
Se as pesquisas estiverem corretas, Dilma deve ser eleita hoje a primeira presidenta do Brasil. O feito não é mais novidade em vários países – como Argentina ou Chile, só para ficarmos na América Latina –, mas é um salto se pensarmos que há cerca de um século nem apertar o “Confirma” as mulheres podiam.
Entremeado por uma série de curiosidades, um artigo publicado no site “Mental Floss” neste sábado fala da luta feminina na Europa e nos Estados Unidos pelo direito ao voto.
Na Inglaterra, durante os períodos Vitoriano e Eduardiano, as principais personagens eram as “suffragettes” – ativistas que militavam pelo direito de voto das mulheres nestes primeiros anos do século 20.
Muitos acreditavam que conceder o direito de voto a elas poderia levar à destruição da sociedade.
O pensamento se refletia nas caricaturas das “suffragettes” em jornais e revistas. Elas eram normalmente representadas como solteironas magrinhas numa época em que as curvas eram celebradas. Além disso, as feições eram sempre severas e abatidas. Tanto as roupas quanto a aparência enfatizavam que se tratavam de mulheres fracassadas que só queriam votar porque não tinham conseguido arranjar marido.
O pessoal do contra defendia ainda que colocar “as mãos sujas” em assuntos políticos não era um comportamento natural para as mulheres. Além disso, o voto as transformaria em seres malévolos.
Já nos Estados Unidos, a cerveja unia e dividia os opositores das “suffragettes”. No livro “A Dangerous Class” (“Uma Classe Perigosa”), Betty Stevens conta que os comerciantes de álcool temiam que elas votassem pela proibição da bebida e aconselhavam os maridos a tirarem suas esposas da luta antes que eles perdessem os empregos.
Uma outra autora publicou um texto em que dava 12 razões para bater de frente com as “suffragettes”. Segundo ela, se as mulheres já eram poupadas de tantas responsabilidades – como sustentar a família e pagar as contas –, por que elas queriam abrir mão dessa proteção legal apenas para ter direitos civis iguais aos dos homens?
Num texto datado de 1916, uma mulher de Massachusetts expressou suas preocupações acerca dos efeitos que o movimento pelo voto poderia ter sobre a personalidade feminina: “Com certeza elas não estão mais amáveis ou agradáveis em suas vidas. Elas viraram seres amargos, agressivos e antagonistas. Gostam tanto da excitação da campanha que acham suas tarefas domésticas sem graça e obsoletas”.
O movimento inspirou músicas de protesto, mas as “suffragettes” também se defendiam. A mais famosa das compositoras chamou-se Charlotte Perkins Gilman, que escreveu pelo menos 25 canções a favor da causa.
Em 1918, quando o movimento das “suffragettes” consegue êxito parcial, Mary Ward, membro da coalizão inglesa que era contra o voto feminino, escreveu: “Obrigada, meu Deus, por isso ter chegado ao fim. A questão agora é o que elas vão fazer com o voto”.
O direito de apertar o “Confirma” só seria conquistado pelas americanas em 1920 e pelas inglesas em 1928. Para nós, brasileiras, mais tarde ainda, em 1932.
Atualmente, conta o site “Mental Floss”, há 143 mulheres eleitas e atuando no parlamento inglês – o maior número na história da instituição – e 90 no Congresso americano.
Vejam algumas charges sobre as “suffragettes” AQUI

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