O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/06/30

MAS OS CABELOS…

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:05

É provável que vocês já tenham se impressionado com a semelhança física entre um cachorro e seu dono. É um fenômeno raro que quando acontece nos deixa hipnotizados. Há inclusive inúmeras competições com este tema pelo mundo – dos Estados Unidos a Israel.
A questão da aparência similar entre seres que não são gêmeos se repete também entre casais. Uns são parecidos antes do casório, mas há alguns que, conforme envelhecem, se desenvolvem como naquele clipe de Michael Jackson até o ponto de não sabermos quem é um, quem é outro.
Pois a Ciência já encontrou uma explicação para isso.
Um psicólogo da Universidade de Michigan conduziu um estudo para testar esse efeito-espelho. Robert Zajonc analisou fotos dos mesmos casais em duas situações: antes e depois de 25 anos de casamento.
Os resultados revelaram que quanto mais felizes, mais as duplas se pareciam.
Segundo Robert, isso ocorre porque a tendência entre duas pessoas que são muito próximas é, inconscientemente, imitar a expressão facial uma da outra. Como exemplo, cita que se um parceiro tem um ótimo senso de humor e ri muito, provavelmente vai fazer com que o outro desenvolva linhas de expressão ao redor da boca – iguais às que ele tem em seu rosto.
Outra evidência mostrou que as pessoas se atraem inicialmente por outras com personalidades parecidas.
Em 2006, cientistas da Universidade de Liverpool pediram que participantes de um estudo analisassem fotos de homens e mulheres e adivinhassem suas personalidades – eles não sabiam quem era casado com quem.
Os pombinhos que estavam juntos há mais tempo foram classificados como tendo personalidade semelhante.
Se restam dúvidas quanto à veracidade do ditado “os opostos se atraem”, pelo menos para a Ciência ele é altamente questionável.

Vejam 55 fotos de donos que se parecem com seus cães AQUI

2010/06/29

SMOKE ON THE WATER

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:44

A pauta da reunião na manhã de ontem entre os integrantes da coordenação do governo eram os problemas causados pelas chuvas no Nordeste, mas a conversa resvalou para o futebol e os presentes resolveram se confraternizar organizando um bolão sobre o jogo Brasil e Chile.
Além de Lula e do vice José Alencar, participaram do bolão o chefe de gabinete da presidência Gilberto Carvalho, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Erenice Guerra (Casa Civil), Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Bernardo (Planejamento), Franklin Martins (Secretaria de Comunicação), o secretário-geral da presidência Luiz Dulci, e até um taquígrafo.
O vencedor foi Gilberto Carvalho, o único que acertou o placar de 3 X 0 para o Brasil. O prêmio é uma cachaça “Maria da Cruz”, produzida na fazenda do vice-presidente.
Seria má-fé elaborar um discurso acusatório na linha “o Nordeste indo para o ralo e os políticos se divertindo. Isso é um absurdo. Só no Brasil mesmo”.
Mas não darei esse gostinho aos xiitas. Uma argumentação do tipo soaria leviana por alguns motivos.
Primeiro porque os petistas fizeram o que 9 em cada 10 grupos de brasileiros que trabalham juntos têm feito: bolões de apostas sobre os jogos.
Segundo porque, apesar da tragédia nordestina, os próprios conterrâneos dos atingidos pelas chuvas estão em festa – além da Copa, comemoram o mês mais esperado do ano para eles, o que celebra o São João com muito forró.
Terceiro: bolão de Copa do Mundo é o que de mais inocente e pueril esse pessoal faz.
Por fim, escassez de lágrimas não é falta de solidariedade. Infelizmente o que pode ser feito agora é o mesmo de sempre: educar moradores que continuam a construir casas em áreas de risco, abrigar famílias em ginásios, fazer mutirões de doação de mantimentos, rezar para que não venha mais chuva, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Aliás, por causa desse ataque de fúria São Pedro não merece ganhar presente de aniversário hoje.
O “xis” nesse caso não é a bolsa de apostas, mas o prêmio – ou a divulgação dele. Com exceção de José Alencar – que está perdoado por tudo por causa de seus problemas de saúde –, os demais saem com a imagem arranhada.
Se já não pega bem demonstrar alegria num momento em que muitos brasileiros vivem um drama, o que dizer de uma festa regada a cachaça?
Prudência nunca é demais – principalmente para quem quer ganhar eleição e já brindou com Romanée-Conti.

2010/06/28

SE CORRER O BICHO (NÃO) PEGA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:03

Apenas neste final de semana duas publicações – a “Veja” e a “Newsweek” – trataram do tema obesidade a partir do mesmo enfoque: a epidemia de gordura entre as crianças.
Parece que faltava um comunicado “oficial” para que o assunto deixasse de ser uma questão estética para virar caso de vida ou morte.
Na luta para perder peso fazemos qualquer negócio: dietas mirabolantes, tratamentos médicos e, principalmente, aceitamos uma dose de picaretagem.
A charlatanice desta semana atende pelo nome de “Zombiefit” e foi tema de uma matéria do jornal “Chicago Tribune”: “Zombies as exercise motivation” (“Zumbis como motivação para o exercício”).
A reportagem fala da invenção do professor de ginástica Rich Gatz, de 28 anos, que em outubro do ano passado lançou a nova modalidade. Segundo ele, a prática tem atraído muita gente porque dá ênfase ao “fitness funcional”.
A “Zombiefit” usa como base o “parkour” – uma espécie de esporte francês urbano em que os praticantes saltam muros, telhados e o que mais encontram pela frente.
O professor garante que ninguém que comparece às aulas acredita em zumbis e também assegura que não há nenhum dublê de zumbi nas aulas – as criaturas são invocadas apenas para inspiração. Depois que a ideia surgiu entre ele e seus dois sócios o elemento “zumbi” tomou força.
O trio vai aproveitando o bom momento como pode. O site tem um título sugestivo –“Zombiefit – Exercícios para Sobreviver ao Apocalipse” – e traz dicas para passar incólume pelo “Z-Day”: “seja capaz de levantar e jogar objetos pesados, correr bem rápido e por longas distâncias e atravessar obstáculos urbanos de maneira eficiente”. Afinal, “e se você acordar amanhã e encontrar sua cidade tomada por zumbis? Você sobreviveria? Parece meio infantil, mas se preparando para o impossível você estará pronto para o improvável”.
De fato, sair correndo de forma desesperada, saltar muros, escadas, atravessar telhados e quintais à la Billy Elliot é um ótimo exercício, o pecado é usar o nome dos zumbis em vão. E outra: os adeptos da “Zombiefit” precisam ter em mente que mais do que a brincadeira, treino pesado é fundamental. Zumbis são mortos-vivos, não mágicos.

Conheçam o site AQUI

2010/06/27

DIZEM POR AÍ

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:58

A delicadeza de Dunga com a imprensa já rendeu uma série de comentários e piadas Brasil afora. Desta vez, no entanto, a análise sobre o comportamento de nosso capitão vem de fora.
O “Asylum” – um dos inúmeros sites que servem de fonte para este blog – publicou o seguinte texto: “6 World Cup Coaches Who Look Like James Bond Villains” (“Seis Técnicos da Copa que se Parecem com os Vilões dos Filmes de James Bond”). E, claro, Dunga está na lista.
Segundo o site, mesmo quem não é fanático por futebol pode se divertir com a Copa. Os americanos, por exemplo, usam o torneiro como desculpa para tomar cerveja antes do meio-dia.
A exceção é a abundância de técnicos estranhos e aterrorizantes.
“Por algum motivo – possivelmente uma combinação de atletas de alta costura, fumantes inveterados, portadores de um egocentrismo de olhar penetrante e cortes de cabelo malucos – os técnicos de futebol dão a impressão de que precisam ficar escondidos em ilhas fortificadas se preparando para liberar raios mortais se suas ordens não forem atendidas.
O ‘Asylum’ separou seis chefes de equipe cujos looks estravagantes competem por um papel em 007. A tarefa de vocês é se imaginarem correndo de shorts e obedecendo às ordens deles”:

1. Pim Verbeek (Austrália)
“O holandês é o exemplo perfeito de uma raça de técnicos-atiradores que terminam distante das linhas do mundo do futebol. Ele não apenas lidera os australianos de “bota-pesada” – que destroem o que encontram pelo caminho – como tem o maior número de profissionais de saco cheio que causam dor por razões comerciais. Além disso, há algo de inquietante sobre o nome ‘Pim’”

2. Diego Maradona (Argentina)
“Maradona é não só o melhor jogador de todos os tempos como também é o que de fato vive como um vilão do James Bond na vida real. Ele sai com Fidel Castro? Claro. Passa em cima de repórteres com seu Mini Cooper? Sim. Com sua personalidade grave e extrema, Maradona irá conduzir a talentosa Argentina à imortalidade do futebol ou ao primeiro degrau da mais fracassada e exibicionista Copa da História. De qualquer forma, mullets e barba de lobo são o canal!”

3. Dunga
“Assim como Pelé, Ronaldo e outras adoráveis lendas do futebol de alto nível do Brasil, Dunga usa apenas um nome – e a semelhança com os demais termina aí. Conhecido como um cara duro e sem papo furado durante sua carreira como jogador, seu topete tirânico provocou controvérsias ao remodelar a escalação da Seleção. Em outras palavras, ele planeja comandar seu time como naquele filme violento no Rio, o “Cidade de Deus”. Como alguém pode sambar com um biquini desses?”

4. Matjaz Kek (Slovenia)
Além do fato de “Matjaz Kek” ser o único a ter um nome verdadeiro de vilão de James Bond, o esloveno – que tem a forma de um bolinho de massa cozido – se parece com o que deveria ser o protagonista de um excêntrico movimento político pós-Iugoslávia. Este é o rosto ideal para figurar em outdoors de 15 metros de altura”

5. Bob Bradley (Estados Unidos)
“Nós podemos até não ter o mais glorioso dos pedigrees futebolísticos, mas podemos ter orgulho de ter produzido o mais esquelético e enervante técnico da Copa de 2010. A cabeça tosquiada, o semblante ossudo e gelado, o olhar impenetrável e concentrado de Bradley são as únicas vantagens competitivas do time norte-americano. Porque ele literalmente congela a alma dos adversários”

6. Kim Jong-Hun (Coreia do Norte)
“Vamos assumir que este cavalheiro não é parente direto do carismático e intrigante líder da República Democrática da Coreia – quando o assunto é a Coreia do Norte você nunca pode ter certeza. O bobo cartão internacional da diplomacia nuclear é também o mistério da Copa. Escalado para enfrentar potências como Brasil e Portugal no ‘Grupo da Morte’, é bem provável que o time de jogadores desconhecidos e sem a mínima experiência internacional seja destruído. Por outro lado, eles têm o ‘espírito da autoconfiança’ a seu lado e também alguns ‘incentivos’ para jogarem bem”.

2010/06/26

PÂNICO NA TV

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:37

Esta semana estava matutando sobre o pavor que me causava “ET, o Extraterrestre”. Mesmo sendo uma criatura “do bem”, ele perturbou meu sono e o de meu irmão por alguns anos.
O ET funcionava como uma ferramenta de tortura. Bastava gritar “o ET está aí em cima!” para que ele subisse desesperado e com os olhos esbugalhados – provocação devolvida em poucos dias.
Nada era capaz de me causar mais taquicardia – ao contrário de meu irmão, que morria de medo da zebra que anunciava os resultados da Loteria Esportiva no “Fantástico”.
Agora estou curada. Tenho medo de coisas e pessoas reais – com voz de boazinhas, principalmente.
Hoje, por acaso, encontro os estudos da professora Joanne Cantor, da Universidade de Wisconsin, que trata justamente do pavor que as crianças sentem e a relação delas com a mídia. A autora conclui que a TV pode sim ter efeitos prejudiciais consideráveis sobre o bem-estar emocional das crianças.
Joanne Cantor é especialista em psicologia na mídia e autora de diversos livros sobre o assunto, como “’Mommy, I’m Scared’: How TV and Movies Frighten Children and What We Can Do to Protect Them” (“Mamãe, Estou Com Medo: Como a TV Amedronta as Crianças e o Que Podemos Fazer Para Protegê-las”).
Ela também desenvolveu um estudo interessante em 2004: “I’ll Never Have a Clown in My House – Why Movie Horror Lives On” (“Nunca Terei Um Palhaço Em Casa – Por que o Terror Sobrevive”).
Durante três anos (1997–2000) Joanne analisou 530 dissertações de estudantes sobre o tema. Eles poderiam falar de suas próprias experiências ou de situações que presenciaram. Quase todos relataram seus próprios temores. Cerca de 91% descreveu reações causadas por obras de ficção ou de fantasia citando filmes como “Tubarão”, “Poltergeist”, “A Bruxa de Blair” “Psicose”, “It” (no Brasil traduzido como “Uma Obra-Prima do Medo”) e “A Hora do Pesadelo”.
Metade dos estudantes disseram que tiveram problemas na hora de dormir e 75% carregaram seus medos para a fase adulta.
Entre os que admitiram o pavor, vários falaram da dificuldade de nadar em lagos, piscinas e mares depois de terem assistido “Tubarão”; medo de árvores após “Poltergeist”; um certo distanciamento de campings e florestas depois de “A Bruxa de Blair”; ansiedade em ficar em casa sozinhos após “Pânico”; e desconforto com palhaços.
De acordo com a professora Joanne, crianças tendem a sentir medo em situações em que humanos se metamorfoseiam em lobos ou outros animais. Já os adultos se impressionam mais com aliens.
E vocês? Têm medo de quê?

2010/06/25

NÃO É BRINQUEDO NÃO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:51

A estreia de “Shrek Para Sempre” está envolta numa incerteza cruel: ainda que seja a última, a sequência terá fôlego para prender a atenção do público depois de continuações que deixaram a desejar?
Enquanto o monstro verde treme na base, a franquia “Toy Story” saboreia com tranquilidade os bons frutos que tem produzido. A safra mais recente  – “Toy Story 3” – mostra mais uma vez que ainda não precisa de agrotóxicos para atrair seus fregueses.
Em parte, porque os produtores não sofrem do mal que parece contaminar grande parte dos profissionais que lidam com animação, que é deixarem-se deslumbrar com as facilidades tecnológicas e causarem prejuízo à história.
Agora, o foco é no drama dos brinquedos. Eles se dão conta de que seus donos cresceram e que eles só têm duas opções na vida: serem doados para uma creche ou irem para o lixão.
A Pixar usa a que talvez seja a maior arma da Disney: a identificação do público adulto com a história. Ter de dar um destino aos brinquedos é uma situação pela qual todos já passaram.
“Toy Story 3” mantém a inventividade, o humor e continua despertando a sensação de quero mais. Mas a cerejinha desse bolo é a inclusão de duas novas personagens: Barbie e Ken.
Ao lado de figuras já conhecidas – como Woody, o casal Cabeça de Batata, BuzzLightear e a “cowgirl” Jessie – o casal é responsável pelas situações mais engraçadas do filme.
Abandonada por sua dona, Barbie encontra Ken vivendo numa creche habitada por outros brinquedos igualmente desamparados. É amor à primeira vista.
Ao contrário de seus vizinhos – que se espremem em caixas – Ken mora na Casa dos Sonhos e conta com um elevador só para ele. Além disso, tem a típica pele de quem é vítima do bronzeamento artificial, carro da moda e mesmo com um closet chiquérrimo, usa as echarpes da namorada.
A presença de Ken em “Toy Story 3” é um achado.
Altamente recomendável.

2010/06/24

O TERROR DAS ARTÉRIAS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:38

O mistério que envolve a paixão dos norte-americanos por bacon já foi tema de um post neste blog no ano passado – e é um fenômeno que segue sem explicação.
Para alimentar ainda mais a discussão, aconteceu neste final de semana em Ann Harbour, Michigan, o “Camp Bacon”, evento para amantes de toucinho.
Ari Weinzweig, co-fundador do encontro, explica no site que apesar de ele já falar sobre o assunto há muito tempo – é autor do “Guide to Better Bacon” – pensou em reunir os “expoentes do mundo do bacon” num único lugar para “conversar, comer, curtir e até brincar com o bacon”.
Numa entrevista ao jornal “The Washington Post”, Ari – que é de família judia e só conheceu bacon aos 21 anos – disse que pretende ir além do “I love bacon”. “Quero que as pessoas conheçam as diferenças entre os tipos e saibam como usá-los”.
Pete Sickman-Garner, diretor da festa, a definiu como a “Davos do Bacon”.
Além de inúmeros gordinhos, autores, chefs, donos de bares e restaurantes, o evento contou também com um toque de “cultura” através da leitura de poemas sobre o ingrediente e uma performance de um cantor de “rhythm and blues” de 73 anos que escreveu uma música chamada “Bacon Fat” em 1956.
Cada visitante pagou quase R$ 300 para participar da festa, que começou com um “Bacon Bingo”. Na cartela, no lugar dos números, termos como “fatia grossa”, “triturado” ou “fatia fina”.
Tung-Hui Hu – professor da Universidade de Michigan – declamou o poema “Curing Images and Pork”. Jan Longone – curador da biblioteca sobre a história da culinária americana na mesma universidade – fez uma apresentação em Powerpoint sobre a história do bacon, falou dos pratos tradicionais em cada Estado americano e declamou uma poesia do humorista Ogden Nash:

“Se não me engano, o porco
nos fornece linguiça, presunto e bacon.
Deixo os outros dizerem que seu coração é grande,
mas acho que é estupidez do porco”.

Não chega a ser estupidez dessa gente se reunir em torno do toucinho. Afinal, há muita gente por aí se levando a sério quando o assunto é vinho, queijo, chocolate e café. Deixemos os “baconmaníacos” em paz.

Visitem o site do evento AQUI

2010/06/23

VIVENDO E APRENDENDO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:35

Soa absurdo lançar um livro ensinando o padre a rezar a missa ou o brasileiro a saborear feijoada, mas um alemão que dá lições de como comer salsicha pensou diferente e está faturando com o que parece óbvio.
“The Essential Weisswurst Etiquette Guide” (“O Guia Essencial da Salsicha Branca”), de Werner Sieger, é o resultado de 30 anos de estudos do embutido. Nele, o autor dá dicas de como bem comer a “bavarian weisswurst”.
O livro foi lançado em 2003 na Alemanha com grande sucesso e acaba de ganhar versões em inglês e japonês igualmente bem-sucedidas.
Segundo Werner, saborear uma “weisswurst” é uma experiência única que junta as pessoas e a maioria dos alemães perdeu a noção da etiqueta que envolve esse acontecimento.
“É essencial ter três weisswurst por porção, e não duas ou quarto. Além disso, elas não devem ser comidas depois do meio-dia”, explica Werner, que conta que essas tradições vêm desde quando as pessoas não tinham geladeira e as salsichas precisavam ser consumidas antes de estragarem.
Outro ponto importante são os acompanhamentos. “Uma mostarda forte é fundamental, assim como o vinho tinto é para a massa ou o pretzel para a cerveja clara”.
O livro conta que nenhuma salsicha é mais envolta em tradição e respeito do que a “weisswurst” – produzida desde o século 14 no coração da “região salsicheira” da Bavária. Originalmente preparada por camponeses humildes que tinham apenas uma vaca, era feita a partir da carne temperada de bezerros indesejados e depois colocada nas tripas.
Entre os conselhos de Werner há espaço até para o sobrenatural. Segundo ele, os alemães creem que o jeito com que uma pessoa come uma salsicha revela muito sobre sua personalidade. “Muitas amizades chegaram ao fim durante refeições com ‘weisswurst’ em que alguém pedia catchup, chucrute ou um copo de limonada”.
Mas a dica mais curiosa é sobre a técnica para comê-la: retirando o invólucro e sugando a carne.
Werner admite que a prática pode ser meio nojenta para quem assiste, mas os costumes e os rituais envolvendo a “weisswurst” são parte da herança da Alemanha e precisam ser mantidos.
Que o livro de Werner sirva como exemplo para quem pensa que sabe comer feijoada.
Aliás, uma dúvida: a laranja é para ser comida antes ou depois do prato de feijão?

2010/06/22

PEÇA PELO NÚMERO

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 10:51

Pirenópolis é a Ouro Preto ou a São Luiz do Paraitinga de Goiás.
Localizada a cerca de uma hora e meia de Brasília e tombada pelo Patrimônio Histórico, tem a equação que a enquadra no mesmo grupo das outras duas: ruas com calçamento de pedra + igrejas + casinhas coloridas + cachoeiras + tranquilidade = belo passeio.
O cenário bucólico que serve de palco para festas tradicionais como a do Divino ou as Cavalhadas, também já foi locação para filmes, novelas e em breve ambientará mais um folhetim das seis.
Antes de virar Pirenópolis – ou “Piri” para os íntimos –, a cidade se chamou Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. Nossa Senhora do Rosário porque foi descoberta pelos bandeirantes no dia da santa. Meia Ponte porque metade da ponte sobre o Rio das Almas foi levada por uma enchente.
Piri oferece combos variados – a dúvida sobre a escolha de um combo é a mesma em relação à quantidade de pedreiras que circundam o município. Juntas, representam a primeira atividade econômica da região.
O combo “Aventura” inclui as milhares de cachoeiras em torno da cidade: do Rosário, do Abade, do Lázaro, de Santa Maria, do Coqueiro, da Garganta, dos Anjos ou a Sonrizal. O “Aventura sem Emoção” pode ser uma visita ao Santuário de Vida Silvestre VagaFogo ou uma parada no Morro do Ventilador.
O combo “Histórico” reúne as igrejas do Bonfim, de Nossa Senhora do Carmo e a Matriz de Nossa Senhora do Rosário – que quatro anos após passar por uma restauração foi destruída por um incêndio cujas causas são desconhecidas. Há também a Fazenda Babilônia. Bem mais afastada do centro, já foi um dos maiores engenhos de cana-de-açúcar do Brasil.
O combo “Gastronômico” se desenrola na Rua do Lazer, que conta com várias opções de restaurantes e bares nos quais é possível provar os sabores exóticos de ingredientes locais como o pequi ou o baru – uma espécie de amêndoa.
Já o combo “Vai Rolar a Festa” oferece duas atrações tradicionais: a Festa do Divino – que ocorre 50 dias depois da Páscoa – e as Cavalhadas – uma encenação da batalha entre mouros e cristãos cujos trajes típicos misturam Carnaval e Boi-Bumbá.
Agora é só cruzar combos e informações. Peça pelo número e boa viagem.

Acima, a Cachoeira do Abade. Vejam mais fotos AQUI

2010/06/21

ABRA A BOCA E FECHE OS OLHOS II

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:05

Existem políticos de vários tipos – desde os que têm “um pé na cozinha” até os que dão as caras no banheiro.
Há poucos meses este blog mostrou a intervenção de um artista plástico americano que inventou urinóis temáticos e polêmicos. Entre eles, o “The Presidencial Urinal” – que era o Bush de boca aberta.
Teve gente que deu um passo adiante nessa história – e infelizmente não foram brasileiros.
O grupo conservador “Citizens Against Destruction” (Cidadãos Contra a Destruição”, ao pé-da-letra) lançou algo ainda mais desafiador: higienizadores de mictórios que estampam fotos de políticos. No caso, de Pat McCourt, ex-vereador de Bonita Springs (Flórida).
Pat – que tem a intenção de disputar um cargo ligado ao Corpo de Bombeiros – está servindo de mira para vários frequentadores de pubs da região.
Essa espécie de “Glady Sachê” está sendo anunciada através de email enviados aos moradores de áreas próximas com os seguintes dizeres: “Agora você pode expressar seus sentimentos por Pat McCourt”. O desodorizador sai por cerca de R$ 24.
Gary Mauer, gerente de um dos bares da região, afirma ter removido cerca de seis higienizadores, mas eles reaparecem em questão de horas.
McCourt não comentou o caso. Já o “Citizens Against Destruction” anuncia que seu próximo alvo é Ron Pure, presidente do comitê de impostos de Bonita Springs.
Taí uma boa sugestão para o CQC: espalhar diversos presentinhos desse tipo pelos mictórios do Congresso Nacional.

2010/06/18

LER FAZ MAL À SAÚDE?

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 12:04

O senso comum crê que as pessoas que leem ou se interessam por leitura são mais espertas ou inteligentes do que os demais mortais. A crença pode até ser verdadeira, mas não é a regra.
A associação de vendedores de livros autônomos da Inglaterra realizou entre abril e maio um concurso que põe em xeque a erudição dos leitores.
O concurso “Overheard In a Bookstore” tinha como objetivo colher as situações mais engraçadas ou estúpidas envolvendo perguntas e observações dos clientes. Prêmio: uma caixa de vinho.
Dentre as inúmeros “causos” enviados, os destaques são: 

“The Bookshop”, de  Mold, Flintshire:
Um cliente, ao ver um exemplar de “Great Expectations”:
“Veja, eles transformam em livro todos os programas de TV de hoje…”

“The Corner Bookshop”, de Preston, Lancashire:
“Você sabe dizer se Anne Frank escreveu outros livros?”

“Scarthin Books”, de Cromford, Derbyshire:
– Cliente: sabe, eu sou uma feminista muito convicta
– Vendedor: oi, posso ajudá-la?
– Cliente (com um pedaço de papel nas mãos): você pode me conseguir esses três livros sobre Feminismo?
– Vendedor: sem problemas. Faço o pedido e amanhã eles já estão aqui
– Cliente: meu Deus, os homens são tão mais rápidos com assuntos tecnológicos do que as mulheres…

“The Forest Bookshop”, de Coleford, Gloucestershire:
Uma mulher se aproxima do balcão segurando um exemplar de um livro de David Copperfield e pergunta:
– “Charles Dickens escreveu versões mais compactas de seus livros?”

A vencedora foi a livraria “Scarthin Books”, localizada na vila de Cromford, em Derbyshire, na Inglaterra:
– Cliente: oi, recentemente eu comprei um bote de madeira e gostaria de saber se vocês têm algum livro que ensine como reformá-lo.
– Vendedor (com vários livros de segunda-mão sobre o assunto): sim, sim, na verdade nós temos um chamado “Como Restaurar seu Barco de Madeira”, de Don Danenberg.
– Cliente: mmmm… Não é exatamente o que estou procurando…

Será que esse povo anda lendo tanto que acaba misturando as estações?

P.S.: novos posts na segunda-feira. No fim-de-semana estarei em Pirenópolis. Até!

2010/06/17

A TURMA DO PICA-PAU

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:21

Após a partida Brasil x Coreia do Norte, o comentário dos milhares de “analistas” era um só: o de que faltou à Seleção o jogo malemolente e divertido que são caracteríticas nossas. Muitos deles criticaram a pouca criatividade, a apresentação burocrática e a ausência do “futebol-arte”.
Os boleiros, no entanto, se esquecem de dois dados importantes: não estamos na década de 70 e o Brasil não é mais o único país a tratar o futebol como assunto de vida ou morte. O cenário é completamente outro. Os salários dos jogadores mudaram, bem como os interesses dentro e fora de campo e a tecnologia do esporte. Hoje até a bola é chamada pelo nome.
O futebol evoluiu, mas os comentaristas pararam no tempo.
Diante da indústria em que se transformou o futebol, há que se encontrar novos critérios para avaliarmos o desempenho dos craques atuais. Garrincha e Pelé davam show em campo porque a concorrência era café-com-leite – havia espaço de sobra para brincar de bobinho dentro da área. Pronto, falei.
Mas não estamos sós nesta reclamação sobre nossos atletas. Os mexicanos podem dizer coisa semelhante de seus toureiros.
Aconteceu no domingo, na Cidade do México, e parecia cena de desenho do Pica-Pau. Diante de uma arena lotada, ao ser confrontado com o bichão, o toureiro Christian Hernandez não teve dúvidas: saiu correndo. Levantando fumacinha e tudo. O clima pesou. Tanto, que esse aprendiz de “el matador” quase acaba atrás das grades por quebra de contrato.
Depois do susto, ao ser entrevistado pelas TVs locais, reconheceu que teve medo e achou melhor voltar atrás: “I didn’t have the balls”. Bravo, Christian!
Assistindo às imagens novamente, tive pena do toureiro – que para completar ainda usava um uniforme rosa. Se não for alvo de piadinhas pelo fato em si, o será por causa da roupa.
No Brasil a chance de tudo isso acontecer é zero. Primeiro porque nossos atletas dificilmente admitem seus erros. Depois, porque se nem jogador envolvido com o tráfico é preso, vão algemá-lo por não ter feito gol?

Vejam o toureiro em (falta de) ação AQUI

2010/06/16

TUDO SEMPRE IGUAL

Filed under: Vox populi — trezende @ 09:09

Hoje vamos dar um tempo da euforia gerada pela Copa do Mundo para encarar a realidade – para muitos depressiva.
Segundo uma reportagem publicada ontem pelo jornal “Daily Mail”, dois terços das mulheres britânicas estão completamente insatisfeitas com suas vidas – mesmo tendo um Beckham para enfeitar o banco de reservas.
O levantamento mostra que a maioria delas está feliz nos relacionamentos, mas 46% reclama de insatisfação com a vida social. Quatro em cada dez odeiam seus empregos e o mesmo número fala que seria mais feliz se pudesse tirar férias. Nove entre dez reconhecem que estariam menos aborrecidas se soubessem como ser mais espontâneas.
A pesquisa foi realizada pela “Florette Fruit” – marca de vegetais frescos prontos para servir – e feita logo após a constatação de que as mulheres são duas vezes mais propensas ao estresse do que os homens. De acordo com o estudo, a culpa é de nossas constantes mudanças hormonais.
Elaine Smith, gerente de marketing da empresa, diz que as mulheres estão tão ocupadas tentando conciliar tudo – trabalho, família e vida social – que acabam não tendo nada. “O resultado não é surpreendente. Elas perderam aquele senso de cair e levantar para fazer algo diferente”.
É possível que números e queixas parecidas se repitam por aqui. No entanto, um dado é praticamente verdadeiro entre nós, brasileiras: o de que 44% das mulheres têm muita inveja de certas colegas e desejam ter a mesma casa monumental, bom salário, férias em lugares exóticos e relacionamentos românticos.
“A inveja é uma m…”, já diz o sábio adesivo.
A partir da revelação de que as mulheres gostariam de ser mais espontâneas, a “Florette Fruit” lançou um desafio que, obviamente, envolve o consumo de seus vegetais frescos. O “14 Day Fruity Challenge” encoraja as mulheres a consumirem alimentos saudáveis por 14 dias. Ao fim da experiência, começar a dizer sim a qualquer oportunidade que aparecer.
Quem já assistiu à comédia “Sim Senhor”, com Jim Carrey, sabe que os resultados podem ser desastrosos.

Top ten do que mais chateia as mulheres:

1. Rotina
2. Falta de vida social
3. Emprego
4. Falta de férias
5. Tarefas domésticas
6. Aparência
7. Más notícias
8. Comer as mesmas coisas sempre
9. Casa
10. Responsabilidades

Top ten do que elas gostariam de fazer:

1. Ir ao aeroporto e pegar o primeiro voo para qualquer lugar
2. Emigrar
3. Dizer às pessoas o que elas realmente pensam
4. Pedir as contas sem ter um novo trabalho em vista
5. Mudar radicalmente o corte de cabelo
6. Colocar a casa à venda e comprar uma nova
7. Tentar algo novo na cama
8. Voltar a estudar
9. Colocar silicone
10. Cantar em público

2010/06/15

PRATO DO DIA

Filed under: Matutando — trezende @ 08:46

Não acompanhar o “Brasileirão”, o “Paulistão” ou qualquer outro “ão” tem um lado ruim: imaginamos que só porque é Copa do Mundo estaremos diante de plenas demonstrações de futebol-arte.
Bastou assistir à pelada Camarões x Japão para entender que até a Copa tem seu momento Ferroviária x União São João.
Atenção: não se deixem levar pelas caras de conteúdo dos homens ao assistirem uma disputa como essa. Faz parte da tentativa de vender a ideia de que é preciso “entender” de futebol para comentá-lo. Que nada. Jogos-várzea são importantes para exercitarmos nosso poder digressivo.
As sugestões começam na escalação dos times. A sensação de ouvir os nomes dos japoneses é a mesma que temos ao percorrer uma prateleira de eletrônicos na rua Santa Ifigênia: Nakazawa, Yano ou Okazaki? Qual marca é a melhor? Não sei, assim como os atletas japoneses, nenhuma delas inspira a menor confiança.
E a seleção de Camarões então? É preciso ser muito macho para dividir a mesma grama com um armário de dois metros de altura chamado “Chupô-Mutin”. Ronaldo amarelaria? Ou se lembraria com carinho da finada Andréia Albertini? Que Deus o(a) tenha.
O jogo começa bonito, com correria de ambos os lados. Os japoneses – que sabidamente se espremem em casas-cápsula – não escondem o contentamento de poderem realizar suas Change-jogadas num tapetão daqueles. Change Dragon e Change Pegasus, digo Honda e Tanaka, são só alegria.
Não demora muito surge o único gol da pelada. É de Honda – que se fosse Kawasaki teria feito diferença no placar. O esquadrão Pokémon vai à loucura.
No segundo tempo, já com um cheirinho de sushi de camarão no ar, o técnico tenta salvar seu elenco apresentando novos ingredientes à mesa. Entram Emaná (“Com Manah, adubando dá”) e Geremi – que como não é nem salvador e nem profeta, consegue livrar seus companheiros da faca afiada dos ninjas.
O resultado é um delicioso camarão no Aji-No-Moto. O segredo? É o amoooor!

2010/06/14

ANOS REBELDES

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:05

Atire a primeira pedra quem nunca encontrou uma foto “seu passado te condena” durante uma limpeza de gavetas num domingo chuvoso.
Aliás, esses registros nunca vêm sozinhos. Quem acha um, acha toda uma série que não pode ser divulgada nem para a família nem para os melhores amigos. A solução é se olhar no espelho e perceber que o tempo passa e nós mudamos (sempre) para melhor.
É com esse propósito que surgiu o site “Before You Were Hot” (“Antes de Você Ser Sexy”), cujo subtítulo explica tudo: “Because every swan was once an ugly duckling” (“Porque todo cisne já foi um patinho feio”).
O blog vale a visita porque não apela para o “humor-Pânico” – o que faz piada fácil e previsível com o feio, o gordo, o desdentado. É sim uma maneira divertida de considerarmos a hipótese de compartilharmos nossas piores poses, olhares, mullets, ombreiras, polainas, calças de cintura alta e outros modelitos altamente questionáveis com o mundo.
O blog tem apenas um mês de vida e na semana passada foi tema de uma matéria no “The Early Show” – programa da CBS que provavelmente serviu de inspiração para o “Manhã Maior” e outros do gênero papo furado + sofá.
(P.S.: a foto acima é de um dos apresentadores, Dave Price).
A ideia do “Before You Were Hot” é das amigas Melissa Walker e Anne Ichikawa, que contaram que ao remexer fotos antigas encontraram imagens de fases desajeitadas e perceberam “que todo o mundo já teve o período brega com cabelo absurdo”.
No site elas convocam os leitores a enviarem suas não-tão-sexy fotos. “Aquelas antes de vocês virarem os clones de Brad Pitt ou Angelina Jolie que são hoje. Pontos-bônus para fotos com permanentes ou aparelho-capacete”.
Os posts são divididos em várias categorias, como “óculos incríveis”, “franjas”, “permanentes”, “dentes” ou “o que há de errado com a calça?”.
Cada foto é acompanhada de uma explicação – geralmente tão boa quanto a imagem.
Uma delas, de uma leitora chamada Laura, diz: “Num dia antes dessa foto meu pai resolveu me levar pra cortar o cabelo, que estava na altura dos ombros. Ele me levou num barbeiro, que disse que eu tinha lindas orelhas e me sugeriu um corte cogumelo”.

Visitem o site AQUI

2010/06/13

PRO CAMPO AGORA EU VOU

Filed under: Matutando — trezende @ 08:27

Tudo bem que ele não quis colocar na Arca o Ganso, o Pato, o outro “peixe” e toda a bicharada que, dizem, não poderia ter ficado de fora do time que representa o Brasil na Copa.
É até compreensível a dificuldade de marcar posição num país em que 200 milhões de pessoas têm um quê de técnicas da Seleção Brasileira.
Mas a “excentricidade” do professor já passa dos limites – faz tempo que ele deixou de ser Dunga ou Mestre para se transformar em Zangado.
Primeiro foi a cara feia. Depois, a proibição de quaisquer contatos entre os jogadores e a imprensa. Agora, os treinos fechados.
Em breve, vai pedir que as refeições sejam passadas por debaixo da porta – não sem antes os garçons serem obrigados a pronunciar a palavra mágica que dá acesso aos apartamentos.
As seleções dos Estados Unidos e da Inglaterra contam com um forte esquema de segurança. Não estão hospedadas, mas escondidas. Os ingleses, dentro de um quartel. Os americanos, num hotel-bunker atrás de um morro misterioso, junto com bichos selvagens.
Moral da história: o policiamento não conseguiu evitar o frango do goleiro inglês. Dunga deveria pensar nisso. Se repressão ganhasse jogo…
O que pode ser pior do que a atual saia-justa em que se meteu o guardião do gol da Inglaterra? E outra: o que é uma derrota na estreia para quem já viu Ronalducho amarelar e Roberto Carlos arrumar a meia em jogos importantes?
A paúra de Dunga pode ter várias motivações. Uma delas é o medo de criticarem seu estilo de vestir.
Quanto a isso, nosso técnico pode ficar despreocupado. Maradona já atraiu todos os flashes ao atender um pedido das filhas e se apresentar cheio de pompa em seu primeiro jogo.
Ou não. Ou talvez Dunga tenha realmente razões para ficar aperreado – não sabe a peça que a filha estilista vai lhe pregar. Literalmente.
Dunga também nem precisa esquentar a cabeça com a previsão de temperatura abaixo de zero para Brasil x Coreia do Norte. Sua orelha já está quente há pelo menos um mês – e esquentando cada vez mais.
Agora só falta mesmo mostrar que tem as costas quentes.
Recado para Dunga: qualquer coisa, a culpa é da bola.

2010/06/12

O VIRA-LATA CHEGOU

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 11:07

Um dia depois de matarmos as saudades do “Homem de Ferro”, uma sugestão para a Marvel Comics: o “Shadow Hare”, um super-herói de Cincinnati – cidade americana do Estado de Ohio.
“Armado” com algemas, pistola de plástico e spray de pimenta, há mais de dois anos esse “Coelho das Sombras” vaga pela cidade com a promessa de varrer o crime das ruas.
Ele diz fazer parte de um grupo chamado “Aliança de Heróis”, que inclui outros salvadores da pátria, como “Aclyptico”, que age na Pensilvânia, “Wall Creeper”, no Colorado, “Master Legend”, na Flórida, e “Mr. Extreme”, em San Diego.
No momento, “Shadow Hare” revela estar trabalhando em conjunto com “Mr. Extreme” para tentar pegar um estuprador.
Assim como nós, a polícia de Cincinnati parece não levar o grupo a sério – mesmo após câmeras de segurança terem flagrado alguns deles ajudando sem-tetos pela cidade.
A identidade de “Shadow Hare” é desconhecida, mas ele diz ter 21 anos, morar em Milford – cidade de Ohio –, ter sofrido abusos na infância e morado em creches.
Uma reportagem do jornal britânico “Telegraph” afirma que “Shadow Hare” não é o único a trazer ao mundo real a paixão dos americanos por personagens de quadrinhos.
De acordo com o jornal, em Nova York há um grupo que se autodenomina “Super-Heróis Anônimos”. Entre eles, o “Red Justice” – um professor que pede às pessoas que cedam seus lugares no metrô –, a “The Cleanser” – uma mulher que recolhe o lixo das ruas vestida com capa e luvas amarelas –, e o “The Super” – que se veste de verde e ajuda pessoas que são vítimas de encanamentos malfeitos.
No Brasil vamos precisar de uma verdadeira “Liga da Justiça” para dar conta de tanto descaso das autoridades. Sugestões para os nomes dos super-heróis brasileiros?

Assistam a uma reportagem da CNN sobre os super-heróis de Cincinnati AQUI

2010/06/11

DE FERRO SIM, MAS COM CORAÇÃO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:36

É um pássaro? É um avião? Não, as duas coisas juntas: é “Homem de Ferro 2”, uma ótima pedida tanto para quem não é fã de quadrinhos quanto para quem não assistiu à primeira adaptação cinematográfica do personagem da Marvel.
Apesar de o impacto não ser o mesmo, por motivos óbvios, a sequência consegue manter o bom nível do filme anterior, com efeitos especiais cada vez mais surpreendentes e cenas de ação que não levam o espectador a considerar a hipótese de dar uma volta e só retornar depois que tudo estiver silenciado.
Desta vez são as mazelas físicas e sentimentais de Tony Stark que dominam a história.
Grosso modo, seu coração energizado está inflamado, espalhando toxinas por seu corpo, e ele precisa encontrar uma maneira de resolver a infecção. Além disso, crê que seu pai foi um homem frio e calculista e vive num chove-não-molha com a namorada (Gwyneth Paltrow).
O diferencial de “Homem de Ferro 2” são as boas tiradas de humor. A sequência mais divertida é a que mostra a bebedeira de Tony Stark durante sua festa de aniversário.
Pateticamente vestido com a armadura, ele bebe todas, fica chapado e cambaleante contando piadas. A festa só termina no dia seguinte com ele comendo um donut no alto da placa da lanchonete e ainda tendo sua atenção chamada pelo amigo e super-herói Nick Fury (Samuel L. Jackson): “Saia dessa rosca, Stark!”.
A ótima trilha sonora – uma coletânea de 15 músicas do AC/DC – funciona como moldura para um elenco bem mais estrelado do que o da primeira versão. Além de Gwyneth Paltrow e Samuel L. Jackson, conta com Don Cheadle, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Jon Favreau – que atua e cuida da direção – e uma participação-relâmpago de Stan Lee.
Robert Downey Jr. continua lindo e carismático e Mickey Rourke prova que renasceu das cinzas.
Ainda sem conseguir se livrar de personagens que no fundo são ele mesmo, desta vez Rourke interpreta o vilão russo Ivan Vanko, um brucutu musculoso e tatuado que nos dá a sensação de ter acabado de comer uma chuleta. Rourke passa o filme INTEIRO com um palito de dente na boca.
O ator – apaixonado por cachorros – pediu aos produtores que seu vilão pudesse ter algum animal de estimação. Em vez de um chihuahua, conseguiu contracenar com uma cacatua.

Momento “É Nóis na Fita”: A escultura em bronze que aparece na casa de Tony Stark é “O Homem Caminhando”, do artista Alberto Giacometti. Ela pertence à socialite brasileira Lily Safra e foi arrematada na Sotheby´s de Londres por mais de 100 milhões de dólares.

2010/06/10

PÃO É NA PADARIA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:20

Trufa branca, flor de sal defumada, foie gras ou barriga de atum gordo são reconhecidamente alimentos raros e caros, sonhos de consumo até dos bilionários. Mas tem gente tentando elevar o pão nosso de cada dia a essa categoria.
Esta é a aposta de Tom Herbert, padeiro britânico e proprietário da padaria chique “Hobbs House Bakery”, com várias unidades espalhadas pela Inglaterra. Ele acaba de lançar o “Pão do Pastor”. Preço: 21 libras (cerca de R$ 60).
Apesar do preço, o padeiro tem vendido mais de 100 unidades do produto toda semana.
Entre os compradores, a atriz Liz Hurley, o artista britânico Damien Hirst e Keith Allen – o pai da Lily Allen, que também é cantor.
Tom Herbert reconhece que o valor é um pouco salgado, mas alega que seu pão é uma obra de arte: “Uso uma farinha especial que foi trazida à Inglaterra pelos romanos. Eu não entendo como alguém pode gastar 20 libras num queijo de qualidade e comê-lo com um pão de supermercado. Isso não faz sentido pra mim”.
Se Tom Herbert conhecesse a baguete do Carrefour em seus tempos áureos, quentinha e crocante, saboreada aos nacos em meio aos corredores, não diria isso.
O padeiro gastou seis meses desenvolvendo a receita e chegou a um resultado em outubro do ano passado.
O pão – que tem 25cm x 25cm, 10 cm de altura e pesa 2 kg – demora dois dias para ficar pronto. O fermento é uma receita de família há 55 anos.
Como padeiro, Tom Herbert é um ótimo vendedor. “As pessoas se esquecem de que 90% dos pães que existem por aí são feitos em série e tecnicamente não deveriam ser chamados de pão. Não há fermentação, não leva ingredientes naturais e nem é trabalhado manualmente durante todo o processo”.
Se Tom Herbert conhecesse os pães franceses que encontramos por aí – amassados pelo diabo em pessoa – não diria isso.
O fascínio pela “obra de arte” de Tom (que também é um pão, vejam aqui), contaminou até a BBC, que parece ter feito um teste para transformá-lo em um novo Jamie Oliver. Em março o canal exibiu um programa que mostrava a jornada do padeiro pelo interior da Inglaterra em busca dos ingredientes perfeitos.
A atração exibiu a passagem de Tom por Cornwall – onde entrevistou um arqueólogo para entender como seus antepassados faziam pão –, Gloucestershire – lá se encontrou com um professor que é uma autoridade em história do pão – e Salford – visitando uma padaria administrada pela terceira geração de uma família judia.
O “Pão do Pastor” pode até ser saboroso, mas pagar R$ 60 por um pão é quase uma agressão.
Pai, perdoai as ofensas de Tom Herbert.

2010/06/09

OBSESSÃO FELINA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:23

A notícia de hoje é para não deixar nenhuma dúvida de que o Homem é um animal – alguns deles, irracionais.
Segundo uma reportagem publicada ontem pelo “The Wall Street Journal”, até os felinos mais ferozes se transformam em meigos gatinhos distraídos quando sentem o cheiro do “Obsession for Men”, da “Calvin Klein”.
Em 2003, Pat Thomas – curador da “Sociedade Protetora da Vida Selvagem” no Zoológico do Bronx, em Nova York – resolveu se aprofundar em sua observação. Trabalhando com 24 fragrâncias e dois guepardos, estudou quanto tempo os bichos demoravam para sentir o cheiro e quanto tempo “interagiam” com ele – a matéria diz que é comum os zoológicos borrifarem perfumes e colônias em brinquedinhos e até nas árvores para manter certas espécies confinadas.
Dentre os perfumes testados, o placar de atração foi o seguinte: “Beautiful” (“Estée Lauder”): 2 segundos. “Charlie” (“Revlon”): 15,5 segundos. “L’Air du Temps” (“Nina Ricci”): 10,4 minutos. “Obsession for Men” (“Calvin Klein”): 11,1 minutos – é mais do que o tempo que os guepardos passavam comendo.
Espertos esses gatões. Pois eu poderia jurar que eles se sentiriam atraídos por “Avanço” ou “Rastro”.
Rapidamente a descoberta de Thomas se espalhou entre membros de outras sociedades protetoras de animais e tem ajudado no avanço da biologia selvagem.
Roan Balas McNab, diretor de uma dessas associações na Guatemala, tem usado “Obsession for Men” desde 2007.
O aroma se revelou um ótima ferramenta no estudo que tem como objetivo desvendar o tamanho da população de jaguares numa reserva ambiental maia. Como eles são animais de hábitos reclusos – o que os tornou seres de reverência entre os maias – sempre foi muito difícil realizar a contagem.
Em 14 anos trabalhando na reserva, McNab cruzou com pouquíssimos jaguares. Na era pré-Obsession, entre 30% e 40% das fotos que tentavam registrar as espécies eram inconclusivas porque os bichos passavam rapidamente em frente às câmeras.
Agora os cientistas borrifam um pouco do perfume num pedaço de pano próximo à câmera. Os jaguares – que conseguem sentir o aroma a um quilômetro de distância – se aproximam e ficam tão enfeitiçados pelo odor que quase posam para as fotos.
Diante do achado, a “Sociedade Protetora da Vida Selvagem” do zoológico do Bronx diz ter entrado em contato com a Coty – fabricante do “Obsession” – para patrocínio, mas a empresa não se pronunciou.
No momento, o zoológico do Bronx conta com a ajuda de doações – um vidro do “Obsession” sai por cerca de 60 dólares.
Ann Gottlieb – uma das profissionais que trabalhou na composição do perfume preferido entre os felinos – explica que há vários fatores que atraem os animais. “É uma combinação que causa tensão. Dentre os ingredientes, o almíscar, uma substância expelida por gatos de mesmo nome que desperta sex appeal”.
Se as fêmeas quiserem chamar a atenção vão precisar usar muito “BokaLoka”.

Assistam aos animais enlouquecidos por “Obsession” AQUI

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