O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/11/30

A OUTRA FACE

Arquivado em: Matutando — trezende @ 10:29

A ocupação do Morro do Alemão está revelando bem mais do que toneladas de drogas, armas, objetos deixados no meio do caminho e uma comunidade que vivia sob o medo.
A ação conjunta das polícias civil, militar, federal, das Forças Armadas e, se bobear, até dos bonequinhos do “Comandos em Ação” está sendo importante para conhecermos uma outra face dos traficantes: o lado sensível, indefeso, o que cheira fralda na hora de dormir.
Bastou um fim-de-semana de análise da cobertura feita pela mídia para perceber que todo monstro pode ter um quê de médico – e vice-versa.
Primeiro: eles têm família. E morrem de medo quando a mãe ou o pai vão buscá-los debaixo da cama com a cinta na mão.
As duas cenas mais marcantes desses últimos dias foram as dos dois traficantes sendo entregues de bandeja pelas mãos de mamãe e papai. Apesar de tentarem manter o respeito usando codinomes como “Mr. M”, sucumbiram à chinela.
Segundo: as residências. As casas habitadas pelos traficantes se mostraram algo como a juba dos “Globe Trotters” ou a cartola de mágicos – ou, se preferirem, a Casa dos Sonhos da Barbie.
Numa das “mansões”, televisão de tela plana, banheiro com ar condicionado, suíte com vista para a favela – paisagem que alguns jornais definiram como “visão privilegiada” – e piso imitando o calçadão de Copacabana.
Na verdade, até aí, nenhuma surpresa. Apenas um cenário montado por quem pretendia levar vida de bacana. E outra: capitão Nascimento já havia nos adiantado que “favelado gosta é de TV a cabo”.
Mas é nas paredes que se encontra uma pista desta outra face que estamos traçando dos criminosos. Em vez de imagens de “bad boys” como Chris Brown, Dado Dolabella ou Netinho, uma pintura tosca de – vejam só – Justin Bieber. Curió, vai cantar o quê pra gente?
Eles só podem estar de “pombagirice”. Nada de bandeiras do Comando Vermelho, do Flamengo ou do Corinthians. Os traficas são muito mais sensíveis do que imaginávamos. Tanto, que a polícia descobriu outros itens incompatíveis com corações de pedra, como araras, tucanos e até um mico.
Terceiro: a tranquilidade. Quem esperava encontrar traficantes doidões e possuídos pelo ódio, nova surpresa. Zeu estava tão zen quanto Dalai Lama. Outro, que conseguiu fugir fantasiado de agente de saúde “mata-mosquito”, acabou sendo preso na casa da titia. Detalhe: quando a polícia chegou Vitinho estava nanando.
Mas missão dada, parceiro, é missão cumprida. E a polícia não está para brincadeira.
The show must go on.

2010/11/29

CINCO NOTAS PARA A BANANA MOZART

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:39

Eles não inventaram apenas o Miojo, a melancia quadrada e a respectiva geladeira portátil para carregá-la. A cada dia os japoneses se superam e dão provas de que são realmente mais criativos do que os outros.
A novidade é que eles estão utilizando música clássica – Mozart especialmente – na produção de alimentos.
Não há comprovação científica sobre a relação entre o aumento do Q.I. e a música do compositor austríaco, mas de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal “Japan Times”, os agricultores garantem que Mozart é genial para frutas, legumes e até bebida alcóolica.
Nas últimas décadas, uma larga variedade de alimentos têm sido expostos às vibrações musicais – molho de soja em Kioto, macarrão ao estilo Miojo em Tóquio, pasta para missoshiro em Yamagata, cogumelos em Ishikawa e o “Beethoven Bread”, em Nagoia.
Em julho, a companhia de frutas “Toyoka Chuo Seika”, da cidade de Hyogo, despachou seu primeiro lote de “Mozart Bananas” para os supermercados da área.
Elas chegam ainda verdes das Filipinas e não sabem o que as aguarda: “String Quartet 17” e “Concerto Para Piano nº 5 em Dó Maior”.
Durante uma semana as bananas ouvem essas peças em câmeras de amadurecimento – cada uma delas conta com um sistema de som instalado especificamente com essa finalidade.
Um representante da “Toyoka Chuo Seika” afirmou ao jornal “Japan Times” que eles creem que é um bom investimento porque as bananas ficam mais doces.
Cada cacho da banana Mozart vendida em Toyoka custa 300 ienes (cerca de R$ 6).
As vendas cresceram tanto em comparação com o ano passado que a companhia já planeja estender a distribuição às grandes redes de supermercados do país.
Outra companhia que usa este realce é a cervejaria “Ohara Shuzo”, em Fukushima, que produz saquê.
O presidente da empresa conta que eles começaram o negócio há 20 anos, quando o então presidente apareceu com um livro sobre fermentação e música. Eles já testaram jazz, Mozart, Bach e Beethoven, mas garantem que Mozart é o que melhor funciona para o saquê, que o deixa com uma fragrância rica e um sabor suave.
Durante a terceira etapa do processo de fermentação – de 24 a 30 dias –, peças como “Sinfonia 41” e “Concerto Para Piano nº 20” são tocadas por uma hora pela manhã e uma pela tarde enquanto o saquê fermenta em tanques recobertos de aço.
O preço das garrafas varia entre mil e 5 mil ienes (R$ 20 e R$ 104). Desde 1989 elas são comercializadas localmente e também através de pedidos online.
A fabricante de tomates “Harada Tomato”, da cidade de Tokushima, é outra que investe na produção musical. Seus tomates “Star Drops” também são fãs de Mozart.
A dona da empresa diz que teve a ideia há 15 anos, quando ouviu que vacas espanholas produziam mais leite ao som do compositor austríaco.
Na fazenda dos “Star Drops” as caixas de som espalham-se por nove estufas que tocam Mozart dez horas por dia, de outubro a maio.
Ainda segundo a responsável, os “Star Drops” são mais gostosos, mais doces e têm três vezes mais ferro e vitamina C do que os tomates normais.
Uma embalagem com cerca de 350 gramas sai por 750 ienes (R$ 15).
Uma das explicações para a popularização da prática entre os japoneses é uma teoria chamada de “Pink Noise” (“Ruído Rosa”), que teria o poder de relaxar e rejuvenescer humanos.
A música de Mozart é rica em frequências do tipo – acima de 8 mil Hertz – e são justamente essas as usadas em músicas terapêuticas.
A reportagem do “Japan Times” também cita um livro de 1973, “The Sound of Music and Plants” (“O Som da Música e das Plantas”) da botânica amadora Dorothy Retallack. Depois de expôr às plantas durante três horas diárias a vários estilos musicais, Dorothy descobriu que elas floresciam mais belas com sons clássicos.
Nem tudo na vida precisa de comprovação científica, não é?

2010/11/28

ENSINO FUNDAMENTAL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:11

Em São Paulo, nos horários de pico, a paisagem formada pelos usuários de ônibus e metrôs se assemelha muito ao do estouro de uma boiada. Ninguém ali tem vontade própria, todos se locomovem como troncos de enchente e só param quando o veículo fecha as portas.
Portanto, em cidades com mais de 10 milhões de habitantes – como Tóquio ou São Paulo – somos obrigados a seguir algumas regrinhas básicas de educação em nome do famoso direito de ir e vir.
Em Tóquio, há mais de 35 anos o metrô realiza uma campanha educativa através de cartazes com uma boa dose de senso de humor. O objetivo é relembrar a população certas noções de etiqueta tanto dentro dos trens quanto nas plataformas.
Além dos clássicos avisos para respeitar os assentos especiais e aguardar o trem atrás da faixa de segurança, há cartazes recomendando aos passageiros não fumarem na plataforma, não jogarem chiclete no chão, não correrem depois que o sinal sonoro for disparado e não ocuparem mais espaço do que o necessário – abrindo jornais ou as pernas.
O metrô de Tóquio começou a instalar os pôsteres em 1974, quando o sistema era administrado por uma companhia chamada Eidan.
Um dos cartazes mais marcantes foi um de 1976 e mostrava a atriz Marilyn Monroe segurando um guarda-chuva. Inspirado no pôster do filme “River of No Return” (no Brasil “O Rio das Almas Perdidas”), a ideia era chamar a atenção dos passageiros para não esquecerem suas sombrinhas nos vagões.
Mas a companhia não conseguiu atingir seus objetivos: além de ter de enfrentar milhares de roubos de pôsteres da Marilyn, pilhas de guarda-chuvas eram constantemente esquecidas nos trens e nas plataformas.
Entre 1976 e 1982 as personagens utilizadas na campanha incluíam ainda Ultraman, Superman, Charlie Chaplin, Marcel Marceau, Napoleão, John Wayne e Papai Noel.
Até 1980 a maioria dos pôsteres tratava da questão do fumo, mas aos poucos o cigarro cedeu espaço para o problema do barulho causado por fones de ouvido. Já o primeiro cartaz sobre o uso dos celulares apareceu em 1999.
Atualmente, a campanha tem o nome de “Please, do it at home” (“Por favor, faça isso em casa”).
Uma iniciativa como essa cairia muito bem em São Paulo.

Confiram alguns pôsteres “vintage” AQUI

Os mais recentes estão AQUI

2010/11/27

RINGUE URBANO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:53

Não é só no Rio de Janeiro que a chapa esquenta. Diariamente, moradores das grandes cidades brasileiras enfrentam desafios aparentemente inofensivos, como andar na rua ou dirigir. Mas as pessoas estão tão tensas e estressadas que qualquer olhar mal dado ou uma seta não sinalizada podem resultar em pancadaria.
Na tentativa de ajudar as pessoas a descarregarem suas raivas e tensões, Nate Hill, um artista performático de Nova York, criou o “Punch me Panda”.
Fantasiado de urso, ele anda pelas ruas da cidade oferecendo-se como saco de pancadas. Cada soco custa um centavo de dólar.
Nate comprou a fantasia de panda no “eBay” e o maior protetor de peito que encontrou na Internet. Diz que tem tomado surras cerca de cem vezes ao dia.
Numa das inúmeras entrevistas que concedeu a sites e jornais, o artista disse que escolheu o panda “porque a cara dele derrete o coração de qualquer um. Gostaria de deixar as pessoas se aliviarem em algo fofo. É interessante ter essa contradição. Isso é um projeto artístico, não estou apenas atrás de emoções”.
Em primeiro lugar, a cara-de-pau de Nate é louvável. Se pela vontade de aparecer ou pela necessidade de um troquinho, ele está no caminho certo.
Numa entrevista a um blog americano, Nate afirma: “Sim, procuro a fama, como a maioria de nós, mas que ela venha por uma boa razão. Pretendo merecê-la e tê-la como recompensa pelo meu trabalho”.
Na ocasião, Nate se referia ao projeto “Death Bear”.
No fim do ano passado, fantasiado como uma espécie de urso-Darth Vader, todo de preto, Nate visitava a casa das pessoas que estavam sofrendo por amor e levava tudo o que lembrasse os ex-amores dos visitados, como fotos, roupas, presentinhos e cartas.
Em seu site ele diz: “Todos nós temos alguém ou alguma coisa que queremos esquecer. As coisas acabam. O amor doi. Os sonhos chegam ao fim. Mas quando você chama o ‘Death Bear’ à sua porta, pode ficar tranquilo porque a ajuda chegou”.
No início desse ano, como uma continuação ao “Death Bear”, Nate inventou o “Mr. Dropout” (“Sr. Abandono”, ao pé-da-letra).
“Enquanto o ‘Death Bear’ ajudava as pessoas a se desfazerem de seus objetos, ‘Mr. Dropout’ personifica o próprio desapego”, explica o artista.
Durante três meses (de julho a outubro de 2010), vestido de branco dos pés à cabeça, ele realizou 26 caminhadas por Manhattan e pelo Brooklyn. “O ‘Mr. Dropout’ é uma forma de eu apertar o botão de ‘reset’ na minha arte. Decidi me desfazer do meu passado artístico e apagar identidades de então. Eu embarquei numa nova busca de identidade”.
Nem tanto. Afinal, o “Punch me Panda” tem um princípio – e uma fantasia – muito parecidos aos do “Mr. Dropout”.
Antes dessas experiências, em 2009, Nate criou um “serviço público gratuito”, como ele define em seu site: o “Free Bouncy Rides”. O serviço consistia em oferecer viagens saltitantes gratuitas em seu colo aos passageiros do metrô de Nova York. Desta vez, Nate fantasiava-se de golfinho.
Gostaria muito de saber qual seria a reação dos brasileiros diante de “serviços” como esses. Pandas, golfinhos ou outro bichinho fofo resistiriam a fuzis, bazucas e bombas caseiras?

Vejam fotos do panda em ação AQUI

2010/11/26

FORA DO ALVO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:49

Eles eram os melhores agentes da CIA e hoje estão aposentados. Enquanto levam suas pacatas e solitárias vidinhas de ex-espiões, tornam-se alvo da própria agência numa operação de queima de arquivo.
Esse é “RED – Aposentados e Perigosos”, com Bruce Willis, John Malkovich, Morgan Freeman, Helen Mirren, Brian Cox e Richard Dreyfuss.
Baseado numa história em quadrinhos, é o exemplo acabado de que um elenco fenomenal não é capaz de sustentar um enredo ruim. Os talentos só não chegam a ser desperdiçados porque são eles que garantem alguns momentos de humor.
“RED” tem mais tiro do que qualquer filme de guerra já feito. Uma das informações que poderiam constar do site oficial é quantas toneladas de balas foram usadas durante as filmagens. São tantas, que enquanto a equipe rodava sequências em Toronto, a polícia recebeu diversas ligações de moradores desesperados.
O “RED” do título poderia tranquilamente ter alguma relação com sangue, mas é uma sigla para “Retired Extremely Dangerous” (“Aposentados Extremamente Perigosos”).
A pergunta que perpassa o filme é por quê? Por que a CIA quer a cabeça de seus brilhantes ex-agentes? Durante boa parte do tempo ficamos sem entender o motivo.
Quando ele é revelado, o ponto de interrogação permanece. Apesar de as personagens serem muito bem construídas, terem um passado e personalidades bem definidas, a história é uma confusão só. Há fatos envolvendo a Guatemala, um fictício vice-presidente dos Estados Unidos e um vilão (Richard Dreyfuss) cuja origem, função e objetivo não são claros.
Outro incômodo são as inúmeras pontas soltas. Depois que uma casa é metralhada até desmoronar ou que acontece uma perseguição de carros em Nova Orleans, ninguém aparece, ninguém é preso, ninguém sabe, ninguém viu. A sensação é a de que estamos diante de um desenho da Turma do Pica-Pau. Personagens levam tiros mortais e ainda assim sobrevivem.
O próprio Dreyfuss parece reconhecer que “RED” não é a última Coca-Cola do deserto. Numa entrevista afirmou que topou a participação pelo dinheiro e pela oportunidade de trabalhar com o elenco de estrelas.
Helen Mirren finalmente consegue se despir do figurino de rainha e Morgan Freeman continua ótimo mesmo mudo, mas quem se encarrega das nossas risadas é John Malkovich, num papel privilegiado. Ele interpreta Marvin Bogg, um agente com mania de perseguição, lesado – porque passou anos servindo de cobaia para experiências com LSD – e que carrega suas armas numa mochila em formato de porco de pelúcia rosa.
Mesmo com a presença de Malkovich, “RED” é absolutamente dispensável.

Querem descarregar a raiva e inserir tiros no site à sua escolha? Visitem a página de treinamento de Marvin AQUI

2010/11/25

CHAMANDO TODOS OS CARROS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:00

Nesta terça-feira “Tropa de Elite 2” bateu a marca de 10 milhões de espectadores. O filme de José Padilha já é a maior bilheteria de 2010 e em breve deve se tornar o nacional mais visto de todos os tempos (o recorde ainda pertence a “Dona Flor e Seus Dois Maridos”).
Mas que brasileiro precisa ir ao cinema assistir a uma história de violência, roubo, crime organizado e corrupção se já convive com esse pacote de maldades diariamente?
Os limites entre ficção e realidade estão cada vez mais tênues, como comprovei durante a leitura dos jornais de hoje. Por um breve momento pensei estar lendo a sinopse de “Tropa” e vendo fotos de divulgação do filme. Mas não, eram apenas as notícias sobre a violência no Rio.
Até agora, o saldo são vários veículos incendiados, tiroteios, arrastões, quase 30 mortos e o medo da população de sair de casa. Nem comunidades com nomes privilegiados – Morro da Fé, Jardim Redentor e Morro do Faz Quem Quer – escaparam.
Das duas, uma: ou o Exército ocupa de vez a cidade ou é o momento propício para o Capitão Nascimento sair da tela e defender a população desse estado de sítio às avessas.
Devaneios à parte, Wagner Moura (o ator) corre risco de morte. Se estiver na praia do Leblon – como fazem 11 entre 10 famosos – e for avistado por algum integrante do Comando Vermelho é capaz de levar bala. Sério. Por muito menos, as Odete Roitmans da vida já foram alvo de bengaladas de velhinhas. A sorte é que Wagner Moura não tem o perfil famoso-toma-sol-no-Leblon.
O governador e o Secretário de (In) Segurança do Rio pedem que a população não se intimide. A melhor frase sobre a afirmação do governador saiu do Twitter, conforme informou o jornal “O Globo”: “Sérgio Cabral está pedindo para a população manter a rotina. Nem era necessário pedir: a rotina carioca é ter medo mesmo”, escreveu o leitor Ronisson Fernandes.
Governador e secretário dizem que a onda violenta é um sinal de desespero dos criminosos diante da transferência de chefões do tráfico e do trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora.
Em parte, eles têm razão – e estão agindo corretamente ao deslocarem chefões do tráfico para Porto Velho.
Na pele de Tatiana Beltrame, mandaria os cabeças para o meio do nada, para um lugar onde não há sinal de celular, só sinais de fumaça. Um local onde os únicos programas seriam trocar espelhinhos com os índios e nadar em rio com piranhas.
Como Brasil sem chiste não é Brasil, o momento “Trapalhões” ficou por conta das ameaças de bomba em Ipanema. O medo se espalhou por um dos bairros mais chiques do Rio, ruas foram isoladas, policiais mobilizados ao redor da caixa que poderia mandar tudo pelos ares.
Quando especialistas do Esquadrão Antibombas abriram a primeira caixa, rá!, pegadinha do Mallandro: havia apenas uma chave.
Quem sabe não era a chave da cidade, para o Papai Noel?
Após averiguações, descobriram que as caixas faziam parte de uma ação promocional de uma empresa de produtos de higiene.
Que m…, hein? Haja papel higiênico.

2010/11/24

MEU NOME É KÁTIA FLÁVIA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:38

Há o Clube do Livro, do Uísque, do Fusca, dos Cafajestes, dos 13 e até do Bolinha. Por que não um Clube da Calcinha?
Essa é a ideia do site “Panty by Post” (“Calcinha pelo Correio”), que além do seu objetivo principal – vender – pretende resgatar a nostalgia de receber uma surpresa por correio.
Uma vez cadastrada, a cliente recebe uma calcinha num envelope diferente todo mês. O site conclama: “Make the postman blush!” (“Deixe o carteiro vermelho!”).
Funciona assim: a interessada preenche um cadastro e escolhe uma das opções de plano: anual, semestral, trimestral ou pode adquirir apenas uma peça por 30 dólares (R$ 52).
A “Panty by Post” oferece duas linhas – sendo uma especial para noivas. Os modelos disponíveis são cintura baixa, tanga, biquini e “mix”. Todos os modelos têm um romântico toque francês.
No momento da compra ainda é possível optar por algumas das várias mensagens personalizadas sugeridas: “A pretty panty for my best friends. What could be more perfect?” (“Uma linda calcinha para minhas melhores amigas. O que pode ser melhor?”) ou “Happy Birthday Mon Amour!” (“Feliz Aniversário, meu amor!”).
Os valores das assinaturas variam entre 55 e 240 dólares (R$ 95 e R$ 415).
A invenção é da canadense Natalie Grunberg, que sempre teve paixão por artigos franceses – especialmente calcinhas. Após passar muitos verões na França, em 2008 ela decidiu vender calcinhas on line.
A empresa tem sede em Vancouver, no Canadá, e as peças também são confeccionadas por uma fabricante canadense, a “Blush”.
Para os marmanjos, há uma opção de cueca box por 30 dólares.
O que será que o louraça-belzebu Laerte escolheria?

Visitem o site AQUI

2010/11/23

O DIA EM QUE FUI À LONA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:57

Sempre que observo os circos instalados à margem de avenidas pouco movimentadas de São Paulo acumulo pensamentos desprezíveis e alguns questionamentos. Que graça tem isso, meu Deus? Será que tem gente que ainda vai ao circo? Se encostar a mão numa dessas barras de ferro é tétano na certa. Já imaginou o sufoco que é passar uma tarde debaixo dessa lona num calor de 40 graus? E as pinturas desproporcionais que ilustram os trailers então? Que programa de índio.
Fácil reconhecer minha tríplice sensação de tristeza, nostalgia e desprezo por algo que está fadado a escafeder-se – e que não faria a menor falta. Mas identifiquei também que esses sentimentos teriam prazo de validade definido: este fim-de-semana.
No sábado decidi rever meus conceitos e encarei bravamente uma sessão do Circo Stankowitch.
A chegada foi literalmente um rito de passagem: da catraca de ônibus que dá acesso ao picadeiro, vislumbrei um telão de péssima resolução exibindo clipes da Cher para uma arquibancada vazia. Um frio me percorreu a espinha. Lembrei-me do letreiro lá fora – “Um show de circo –  170 anos de tradição!” – e pensei que alguma coisa esses “stankowitchs” teriam a me oferecer.
Transpus uma “praça de alimentação” que cheirava a pastelaria de rodoviária, observei o algodão doce sendo preparado na hora, fresquinho, e segui adiante – guerreira e engordurada.
Mas, cadê a boa e velha serragem para levantar poeira e causar alguns espirros? Mal formulei a resposta, me dei conta de que com a proibição dos animais nos espetáculos circenses a serragem perdera sua função primordial – a segunda sabemos muito bem: misturar-se ao suor de nosso pé e causar desconforto.
Sã e salva já debaixo da lona e tendo em mente o arroubo interativo do palhaço, tive receio de instalar-me nas primeiras fileiras ou em cadeiras próximas aos corredores. Infiltrei-me no meio das (poucas) famílias e temi pelo pior: se a plateia continuasse vazia, teria de rir das piadas do palhaço só para dar um alento ao coitado. E mais: teria de me fazer ouvir ao responder à pergunta do “Hoje tem marmelada?”.
Na espera pela abertura das cortinas, reparei nas pessoas, que com as bocas cheias faziam brilhar os olhos do dono do circo. Graças à profusão de pipocas, algodões doces, churros e apetrechos luminosos a R$ 10 quaisquer prejuízos de bilheteria estavam cobertos.
No fundo, invejei tamanha disposição da platéia em se divertir.
Tentando me distrair, fantasiei que a bacia enferrujada da qual saíam as nuvens de algodão que entupiam os estômagos dos petizes deve ter pertencido ao tataravô Stankowitch.
Também percorri os olhos pelos vendedores que circulavam entre as fileiras. Além de parecerem fisicamente bem-preparados, alguns deles usavam munhequeiras e calças de lycra sob o uniforme. Sim, eram artistas disfarçados de vendedores – ou vice-versa. Em poucos minutos alguns deles se despiriam da personalidade de “Tio da pipoca” para se transformarem no “Homem Alado”.
Senti pena deles. De todos eles. Quase comprei um algodão doce.
De repente, Cher ficou em silêncio, as poucas luzes que permaneciam acesas foram apagadas e uma voz em off forçando um sotaque russo avisou que o espetáculo estava para começar.
À medida que os números se sucediam, não foi só Cher que emudeceu. Tive de reconhecer a dedicação, o talento e a força de vontade da trupe, que sem luxo, mas com muita honestidade, apresentou um show emocionante.
Nada de elefantes, chimpanzés pilotando caminhõezinhos, águas dançantes, globo da morte, gente engolindo fogo ou palhaços repetindo chavões do tipo “Como vai? Como vai? Como vai?”. Em vez da pirotecnia, performances simples que deixaram claro que o mais importante é haver uma relação de quase hipnose entre artista e público. Soa piegas, mas é verdade.
Para que esse encantamento aconteça, o principal papel continua a ser o do palhaço – neste caso, moderno e supercarismático que não precisou se apoiar em quaisquer outros artifícios senão um nariz vermelho e um sapato à la Bozo. O resto ele faturou no gogó, na expressão facial e claro, no carisma.
Enquanto tentava identificar o “tio da Pipoca” no trapézio ou “o do algodão doce” nos malabares, novamente tive compaixão pelos Stankowitch e concluí que infelizmente hoje, para atrair público para o circo no Brasil, só sendo um Cirque du Soleil, um Circo Imperial da China ou apelando para a bizarrice – caso do Circo Pindorama, formado só por anões.
Aproveitem o próximo fim-de-semana para irem ao circo e comprarem um legítimo algodão doce. Ainda temos tempo.

Confiram algumas fotos AQUI

2010/11/22

ANOS REBELDES

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:24

Todo mundo tem aí na gaveta uma foto de seus tempos estudantis – aquela mesmo em que você aparece sentadinho numa carteira escolar atrás de uma placa que informa o nome do colégio e sua respectiva série.
Essas fotos geralmente são de doer. Podem estar guardadas na gaveta mais profunda ou já terem ido para o lixo, mas com certeza foram compradas por um pai muito coruja.
A cara infeliz portada pela maioria que já foi vítima desse tipo de ensaio fotográfico pode ser resultado tanto da inexperiência do fotógrafo – ou dos modelos – ou da possibilidade de bullying dos coleguinhas que assistiam à sessão enquanto aguardavam sua vez.
Para quem pensa que a prática nem existe mais, a surpresa: ela não só está aí, como faz parte de um mercado que parece estar aquecido.
De acordo com uma matéria publicada pelo “The New York Times”, a prática de alterar fotos – muito disseminada no mercado editorial de moda – chegou ao mundo dos retratos escolares.
Os pais, que antes tinham de selecionar as imagens que lhes agradavam e o tamanho, agora encontram muito mais opções, como apagar cicatrizes, espinhas, acne, aparelhos ortodônticos, fazer um clareamento dental ou até trocar o cabelo do filho.
Segundo as empresas especializadas em fotografias escolares nos Estados Unidos, o serviço passou a ser oferecido porque os pais começaram a solicitá-los. A cada ano, aumenta o número de pedidos por retoques.
Joseph Sell – gerente de uma dessas empresas que tira cerca de 30 milhões de fotos de estudantes por ano – conta ao jornal que por volta de 10% das imagens sofrem alterações.
Os preços: por $6 é possível retirar reflexos dos óculos; por $10 ou $ 20 pode-se desde fazer um clareamento nos dentes da criança, dar um tapa na peruca lambida, adicionar uma gravatinha ou fazer com que uma camisa de manga curta vire longa.
“Encobrir defeitos pode não ser algo ruim”, diz o dr. Bradley S. Peterson, chefe do Departamento de Psiquiatria de Crianças e Adolescentes da Universidade de Columbia e do Instituto Psiquiátrico de Nova York. “Há crianças que têm características que viram estigma social e elas querem amenizar isso. Alterar uma foto pode lhes dar mais confiança”. Por outro lado, “pais que optam por isso correm o risco de legitimar que não é legal ser daquele jeito. Mesmo que estejam visando a autoestima da criança, isso pode sabotá-la”.
Poxa, nem feia do cabelo lambido a gente pode ser mais…

Leiam a matéria completa AQUI

2010/11/21

QUE DROGA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:47

A cada vez que assistimos a filmes como “Tropa de Elite”, ouvimos algo ainda mais chocante sobre as desgraças da Cracolândia ou estamos diante de novas estatísticas sobre o consumo de droga no mundo vem um sentimento de perda e a certeza de que nosso caminho é ladeira abaixo.
Os problemas gerados pelas drogas têm piorado, é verdade, mas existem desde que o mundo é mundo, afinal, o ser humano sempre buscou uma maneira para fugir de seus problemas ou simplesmente de se divertir melhor.
Uma exposição inaugurada em Londres passa a limpo toda essa relação.
“High Society” começa no antigo Egito (sempre lá) e termina nas drogas sintéticas de hoje. Sem fazer qualquer julgamento moral, ela mostra que de certa forma cada sociedade teve sua droga favorita – dos ilegais maconha e cogumelos alucinógenos aos lícitos álcool e cafeína.
Em manuscritos e textos, a exposição destaca escritores que usaram drogas como fonte de inspiração. E eles são inúmeros. Acredita-se que Robert Louis Stevenson tenha escrito “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde” sob os efeitos de um alucinógeno similar ao LSD. Samuel Taylor Coleridge teria criado “Kubla Khan” após uma viagem de ópio e Charles Baudelaire relata suas experiências com haxixe e ópio em “Paraísos Artificiais”.
Entre as inúmeras pesquisas sobre os impactos dessas substâncias, uma chama a atenção: um experimento da Nasa com aranhas observou que a cafeína, mais do que qualquer outra droga, fazia com que esses aracnídeos tecessem teias bem loucas.
Outra parte da exposição aborda a experimentação, os “efeitos recreativos” descritos pelos usuários, os resultados danosos e por que o ópio contribuiu para a expansão do império britânico.
Na parte destinada a objetos – mais de 200 – há pinturas, gravuras, colírios da era Vitoriana, cachimbos de diversos formatos e kits para drogas injetáveis.
No início do século 20 era prática comum em muitas culturas ocidentais tratar tosse de crianças com xarope à base de heroína ou dar cigarros de maconha aos asmáticos.
Essa maré de alegrias começa a mudar em 1920, quando o temor com os problemas de saúde gerados pelas drogas cresceu. Em 1961, uma convenção das Nações Unidas levou à criminalização generalizada dessas substâncias.
“A presença das drogas em nossa cultura é algo muito confuso e sempre questionado. Acho interessante ter essa noção de que o consumo existiu em outros períodos”, diz Mike Jay, historiador responsável pela curadoria da exposição.
Segundo ele, o papel britânico no comércio de ópio é um ótimo exemplo.
Em meados do século 19, a Grã-Bretanha era a potência mais desenvolvida do mundo. Mesmo poderosa, precisava vender suas mercadorias às nações em expansão. O mercado chinês era fechado a qualquer possibilidade de comércio, mas havia um produto que despertava o interesse da chinesada: o ópio.
A fim de compensar o prejuízo nas relações comerciais com a China, os ingleses começaram a traficar o ópio que eles produziam na Índia. O caldo entornou quando o consumo da droga explodiu na China – causando sérios problemas de saúde pública – e o governo decidiu acabar com a festa. O resultado foi a Guerra do Ópio.
A mostra fica em cartaz até 27 de fevereiro.

Pergunta que não quer calar: por que 90% dos famosos que tiveram experiências alucinógenas viram vegetarianos?

Confiram fotos AQUI

2010/11/20

DURO DE ROER

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:38

O que difere um porco de um cãozinho de estimação? Ou uma codorna de um Chihuahua?
Para quem vai a uma churrascaria, as diferenças são inúmeras. Mas aos olhos dos defensores dos animais – e de alguns poucos vegetarianos – eles são todos iguais.
A fim de abrir os olhos dos ingleses para o direito dos bichinhos, a “Animal Aid” – uma organização que há mais de 30 anos luta contra o abuso de animais – realizou neste mês uma campanha exótica e indigesta: ofereceu bifes de Labrador, hambúrgueres de Greyhound e cortes de Beagle no menu de um trailer gastronômico que circulou por vários mercados de hortifrutis do Reino Unido.
Enfeitado com pôsteres que exibiam fotos de cães criados ao ar livre, correndo pelos campos ou nadando em riachos, o trailer apresentou as “carnes de cachorro orgânicas” em embalagens simpáticas e até com os respectivos valores nutricionais.
Para a ONG, não importa se são orgânicos, criados ao ar livre, alimentados com milho ou se dormem em colchões finíssimos. No fim do dia, todos os animais criados para o corte terminam do mesmo jeito: sozinhos e aterrorizados em abatedouros que lhes penduram de ponta-cabeça e os fazem sangrar até a morte.
Andrew Butler, o responsável pela campanha, diz: “As pessoas comem animais de tudo que é tipo todos os dias sem pensar sobre como foram os últimos momentos da vida deles. Esperamos que isso faça com que as pessoas confrontem o fato de que no fundo todos eles morreram com o cheiro de sangue e medo nas narinas e terror nos olhos. Eles não são diferentes dos milhares de cães que nós adotamos como de estimação”.
A “carreata” do trailer aconteceu entre 2 e 16 de novembro e percorreu 12 cidades inglesas como parte do “Mês Vegetariano”. O evento, anual, tem como meta fazer com que as pessoas reflitam sobre suas escolhas gastronômicas e se questionem porque alguns animais são amados e levados para casa e outros são explorados por sua carne, leite ou ovos.
O objetivo da campanha é também divulgar um vídeo produzido pela ONG em sete abatedouros que mostra os animais sendo maltratados das mais diversas formas até a hora da morte.

P.S.: Não se sabe exatamente de que tipo eram as carnes comercializadas no trailer, mas não se tratava de carne de cachorro. Mesmo assim, Luísa Mell deve estar inconsolável.

2010/11/19

TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:07

A pergunta do momento é “Afinal, o que querem as mulheres?”. A resposta: tudo, oras.
Queremos casar, comprar uma bicicleta, ter um bom salário, viajar, fazer a unha e arranjar tempo para fazer tudo isso.
A questão não virou tema apenas de série brasileira. Tem preocupado mentes femininas mundo afora.
Nesta semana, a revista “Slate” publicou o relato de uma repórter que está há três meses na Holanda.
Jessica Olien crê que não é bem vista pelas mulheres de lá porque, assim como suas amigas americanas, está sempre pensando em seus objetivos profissionais.
As holandesas, ao contrário, encaram suas carreiras com uma ponta de indiferença: trabalham meio período, se encontram para um cafezinho às duas da tarde e sentem pena das colegas que ficam no escritório o dia todo.
A matéria diz que menos de 10% das holandesas trabalham em período integral – e elas preferem assim. Além disso, nem 4% delas desejam mais horas de trabalho – ou um aumento de responsabilidades – e recusam horas extras mesmo diante da possibilidade de um salário mais rechonchudo.
Algumas citam os altos custos das babás como o fator mais importante para optarem por uma carga horária reduzida. Mas 62% das que trabalham seis horas diárias sequer têm filhos pequenos.
A repórter se pergunta se as americanas estão no caminho errado, fazendo de tudo pela carreira e se esforçando para terem o mesmo salário dos homens. “Talvez esta situação esteja nos levando a um mundo em que ninguém parece estar se divertindo. (…) Toda a discussão em torno da luta pela igualdade no ambiente do trabalho não se justifica sob o argumento de que queremos melhorar nosso bem-estar?”.
Voltando às holandesas, a repórter conta que elas contribuem pouco para a renda familiar: 25% não têm dinheiro suficiente para serem consideradas financeiramente independentes.
A diferença salarial entre homens e mulheres na Holanda é uma das mais altas da Europa – principalmente por elas trabalharem meio período.
Jacob Vossestein, autor de “Dealing With the Dutch” (“Lidando com Holandeses”), diz que lá as pessoas veem a questão da hierarquia profissional com ceticismo e não invejam os que chegam a postos elevados.
Há um outro livro que justifica o comportamento das holandesas. Lançado há muitos anos, “Dutch Women Don´t Get Depressed” (“Mulheres Holandesas Não Entram em Depressão”) é uma paródia de “Mulheres Francesas Não Engordam”. Nele, a autora Ellen de Bruin explica que a chave para a felicidade das holandesas é a noção de liberdade e uma vida equilibrada.
Ainda inconformada, a repórter da “Slate” escreve que é difícil transportar esse cenário para os Estados Unidos: “Penso que um título equivalente poderia ser ‘Mulheres Americanas Nunca Estão Satisfeitas?’”.
E dá-lhe números sobre a vida das americanas: 75% das que estão empregadas trabalham em tempo integral. “Nos anos 80 achávamos interessante o conceito da Mulher Maravilha – que supostamente conseguia fazer tudo. Mas ela ainda é nosso ideal. O nosso problema não é só a quantidade de horas que trabalhamos, mas a ideia de que temos de ser perfeitas em tudo. Programas de TV, anúncios e artigos em revistas femininas criam essa mulher perfeita que é bem-sucedida no trabalho, toma conta da casa, está sempre otimista e impecavelmente vestida”.
No Brasil, a renda das mulheres cresceu, mas continua abaixo da dos homens. Além disso, conforme dados do IBGE divulgados nesta semana, estamos nos casando cada vez mais tarde e com homens mais novos.
Pensando bem, até que as holandesas não são tão espertas assim.

Leiam a matéria completa AQUI

2010/11/18

DISQUE “P” PARA PERU

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:36

Na próxima quinta-feira os americanos comemoram mais um “Thanksgiving” (Dia de Ação de Graças).
A festa – que para eles é tão ou mais importante do que o Natal – se repete a cada última quinta-feira do mês de novembro. Na mesa, peru. Nas lojas, correria. Nas manchetes, Obama perdoando mais uma ave.
Até aqui tudo dentro da normalidade: festa clássica com o tradicional peru e lojistas rindo à toa com o maior pico de vendas do ano.
Em oposição à toda exuberância que envolve a comemoração, um serviço caseiro – e inacreditável – chama a atenção. Trata-se do “Butterball Turkey Talk-Line”, uma linha telefônica gratuita que tira dúvidas e dá orientações sobre a preparação do peru.
Essa espécie de “Peru Hot Line” existe há 29 anos e funciona 24 horas entre os meses de novembro e dezembro. O serviço atende clientes dos Estados Unidos e do Canadá e conta com assistência bilingue (inglês e espanhol).
O site diz que apenas no primeiro ano de funcionamento seis economistas domésticos atenderam sozinhos mais de 11 mil ligações.
Hoje a companhia emprega mais de 50 profissionais treinados – entre economistas domésticos e nutricionistas – que respondem a mais de 100 mil perguntas a cada temporada.
As dúvidas não se limitam apenas ao modo de preparo, se estendem também ao comportamento durante o jantar de Ação de Graças e a outras perguntas bem absurdas.
Mary Clingman, diretora do serviço, contou à reportagem do “AOL News” que duas questões são as mais recorrentes: como descongelar o peru e como saber se a carne está no ponto.
Mas são as situações inimagináveis que ela já passou nessas quase três décadas que mais nos interessam.
Certa vez permaneceu na linha enquanto seu interlocutor percorria os corredores de um supermercado à procura de cada um dos ingredientes para a preparação do prato. Clingman explicou que ele queria ter certeza de que estava comprando tudo o que precisava.
Outro atendimento curioso foi a um homem que estava emocionado e exausto porque acabara de se tornar pai. Nervoso, ele disse que havia deixado o peru descongelado por muitas horas. Como eles demoraram muito na maternidade, gostaria de saber se ainda era possível aproveitá-lo. Clingman perguntou: “Quanto pesa?”. E ele: “O peru ou o bebê?”.
Dentre outras ligações absurdas que Clingman destaca está a de uma mulher que queria saber se havia algum problema em colocar o peru para assar dentro da cama do gato.
Outra, do Colorado, teve a brilhante ideia de enterrar o peru na neve até que pudesse assá-lo. “Havia nevado forte na noite anterior e quando ela saiu de manhã não conseguia encontrá-lo. Ela não tinha a menor ideia de onde estava. Ela havia perdido o peru!”.
Marge Klindera – que há 28 anos atende ligações na “Butterball Turkey Talk-Line” – também coleciona histórias inacreditáveis. “Um homem ligou para cá estressado porque havia comprado um peru maior do que seu forno. Enquanto falávamos, ele decidiu enrolar o peru numa toalha e levá-lo para fora de casa. Ele pisoteou a ave quebrando alguns ossos. Após conseguir encaixá-la no forno, ficou todo orgulhoso”.
Genial essa ideia de culinária passo-a-passo por telefone. Já imaginaram um “Bacalhau Hot Line” funcionando em nossa Semana Santa? Ou um “Pinhão Hot Line” nas festas de São João? Será que daria certo? Estou à procura de sócios.

Confiram o site AQUI

2010/11/17

CORTA!

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:40

Depois que o cinema nacional descobriu o mercado de filmes para adolescentes, é uma estreia atrás da outra – e elas nem coincidem mais com as férias escolares.
“As Melhores Coisas do Mundo” e “Antes que o Mundo Acabe” são dois exemplares recentes e competentes desta nova safra, mas “Muita Calma Nessa Hora” é quase o fim do mundo.
Se a ideia do filme era não se levar a sério e não passar de uma grande brincadeira entre amigos, é um projeto honesto. Mas se pretende algo além de uma “Sessão da Tarde” chuvosa, é muita pretensão.
O pôster do filme diz: “Os maiores craques do humor nacional reunidos num filme imperdível”. Se havia espaço para alguma honestidade, ela vai para o ralo com essa frase.
Entre “craques” e outros nem tanto, estão Heloísa Périssé, Lúcio Mauro, Sérgio Mallandro, Maria Clara Gueiros, Marcelo Adnet, Marcos Mion, Ellen Roche, Marcelo Tas, Leandro Hassum, Louise Cardoso, Lúcio Mauro Filho, Nelson Freitas, Luís Miranda e o grupo Hermes e Renato.
Ah, claro, as protagonistas Gianne Albertoni, Fernanda Souza, Andréia Horta e Débora Lamm. Balaio de gato perde.
Escrito por Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão, “Muita Calma Nessa Hora” é um mini “Zorra Total”, cujas cenas não deixam nada a dever ao humorístico da TV Globo. É o estereótipo, do estereótipo do estereótipo.
Há o paulistano-mauricinho (Adnet), a bicho-grilo (Lamm), a gostosa (Albertoni), o micareteiro (Mauro Filho) e a bichinha afetada e boa-praça (Miranda).
Longe de toda a falta de criatividade na construção das personagens, poucos saem ilesos. Com exceção de Lúcio Mauro, a única que consegue alguma sutileza e uma atuação que diz apenas com o olhar é Maria Clara Gueiros, que vive uma empregada evangélica.
Sem defender o politicamente correto, o falso moralismo ou começar um papo-aranha, vai ser muito difícil combater o tráfico de drogas no Brasil enquanto nossos ídolos continuarem a fazer apologia tão descarada à maconha – principalmente num filme para adolescentes.
Bruno Mazzeo já foi bem melhor. Corta!

2010/11/16

DANÇA DOS PSICÓLOGOS

Arquivado em: Cultura inútil — trezende @ 09:56

Tenham muito cuidado ao dançarem “Adocica” de sunga de crochê na ilustre companhia de Beto Barbosa num churrasco. Seus passinhos podem revelar muito mais sobre sua intimidade além de seu gosto duvidoso para se vestir.
Cientistas acreditam que o jeito com que uma pessoa se move na pista de dança revela segredos de sua personalidade.
Dr. Geoff Luck, da Universidade de Jyvaskyla, na Finlândia, diz que a música provoca fortes emoções nas pessoas, que podem ser expressadas através do movimento do corpo. Segundo ele, o corpo é um indicador mais do que confiável – inclusive robôs demonstraram isso.
Dos 900 voluntários inscritos para o estudo, os pesquisadores escolheram 60 para participarem de testes de personalidade. Após os resultados, eles foram divididos em cinco tipos e cada um foi convidado a dançar 30 faixas de seis gêneros musicais – rock, tecno, latino, jazz, funk e pop.
Através do uso de uma tecnologia capaz de capturar movimentos, os pesquisadores gravaram as performances e analisaram tudo com a ajuda de um programa de computador.
O rock, em especial, provocou estereotipados movimentos de cabeça – principalmente entre os extrovertidos –, e foi o único estilo que levou os neuróticos a se soltarem – apesar de eles tenderem a movimentos mais contidos e nervosos.
Os resultados foram:

- Os mais simples de serem identificados são os extrovertidos, que balançam bem o corpo – geralmente com movimentos enérgicos e exagerados com a cabeça e os braços
- Neuróticos dançam com passos espasmódicos – estilo que baladeiros e convidados de casamento reconhecem como “shuffle”
- Pessoas de personalidade agradável tendem a ter movimentos suaves e a se moverem de um lado a outro da pista de dança balançando as mãos
- Os mais liberais gostam de fazer passos ritmados de sobe-e-desce e não circulam tanto pela pista de dança como os demais
- Pessoas cumpridoras de seus deveres se movem bastante pela pista e usam as mãos mais do que os outros dançarinos

Michelle Groves, reitora-associada da Royal Academy of Dance, explica que quando bailarinos profissionais são treinados para expressarem suas emoções durante uma apresentação, eles tendem a esconder traços de sua personalidade. Isso é mais óbvio em leigos.
Ou em bêbados, eu me arriscaria a dizer.

2010/11/15

O SAPO E O PRÍNCIPE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:14

O objetivo do feriado de hoje é celebrar a Proclamação da República. Isso todos aprendemos na quarta, quinta série, entregamos a prova com a resposta-padrão – “foi o dia em que chegou ao fim a monarquia no Brasil” – e partimos para o abraço. Ou para o aeroporto mais próximo.
Como em toda data comemorativa – seja ela civil ou religiosa – o momento mais aguardado não é o da oração ou do hasteamento da bandeira nacional. É o dia a mais de descanso – e não há nenhum mal nisso.
Mas se pararmos para pensar o que realmente foi a instalação da República por aqui bate um certo remorso. Apesar de pacífico, o movimento obrigou D. Pedro II a ir embora do país.
Justo ele, um órfão de pai e mãe solitário, criado por tutores e que foi obrigado a assumir a direção do país antes mesmo de ter pelo no corpo. Ele aguentou a barra sozinho e depois de quase 50 anos o que recebe? Uma passagem só de ida para a Europa.
A gente não sabemos escolher presidente e nem afagar quem nos deu carinho. A gente somos inútel.
O remorso bate ainda mais fundo quando nos percebemos diante uma injustiça.
Em contraste com a personalidade sóbria de D. Pedro II e com o nome gigante – Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga Bragança – quatro letrinhas: Lula.
É ele a personagem do primeiro gibi da série “História do Brasil em Quadrinhos”, dedicada a personagens marcantes da nossa História. “Lula – Luiz Inácio Brasileiro da Silva” conta toda a trajetória do presidente.
Por apenas R$ 4,95, o gibi anuncia na capa: “Com uma mensagem do presidente Lula para você!”.
O gibi não faz qualquer menção a escândalos como o do Mensalão e outras maracutaias que o super-herói sempre disse desconhecer. Afinal, pra que assustar os pequenos cidadãos?
A HQ sobre Lula vem acompanhada de duas ironias: foi ilustrada por um argentino (Rodolfo Zalla) e é uma publicação da editora de Francisco de Arruda Sampaio (filho de Plínio).
D. Pedro II, sinta-se vingado! Você merece coisa melhor.

2010/11/14

MÃO INGLESA

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 10:39

Nós, brasileiros – especialmente os paulistanos –, não somos os únicos apaixonados por carro no mundo.
Uma pesquisa realizada pelo jornal “Telegraph” revela que os ingleses não são fãs apenas de Mr. Bean, princesa Diana e chá das cinco. Em cada gélido coração daquele há também um espaço reservado para suas respectivas carangas.
A matéria “How our cars became like home” (“Como Nossos Carros se Tornaram Nossas Casas”) diz que quase a metade dos entrevistados considera o carro como algo “de extrema importância” e que eles “não podem viver sem”. Apesar dos congestionamentos, da manutenção cara e das estradas nem sempre em boas condições, 9 em cada 10 afirmam que adoram dirigir.
Outra peculiaridade é que a maioria gosta de dirigir só. Se for para escolher um passageiro, metade dá preferência ao (à) esposo (a). Apenas 3% escolheriam um passeio com a sogra.
“Dirigir sozinho é uma das raras oportunidades de não somente não se sentir responsável pelo destino do outro como também de fazer coisas que normalmente resultariam em censura ou prisão num transporte público”, explica o psicólogo Peter Marsh, codiretor do Centro de Estudos Para Temas Sociais, em Oxford. “As pessoas cantam ópera, põem a mão pra fora, fumam, enfim, agem como se estivessem em casa. E, de certa forma, estão”.
O levantamento ouviu cinco mil motoristas – incluindo mil leitores do “Telegraph” – e foi feito em parceria com uma empresa de seguros automotivos.
No entanto, uma pesquisa anterior realizada pelo jornal revelou que vários aspectos cotidianos estão minando o caso de amor entre os ingleses e seus automóveis. Os mais relevantes são: o aumento de motoristas agressivos ou desrespeitosos, as altas taxas e combustíveis caros.
O dado mais curioso é que apenas 1% dos motoristas disseram que nunca cometem erros.
“Normalmente as pessoas supervalorizam suas habilidades ao volante e sua educação no trânsito. Elas até admitem que não conseguem instalar um papel de parede ou resolver Sudoku, mas reconhecerem-se más motoristas é mais dolorido. Para os homens é como ter sua masculinidade ridicularizada”, diz Peter Marsh.

Os 10 maiores prazeres do volante, de acordo com a pesquisa:
1. Guiar sozinho: 78%
2. Dirigir para destinos de férias: 68%
3. “Eu simplesmente adoro dirigir”: 64%
4. Dirigir para os amigos: 62%
5. Dirigir para a família: 59%
6. Levar a família para passear na folga: 53%
7. “Não posso viver sem meu carro”: 49%
8. Dirigir com a esposa: 48%
9. Dirigir em estradas costeiras: 46%
10. Dirigir com amigos: 38%

2010/11/13

ISTO É INCRÍVEL

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:04

O acontecimento do ano não foi o resgate dos mineiros chilenos nem a eleição de Dilma, mas a notícia de que quem pagar mais, leva o SBT.
Como disse ontem o Agamenon, no Twitter: “Silvio Santos vai falir, lá iá, lá iá, lá iá”.
Estariam Hebe, o Maestro Zezinho e a Veia da Praça desempregados? Chama o Roque!
Lendo o noticiário, fica claro que os administradores do Panamericano pensaram que tomar conta do banco de um homem que vive arremessando aviõezinhos de dinheiro seria simples. Devem ter imaginado até que a grana arrecadada pelo Teleton poderia ser usada para disfarçar prejuízos.
A verdade é que apesar dos anos de trabalho, o vovô foi passado pra trás. Agora vai ter de jogar na Telesena.
Sim, o Homem do Baú estava lidando com amadores. O presidente do banco – primo de dona Íris Abravanel, mulher de Sílvio – era personal trainer e acreditava que uma empresa funciona como o esporte. Segundo a “Folha de S. Paulo”: “Se tiver técnico e jogadores bons, o negócio caminha. Se todos estiverem motivados, a possibilidade de ganhar o jogo é muito maior”.
Perdeu, playboy.
Mais fácil seria convocar Maysa, a Menina Monstro, para gerenciar o Panamericano. Ela seria muito mais eficiente do que os colegas de trabalho que o patrão colocou lá.
Dona Íris está escrevendo sua nova novela, “Recados Disfarçados”. Agora fica mais fácil entender para quem são essas mensagens.
Tão surpreso quanto nós, está Sílvio – que aliás não sabe nem onde funciona a sede de seu banco.
Dizem que só Jesus salva. No caso do Senor Abravanel – a verdadeira identidade de Sílvio –, o ditado é mais do que real: três igrejas fizeram propostas para comprar o horário da madrugada por precinhos bem camaradas.
O patrão ainda não fechou com nenhuma delas. Deve estar querendo o pagamento em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro.
O Banco Central explica que o que houve foram problemas de maquiagem de balanços tanto em operações de empréstimo como de cartões de crédito. Mas segundo Henrique Meirelles, o rombo no banco foi coberto sem o uso de “um centavo público”. Isso é o que veremos adiante.
Mas Sílvio não foi o primeiro e nem será o último. Má administração é coisa nossa.
Por ora, meu conselho ao patrão é Atroveran, tomou, passou.

2010/11/12

ACHO QUE VI UM GATINHO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:42

Há cerca de duas semanas, o ator Zach Galifianakis fumou maconha ao vivo num programa de entrevistas enquanto discutia-se a legalização da droga no Estado da Califórnia.
Mais do que debater o assunto, a performance do ator – aplaudida até por um dos apresentadores – foi uma ótima sacada publicitária de produtores de cinema. Qualquer coincidência com o lançamento de “Um Parto de Viagem” não é mero acaso. Afinal, o filme é o melhor garoto-propaganda que uma droga poderia ter.
Mas quem assistiu ao trabalho anterior de Todd Phillips – “Se Beber Não Case” – vai se decepcionar. Apesar da temática adulta, “Um Parto de Viagem” é absolutamente infantil.
O indício do que nos aguarda acontece logo no início: no avião, enquanto ajeita sua mala de mão no compartimento superior, Ethan (Zach Galifianakis) esfrega a barriga peluda no rosto do passageiro que está sentado – Peter (Robert Downey Jr.). Que saudade d’Os Trapalhões.
Na história, Peter e Ethan se conhecem por acaso no aeroporto e, por motivos que vocês verão no filme, acabam tendo de fazer uma viagem de carro pelos Estados Unidos de costa a costa. Ambos têm compromissos inadiáveis e estão acompanhados de mais dois passageiros: o cachorro de Ethan (Sonny) e o pai de Ethan (esse em forma de cinzas).
Os momentos engraçados são garantidos pela presença de Zach Galifianakis – que diverte no papel de um ator amador cujo sonho na vida é trabalhar no seriado “Two and a Half Man”.
De resto, predominam piadas escatológicas no estilo “American Pie” e perseguições automobilísticas com direito a capotamentos.
A sensação de dèja vu e a comparação com “Se Beber Não Case” são inevitáveis: trata-se do mesmo diretor fazendo novamente um “road movie” com tiradas nem tão inéditas assim.
Alguém se lembra de algum filme com cenas envolvendo cinzas de um morto? Pois é, acho que vi um gatinho.
Sem falar que Zach interpreta praticamente a mesma personagem. Só que agora, em vez do bebê, carrega um cachorro.
Uma pena.

2010/11/11

O SONETO E A EMENDA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:31

Hoje duas notícias que parecem ter sido guardadas para serem publicadas juntas.
A primeira nos conta que rir é instintivo – é o choro que se aprende. De acordo com um estudo que acaba de ser divulgado pela revista “New Scientist”, Bozo estava certo: nós fomos feitos para rir.
O choro do bebê, dizem os pesquisadores, está relacionado com o choque do nascimento ou com a busca por oxigênio. Não tem qualquer ligação com tristeza.
A pesquisa realizada por cientistas holandeses misturou voluntários com audição perfeita e surdos. A um primeiro grupo foi pedido que produzissem sons de tristeza, terror, alívio, raiva, alegria e outras emoções sem o uso de palavras.
As interpretações foram mostradas a um outro grupo. Apenas os sinais de risada e suspiros de alívio foram identificados pelos surdos. Já os sons de choro, terror e tristeza foram mais facilmente adivinhados pelos não-surdos.
Os surdos nunca ouviram uma risada, o que sugeriu aos pesquisadores que essa é uma habilidade nata. Aprender a expressar as outras emoções é algo que se adquire com a experiência de vida.
Nós brasileiros sabemos muito bem disso. Dizem que somos genuinamente felizes, mas a cada ano, a cada eleição, a cada Copa, a cada novo escândalo, nossas risadas vão se tornando mais raras.
Eis que a segunda notícia do dia chega para nos trazer um pouco de alento. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado acaba de aprovar a “PEC da Felicidade”.
A piada é de autoria do senador Cristovam Buarque e pretende incluir a busca da felicidade entre os direitos fundamentais do cidadão.
O texto – que agora segue para votação no Senado e depois para a Câmara – diz o seguinte: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.
Segundo Cristovam Buarque, o objetivo não é obrigar o governo a criar projetos para garantir a felicidade dos cidadãos, mas “carimbar no imaginário da sociedade a importância da dignidade humana”.
Ah, bom. Querer assegurar em lei sentimentos já seria abusar do razoável. Mas não duvidem se na passagem do projeto pelo Senado e pela Câmara algum desavisado tiver a ideia de incluir Prozac ou Valium na cesta básica.
Sabe como é, só pra garantir…

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