O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/10/31

MULHERES NA ZONA (ELEITORAL)

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:47

Se as pesquisas estiverem corretas, Dilma deve ser eleita hoje a primeira presidenta do Brasil. O feito não é mais novidade em vários países – como Argentina ou Chile, só para ficarmos na América Latina –, mas é um salto se pensarmos que há cerca de um século nem apertar o “Confirma” as mulheres podiam.
Entremeado por uma série de curiosidades, um artigo publicado no site “Mental Floss” neste sábado fala da luta feminina na Europa e nos Estados Unidos pelo direito ao voto.
Na Inglaterra, durante os períodos Vitoriano e Eduardiano, as principais personagens eram as “suffragettes” – ativistas que militavam pelo direito de voto das mulheres nestes primeiros anos do século 20.
Muitos acreditavam que conceder o direito de voto a elas poderia levar à destruição da sociedade.
O pensamento se refletia nas caricaturas das “suffragettes” em jornais e revistas. Elas eram normalmente representadas como solteironas magrinhas numa época em que as curvas eram celebradas. Além disso, as feições eram sempre severas e abatidas. Tanto as roupas quanto a aparência enfatizavam que se tratavam de mulheres fracassadas que só queriam votar porque não tinham conseguido arranjar marido.
O pessoal do contra defendia ainda que colocar “as mãos sujas” em assuntos políticos não era um comportamento natural para as mulheres. Além disso, o voto as transformaria em seres malévolos.
Já nos Estados Unidos, a cerveja unia e dividia os opositores das “suffragettes”. No livro “A Dangerous Class” (“Uma Classe Perigosa”), Betty Stevens conta que os comerciantes de álcool temiam que elas votassem pela proibição da bebida e aconselhavam os maridos a tirarem suas esposas da luta antes que eles perdessem os empregos.
Uma outra autora publicou um texto em que dava 12 razões para bater de frente com as “suffragettes”. Segundo ela, se as mulheres já eram poupadas de tantas responsabilidades – como sustentar a família e pagar as contas –, por que elas queriam abrir mão dessa proteção legal apenas para ter direitos civis iguais aos dos homens?
Num texto datado de 1916, uma mulher de Massachusetts expressou suas preocupações acerca dos efeitos que o movimento pelo voto poderia ter sobre a personalidade feminina: “Com certeza elas não estão mais amáveis ou agradáveis em suas vidas. Elas viraram seres amargos, agressivos e antagonistas. Gostam tanto da excitação da campanha que acham suas tarefas domésticas sem graça e obsoletas”.
O movimento inspirou músicas de protesto, mas as “suffragettes” também se defendiam. A mais famosa das compositoras chamou-se Charlotte Perkins Gilman, que escreveu pelo menos 25 canções a favor da causa.
Em 1918, quando o movimento das “suffragettes” consegue êxito parcial, Mary Ward, membro da coalizão inglesa que era contra o voto feminino, escreveu: “Obrigada, meu Deus, por isso ter chegado ao fim. A questão agora é o que elas vão fazer com o voto”.
O direito de apertar o “Confirma” só seria conquistado pelas americanas em 1920 e pelas inglesas em 1928. Para nós, brasileiras, mais tarde ainda, em 1932.
Atualmente, conta o site “Mental Floss”, há 143 mulheres eleitas e atuando no parlamento inglês – o maior número na história da instituição – e 90 no Congresso americano.

Vejam algumas charges sobre as “suffragettes” AQUI

2010/10/30

TAMBÉM VAI PEGAR VOCÊ

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:09

É muito difícil escrever sobre “Tropa de Elite 2”.
O filme de José Padilha já foi alvo de todas as análises e elogios por parte de críticos, especialistas e leigos além de ter recebido amplo destaque da mídia – principalmente no quesito pirataria.
Quando quase tudo já foi dito, as estatísticas são um bom começo de conversa. Desde a estreia, é o filme mais visto desde a “retomada” do cinema nacional, com mais de seis milhões de espectadores. Um raro caso de unanimidade entre crítica e público – e essa é a melhor credencial.
A conclusão é que sim, a continuação da história do capitão Nascimento é essa Coca-Cola toda.
Na abertura, os créditos se mesclam a flashes do que se passou na vida do capitão Nascimento no capítulo anterior. E o aviso: “Apesar de possíveis coincidências com a realidade, este filme é uma obra de ficção”.
Agora capitão Nascimento é coronel Nascimento. Afastado do Bope por razões que se apresentam logo no início, ele trabalha na área de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio. Enquanto investiga o funcionamento de milícias formadas por policiais corruptos, traficantes e políticos, ele vai se enfezando até virar o Rambo. A camisa manchada com o sangue do filho de 16 anos é a deixa para que Nascimento amarre sua cordinha na testa e parta para a guerra.
São vários os motivos que tornam ‘Tropa 2’ ainda melhor do que o primeiro.
A narrativa em off do coronel Nascimento está mais precisa ainda. Com ironia, senso crítico e frases de efeito inteligentes – “se tem uma coisa que funciona no Brasil é o crime” – ele vai nos contando uma história de terror com calma e naturalidade impressionantes.
Se em ‘Tropa 1’ dois bordões caíram na boca do povo – como “Pede pra sair” e “Põe na conta do papa” – em ‘Tropa 2’ há um repertório maravilhoso de novas expressões. Entre elas, “tá de pombagirice comigo?” e “a pressão aumenta em casa, o pau come na rua”. Interessante também é a maneira debochada que Nascimento se refere a certas personagens. Quando o professor de esquerda e defensor dos Direitos Humanos entra em Bangu 1 para negociar com os presos, Nascimento diz: “O Che Guevara tá entrando sem colete”.
A edição dinâmica e o elenco são outros pontos altos. Wagner Moura, André Ramiro e Milhem Cortazes continuam positivos e operantes e desta vez contam com o reforço de Sandro Rocha.
O único porém é André Mattos, que dá vida a Fortunato – uma mistura de José Luiz Datena e Wagner Montes que apresenta o programa “Mira Geral”. A personagem é ótima e teria potencial para cair na boca do povo, mas falta carisma ao intérprete.
Mesmo com o aviso inicial, no fim da sessão a constatação de que não se trata de uma obra de ficção. “Tropa de Elite 2” é um documentário que mostra a nossa realidade.
Da melhor qualidade.

2010/10/29

A INQUISIÇÃO ESTÁ DE VOLTA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:47

O mundo está ficando mesmo muito chato. Até Monteiro Lobato virou alvo dos xiitas que andam por aí procurando pelo em ovo.
Segundo o Conselho Nacional de Educação, o livro “Caçadas de Pedrinho” não deve mais ser distribuído em escolas públicas porque é racista.
O preconceito estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco.
O conselho justifica o pedido citando dois trechos da obra: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão…”; e “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens”.
Ora, o objetivo de indicar livros para crianças não é despertar o interesse pela leitura? Pois então continuaremos um país de analfabetos. Se os pequenos não terão mais contato nem com a escrita fácil e divertida de Monteiro Lobato, não precisamos do polvo Paul para nos dizer que devemos colocar as barbas de molho.
Mais preocupante ainda é pensar que o Conselho pretende implantar a decisão no ensino público. Justamente entre aqueles mais carentes de bens culturais e que se não for pela escola jamais saberão o formato de um livro.
Ainda resta uma esperança: para entrar em vigor, o parecer precisa ser aprovado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
Onde estava o Conselho Nacional de Educação quando deixou passar o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” para estudantes da 3ª série?
No ano passado a polêmica foi grande. Após ser distribuído em todas as escolas públicas de São Paulo, descobriram que o livro – uma coletânea de quadrinhos sobre futebol –continha palavrões, referências diretas à sexualidade e ao tráfico de drogas.
Esse realmente merecia ser recolhido. Entre os diálogos, apareciam palavras como “chupa rola”, “cu”, “merda” e “puta”. Para uma criança de 8, 9 anos talvez não seja o vocabulário mais adequado.
Onde estava o Conselho Nacional de Educação? Lendo Monteiro Lobato? Provavelmente não.
Se continuar como está, em breve, clássicos universais também estarão com seus dias contados. “O Patinho Feio” estará proibido por incitar o bullying; “Pinóquio”, por insinuação à pedofilia e “Branca de Neve e os Sete Anões” por incentivo à poligamia.
Nem gibi as crianças poderão ler. Num futuro próximo, “Pelezinho” também será racista.

2010/10/28

PRÉ-HALLOWEEN

Filed under: Matutando — trezende @ 09:05

Uma semana antes das comemorações do Dia de Finados, três personalidades passaram desta para melhor: o ex-presidente argentino Nestor Kirchner, o senador Romeu Tuma e o polvo Paul.
Inesperada mesmo, apenas a morte de Kirchner – tanto Paul quanto Tuma estavam no bico do corvo.
Além da data da passagem, os três têm muito mais em comum do que Paul poderia supor.
Assim como os homens públicos, durante sua carreira o polvo foi alvo de homenagens, ganhou camisa de time famoso, recebeu placa de honra ao mérito, convites para mudar de aquário, foi tratado como celebridade e teve sua foto publicada em inúmeros jornais pelo mundo.
Como os outros, Paul terá um sucessor – um inclusive com o mesmo nome – vai virar monumento, nome de rua e pode ser que ganhe até um museu.
Até onde sabemos, Paul não sabia ler nem escrever – o que não seria empecilho se ele quisesse se candidatar a deputado federal no Brasil.
Tarefa árdua mesmo seria decidir por qual partido. Já imaginaram quantas vezes o pobre coitado teria de descer ao fundo do aquário para optar entre duas caixas com as respectivas siglas das legendas? Se Paul não falecesse de causas naturais, teria sido por fadiga.
Entre homenagens e tratamento VIP, as semelhanças terminam aí.
Ao contrário deles, Paul se aposentou no auge da carreira, foi íntegro durante sua rápida passagem pela Terra e desempenhou com maestria seu trabalho. Nunca errou um palpite. Sua contribuição à sociedade foi inigualável.
Político, se morrer, “nasce outro pior ou que nem que ele”. Mas o polvo sabia das coisas.

Quer perguntar algo ao polvo? Pergunte AQUI

2010/10/27

CADA UM TEM O PAULO COELHO QUE MERECE

Filed under: Folheando — trezende @ 09:57

Uma autobiografia escrita por um suricata que tem um forte sotaque russo, encaixa a palavra “simples” em todas as frases e se veste com pompa é a sensação literária do ano na Inglaterra.   
O suricata é o Timão, que forma a dupla “Timão e Pumba” em “O Rei Leão”, mas o da vez atende pelo nome de Aleksandr Orlov e é na verdade uma criação publicitária. Ele é o garoto-propaganda de um site de comparação de preços de seguros automotivos que lucrou milhões este ano – é o quarto site mais visitado da Inglaterra.
A “autobiografia” “A Simples Life, My Life and Times” (assim mesmo, com o título escrito de forma incorreta) ainda não tem tradução no Brasil. Até porque nem foi lançada na Inglaterra.
Quando seu lançamento foi anunciado, há cerca de um mês, o livro chegou à lista dos top 100 na pré-venda no site da “Amazon” (atualmente está em 92º lugar).
Especialistas do mercado editorial apostam que a autobiografia de Aleksandr venderá muito mais do que os livros de Nelson Mandela, Keith Richards e Tony Blair neste Natal.
Dave Trott, o diretor criativo da agência publicitária responsável pelo sucesso do suricata, diz que Aleksandr é um raro tipo de personagem capaz de vender um produto sem sequer mencionar seu nome.
Aleksandr é um fenômeno: a “Harrods” – uma das principais lojas de departamento inglesas – vende diversos bonequinhos da personagem e os pet shops vivem sendo bombardeados com pedidos de suricatas.
Aleksandr tem 750 mil fãs no Facebook, 40 mil seguidores no Twitter e seu aplicativo para iPhone já foi baixado por mais de 700 mil pessoas.
Na ficção, Aleksandr Orlov é descendente de uma família russa tradicional e fundador do site “Comparethemeerkat.com”. Seus familiares passaram por várias dificuldades até ele se tornar bilionário na década de 70. Atualmente vive numa mansão no sul de Londres e não é casado – apesar das inúmeras propostas que recebe.
Ainda é um mistério qual o perfil do público que está disposto a pagar cerca de R$ 27 pela autobiografia. Mas já pensaram se o bonequinho das Casas Bahia resolvesse lançar suas memórias? Se aquele misterioso personagem da Aveia Quaker decidisse revelar por que tem aquele semblante irônico?
Diante do sucesso de um suricata-escritor fica mais simples entender por que Paulo Coelho vende tanto livro mundo afora.

2010/10/26

ASSIM DIZIAM ZEZÉ E LUCIANO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:01

O respaldo vem da Ciência: amor à primeira vista existe. Ele pode acontecer em um quinto de segundo e causar a mesma sensação de euforia sentida por um viciado em cocaína.
As afirmações são o resultado de uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, denominada “A Neuroimagem do Amor”.
Segundo eles, basta uma olhadinha na pessoa dos seus sonhos para que sofisticadas funções cognitivas – como representação mental e imagem corporal – sejam afetadas.
O amor à primeira vista aciona 12 partes do cérebro de uma vez com o objetivo de liberar substâncias como dopamina, oxitocina, adrenalina e as vasocompressoras.
A professora Stephanie Ortigue, que conduziu o estudo, disse que os resultados incitam a pergunta: “É o coração ou o cérebro que se apaixona? É uma pergunta complicada. Eu diria que é o cérebro, mas o coração também está relacionado. O complexo conceito de amor é formado por processos que ocorrem em ambos os órgãos. A ativação de partes do cérebro gera estímulos no coração e frio na barriga. Alguns sintomas que nós sentimos, como manifestação cardíaca, podem estar vindo do cérebro”.
Segundo ela, o que realmente confirma que o amor tem base científica é que a secreção de NGF – uma molécula do fator de crescimento do nervo – aumenta. Esses níveis são altos em casais que acabaram de se apaixonar.
Os resultados têm implicações também para as áreas de neurociência e saúde mental, já que quando o amor não vai adiante pode vir a depressão e o estresse emocional. “Entender por que nos apaixonamos e por que isso pode ser tão desgastante pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias”, explica a professora
O estudo também mostrou que diferentes partes do cérebro são acionadas pelo apaixonado. O amor incondicional – como o de um pai pelo fiho – está mais ligado à região central do cérebro. Já o amor passional é gerado pela área responsável pela sensação de recompensa e pelas partes cognitivas ligadas à percepção da imagem corporal.
Portanto, não se espantem se algum dia vocês se pegarem proferindo frases de gosto duvidoso como “Amar não é olhar um para o outro, é olhar junto na mesma direção”.

2010/10/25

REMINISCÊNCIAS DE UM NEURÔNIO

Filed under: Folheando — trezende @ 08:57

A qualquer momento desta semana chega às livrarias “Life”, a biografia de um sobrevivente: Keith Richards.
O guitarrista é o primeiro dos Stones a lançar suas memórias.
“No início minha maior preocupação era se a minha memória seria confiável. Fox teve de fazer um pouco o trabalho de um detetive”, explica o músico.
Fox é James Fox – jornalista e amigo de Keith de longa data –, responsável por unir todo o material após inúmeras entrevistas e pesquisas em cartas antigas e jornais.
O jornal “The New York Times” acaba de publicar uma entrevista com o guitarrista sobre a biografia – que mesmo sem ter chegado às prateleiras já explorou tudo e mais um pouco sobre as intrigas entre Keith Richards e Mick Jagger.
A jornalista Janet Maslin descreve que se encontrou com Keith no escritório dele, uma sala com paredes laranjas cercadas de espelhos, prêmios musicais e discos de platina.
Trajando uma calça esfolada na altura dos joelhos, sapato verde, anel de caveira, bandana e chapéu de palha colorido, o músico – que se atrasou apenas um minuto – não puxou nenhum cigarro durante os cerca de 60 minutos de entrevista. Num canto da sala – e passando quase batido –, um case de guitarra Louis Vuitton.  
A matéria começa dizendo que Keith já passou por muitas fases: “A do escoteiro, a do roqueiro amador, a do louco apaixonado (por Ronnie Spector, esposa do produtor Phil Spector), a do astro do rock, a do viciado em heroína, a do veterano em incontáveis turnês e a do parceiro de Mick Jagger”.
Mas o grande achado, segundo a jornalista, é o que está escrito na orelha do livro: “Acreditem ou não, eu não me esqueci de nada”.
Foram bons meses de trabalho. Depois da coleta de todo o material, James Fox sentou-se com Keith e passou a ler os manuscritos em voz alta para o amigo.
O que surpreendeu o jornalista foi o talento natural de Keith para editor. “Ele cortava de acordo com o ritmo e o andamento – uma verdadeira edição musical”.
O livro começa em 1975 narrando o consumo de drogas em Arkansas e o episódio de um juiz que foi convencido a liberar Keith após confiscar seu facão de caçador e tirar uma foto com o músico.
Há várias outras situações de prisão e também a luta de Keith para deixar seu vício em heroína – que ele diz ter abandonado há 30 anos.
O livro também descreve outros riscos ligados à saúde do astro, como o dia em que ele tomou um choque na cidade de Sacramento.
Keith se recorda de ter recuperado a consciência no hospital com um médico dizendo: “Ele pode acordar ou não”.
Apesar de os tabloides darem ênfase à rixa entre Keith e Mick Jagger, a reportagem conta que o livro é honesto e escrito com sinceridade. As histórias relacionadas a Mick Jagger estão mais do que resolvidas (segundo Keith, Mick soube de antemão tudo o que seria publicado).
As citações a Mick Jagger envolvem alpinismo social, ataques de ego, comportamento antiético, apelidos maldosos e uma identidade sexual incerta.
Keith diz que a obra é a coisa mais difícil que já fez até hoje – “Prefiro gravar dez discos”. Mas reconhece que foi gratificante poder dividir com ele mesmo e com seus leitores experiências muito mais importantes do que ele poderia imaginar.
Estamos esperando ansiosamente.

Acima, a capa do livro

Leiam a matéria completa AQUI

P.S.: Estão lembrados do “Campeonato Nacional de Siesta”, promovido em Madri?
Pois o vencedor foi um equatoriano de 62 anos que dormiu 17 dos 20 minutos a que cada competidor tinha direito. Além de capotar, ele foi o que roncou mais alto: 70 decibeis. O prêmio: cerca de R$ 2,3 mil.

2010/10/24

NADA ALÉM DE UM HAPPY FEET

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:49

A maneira saltitante de ser dos veadinhos contribuiu para que esses animais fossem associados ao mundo gay. Mas ao contrário de seu representante humano – o viado – eles são machos sim senhor. Pelo menos por enquanto não há registros de comportamentos suspeitos entre veados.
O foco está todo voltado para o pinguim. Não é de hoje que o comportamento homossexual de pinguins machos vem sendo notado em zoológicos. Há cerca de dois anos, num zoológico chinês, um casal foi segregado de sua colônia por ter roubado ovos.
Mas o falso testemunho em torno dos pinguins está com os dias contados. Na semana passada o jornal inglês “Telegraph” publicou uma matéria que os redime das fofocas.
Um estudo realizado pelo Centro para Ecologia Evolutiva e Funcional, de Montpellier, na França, concluiu que os pinguins se aproximam de colegas do mesmo sexo porque são solitários.
Quando não há fêmeas em quantidade suficiente numa colônia e os machos têm alto índice de testosterona, eles ficam juntos na temporada de acasalamento.
Apesar de flertarem e permanecerem juntos por curtos períodos, eles não agem da mesma forma que um casal heterossexual porque percebem a maneira como o outro cuida do ovo.
No passado acreditava-se que os pinguins não conseguiam discernir machos de fêmeas porque eles eram muito parecidos. Ou seja: até então os pinguins tinham um quê de Ronaldo – incapazes de dizerem quem é Andrea e quem é André.
Portanto, está esclarecida a injustiça: os pinguins são apenas seres solitários. Como os mineiros chilenos.
Mas a dúvida que sempre pairou sobre esses bichinhos já gerou polêmica que vai além da brincadeira. Um livro infantil foi banido de várias bibliotecas, escolas e livrarias americanas. Trata-se de “And Tango Makes Three” (“Com Tango Somos Três”), que narra a história (real) de dois pinguins machos que criam no zoológico de Nova York o filhote de um ovo fertilizado.
Desde seu lançamento, em 2005, a obra é um dos livros infantis mais polêmicos da literatura ocidental do século 21.
Deveríamos sim notar hábitos de outros animais. Há pouco mais de um mês uma reportagem na “Folha de S. Paulo” abordou o tema da sexualidade animal. A matéria falava do homossexualismo entre os golfinhos nariz-de-garrafa (esse mesmo, o Flipper), os cisnes-negros e até os bisões – aparentemente acima de qualquer suspeita.

2010/10/23

BELCHIOR MANDA LEMBRANÇAS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 11:30

O post de hoje é pra tocar terror em quem já tem medo de viajar de avião.
A “Reader’s Digest” entrevistou 17 pilotos para conseguir respostas sobre alguns procedimentos de segurança, atrasos inexplicáveis, certas atitudes dos pilotos lá em cima e o que realmente acontece atrás da porta do cockpit.
O resultado é a lista com os “50 Segredos que os Pilotos Jamais Contarão”. Abaixo os mais interessantes:

“Sou constantemente pressionado a carregar menos combustível do que o que me sinto seguro. As companhias estão sempre em busca do lucro, e você queima combustível carregando combustível. Se você já tem pouco e enfrenta uma tempestade ou atrasos fica desabastecido rapidamente e precisa ir para outro aeroporto” – capitão de uma companhia importante

“Nós comunicamos aos passageiros apenas o que eles precisam saber. Não dizemos coisas para deixá-los espantados. Você nunca vai me ouvir falando ‘Senhoras e senhoras, nós acabamos de ter uma falha mecânica’ mesmo se for verdade” – Jim Tilmon, piloto aposentado da “American Airlines”

“A verdade é que vivemos exaustos. Nossas regras de trabalho permitem que trabalhemos 16 horas sem intervalos – muito mais do que os motoristas de caminhão. Mas ao contrário deles, que podem parar num posto, nós não podemos parar na próxima nuvem” – capitão de uma companhia importante

“Algumas regras da Administração Federal de Aeroportos não fazem sentido nem para nós. Se estivermos a 39 mil pés, a 640 km/h, os comissários de bordo podem servir cafezinho. Mas se estivermos em solo, a 16 km/h, eles precisam estar afivelados como pilotos da Nascar” – Jack Stephan, capitão da “US Airways” que voa desde 1984

“Em alguns aeroportos as pistas são realmente curtas e não é possível uma aterrissagem suave: ‘John Wayne Airport’, ‘Jackson Hole’, ‘Wyoming’, ‘Chicago Midway’ e ‘Reagan National’ – Joe D’Eon, piloto de uma companhia importante

“As próprias companhias ajustam seus horários de chegada, assim elas podem ter um melhor índice de aterrissagens na hora marcada. Elas dizem que o voo leva duas horas quando na verdade ele dura 1 hora e 45 minutos” – capitão da “AirTran Airways”

“Uma coisa é quando o piloto acende o sinal para os passageiros colocarem o cinto de segurança. Mas quando eles dizem aos comissários de bordo para se sentarem é melhor prestar atenção. Uma séria turbulência vem pela frente” – John Greaves, capitão aposentado

“Não há um lugar mais seguro para se acomodar. Num acidente, morrem as pessoas que estão sentadas atrás, no meio e na frente” – John Nance

“O lugar mais suave para se instalar é próximo à asa. O que balança mais é no fundo. Um avião é como uma gangorra: se você está no meio não se move tanto” – Patrick Smith

“Se você tem medo de voar, marque um voo na parte da manhã. Mais tarde, o calor da superfície provoca solavancos. Além disso, é muito mais provável termos tempestades à tarde” – Jerry Johnson, piloto

“Nós não pedimos pra você guardar seu laptop porque estamos preocupados com alguma interferência eletrônica. A verdade é que você tem um projétil no colo. Não sei quanto a você, mas não quero ser atingido por um MacBook na cabeça a 321 km/h” – Patrick Smith

“As pessoas não entendem porque não podem usar o celular. O que acontece é que se 12 pessoas decidem ligar para alguém antes da aterrissagem posso ter uma leitura falsa nos meus instrumentos dizendo que estou mais alto do que de fato estou” – Jim Tilmon

“Quando você chega no aeroporto às 7 da manhã você quer que o piloto esteja descansado e pronto. Mas os hotéis em que as companhias nos colocam são tão ruins que em muitas noites nós só fritamos na cama. Os hotéis geralmente se localizam em péssimos bairros, são barulhentos, têm pulgas na cama e crimes no estacionamento” – Jack Stephan

“O fluxo do ar numa aeronave é de frente para trás. Portanto, se você está realmente preocupado em respirar um ar fresco e não passar calor, sente-se o mais na frente possível. Os aviões são mais quentes na parte de trás” – piloto de uma companhia regional

“Pilotos dormem no cockpit? Claro. Às vezes é só um cochilo de dez minutos, mas acontece” –John Greaves

Há três coisas que os pilotos nunca dirão:
- “Temos uma tempestade à frente”. O que eles falam: “Há alguma chuva pela frente”
- “Um dos motores pifou”. Em vez disso: “Um dos nossos motores está funcionando de forma imprópria”. O mais provável, no entanto, é que não digam nada e você nunca notará a diferença
- “Bem, amigos, nossa visibilidade é zero”. Em vez disso: “Há um pouco de neblina na região de Washington”

Leiam a matéria completa AQUI

2010/10/22

PARE EM NOME DA LEI

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:46

À medida que as investigações sobre a morte de Mércia Nakashima avançam, seu ex-namorado, o ex-PM e advogado Mizael Bispo de Souza vai se revelando, no mínimo, um péssimo advogado.
Se conseguir se safar da prisão, vai morrer de fome. Mizael terá muita dificuldade para arranjar clientes. Não por seu caráter e inocência terem sido colocados à prova, mas por pura incompetência.
(Apesar da série de evidências, ainda não podemos classificá-lo como assassino. A Justiça exige que o teatro vá adiante e que o consideremos “suspeito” ou “acusado”.)
Pois bem. O “acusado” já sumiu, apareceu, caiu em contradição várias vezes, se disse vítima de “armação”, deu declarações típicas de um Trapalhão – a de que vai investigar o crime por conta própria – e não para de produzir provas contra si mesmo.
Uma das diversas pistas foi divulgada pela família de Mércia: um email que Mizael enviou para a namorada cerca de um mês antes de ela aparecer morta. Na correspondência ele diz: “Deus está no céu e tá vendo tudo que faz e fez comigo, e certamente você acertará as contas com ele”.
Que profeta.
Em outra ocasião, indagado se costumava praticar tiro, ele respondeu: “Eu atiro muito bem, mesmo com um problema” (ele teve a mão machucada após um choque elétrico que o transformou num reformado da PM).
Mas segundo a perícia feita no corpo de Mércia, ela levou um tiro de raspão no queixo.
Prova de que Mizael não é o assassino? Muito provável que não.
Mais palhaço do que Mizael têm sido os juízes e promotores que acompanham o caso.
Durante uma das audiências, o juiz perguntou se Mizael achava que o crime fora cometido “com requintes de crueldade”, mas o “acusado” disse que não saberia dizer. Então o juiz refez a pergunta descrevendo a forma como Mércia foi assassinada e ele respondeu que “sim, com certeza”.
Ontem, durante depoimento do ex-PM, o momento mais surreal até agora:

- O senhor matou Mércia Nakashima?
- Nunca, jamais.

É certo que em casos que mobilizam a mídia as “otoridades” veem uma ótima oportunidade para se exibirem diante dos holofotes – e quem sabe até se candidatarem como deputados federais nas próximas eleições. Mas nem num filme de quinta categoria ouviríamos um diálogo tão inverossímil quanto esse.
Será que esse homem da lei acreditou, de fato, que conseguiria a proeza de uma confissão em rede nacional? Que Mizael admitiria o crime com uma pergunta tão inocente quanto essa porque, de repente, poderia ir com a sua cara?
Agora me contem a do papagaio. A do português eu já conheço.

2010/10/21

A POLÍTICA DO ARMÁRIO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:46

O debate envolvendo governo americano, Forças Armadas e homossexualidade está saindo do mundo das ideias – se é que algum dia esteve nesse nível – e se deslocando para o picadeiro.
Dias depois de uma juíza decidir pela suspensão da política do “Don’t Ask, Don’t Tell” –  que proíbe a exclusão de gays do Exército, mas impõe o silêncio –, os Estados Unidos voltam a restringir a entrada de gays assumidos nas Forças Armadas.
Até parece coisa de mulherzinha.
Ao lado de racismo e bullying, homofobia é um preconceito que sempre vai existir. Infelizmente. O que incomoda é a hipocrisia.
A regra que proíbe a presença de gays assumidos no Exército vem da época de Bill Clinton e reza que gays até podem servir como militares, mas correm o risco de serem expulsos se a orientação sexual deles for descoberta.
Um finge que não é, o outro finge que acredita e simbora pro Afeganistão.
O curioso é que após aceitarem a entrada dos soldados gays, o próprio Pentágono declarou que a decisão ainda poderia ser revertida. Não demorou nem um dia e três oficiais que haviam sido excluídos nos últimos anos reivindicaram a reincorporação.
E agora? Eles terão de entrar no armário de novo? Serão expulsos? Ou os colegas continuarão tapando o sol com a peneira?
Lady Gaga já comprou a parte que lhe cabe nesta briga. No meio do imbróglio, gravou um vídeo-mensagem ao Senado e participou de um comício no Estado do Maine pedindo que o governo anule a lei.
Se a ajuda da cantora vai se revelar útil à causa é um mistério. Os senadores que são contra o ingresso de homossexuais pensarão duas vezes depois de descobrirem que num dos clipes de Gaga – “Alejandro” – ela comanda um exército gay.
O tema gays no Exército foi bem representado no Brasil há cerca de dois anos, quando dois sargentos assumiram na capa da revista “Época” que mantinham uma união estável havia anos. “Eles são do Exército. Eles são parceiros. Eles são gays”. Esse era o título.
A chamada escandalosa da revista contribuiu para atiçar ainda mais a polêmica. Pouco tempo depois, a ruína: convidados do programa de Luciana Gimenez, um deles foi preso praticamente ao vivo pela Polícia do Exército porque desde sua expulsão era considerado desertor.
Na prática, a política do “Don’t ask, Don’t tell” também funciona por aqui.
Diversas questões vêm à cabeça diante deste assunto: um soldado gay é menos macho do que o outro? Não consegue dar conta do trabalho pesado? Que tipo de ameaça ele representa aos demais? Qual a diferença entre um coronel enrustido e um adepto do “Don’t Ask, Don’t Tell”? O Exército será menos respeitado se composto por gays assumidos? São motivo de vergonha para o país? Transformarão os ônibus militares em cenário para “Priscilla, a Rainha do Deserto”? Ou o medo é que eles troquem a bandeira americana pela bandeira do arco-íris?

2010/10/20

EM NOME DO PAI

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:49

Depois da Inquisição, de Galileu Galilei, de Nicolau Copérnico e de Charles Darwin, a Igreja Católica absolve “Os Simpsons”.
Segundo o jornal do Vaticano, o “L’Osservatore Romano”, é o desenho que explora temas como família, comunidade, educação e religião de uma maneira que poucos programas de TV são capazes.
Num artigo publicado no último domingo intitulado “Homer and Bart are Catholics” (“Homer e Bart São Católicos”) o jornal diz: “Dentre os programas de TV para crianças, ‘Os Simpsons’ é um dos poucos em que temas como a fé cristã, a religião e questões sobre Deus são recorrentes”. Além disso, ressalta que a família reza antes das refeições – de um jeito muito peculiar – e acredita em vida após a morte.
O jornal reconhece que em alguns episódios Homer dorme durante os sermões do reverendo Lovejoy e humilha seu vizinho evangélico, Ned Flanders, mas afirma: “Poucas pessoas sabem disso – e fazem de tudo para esconder –, mas a verdade é que Homer J. Simpson é católico”.
A publicação italiana cita o estudo de um padre jesuíta sobre um episódio de 2005, “The Father, the Son and the Holy Guest Star” (“Pai, Filho e o Convidado Santo”).
O capítulo – que foi ao ar algumas semanas depois da morte do papa João Paulo II – começa com a expulsão de Bart da escola de Springfield. Matriculado num colégio católico, ele conhece um padre muito solidário que o introduz com bondade ao Catolicismo. Diante da novidade, Homer decide se converter à religião – para desespero da mulher Marge, do reverendo Lovejoy e do vizinho Ned Flanders.
O Vaticano, no entanto, simplesmente ignorou o fato de o capítulo tratar de assuntos-tabu para a Igreja, como homossexualidade e pesquisas sobre células-tronco.
Não é a primeira vez que a publicação elogia o desenho. Em dezembro de 2009 o jornal o descreveu como “meigo e irreverente, escandaloso e irônico, turbulento e profundo, filosófico e às vezes teológico. Uma louca síntese de cultura pop com a morna e niilista classe média americana”.
Al Jean, o produtor-executivo da série, declarou que está chocado com a reportagem e faz questão de acrescentar que a família frequenta a “Primeira Igreja Presbiluterana de Springfield”. “Nós deixamos bem claro que Homer não é católico. Realmente acho que ele não conseguiria deixar de comer carne às sextas-feiras – nem por uma hora”.
Quem será o próximo a ser promovido ao paraíso? O “South Park”?

2010/10/19

O MELHOR REMÉDIO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:55

A “Foreign Policy”, revista de política e economia americana, trouxe nesta segunda-feira uma lista com “os mais influentes programas de TV que satirizam a política em lugares perigosos, contando piadas que podem ser arriscadas para a saúde”.
Dentre as cinco personalidades destes “lugares perigosos” citadas pelo artigo “The World´s Jon Stewart” (“Os Jon Stewart Pelo Mundo”) está o representante brasileiro, Marcelo Tas.
Jon Stewart é um comediante americano que apresenta há quase dez anos um dos programas de humor de maior sucesso nos Estados Unidos, o “The Daily Show”.
Tas aparece ao lado de figuras pouco conhecidas, como Zarganar (da Birmânia), Walid Hassan (do Iraque), Eretz Nehederet (de Israel) e o menos anônimo deles, Beppe Grillo (da Itália).
O artigo conta que Tas é o “apresentador do ‘Custe O Que Custar’, programa semanal de notícias e humor conhecido por agarrar parlamentares no Congresso Nacional brasileiro e fazer perguntas simples como o que as leis que eles votaram realmente significam. O representante que não sabe responder é cruelmente ridicularizado em rede nacional”.
A revista diz ainda que Tas lançou um livro (“Nunca Antes na História Deste País”) em que reúne pérolas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como “Minha mãe era uma mulher que nasceu analfabeta”.
Ainda segundo o perfil traçado pelo artigo, “apesar de Tas ser mais conhecido pelo ‘Custe O Que Custar’, ele começou sua carreira como repórter, não como comediante. Seu nome verdadeiro é Marcelo Tristão Athayde de Souza, mas adotar o apelido Tas foi uma boa para a carreira: ele tem mais de 971 mil seguidores no Twitter”.
A revista só comete um deslize: fala que Tas não tem entrado em ação ultimamente. Como o Brasil está em época de campanha presidencial, ele está proibido de fazer graça com os candidatos nos três meses que antecedem a eleição “por causa de uma lei que data do período militar”.
Faltou dizer que graças aos protestos de comediantes e jornalistas, o ministro Carlos Ayres Britto liberou a regra e agora podemos rir (e bastante) com as piadas involuntárias contadas por alguns candidatos.

Leiam a matéria completa AQUI

2010/10/18

PARA ESTÔMAGOS FORTES

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:47

Segunda-feira é o dia internacional da dieta. Dia de começar um sofrido processo de desintoxicação que durará, se muito, até a próxima sexta-feira.
Dentre os inúmeros agrados que deixamos de nos conceder estão as carnes.
Enquanto abandonamos temporariamente nosso instinto carnívoro, do outro lado do mundo, na Tailândia, hoje é dia de enfiar o pé na jaca. É que chegou ao fim neste sábado o Festival Vegetariano da ilha de Phuket.
O evento – bem colorido e que acontece durante nove dias entre setembro e outubro – celebra a crença da comunidade chinesa de que a abstinência de carne durante o início do nono mês do calendário chinês resultará em boa saúde e paz de espírito.
Durante os nove dias os participantes devem se comprometer a estarem com o corpo limpo, vestir branco, evitar sexo e álcool, comportar-se bem física e mentalmente, não dividir utensílios de cozinha com pessoas que não participam da festa e, claro, não comer carne. Pessoas de luto e mulheres grávidas ou menstruadas não podem participar.
Há vários aspectos interessantes no festival, mas o que mais chama a atenção é a cerimônia em que os devotos invocam os deuses andando sobre o fogo, colocando pierciengs e realizando outros atos de autoflagelação.
Homens e mulheres furam suas bochechas com vários itens, como revólveres, facas, espadas, agulhas, espetos para churrasco ou qualquer outro objeto pontiagudo que estiver à mão. Eles creem que os deuses os protegerão de qualquer dano através do sacrifício.
As origens da comemoração não são muito claras, mas é provável que ela tenha sido trazida aos moradores da ilha de Phuket por um grupo de ópera chinês que foi acometido por malária enquanto se apresentava no local.
Na busca pela cura, eles aderiram a uma rigorosa dieta vegetariana e rezaram aos nove deuses capazes de assegurarem purificação de corpo e mente. Para celebrar a recuperação, eles organizaram um festival em honra aos deuses para expressar toda a alegria por terem sobrevivido a uma doença que no século 19 era considerada fatal.
As festividades acontecem na vizinhança dos seis templos chineses que se espalham por Phuket. A primeira cerimônia é a do levantamento de um poste com cerca de dez metros de altura. Ele avisa aos nove deuses que o festival está para começar. Com o poste em pé, os devotos acreditam que a deusa Shiva trará poder espiritual ao evento.
Além dos sacrifícios físicos e das procissões, os participantes oferecem comida e bebida aos deuses e acendem diversas tochas e velas para homenageá-los.
À parte o espetáculo visual, os visitantes podem degustar uma série de guloseimas que são vendidas nas barraquinhas de rua. As que servem pratos vegetarianos são sinalizadas por bandeiras amarelas com personagens chineses e tailandeses em vermelho.

Confiram fotos de algumas edições da festa AQUI

2010/10/17

O NOVO MUNDO

Filed under: Matutando — trezende @ 11:32

Meu pai é um jovem senhor de quase 70 anos que está bem distante de apresentar qualquer traço de velho gagá ou de começar a inspirar os mesmos cuidados que um petiz em idade escolar.
Isso posto, passemos ao assunto que poderia sugerir que ele estivesse nesse processo de infantilização típico dos velhinhos que vão perdendo a noção das coisas.
Ontem, em diferentes momentos do dia, ele veio com questionamentos que, a princípio, até tentei formular uma boa resposta, mas depois – até por falta de averiguação científica – optei pelo caminho mais óbvio.
“Por que os homens continuam a nascer com mamilos se eles não têm utilidade? Por que as mulheres não usam mais combinação e anágua?”.
“Porque o mundo mudou”, respondi, como que ensinando a missa ao padre.
Na pergunta sobre a anágua, busquei na nossa influência europeia uma possível explicação para sua utilização pelas mulheres brasileiras de 50 anos atrás: “Sei lá, isso é resquício de nossa herança portuguesa. Na época do descobrimento do Brasil as mulheres ainda podiam perder tempo vestindo mil saias e outros apetrechos por baixo do vestido. Hoje, mal usamos saia. As que usam, saem até sem calcinha”.
Ele deu risada.
Já o mistério dos mamilos masculinos segue sem esclarecimento.
Mas nem a literatura de cordel é mais a mesma. Os temas – tradicionalmente relacionados aos costumes e tradições nordestinas com uma pitada de crítica social – também mostram que o mundo mudou.
O jornal “Folha de S. Paulo” de hoje traz uma reportagem sobre o que tem inspirado os cordelistas: o caso do goleiro Bruno, o de Isabella Nardoni e o do menino João Hélio.
Acompanhando o noticiário violento das grandes cidades brasileiras, os cordelistas têm retratado temas mais jornalísticos – ou mundanos.
Um deles, Isael de Carvalho, diz sobre a morte de Eliza Samudio: “Tudo que aqui foi escrito/ Já foi bem noticiado/ Minhas são somente rimas/ Nesse tema conturbado/ Investigação só cabe/ A quem é credenciado”.
Outro, Mestre Azulão, pôs em versos a morte da menina Isabella: “Lhe apertaram o pescoço/ Asfixiando Isabella/ Julgando que estava morta/ Com faca cortaram a tela/ Naquele horroroso drama/ Pisando em cima da cama/ Lhe atirou pela janela”.
De fato, soaria estranho se mesmo com as mulheres à solta, sem anágua, e com o bicho pegando nos morros cariocas ou no asfalto paulistano, os cordelistas ainda estivessem tratando da morte da bezerra.

2010/10/16

A CRIATIVIDADE JAPONESA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:13

Há cerca de um ano, no post “Vale Por Um Bifinho”, os leitores deste blog tomaram conhecimento de algo impressionante: um artigo da revista “Time” em que um pai dava seu depoimento sobre a decisão da esposa de comer a placenta do filho recém-nascido.
Segundo informações adquiridas pela nova mamãe, a placenta seria capaz de prevenir depressão pós-parto e aumentar a produção de leite.
Apesar da desconfiança, o marido acompanhou a “chef” que foi à casa deles para preparar a iguaria. Por 275 dólares (cerca de R$ 456) a profissional realizou um processo de desidratação do órgão e o transformou em cápsulas prontas para serem consumidas.
Mas o que já era estranho ficou ainda mais bizarro. Uma empresa japonesa chamada “Nihon Sofuken” está produzindo outros produtos inimagináveis à base do órgão, como o “Qbit Plasenta 10000 Jelly” (uma espécie de bebida aquosa), o “Gold Placenta 20000 Bevarage” (que aparenta ser um vinho) e o “Placenta Stick Jelly Sakura” (pirulito).
Se a placenta já era eficaz no combate à depressão pós-parto, agora tem mais uma indicação: acredita-se que as propriedades regenerativas do órgão ajudem nos cuidados com a beleza e dá uma força para quem quer manter a forma – tem zero caloria.
Os produtos são feitos à base de placenta de porcos e, segundo o site, o cheiro animal é removido com o acréscimo de essência de pêssego à fórmula. Apesar de chocante, a composição leva apenas 10% de placenta.
A embalagem com 15 saquinhos de “Qbit Plasenta 10000 Jelly” custa cerca de R$ 239 (ou R$ 16 cada). O preço da garrafa do “Gold Placenta 20000 Bevarage” é o mesmo: R$ 239.
O site também explica que hormônios que poderiam causar efeitos colaterais são removidos, bem como quaisquer traços de sangue – o que resultaria em mau cheiro e apodrecimento.
Se a moda pega, o medo por aqui não será mais servir de vítima para traficantes de rins, mas de placenta.

Confiram o site da empresa AQUI

2010/10/15

NOS BRAÇOS DO URSINHO PIMPÃO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 11:00

Em vez de corrida de carregamento de esposas, campeonatos alimentares bizarros ou de chamamento de patos, os espanhois se saíram com algo muito mais original e típico: o “Campeonato Nacional de Siesta”.
A competição – que começou ontem e segue até 23 de outubro – acontece no shopping Islazul, em Madrid.
A primeira edição do evento é organizada pela Associação Nacional dos Amigos da Siesta e pretende divulgar os benefícios que uma soneca à tarde traz à saúde.
Cada eliminatória dura 20 minutos e conta com oito participantes que se espalham em sofás instalados num dos pisos do shopping madrilenho.
Antes do cochilo, o participante recebe um vale-alimentação. O objetivo, segundo os organizadores, é “respeitar o conceito da siesta”. De barriga cheia, é só partir para sonhar com a vitória.
São seis categorias: figurino, maior roncador (o ruído é monitorado com a ajuda de um medidor de decibeis), posição mais original, favorito do público, tempo real de sono (monitorado através de um sensor instalado no dedo do participante) e os que permanecem os 20 minutos deitados.
Para alcançar maior pontuação, o participante deve estar ciente de dois critérios: quem dorme primeiro pontua mais e os que dormem direto durante 20 minutos ganham 20 mil pontos.
Os vencedores receberão troféus e premiação em dinheiro. Serão mil euros para o campeão (cerca de R$ 2,3 mil), 500 para o segundo colocado e 250 euros para o terceiro.
As inscrições podem ser feitas de duas formas: pelo site oficial do evento ou pela troca de uma nota fiscal de compras no valor de 40 euros (cerca de R$ 94).
Já tenho como preparar a ficha de inscrição de vários participantes – fortíssimos candidatos.

Visitem o site oficial AQUI

2010/10/14

VIVA!

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:58

Hoje é dia de nos refazermos do momento histórico que presenciamos ontem: o resgate excepcional dos mineiros chilenos. A cada subida da cápsula uma emoção diferente. Como bem disse José Simão, foi a chegada do Homem à Lua às avessas.
Mas o que mais nos deixou boquiabertos, além do sucesso na operação, foram as condições físicas dos trabalhadores. Eles vieram à tona como se tivessem saído havia pouco para comprar cigarro na padaria.
Além do que sofre de pneumonia, apenas dois deles apresentaram problemas: estão com cáries que têm quase a profundidade do buraco em que estavam. Ambos passarão por uma cirurgia em que será necesssária anestesia geral.
É muito provável, no entanto, que estas panelas dentária estivessem se formando na boca desses trabalhadores desde a era Mesozoica. Afinal, pelo conhecimento que temos do “Menu Caverna” que lhes era servido, não constava rapadura.
Enfim, quem esperava encontrar mineiros estropiados se surpreendeu com homens cheirosos e limpinhos. Pobres, porém limpinhos. Ou melhor, ex-pobres.
Além do convite para férias gratuitas nas brancas areias gregas e de mais 10 mil dólares oferecidos a cada um por um milionário grego, a vida desses trabalhadores será de sombra e água fresca.
À exceção do que vai ser recebido em casa por um pau de macarrão pela esposa, todos estão prontos para passarem instantaneamente da dor à delícia.
A agenda está cheia: férias na Grécia – curtindo um som com os iPods mandados por Steve Jobs – partidas de futebol em Madri e diversas propostas de trabalho em… minas.
Sobrou até para as esposas, que ganharam um Dia de Princesa e lingeries novas para ciceronearem os maridos.
Nem isso, no entanto, evitou o surgimento de piadas. Já dizem por aí que o pior do acidente foi a saída: “Se eu fosse mineiro queria continuar soterrado. Era melhor ter ficado nas profundezas do que encontrar um trubufu me esperando lá em cima”.
Sem falar nas inúmeras propostas de participação em programas de TV e comerciais. Sempre lembrando que um deles vai terminar em programas no estilo Márcia Goldschmidt para resolver – diante da plateia raivosa – suas questões maritais.
Qualquer um dos 33 está credenciado para estrelar propagandas dos óculos escuros Oakley, mas as ofertas para campanhas publicitárias variam de cerveja a pílulas para melhorar o desempenho sexual.
Diante de tantas propostas indecentes, uma delas merece destaque. O único boliviano dentre os chilenos recebeu um quase pedido de casamento de Evo Morales: casa, comida e roupa lavada. Mas o boliviano agradeceu e disse que estava muito bem no Chile.
Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a lucidez dos mineiros essa é a prova definitiva.
Parabéns, Chile!

2010/10/13

CARNE BEM-PASSADA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:25

Restaurantes e lanchonetes temáticas sempre foram (e serão) tema neste blog. Antes de se hospedar no WordPress, o “O Mundo Gira, a Lusitana Roda” falou sobre o “Banheiro Moderno”, em Taipei – em que os clientes comiam sentados em privadas e usavam papel higiênico no lugar do guardanapo – e sobre o “Buns and Guns” (“Pães e Armas”), em Beirute, que lembra um posto militar e tem até som ambiente que reproduz tiroteios.
Mais recentemente conhecemos o mais bizarro de todos, o “Rectum Bar”. Montado nos arredores do “Vienna Museum”, na Áustria, ele tem a forma de um sistema digestivo e é conhecido como “Bar Ânus”.
Agora a descoberta do “Hospitalis”, restaurante que funciona em Latvian, capital de Riga, na Letônia.
Aberto há cerca de dois anos, o local é ideia de três médicos aposentados e é basicamente decorado como uma sala cirúrgica do “Plantão Médico”.
Fãs do seriado podem saborear pratos entre esqueletos, macas e telões que exibem trechos de filmes com cenas em hospitais.
O restaurante de dois andares oferece vários ambientes. Além da sala de cirurgia, é possível escolher uma “mesa” num local que imita o consultório de um dentista ou numa área que recria um consultório ginecológico. Para compensar quaisquer constrangimentos, nesse ambiente há uma banda tocando música ao vivo.
O cardápio consiste numa seleção de iguarias europeias e saladas. A entrada com uma bebida sai por cerca de U$ 27 (cerca de R$ 46).
Além do menu tradicional, o “Hospitalis” serve opções para quem foi ao local justamente afim de experiências fortes. Entre os pratos, fígado de codorna recheado preparado de forma a parecer que foi recém-extraído de alguém.
Antes de pedir qualquer item deste menu alternativo, o cliente precisa assinar um termo dizendo que está ciente de que o fígado recheado não é o seu próprio órgão.
Mesmo quem opta pelos pratos “normais” precisa comer com seringas, bisturis e outros instrumentos cirúrgicos.
As bebidas são servidas em frascos de amostras de exame ou em sacolinhas de soro (quem já tomou “Muppy” quando era pequeno tira de letra essa experiência).
O “Hospitalis” tem ainda um agrado para clientes-masoquistas. Eles podem se candidatar a serem amarrados a camisas-de-força e receberem comida na boca de enfermeiras com trajes ínfimos.
Quanto tempo vão demorar para inaugurarem um restaurante-mina no Chile?

Confiram fotos do “Hospitalis” AQUI

2010/10/12

PILOTO AUTOMÁTICO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:57

Quando éramos pequenos sonhávamos em ter uma vida como a dos Jetsons. Eles apertavam um botão e a comida estava pronta. Apertavam outro e a cama estava arrumada. Saíam para o trabalho numa cápsula – que apesar de moderna e espacial alimentava nossa ingenuidade infantil soltando uma fumacinha pelo escapamento.
Vivíamos ansiosos para que esse amanhã tecnológico pintado pelos Jetsons chegasse logo.
Mas estamos muito próximos disso. Vira-e-mexe são publicadas reportagens sobre as casas do futuro, nas quais será possível encher a banheira ou regular a temperatura da água do chuveiro com um simples toque de celular. Até os carros andarão sozinhos.
Carros autônomos: este é o tema de uma matéria publicada nesta semana pelo “The New York Times” que trata dos automóveis inteligentes que estão sendo testados pela equipe do Google.
Apesar de o projeto ser mantido em segredo, os veículos estão sendo experimentados às claras por ruas e rodovias americanas. Eles chegaram a percorrer mais de 1.600 km sem a intervenção humana.
Segundo engenheiros e cientistas envolvidos no estudo, esses carros estão longe de serem produzidos em série, mas eles sonham em transformar a sociedade da mesma forma que a Internet.
Graças a um software de inteligência artificial capaz de identificar qualquer movimento ao redor do carro e imitar as decisões do motorista, os automóveis se guiam sozinhos. Necessitam apenas de alguém atrás do volante para o caso de algo sair errado. Além dele, um técnico no banco do passageiro monitora o sistema de navegação.
Sete carros já foram testados. São dois modelos: um Toyota Prius e um Audi TT – ambos equipados no melhor estilo Dr. Brown de “De Volta Para o Futuro”.
Um “se dirigiu” sozinho pelas ruas de São Francisco – uma das cidades mais íngremes e curvilíneas dos Estados Unidos. O único acidente, relatam os engenheiros, aconteceu num farol, quando o Google Car foi batido na traseira enquanto aguardava o sinal verde.
Apesar do imprevisto, segundo os engenheiros, os robôs-motoristas reagem mais rapidamente do que humanos, têm uma percepção 360 graus e não se distraem por causa do sono ou por ingestão de bebida alcóolica.
Os carros circulam no limite de velocidade – a velocidade máxima de cada via já está incluída no banco de dados. O equipamento em cima do veículo produz um mapa detalhado de cada lugar percorrido.
Durante o percurso, uma voz feminina narra todas as manobras realizadas e avisa o motorista sobre o que vem pela frente: “aproximando-se da faixa de pedestres”. A mesma voz alerta o piloto no caso de o sistema central detectar algo errado.
Outro ponto positivo ressaltado pelos profissionais é que a tecnologia dobra a capacidade das estradas porque permite que os automóveis circulem mais próximos uns dos outros. Sendo menos passíveis de batidas, eles poderiam ser construídos com materiais mais leves, reduzindo o consumo de combustível.
Segundo os cientistas que participaram dos test-drive, os veículos chamam a atenção nas ruas, mas a maioria das pessoas acha que se trata da próxima geração de carros do Google Street View.
Além de uma tecnologia que vai demorar, no mínimo, mais oito anos para ser desenvolvida, o advento dos veículos autônomos esbarra em questões legais. De acordo com as normas de trânsito, um humano deve estar sempre no controle do carro. E outra: no caso de um acidente, quem leva a culpa: o “motorista” ou o criador do software?
Ainda segundo os pesquisadores, para serem totalmente seguros os carros precisam ser muito mais confiáveis do que nossos computadores – que ocasionalmente dão pau ou se infectam com vírus.
Mas a cerejinha do bolo é que os automóveis podem ser programados para motoristas de diferentes personalidades. As opções variam entre “cuidadoso” e “agressivo”.
A reportagem informa ainda que cientistas e engenheiros têm trabalhado em projetos de veículos autônomos desde a década de 60, mas a inovação crucial veio em 2004, com o “Grand Challenge”, desafio de corridas organizado e patrocinado pelo Pentágono.
Realmente o projeto é ambicioso, mas se até as cápsulas dos Jetsons precisavam de piloto, o que dizer de um carro circulando entre as faixas estreitas da 23 de Maio? Ou de um que se espreme entre caminhoneiros e motoboys educados na Marginal Pinheiros? E daquele que fica – na melhor das hipóteses – sem estepe após uma rápida passada por Guaianazes ou Capão Redondo?
Por mais esperto que o carro seja, ele não estará preparado para se desviar dos malucos e criminosos que andam por aí. Precisaremos de um software “made in Brazil” capaz de nos informar coisas do tipo: “trombadinha se aproximando”, “ladrão em fuga dando ré à frente”, “automóvel sem seta”.
Já a possibilidade de programar o perfil do motorista seria de extrema utilidade. Entre as opções, “mode lesma”, “tiozinho”, “tiazinha”, “feirante à paisana”, “boyzinho com som alto”, “falando ao celular”, “twitando” e “mandando torpedos”.

Vejam a matéria completa AQUI

O tema de hoje foi sugestão da leitora Angelica

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