio que gira em torno dos 4,2 bilhões de dólares por ano e que cresceu 8% no ano passado.
O governo alerta que a Danone terá de interromper a propaganda que proclama que o Activia regula a função intestinal e a que o DanActivia ajuda a prevenir resfriados.
“Os anúncios têm tanta exposição na TV que as pessoas passam a acreditar. A empresa já conseguiu colocar na cabeça dos consumidores que os produtos são bons para eles”, diz Katharine Paine, especialista em imagem corporativa, ao “The Sun”.
A garota-propaganda do iogurte nos Estados Unidos é a atriz Jamie Lee Curtis, que através de sua assessoria de imprensa declarou que tem orgulho de associar sua imagem à da Danone e que diariamente recebe feedbacks de pessoas satisfeitas com os benefícios do laticínio.
A briga ainda vai longe. Apesar de ter concordado em pagar a multa, a Danone questiona “respeitosamente” a decisão: “Nunca dissemos que tomar Activia ajuda a prevenir resfriados ou febre”, diz o porta-voz da empresa, Michael Neuwirth.
Agora é com vocês. Depois dessa, o “Misturei Activia com…” deu em quê?

Vejam algumas frases para se inspirarem AQUI

2010/12/20

DE VOLTA À IDADE DA PEDRA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:32

Estamos a menos de uma semana da tradicional ceia de Natal. Enquanto uns compram peru e Sidra Cereser, os mais abastados escolhem sua marca preferida de foie gras.
Em francês, foie gras significa “fígado gordo”, ou seja, fígado de pato ou ganso superalimentado.
Uma reportagem da agência “The Associated Press” conta por que devemos desejar que os consumidores de foie gras tenham, no mínimo, uma diarreia no dia 25.
O método cruel utilizado na obtenção da iguaria é sempre alvo de polêmicas nos Estados Unidos. Em vários países a comercialização já é proibida, como Argentina, Alemanha, Holanda e Reino Unido. É quase certa que a proibição chegue à Califórnia em 2012.
Inicialmente, os gansos ou patos são criados soltos – eles comem gramados para fortalecer o esôfago. Depois, começam a receber uma dieta com alto teor de amido, que já aumenta o peso do fígado em 50%.
A fase seguinte é sacanagem pura: já confinadas, as aves recebem comida à força através de um tubo que é introduzido até o esôfago. Os patos são alimentados seis vezes ao dia durante os últimos 12 a 15 dias de vida. Já os gansos, oito vezes entre 15 a 18 dias antes da morte.
Para Paul Schapiro, diretor da campanha contra a indústria do foie gras nos Estados Unidos, a prática é não apenas cruel como também repugnante. “É clara a evidência científica de que a alimentação forçada é prejudicial ao bem-estar desses animais. Eles são basicamente induzidos a um estado de morte conhecido como lipidose hepática. Para quê? Para uma mera iguaria? A maioria das pessoas não deveria querer comer uma parte morta de um animal. No caso do foie gras estão saboreando o próprio órgão morto”.
Ariane Daguin, pioneira na indústria de distribuição do foie gras nos Estados Unidos, acha que o estardalhaço é um engano. “A engorda de patos e gansos vem de 5 mil anos. Os egípcios já faziam isso. Patos selvagens naturalmente acumulam calorias em seus fígados antes de partirem para a migração”.
Um dos produtores do Vale do Hudson, Izzy Yanay, conta que diariamente é mandado para o fogo do inferno.
Três fazendas nos Estados Unidos produzem juntas 300 toneladas por ano. Parece coisa de gente grande, mas uma ninharia se comparada à produção francesa, que é de 19 mil toneladas anuais.
Segundo a reportagem, a cada meio quilo de foie gras vendido nos Estados Unidos, um dólar vai para um fundo de defesa do direito dos animais.
Apesar de toda a discussão, os produtores têm conseguido algumas vitórias. A Associação Americana de Veterinária inspecionou algumas fazendas e concedeu uma espécie de “atestado de saúde” à engorda.
A fabricação está liberada nos Estados do Maine, Massachusetts, Nova York e Chicago.
Fica a sugestão os americanos em 2011: em vez de perdoarem o peru no Dia de Ação de Graças, poderiam passar a pedir perdão para patos e gansos no Natal.

2010/12/19

PATRULHA SANITÁRIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:27

Chineses e coreanos têm hábitos culturais bem peculiares para nós, ocidentais. Falar com a boca cheia, cuspir em público ou não formar filas (vence quem empurra mais e melhor) são costumes que soam como falta de educação por aqui.
No quesito banheiro, a Coreia é a vencedora. Lá, as faxineiras fazem a limpeza dos banheiros masculinos mesmo na presença dos usuários.
Os asiáticos que mais se aproximam da nossa “realidade sanitária” parecem ser os singapurianos. Na semana passada eles lançaram a edição 2010 da “LOO Campaign – Let’s Observe Ourselves” (algo como “Campanha do Banheiro – Vamos Observar Nós Mesmos”).
Cingapura conta com cerca de 30 mil banheiros públicos e pretende atingir um bom nível de limpeza em 70% deles até 2013. O objetivo é que eles cheguem ao padrão “três estrelas”.
De acordo com as regras do programa “Banheiro Feliz”, os toaletes são classificados segundo um critério que varia de três a cinco estrelas. Um quatro estrelas, por exemplo, precisa ter fraldário ou banheiro infantil. O cinco estrelas, características ecológicas como torneiras de desligamento automático.
Uma pesquisa realizada pela Associação dos Banheiros Públicos de Cingapura revelou que apenas 500 toaletes em todo o país oferecem boas condições de uso – não têm mau cheiro ou sujeira e disponibilizam facilidades como sabonete para as mãos e papel higiênico.
“Para nós, a etiqueta no banheiro reflete a cultura singapuriana e mostra às pessoas o quanto civilizados nós somos”, diz o presidente da associação, Tan Puay Hoon. “Somos um país de primeiro mundo e queremos uma sociedade polida para representar isso”.
Para chamar a atenção para a campanha, a associação lançou o primeiro coffee shop com banheiro cinco estrelas, o “LOO@Heartlands”, localizado em Heartlands, bairro com vários prédios populares construídos pelo governo.
A associação também está distribuindo, em lojas da região, embalagens de lenços de papel com mensagens aos visitantes durante os horários de maior movimento.
A “LOO Campaign” começou em 2008. Desde então, a associação chama os funcionários credenciados que trabalham na limpeza dos banheiros de “ecoassessores”. Segundo uma das funcionárias, a maioria dos usuários ainda não está acostumada a dar descarga e continua a jogar papel no chão. “Eles ainda acham que isso é trabalho do faxineiro”, diz Priscilla Char, de 60 anos.
Outra iniciativa é educar os usuários sobre os cuidados com a higiene pessoal e a saúde pública, o que é feito através de programas escolares.

2010/12/18

CHEESE!

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:17

Na semana que passou, pesquisadores americanos revelaram ao mundo que o simples ato de mentalizar um prato de comida diminui a vontade de comer. Haja imaginação.
Pergunta: se o cérebro fica saciado com uma lasanha imaginária, o mesmo vale para o turismo? Taí um bom teste a ser feito. Mas algo é certo: admirar cartões-postais sai bem mais barato.
Brincando com o poder da mente, uma agência de turismo em Nova York lançou uma ideia bem interessante: o “Stuffed in the City” (“Bichinho de pelúcia na cidade”, ao pé da letra), que promete sacar fotos de seu brinquedo preferido em pontos turísticos.
É provável que os idealizadores tenham se inspirado em dois filmes. O primeiro, o inesquecível “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, em que a protagonista faz o gnomo de jardim do pai “viajar” por diversas cidades do mundo. Já em “Amor Sem Escalas”, George Clooney interpreta um executivo viajante que tira fotos com um banner de um casal – a irmã e o cunhado, prestes a se casar – em pontos turísticos famosos.
“Você nos manda o brinquedo e nós fazemos o resto”, diz Irina Kot, cofundadora da agência. “Ele vai se encontrar com turistas, tirar fotos em marcos de Nova York e receberá tratamento VIP de nossa equipe”.
Por 100 dólares (ou 120 para outros países), durante uma semana o brinquedo passeia por pontos como o “Central Park”,o “Empire State Building”, a “Macy’s”, o “Madison Square Garden”, o “Rockfeller Center” e até faz uma viagem de metrô. A semana termina com uma foto do brinquedo entre seus colegas de grupo – turistas em carne e osso.
O pai da “criança” recebe um CD com todas as fotos, um certificado de viagem, um souvenir surpresa de Nova York e algumas imagens impressas no tamanho 4×6.
Pelo menos por enquanto, a “facilidade” é restrita a Nova York, mas cairia muito bem por aqui. Na foto acima, os bichinhos fazem pose na Provencher Bridge, mas não parece a Ponte Estaiada, em São Paulo?

Conheçam o site AQUI

2010/12/17

TURISTA ACIDENTAL

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:40

O ser humano tem verdadeiro fascínio pela desgraça. Quem já ficou horas preso num congestionamento causado por um acidente grave sabe disso. A maioria dos motoristas passa a 5 km/h em frente aos destroços para, quiçá, achar um dedo mindinho ou uma poça de sangue.
Há também os que não dispensam uma visita a ex-campos de concentração na Europa ou à “Hezbolândia” – o parque de diversões criado e construído pelo Hezbollah perto de Beirute.
Uma outra opção para os que curtem um turismo inusitado é a visita guiada a Chernobyl, local em que aconteceu o maior acidente nuclear da História.
Segundo o “The New York Times”, o lugar foi aberto à visitação em 2002, mas recebeu pouquíssimos turistas. Entre 2004 e 2005 chegou a atrair 900 pessoas. Atualmente, parece ter sido “descoberto” – principalmente porque o governo ucraniano anunciou que em 2011 a usina começará a receber turistas.
Fácil pegar os ucranianos na mentira: além da matéria do “Times”, no ano passado a revista “Forbes” elegeu Chernobyl como um dos destinos turísticos mais exóticos do mundo.
Por 250 dólares por pessoa (cerca de R$ 430), as agências de Kiev estão oferecendo pacotes “all-inclusive” a Chernobyl.
Refresco de memória: em abril de 1986, durante o teste de um mecanismo de segurança, uma explosão no reator nº 4 levou tudo aos ares e espalhou radiação que contaminou e matou pessoas, animais e o meio ambiente. Por muitos anos o local permaneceu fechado porque os índices de radioatividade ainda eram considerados impróprios.
Chernobyl está a cerca de 100 km ao norte de Kiev, na Ucrânia. Segundo uma reportagem do jornal “The Guardian”, o caminho até lá é agradável: a estrada é ladeada por árvores frutíferas, cavalos correndo ao sol e fazendas com cara de cartão-postal.
Mas à medida que o carro se aproxima, o cenário torna-se desolador.
Na entrada, há um bloqueio com a presença de soldados 24 horas por dia. Isso porque há poucos anos o acesso à área era bem simples: bastavam uma nota de 20 dólares, um maço de cigarros e uma boa lábia.
Hoje os policiais inspecionam tudo – medem, inclusive, os níveis de radiação sobre os visitantes.
Entre as regras, não se desgarrar do grupo, não tocar em nada e andar sobre o concreto ou o asfalto, locais em que os riscos de exposição à radiação são menores do que no solo.
Ainda segundo o jornal, o passeio é impressionante: a visão de um cemitério com cerca de 2 mil carros abandonados, de um berçário que até hoje tem itens pessoais intocados, de um hotel e do “Sarcófago” – uma caixa feita de concreto, aço e chumbo que foi construída sobre o reator para isolar o material radioativo que permanece ali.
A visita termina em Pripyat, uma cidade planejada que contava até com parque de diversões e teatros e que foi construída em 1970 para servir de moradia para os funcionários de Chernobyl. Estima-se que 48 mil pessoas residiam no local na época do acidente.
Hoje, uma cidade-fantasma.

P.S.: Vejam fotos de uma visita de turistas acompanhada pelo “The New York Times” em 2005 AQUI

2010/12/16

UM INCOMPREENDIDO

Filed under: Folheando — trezende @ 08:59

Uma simples atividade recreativa – daquelas que todo mundo pratica quando vai à praia e chove – teria o poder de mudar o mundo?
Um livro recém-lançado jura que o pingue-pongue pode ter sido responsável por algumas das maiores mudanças políticas e sociais nos últimos 75 anos – incluindo a Revolução Cubana, o crescimento das periferias americanas e até o advento dos modernos videogames.
A tese é do livro “Everything You Know Is Pong: How Mighty Table Tennis Shapes Our World” (ainda sem tradução no Brasil), dos autores Roger Bennett e Eli Horowitz.
O pingue-pongue foi criado na virada do século 20 por oficiais britânicos que serviam na Índia. Os soldados costumavam usar caixinhas de charuto para bater em rolhas de vinho em cima de mesas, que se apoiavam sobre livros.
Segundo Roger Bennett, o jogo existe até hoje porque apesar de físico, é também mental. Utilizando-se de uma metáfora meio mórbida, ele explica: “É um jogo de ilusão. Você acha que já dominou, mas não. Ele tem um apelo sobre diversos escritores porque prova que a morte é inevitável”.
O livro conta que o desenvolvimento do pingue-pongue se dá em consequência da Primeira Guerra Mundial. Entretanto, somente a partir de 1950 é que seu real impacto sobre a cultura se inicia.
Bennett crê que o jogo infuenciou e ajudou milhares de famílias a se mudarem de algumas localidades para a periferia de importantes cidades americanas – que passavam por um momento de prosperidade após a Segunda Guerra.
“As casas haviam sido vendidas e as novas ainda não estavam prontas. Em vez de os anúncios exibirem a construção, mostravam a parte do prédio que já estava concluída: o porão. Para representar a união familiar e a alegria, as propagandas exploravam a imagem da família jogando pingue-pongue”.
De acordo com o outro autor, Eli Horowitz, Fidel Castro foi inspirado a destituir o governo após assistir Hiroji Satoh se tornar vencedor no Campeonato Mundial de 1952, em Bombaim, na Índia.
Horowitz acha que o jogador foi o responsável pela introdução de uma raquete que seria capaz de absorver até a mais forte das batidas. Esse artifício de usar o poder do inimigo contra ele mesmo teria dado ideia a Fidel Castro.
Para justificar tamanha forçação de barra, Horowitz diz que Fidel declarou aos seus partidários que “uma batalha de sucesso é como pingue-pongue: você bate nos adversários quando eles menos esperam”.
Ainda segundo o livro, o líder chinês Mao é outro ditador do século 20 cujo pensamento teria sofrido influências do jogo. Certa vez disse aos seus seguidores: “Veja a bolinha como a cabeça do nosso inimigo capitalista. Bata-o com o seu bastão socialista e você terá feito um ponto para a nação”.
Além do impacto que o pingue-pongue teria exercido sobre tais líderes, o livro fala que o jogo teve uma grande influência na economia dos anos 70, quando Nolan Bushnell – presidente da Atari – inventa o primeiro videogame popular, o “Pong”.
“O pessoal que trabalha desenvolvendo videogames continua voltando ao tênis de mesa para testar novas tecnologias como o Wii. É como o impacto do blues sobre o rock, o soul e o hip-hop. O ‘Pong’ é a origem e o destino”, diz Horowitz.
Ok, o pingue-pongue (ou tênis de mesa) até já se tornou uma modalidade olímpica, mas daí a mudar o mundo…

Mais sobre o livro AQUI

2010/12/15

PARA TODAS AS OUTRAS EXISTE MASTERCARD

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:28

Eles têm o carro do ano, jogam golfe, são lindos, magros, felizes e bem-sucedidos. Parecem uma família normal. Mas não são.
Pronto. Isso é tudo o que pode ser dito sobre o enredo sem que esta cri-crítica revele o pulo do gato de “The Joneses” – traduzido por aqui como “Amor por Contrato”.
Quando Francis Ford Coppola esteve no Brasil foi curto e grosso: não faz e não gosta de assistir a remakes.
Um precipitado não consideraria os argumentos do cineasta e diria que a opinião dele é mais uma de suas “ranzinzices”.
Já aquele que tem paciência para ouvir o resto da explicação, não só passa a concordar com Coppola como começa a entender porque ele é considerado um dos gênios do cinema.
Coppola diz preferir os filmes que o surpreendam e que tragam a sensação da descoberta.
De fato, a opção pela refilmagem de um clássico é mais uma questão de falta de imaginação. Afinal, é o caminho mais curto até o sucesso de bilheteria – sem falar que o álibi de homenagear um diretor sempre cola.
Muitas vezes, diante da variedade que Hollywood nos apresenta todos os anos, chegamos a pensar que todas as ideias já foram tidas, que todas as histórias já foram contadas, que os atores são sempre os mesmos e que os diretores estão filmando a mesma história com leves variações entre uma e outra.
Quantas vezes também, enquanto aguardamos com expectativa o início de uma sessão, nos perguntamos: o que será que inventaram dessa vez?
Entre muitos “mais do mesmo”, de repente surge uma surpresa boa, como é o caso deste “Amor por Contrato”, que tem no elenco David Duchovny (o eterno Fox Mulder de “Arquivo X”), Demi Moore e os desconhecidos Amber Heard e Ben Hollingsworth.
Apesar de não ser uma obra-prima “oscarizável” ou de um novo azarão como “Pequena Miss Sunshine”, o trabalho de estreia de Derrick Borte parte de uma premissa bem original. Lá pelas tantas dá umas osciladas, mas ainda assim tem “mojo”.
O cartaz e o trailer nos vendem a ideia de comédia romântica, mas trata-se de um drama que discute o conceito de felicidade, a questão da grama do vizinho ser sempre mais verde, as aparências, o ser e o ter.
A inveja é uma m…

P.S.: a estreia está prevista para 24 de dezembro

2010/12/14

SETE SEGUNDOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:51

A essa altura do campeonato, muita gente deve estar começando a elaborar sua listinha de promessas para 2011.
A maioria não deve nem saber por onde anda a relação do revéillon passado, já que não conseguiu cumprir praticamente nada do que desejou. Mesmo assim, gostam de imaginar que daqui pra frente tudo vai ser diferente: em 2011 vou parar de tirar conclusões precipitadas, de julgar as pessoas pela aparência ou de ficar reparando que fulano mergulhou no guarda-roupa e saiu de casa com tudo o que encontrou pela frente.
Promessas desse tipo são universais. Afinal, o ser humano é cheio de imperfeições e, mesmo se policiando, comete gafes, fala o que não deve e principalmente faz suas avaliações críticas sobre o próximo.
Segundo uma reportagem do “Daily Mail”, são necessários apenas sete segundos para julgarmos uma pessoa na primeira vez em que a encontramos.
A afirmação é de Linda Blair – não a menina possuída de “O Exorcista”, mas a psicóloga clínica autora de “Straight Talking” (“Conversa Franca”, numa tradução livre).
“Não é algo consciente. De certa forma, é um retorno às nossas origens primitivas, quando não sabíamos lidar com decisões erradas”.
De acordo com Judi James, autora de “The Body Language Bible” (“A Bíblia da Linguagem Corporal”), “apesar de sabermos que é uma falha e uma maneira preconceituosa de avaliação, não conseguimos nos conter. Primeiramente olhamos para ver se estamos ameaçados, mas também tiramos conclusões sobre atração e personalidade”.
A seguir, algumas dicas dos especialistas para nos sairmos bem no teste dos sete segundos:

1) Dê uma parada antes de se encontrar com outras pessoas. Observe sua aparência e respire tranquilamente para afastar qualquer tensão, timidez ou ansiedade;
2) Mantenha a postura ereta. Isso fará com que você se sinta mais confiante e relaxado – corpo tenso é sinal de estresse;
3) Não se esqueça de desligar o telefone celular ou de deixá-lo no modo vibratório;
4) Sorria. Sempre que você sorri é correspondido. É perfeito para começar um relacionamento. Mas atenção: o sorriso deve ser natural. Aparecer ou sumir repentinamente soa falso;
5) Certifique-se de que sua mala ou mochila está na mão esquerda. A direita será usada para o aperto de mãos. Um estudo da Universidade de Iowa descobriu que um aperto de mãos vigoroso é mais importante do que a aparência no momento de causar a primeira impressão durante uma entrevista;
6) Se você se mostrar carrancudo, infeliz ou ansioso as pessoas pensarão que é seu jeito de ser;
7) Mostre interesse pelo o que o outro tem a lhe dizer. Estudos demonstram que quando duas imagens da mesma mulher é exibida, as pessoas tendem a achar a foto em que ela está com as pupilas dilatadas a mais atraente. Pupila dilatada é sinal de interesse;
8) Não invada o espaço do outro. Uma distância considerada amistosa é a equivalente ao comprimento do braço;
9) Em vez de cruzar os braços ou as pernas, opte por movimentos livres;
10) Observe seu interlocutor e tente retribuir o mesmo contato visual, o tom de voz e a velocidade da fala;
11) Faça elogios, mas não seja mentiroso ou exagerado;
12) Apesar de a aparência ser menos importante do que pareça, causa um impacto. Tenha certeza de que seu traje está de acordo com a ocasião, que seus sapatos estão limpos e que seu perfume não está forte.

Boa sorte!

2010/12/13

BOA NOITE, CINDERELOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:23

Em breve vocês vão ouvir falar de “Four Loko”.
Tudo o que é novidade nos Estados Unidos e Europa demora um tempinho para chegar por aqui, mas chega. Principalmente o proibido.
“Four Loko” é a bebida da moda entre os adolescentes de lá. Trata-se de um tipo de energético que leva cafeína, guaraná, taurino – um aminoácido que supostamente melhora o desempenho atlético e mental – e tem 12% de álcool. Cada “Four Loko” equivale a cerca de cinco latas de cerveja.
As latinhas são coloridas e claramente boladas para enfeitiçar o público jovem – até pela variedade de sabores: uva, laranja, melancia, lima-limão, limonada, ponche, framboesa e mirtilo.
Mais de uma vez, pesquisando temas para este blog, encontrei perguntas do tipo: “Quantos ‘Four Loko’ você aguenta de uma vez?” ou “Qual o seu sabor preferido de ‘Four Loko’?”. Evidente que se tratava de uma febre entre os adolescentes. Foi só puxar um fio que veio o novelo inteiro.
Só pelo apelido (“Blackout in a can”, algo como “Desmaio enlatado”), é possível imaginar o estrago que ela causa. Apesar de estar no mercado desde 2008, parece que só este ano foi descoberta pelos baladeiros.
Além das dezenas de universitários que foram parar no hospital com alto nível de intoxicação alcoólica, pelo menos uma morte – de uma jovem de 21 anos – foi confirmada devido ao consumo de “Four Loko”.
Mas as autoridades americanas e a FDA agiram rápido: desde sexta-feira a venda está proibida em diversos Estados americanos.
O relato seguinte foi pinçado do blog de uma garota que está fazendo “Au Pair” em São Francisco:
“‘Four Loko’ é minha mais nova paixão aqui nesse pais, verifiquem se no seu estado vende, acho q não vende em NY, Maryland, Arizona e blablabla! pq tem umas pessoas que morrem… ahahahahah vdd mas nao pega nada!!! (…) Vc bebe metade da lata (que é do tamanho do latão de breja no Brasil e tá estriquinada!!! pq é uma mistura de breaquice mas com a animação do energetico! o que eu acho do pq as pessoas morrem é que assim eu bebo mto ja faz um tempo uma lata é diversão pra noite toda! só q o povo aq começa beber tarde todo mundo q teve problema  tinha 21 anos… o sabor é bom! tem de uva, melancia, e limonada, quase não sente o gosto do alcool parece ser fraquinho e se vc não manja nada e virar duas latas rapido…. merda acontece! Mas eu adoro super indico se vc não é sem noção! e o melhor custa $2,60 na seven eleven!!!!”.
Com a proibição do “Four Loko”, os adolescentes trataram de se reinventar. E com algo muito mais eficiente: “Whipahol”, uma espécie de chantilly com álcool.
As duas marcas mais populares – a “Whipped Lightning” e a “Cream” – seguem o mesmo padrão “Four Loko”: apelo ao público jovem, variedade de sabores (nove) e alto teor alcoólico (18%).
O resultado são vários vídeos no Youtube mostrando a galera colocando o spray diretamente na boca. A cerejinha do bolo.
Pobres pais.

2010/12/12

ARTE NA BERLINDA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:33

Sobram excentricidades no mundo das artes. Os motivos são desconhecidos, e podem ir desde a genialidade à tentativa desesperada de justificar um trabalho de má qualidade.
No quesito “Originalidade Bizarra”, o campeão é o australiano Tim Patch. Ele se autodenomina “Pricasso” e pinta com seu próprio pênis.
Mas quem leva o troféu “Choque” é Viktor Mitic e sua “gun art” (arte feita de balas). Ele escolhe personalidades – assassinadas ou vivas – e utiliza uma chuva de balas para retratá-las.
Entre os homenageados estão John Lennon, Mahatma Gandhi, John F. Kennedy, Marilyn Monroe, John Wayne, Mao e até Jesus Cristo. Entre os vivos, o diretor de cinema Quentin Tarantino, Paris Hilton e o artista britânico Damien Hirst.
No caso da pintura de John Lennon, o artista usa o mesmo tipo de pistola com a qual o cantor foi morto, um revólver calibre 38. Para reproduzir a “Guernica”, de Picasso, ele disparou 20 mil tiros no jardim nos fundos de sua casa.
Viktor é nascido em Belgrado, mas mora em Toronto. Durante anos utilizou materiais comuns e naturais em suas telas, como carvão, grafite, tinta óleo, acrílica e uma tinta japonesa feita a partir de um pigmento natural. Hoje faz uma combinação de revólveres semiautomáticos, rifles e espingardas.
A primeira vez em que pensou usar um pincel tão pouco convencional para “pintar” personalidades foi quando serviu ao Exército, na Iugoslávia.
Dois fatos o levaram a concretizar a ideia: a guerra no Afeganistão e algumas provocações.
No ano passado ele contou à BBC sua reação ao assistir à TV um pouco antes do início da guerra no Afeganistão. “Vi as notícias e depois um grupo de militares destruindo uma escultura de Buda de 2 mil anos. Queria uma energia semelhante. As armas sempre estiveram por perto, mas ninguém nunca as usou como ferramentas para pintura. Quis empregá-las mais como artefatos de criação do que de destruição”.
As provocações vieram de um crítico de arte – que afirmou que ele não ganharia notoriedade sem ser inovador – e de um comentário de alguém que lhe disse que ele precisava ser mais “penetrante”.
Viktor interpretou o “penetrante” ao pé da letra…

Confiram alguns quadros de Viktor AQUI

2010/12/11

PESTANAS AO ALTO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:34

Depois de “Movember” vem “Decembrow”.
No ano passado comentamos sobre o “Movember”– junção de “Moustache” (bigode, em inglês) e “November” – campanha que incentivava homens de diversas partes do mundo a deixarem seus bigodes crescerem durante o mês de novembro. O motivo, além da brincadeira, era arrecadar fundos para instituições que tratam de doenças como câncer de próstata.
A resposta feminina é mais cabeluda: o “Decembrow” (abreviatura de “December” com “eyebrow”, sobrancelha).
O movimento conclama as mulheres a cultivarem a sobrancelha única para ajudar em alguma causa – de defesa dos animais aos direitos femininos.
Esforços solidários são sempre louváveis e bem-vindos, mas esse estilo de sobrancelha só combina com o rosto (e a atitude) de Frida Kahlo. Qualquer uma que apareça trajando uma taturana na testa para seu gatinho, cãozinho ou papagaio de estimação pode levar os bichinhos à taquicardia ou ao desmaio diante de tanta feiura.
A iniciativa do “Decembrow” é de Lori Adelman, do site “Feministing”. Ela conta que teve a ideia inspirada em dois episódios. Além do “Movember”, uma reportagem do “Global Post” contando que para as mulheres do Tajiquistão uma sobrancelha cheia é sinal de beleza.
As que não têm pelo o suficiente para cultivar a taturana, usam várias técnicas para unir as duas pontas: lápis, tinta caseira, henna ou o que mais estiver à mão.
O artifício mais famoso é a folha de “usma”, vendida em vários mercados da região. As mulheres deixam as folhas secarem ao sol e depois as moem até conseguirem extrair um líquido verde bem escuro. A substância é aplicada várias vezes durante 15 minutos e o resultado é uma baita taturana, que ”vive” cerca de dois dias.
Já imaginaram se alguém descobre que em Xangrilá o legal é bancar a Claudia Ohana? Ou que bonito mesmo é deixar as varizes se transformarem num mapa ambulante?
Cruzes!

2010/12/10

REMETENTE: NOSTALGIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:12

Graças ao Outlook Express e às breguices que o Powerpoint é capaz de criar, o carteiro é uma profissão em vias de extinção. E não há dezembro que dê jeito.
O prazer de elaborar uma mensagem criativa, de assinar cartões de Natal bonitinhos ou mesmo de receber um envelope colorido pelo Correio já é coisa de museu. Mesmo.
Tanto que um museu inglês acaba de revelar uma série com 250 cartões inéditos e “vintage” do artista Donald McGill.
“Nós estávamos organizando uma série quando descobrimos que ele também produziu centenas de cartões de Natal em quantidade muito superior à que poderíamos imaginar. Foi um choque total”, conta James Bissell-Thomas, dono do Museu do Cartão Postal Donald McGill, em Ryde, cidade litorânea da Ilha de Wight, Inglaterra.
McGill nasceu em Londres, em 1875, e morreu em 1962, aos 87 anos. Num acidente durante um jogo de rúgbi no colégio, perdeu um pé.
Ele inicia sua carreira profissional como arquiteto naval e depois como engenheiro de projetos. Sua face artística é descoberta em 1904, por acaso, quando envia um postal a um sobrinho que estava no hospital. No desenho, representava um homem enterrado até o pescoço num lago congelado e os dizeres: “Espero que saia dessa!”.
Seus trabalhos acabam caindo nas mãos de um editor e ele se torna famoso por seus cartões cômicos e atrevidos que tinham cidades à beira-mar como cenário. Sua marca registrada eram as personagens: donas-de-casa rechonchudas, senhores carecas, mulheres peitudas e donzelas maliciosas. Triviais à primeira vista, mas altamente avançadas para uma época em que a sociedade inglesa estava emergindo de um período Vitoriano conservador no qual muitas mulheres tinham até damas-de-companhia.
“Ele não é apenas atrevido e praiano. Seus postais natalinos são espirituosos, humorísticos e têm sempre um comentário sobre a sociedade da época, o que é fascinante”.
Nos primeiros postais é notável a falta de presentes sob as árvores de Natal ou dentro das meias, o que provavelmente reflete os hábitos do pobres da primeira metade do século 20. Além disso, as personagens são sempre representadas com trapos de roupas.
O Papai Noel só aparece em cartões mais recentes, assim como os soldados e as suffragettes – ativistas que militavam pelo direito de voto das mulheres nos primeiros anos do século 20 e que já foram tema de um post por aqui.
Durante quase 60 anos, McGill produziu cerca de 12 mil cartões postais.
Em 1954, sofre um revés. Ele vai a tribunal sob a acusação de publicar imagens obscenas. Cerca de 20 cartões são banidos.
“O trabalho dele foi adorado por muitas pessoas durante o período em que esteve vivo, mas ele sempre foi um homem modesto e, na minha opinião, nunca teve o reconhecimento que merecia”, diz James.
Como veem, o (péssimo) hábito de homenagear talentos após a morte não é uma característica exclusivamente brasileira.

Vejam outros postais de McGill AQUI

2010/12/09

TÁ TUDO DOMINADO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:13

Por anos e anos a Disney reinou absoluta na seara das animações infantis.
Esmerou-se na arte dos contos-de-fada e foi pioneira no uso de uma tecnologia super-realista que não nos permite distinguir cenas verdadeiras de desenho.
Mas como já anunciava o sucesso da franquia “Shrek”, o mundo perfeito dos sonhos e da fantasia parece estar com os dias contados – assim como as crianças ingênuas.
Os estúdios concorrentes estão empenhados em destruir o politicamente correto e mostrar aos espectadores que ser vilão pode ser bem mais interessante do que mocinho.
Só neste ano temos dois exemplos: “Meu Malvado Favorito” (da “Illumination”) e agora “Megamente” (da “Dreamworks”).
Enquanto no primeiro o vilão é realmente do mal – e ainda assim desperta nossa simpatia – em “Megamente” o malvado é sensível e no fundo quer fazer o bem. Só não está acostumado a isso.
Na história, o bebê Megamente é enviado por sua família para o espaço e sua cápsula aterrissa no pátio de uma prisão. Ele cresce entre criminosos, aprende a fazer geringonças para disseminar suas maldades e vai para a escola – onde sofre bullying por causa de sua aparência pouco convencional. Megamente cresce e pretende dominar Metro City, por onde espalha cartazes com o slogan “No you can´t” – uma paródia à frase usada na campanha de Barack Obama.
As pedras no caminho de Megamente são “Mega Man” e “Titã” – super-heróis cuja babaquice aliviam qualquer sentimento de culpa causado pelo fato de torcermos pelo “vilão”.
Cheio de citações e referências aos heróis Marvel, “Megamente” tem ainda uma trilha sonora que inclui clássicos de AC/DC, Ozzy Osbourne e Gun´s and Roses, mas não consegue ir além de um par de piadas.
Moral da história? Não importa o que os outros esperam de você ou gostariam que você fosse. Be yourself. 
Prefiram a versão legendada, com vozes de Will Ferrell, Tina Fey, Ben Stiller e Brad Pitt.

2010/12/08

COUCH POTATO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:02

Já houve quem passasse um mês à base de sanduíches do Mc Donalds. A experiência de Morgan Spurlock virou o documentário “Super Size Me”.  
Mas quem considerou a dieta “Mc Lanche Feliz” um ato heroico, ainda está para se surpreender: há quem tenha seguido um cardápio só de batatas por 60 dias.
Chris Voigt, diretor-executivo da Comissão Estadual da Batata de Washington, resolveu se alimentar do tubérculo por dois meses para demonstrar suas propriedades nutricionais e, é claro, ajudar a promover as vendas.
Segundo Chris, as batatas contêm mais vitamina C do que as laranjas e são muito mais baratas.
O desafio começou dia 1º de outubro e aparentemente foi vencido com facilidade – se é que ele foi honesto e se alimentou exclusivamente delas.
A regra era simples: comer apenas batatas – cerca de 3 kg por dia – sem nenhum acompanhamento e o mínimo de molho ou temperos.
A cada dia ele relatava suas sensações no blog “20 Potatoes a Day”.
A partir da leitura do diário, notamos que no terceiro dia Chris pintou um cenário desolador: “Tenho de admitir, só agora percebi que vou comer batatas por mais 57 dias. No domingo fui à igreja e comunguei. Será a única vez em que sairei da dieta”.
Nos dias seguintes, no entanto, apesar de ter tido alguns desejos, parece ter se conformado e sobrevivido bem à base de purês, batatas-fritas, sopinhas ralas e até sorvete (no 14º dia sua mulher lhe preparou um sorvete com uma pitadinha de chocolate).
Além de se alimentar, Chris usou a batata para outros fins. No décimo dia, tentou tingir o cabelo com batata-roxa. Sem sucesso.
Na noite que antecedou o fim do desafio, ele escreveu: “A dieta termina em 20 minutos. Estou pensando como será amanhã, o retorno às comidas normais. De repente me sinto estranho, como se não pudesse sair da dieta. É algo como uma versão da Síndrome de Estocolmo”.
O resultado é bem agradável. Além de ter baixado seu colesterol em 52 pontos, Chris Voigt perdeu nove quilos. E mais: a dieta foi baratinha, baratinha. Ele gastou, em média, 15 dólares por semana (cerca de R$ 26).
É hora de revermos nossos conceitos sobre os milagres da Dieta da Proteína.

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