
Não é só no Rio de Janeiro que a chapa esquenta. Diariamente, moradores das grandes cidades brasileiras enfrentam desafios aparentemente inofensivos, como andar na rua ou dirigir. Mas as pessoas estão tão tensas e estressadas que qualquer olhar mal dado ou uma seta não sinalizada podem resultar em pancadaria.
Na tentativa de ajudar as pessoas a descarregarem suas raivas e tensões, Nate Hill, um artista performático de Nova York, criou o “Punch me Panda”.
Fantasiado de urso, ele anda pelas ruas da cidade oferecendo-se como saco de pancadas. Cada soco custa um centavo de dólar.
Nate comprou a fantasia de panda no “eBay” e o maior protetor de peito que encontrou na Internet. Diz que tem tomado surras cerca de cem vezes ao dia.
Numa das inúmeras entrevistas que concedeu a sites e jornais, o artista disse que escolheu o panda “porque a cara dele derrete o coração de qualquer um. Gostaria de deixar as pessoas se aliviarem em algo fofo. É interessante ter essa contradição. Isso é um projeto artístico, não estou apenas atrás de emoções”.
Em primeiro lugar, a cara-de-pau de Nate é louvável. Se pela vontade de aparecer ou pela necessidade de um troquinho, ele está no caminho certo.
Numa entrevista a um blog americano, Nate afirma: “Sim, procuro a fama, como a maioria de nós, mas que ela venha por uma boa razão. Pretendo merecê-la e tê-la como recompensa pelo meu trabalho”.
Na ocasião, Nate se referia ao projeto “Death Bear”.
No fim do ano passado, fantasiado como uma espécie de urso-Darth Vader, todo de preto, Nate visitava a casa das pessoas que estavam sofrendo por amor e levava tudo o que lembrasse os ex-amores dos visitados, como fotos, roupas, presentinhos e cartas.
Em seu site ele diz: “Todos nós temos alguém ou alguma coisa que queremos esquecer. As coisas acabam. O amor doi. Os sonhos chegam ao fim. Mas quando você chama o ‘Death Bear’ à sua porta, pode ficar tranquilo porque a ajuda chegou”.
No início desse ano, como uma continuação ao “Death Bear”, Nate inventou o “Mr. Dropout” (“Sr. Abandono”, ao pé-da-letra).
“Enquanto o ‘Death Bear’ ajudava as pessoas a se desfazerem de seus objetos, ‘Mr. Dropout’ personifica o próprio desapego”, explica o artista.
Durante três meses (de julho a outubro de 2010), vestido de branco dos pés à cabeça, ele realizou 26 caminhadas por Manhattan e pelo Brooklyn. “O ‘Mr. Dropout’ é uma forma de eu apertar o botão de ‘reset’ na minha arte. Decidi me desfazer do meu passado artístico e apagar identidades de então. Eu embarquei numa nova busca de identidade”.
Nem tanto. Afinal, o “Punch me Panda” tem um princípio – e uma fantasia – muito parecidos aos do “Mr. Dropout”.
Antes dessas experiências, em 2009, Nate criou um “serviço público gratuito”, como ele define em seu site: o “Free Bouncy Rides”. O serviço consistia em oferecer viagens saltitantes gratuitas em seu colo aos passageiros do metrô de Nova York. Desta vez, Nate fantasiava-se de golfinho.
Gostaria muito de saber qual seria a reação dos brasileiros diante de “serviços” como esses. Pandas, golfinhos ou outro bichinho fofo resistiriam a fuzis, bazucas e bombas caseiras?
Vejam fotos do panda em ação AQUI