O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/03/31

CRISE ROMÂNTICA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:26

Nós mulheres sofremos um duplo golpe nesta semana. Além de Ricky Martin ter saído do armário, a constatação de que o herói romântico é cada vez mais fruto de nossos devaneios.
Num artigo para o “Daily Mail”, a jornalista Danuta Kean nos alerta para os perigos de tanta idealização. Sob o título
“Heroes? The New Man of Modern Romantic Fiction Are About as Sexy as Socks” (“Heróis? Os homens dos romances modernos são tão sexies quanto meias”) ela fala sobre a mudança do perfil do que entendemos por heróis e até da personalidade das heroínas descritas nos romances modernos.
A jornalista escreveu o texto a partir da observação dos resultados dos 50 anos do Prêmio “Romantic Novel of the Year” da Inglaterra e de informações cedidas pelas lojas “Tesco”.
Segundo a gigante varejista, as vendas das edições digitais da “Mills & Boon” – que publica clássicos e romances água-com-açúcar – aumentaram 57% em cinco meses. Pesquisa feita com consumidores do supermercado mostra que as leitoras entre 30 e 42 anos preferem ler as versões digitais a comprarem livros.
O vencedor do “Romantic Novel of the Year” deste ano foi “Lost Dogs and Lonely Hearts”, de Lucy Dillon.
A obra trata das histórias de três casais. Cada um deles tem de conviver com dramas como gravidez indesejada, divórcio e infertilidade. Além disso, a protagonista – proprietária de um canil – não é uma mulher feliz. “Mas aí está o problema. Ouço as mesmas histórias na fila da carne no Sainsbury´s”, diz Danuta Kean. 
E mais adiante: “o que aconteceu com as heroínas que encaravam julgamentos com determinação, sentimento e austeridade de caráter?”.
Em outro livro que aparece na lista dos mais vendidos – “The Glass Painter´s Daughter”, de Rachel Hore – a personagem principal volta para casa para cuidar dos negócios quase falidos do pai.
“A julgar pelas ofertas nas livrarias, o amor moderno inglês oferece tristeza. Heroínas com pena de si mesmas é o pior tipo de complacência emocional. (…) Num mundo em que os modelos são o jogador John Terry e o lateral Ashley Cole – ambos do Chelsea –, nós mulheres precisamos ser lembradas de que o masculino não precisa ser sinônimo de desprezível”, escreve Danuta.
Ela se pergunta se personagens como Mr. Rochester e Heathcliffe – de “Jane Eyre” e de “O Morro dos Ventos Uivantes” – seriam coisa do passado. 
Os homens creem que sim. Um dos entrevistados chega a dizer que foi por causa de romances do tipo que seu relacionamento chegou ao fim. “Minha ex-namorada vivia dizendo que nossa relação não era como a dos livros”.
“As personagens masculinas são quase um reflexo das mulheres, mas com todos os odores desagradáveis removidos. Tudo é substituído pela habilidade de discutir o relacionamento”, diz a terapeuta Lucy Beresford.
E Danuta Kean conclui: “sim, é escapismo, mas isso é ruim?. Esses heróis cheios de virtudes, que tratam bem as mulheres, nos lembram de que é importante pensar que no mundo real eles também podem existir”.
A questão é que eles podem estar no armário.

2010/03/30

MORGOU

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 07:40

Todos nós temos dias de fúria ou de “bad hair day”. Acontece. Não é sempre que estamos inspirados para escrever, trabalhar ou simplesmente sair de casa para comprar chuchu.
Marc Lawrence – o mesmo do delicioso “Letra e Música” – parece ter vivido semanas assim quando escreveu e posteriormente dirigiu “Cadê os Morgan?”.
O novo trabalho de Marc Lawrence não é filme. É um chuchu. Nenhuma surpresa, reviravolta, sacada ou novidade na escolha e na interpretação dos protagonistas.
Hugh Grant repete o papel de sempre, tanto na ficção quanto na vida real: o de traidor. Já Sarah Jessica Parker novamente dá vida à personagem que fez sua fama em “Sex and The City”: a de novaiorquina bem-sucedida que estampa capas de revistas. O destaque aqui é o cabelo. Quanta diferença.
Hugh Grant e Jessica Parker formam um casal recém-separado que se torna testemunha de um crime em Nova York. Correndo risco de morte, eles são incluídos no programa de proteção a testemunhas do FBI e obrigados a morar temporariamente no interior dos Estados Unidos – mais especificamente em Ray (Wyoming).
É necessário apenas um Tico e um Teco para adivinhar onde a história vai dar. Mas não é a previsibilidade que incomoda – afinal, é a característica principal das comédias românticas. O grande problema é que depois de uma hora e trinta minutos tentamos entender qual é a do filme. Por quê? Para quem? A troco de quê?
As poucas piadas não resultam em gargalhadas e resumem-se a diálogos afiados que opõem republicanos e democratas.
Quando a personagem de Mary Steenburgen aparece, Jéssica Parker diz: “oh meu Deus, é a Sarah Palin!”. Além disso, alguns moradores de Ray orgulham-se de saber de cor quantos democratas há na cidade: 13.
“Cadê os Morgan?” só não se torna intolerável porque até o nada os americanos sabem filmar muito bem. Conseguir o naturalismo – mesmo que seja no vácuo – não deixa de ser um mérito.

2010/03/29

CIRCO DOS HORRORES

Filed under: Matutando — trezende @ 07:44

Lamentável todo o episódio da menina Isabella Nardoni. Além da brutalidade do crime e da frieza dos assassinos, entristece o comportamento do brasileiro na semana do julgamento.
Uma coisa é a lona armada pela imprensa – principalmente num momento em que reina a falta de assunto –, outra é o churrasco na laje organizado pelo povo.
Gente do Piauí, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul viajou a São Paulo apenas para “fazer vigília” na frente do fórum de Santana ou “prestar solidariedade” às vítimas. Okay, a maioria deveria ser de desempregados, mas eles fariam melhor negócio se estivessem batendo perna atrás de emprego e não berrando “o povo, unido, jamais será vencido!”.
Personagens para se apresentar neste picadeiro não faltaram. Entre eles, um homem de Caçapava (SP) que se autodenominava “Yellowman” – ele estava completamente vestido de amarelo e tinha os cabelos tingidos da mesma cor. Outro, um pastor que foi retirado do local pela polícia a pedido dos próprios populares. O religioso dizia que o julgamento do casal Nardoni competia a Deus.
Nem o calor que fez em São Paulo na semana passada intimidou a platéia. Pelo contrário, o sol quente permitiu um desfile de sombrinhas coloridas.
Enquanto manifestantes, estudantes de Direito e curiosos em geral se acotovelavam para conseguir uma senha para assistir ao julgamento, a criançada se divertia jogando bola na frente do fórum. Houve até um grupo que improvisou um telão que exibia fotografias da menina morta. Enfim, uma verdadeira festa na laje.
Depois do anúncio da sentença – que o povo pode ouvir através de alto-falantes –, seguiu-se uma comemoração efusiva, com direito a rojões e gritos insistentes de “Cembranelli!”, “Cembranelli!”.
Na saída do camburão que levou os assassinos de volta ao presídio de Tremembé, a polícia teve de jogar gás de pimenta para afastar a multidão.
Triste cenário. O brasileiro se gaba de ser solidário, o que de fato é muito bonito. Mas ninguém se lembra de cobrar solidariedade daqueles no qual depositaram sua confiança na urna.
Por que o brasileiro não demonstra a mesma disposição para pedir a prisão ou a cassação de um sujeito pego com dólares na cueca? Ou ainda por que não cobra satisfações de um presidente que se utiliza do cargo para deslavadamente promover sua sucessora?
A resposta: porque o brasileiro, além de alienado, só se sensibiliza quando se identifica. E identificar-se com mazelas e com o mundo-cão é lamentável.

2010/03/28

EXPO LIFE

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:40

Depois do “Chatroulette” – espécie de site roleta-russa que permite conversas entre desconhecidos via webcam ou não –, uma nova mania chega à Internet.
São os vídeos “haul” (“aquisição”, ao pé-da-letra) basicamente realizados por garotas que aparecem mostrando e descrevendo seus delírios de consumo.
O assunto foi tema de uma reportagem da revista “Slate” na semana passada.
O “haul” é a versão feminina de um outro fenômeno: o “unboxing”, no qual jovens rapazes desmontam produtos eletrônicos.
Além de ser uma propaganda gratuita para grandes marcas ou lojas de departamento – “Wal-Mart”, “Abercrombie” ou “Sephora” –, os vídeos têm ótima aceitação entre as meninas porque é uma maneira de aproximarem suas vidas a de personagens como Blair Waldorf, da série “Gossip Girls”.
“Eu tenho 16 anos, tenho dois empregos e é pra isso que eu guardo meu dinheiro. Estou contente de poder dividir isso com vocês”, diz a “hauler” Blair.
E ela não está dizendo isso para a panelinha da escola. O vídeo – disponível no Youtube – já foi acessado 600 mil vezes. Durante mais de dez minutos Blair exibe suas compras em seu quarto rosa com um mancebo lotado de bolsas ao fundo.
A autora da matéria, Marisa Meltzer, arriscou-se em produzir seu próprio vídeo. Fez suas compras no supermercado perto de casa e pediu para que uma amiga a filmasse enumerando os produtos que havia adquirido.
Mesmo tendo se sentido exposta, Marisa não só gostou da experiência como percebeu que tinha o péssimo hábito de comprar por impulso.
O interesse das adolescentes pelas loucuras de consumo de uma outra é algo tão bizarro quanto os que enviam dinheiro pelo correio para uma mulher obesa só para assisti-la devorando guloseimas.
As roupas de Blair podem até ficar ultrapassadas algum dia, mas há algo que nunca vai sair de moda: o exibicionismo.

Assistam ao “haul” de Blair AQUI e o de Marisa AQUI

2010/03/27

NA LÍNGUA DE SPRINGFIELD

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:00

Os acadêmicos de Harvard devem estar se revirando no túmulo.
“D”oh!” – interjeição emitida por Homer Simpson quando algo sai errado ou ao contrário do planejado – é a maior contribuição à língua inglesa desde Shakespeare e da Bíblia.
É o que mostra o resultado de um estudo conduzido pela “Today Translations” – empresa inglesa de traduções – com 320 linguistas de mais de 60 países.
Além de descobrir o maior legado à língua, o levantamento foi feito para comemorar o aniversário de 20 anos da sitcom que entrou para o “Guinness Book” como a que está mais tempo no ar.
“D”oh!” é seguida por “introubulate” – verbo usado sempre que alguém está em apuros – e por “craptacular” – adjetivo que funde “espetacular” com “porcaria”.
“O papel d´Os Simpsons´ de criar tantas novas palavras, expressões e slogans é um dos fenômenos mais ímpares da cultura moderna”, diz Ben Macintyre, jornalista e autor de “The Last Word” (“A Última Palavra”).
“D”oh!” entrou inclusive para o “Oxford English Dictionary”, que o define como “expressão de frustração utilizada quando as coisas saem errado, ao contrário do planejado ou apenas para dizer que alguém fez alguma bobagem”.
Ben Macintyre tem sua própria teoria sobre as origens do termo. Segundo ele, “D”oh!” pode ser um resmungo de irritação usado pelo ator escocês Jimmy Finlayson nos filmes de Laurel e Hardy. O “dow” dito por Finlayson era o mesmo que “damn” (“droga”, “maldito”), mas foi considerado palavrão. Dan Castellaneta – o ator que dá voz a Homer Simpson – pegou o balbucio de Finlayson e o alterou ligeiramente para criar o “D”oh!”.
Homer disputa com o filho Bart o título de Shakespeare da modernidade. Bart Simpson é o inventor da palavra que ficou em segundo (“craptacular”) e quarto lugares “eat my shorts” – interjeição com o mesmo sentido de “kiss my ass”.

As colaborações mais valiosas de “Os Simpsons” à língua inglesa, segundo os linguistas da “Today Translations”:
1) “D”oh!” (37%)
2) “introubulate” (13%)
3) “craptular” (11%)
4) “eat my shorts” (10%)
5) “knowitallism” (9%, palavra usada para descrever a personalidade de Lisa Simpson)
6) “embiggen” (7%, o mesmo que “aumentar”)
7) “learning juice” (4%, “cerveja”)
8) “cheese-eating surrender monkeys” (3%, substantivo para definir os franceses)
9) “kwyjibo” (1%, substantivo usado por Homer como desculpa para escrever em forma de rabiscos)

Outros “simpsonismos” citados:
- “banjologist” (define o especialista em músicas tocadas com banjo)
- “cromulent” (“válido”, “aceitável”)
- “car-hold” (“garagem”)
- “malparkage” (“estado ou condição de estacionar em local proibido”)
- “yoink” (usar cueca muito para cima fazendo com que ela fique bem no meio do bumbum)

2010/03/26

NOODLES DE PIJAMAS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 07:50

Brilhantes esses chineses. Cientes de que o que é normal ao mundo oriental pode parecer falta de educação aos ocidentais – como cuspir em vias públicas –, durante os Jogos Olímpicos de Pequim o governo chinês colocou nas ruas uma espécie de “polícia das boas maneiras” para “ocidentalizar” o povo para as Olimpíadas.
Este ano as autoridades tomaram decisão semelhante. De maio a outubro, Xangai vai abrigar o evento “Expo Shangai 2010”, que desta vez discute questões urbanas.
Cerca de 500 voluntários estão ajudando na campanha “No Pajamas in Public — Be Civilized for the Expo,” (ao pé da letra, “Não Use Pijamas na Rua – Fique Civilizado para a Expo”).
O hábito de usar pijamas para ir ao supermercado, para passear com o cachorro e até para ir ao Mc Donalds é comum e restrito à Xangai. Segundo um professor de uma universidade local, “se estiverem cozinhando e de repente perceberem que falta cebola, eles dão uma corrida no mercadinho mais próximo”.
Apesar de milhares serem adeptos do “pajamas style”, nem todo mundo considera o costume tão divertido e curioso quanto nós.
Um site fez um levantamento para ouvir a opinião dos xangaienses sobre o tema. Dentre os quase 6 mil pesquisados, 42% acha que é o hábito é “pouco civilizado”, 34% considera “conveniente” e 24% “normal”.
A responsável pela campanha diz que no início os “empijamados” não entenderam a intromissão da “polícia do pijama”, mas três meses depois o número de pessoas “fantasiadas” diminuiu consideravelmente.
Há dois anos o costume já havia atraído um olhar estrangeiro. Justin Guariglia – fotógrafo americano que morou na Ásia por quase uma década – lançou “Planet Shangai”. O livro traz diversas imagens de chinos vestindo pijamas em situações inusitadas.
Em algumas entrevistas, Justin comentou a reação dos retratados: “No início eles saíam correndo, então comecei a conversar com eles e perguntar se eu podia fotografá-los. Eles eram tão curiosos sobre mim quanto eu em relação a eles”.
Não sei não, mas acho que eu moraria em Xangai.

Vejam fotos AQUI

2010/03/25

DE SUPERSTAR A SUPERSIZED

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:17

Se Michael Moore quisesse produzir “Super Size Me – O Retorno” já teria um ótimo assunto para mais um documentário.
Estudos conduzidos por pesquisadores ingleses nos permitem dizer que se a Santa Ceia fosse representada por algum pintor contemporâneo é bem possível que os pratos à mesa fossem muito mais fartos ou “supersized”.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Cornell reuniu uma coleção com 52 versões da “Última Ceia” para analisar o tamanho dos pratos. E a conclusão: eles foram aumentando de tamanho a cada nova representação.
Os pesquisadores notaram que os pratos principais, o pão e os acompanhamentos servidos a Jesus e seus discípulos cresceram cerca de dois terços.
O professor Brian Wansink chefiou o estudo ao lado do irmão Craig e publicou o resultado na revista especializada “International Journal of Obesity”. Ele diz que os resultados sugerem que o fenômeno de servir porções “supersized” e em pratos também maiores ocorreu gradualmente ao longo do milênio.
A equipe que participou do projeto usou um computador equipado com uma tecnologia especial capaz de escanear e calcular as dimensões dos itens retratados nas pinturas.
Entre as obras analisadas, El Greco, Leonardo Da Vinci, Lucas Cranach e Rubens.
Baseados na hipótese de que o diâmetro médio de uma bisnaga de pão da época deveria ser o dobro do tamanho da cabeça dos discípulos, os pesquisadores “mapearam” o tamanho dos pratos da Santa Ceia.
As refeições principais aumentaram 69% e o tamanho dos pratos 66% entre a pintura mais antiga (ano 1000) até a mais recente (1700). O pão cresceu cerca de 23%.
O maior aumento foi notado em pinturas entre 1500 e 1900 depois de Cristo. Outra curiosidade é que, das mesas representadas, 18% delas têm peixe ou enguia, 14% cordeiro e 7% carne de porco.
Craig Wansink, que é professor de Ciências da Religião, crê que as mudanças são reflexo mais da cultura do que da teologia. Segundo ele, “não há um motivo religioso para as refeições terem se tornado maiores. Talvez as pessoas estejam mais interessadas em comida”.
“Se a arte imita a vida e se as fontes de alimento se tornaram mais acessíveis, disponíveis e abundantes, é de se esperar que o tamanho das porções e dos pratos representados também tenham crescido”, diz ele.
Talvez se Judas estivesse vivo, o termo “malhação do Judas” adquirisse um novo significado.

2010/03/24

DORMINDO COM O INIMIGO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:58

Na pressa para sair de férias, Paulo Vannuchi – vulgo ministro dos Direitos Humanos – conseguiu uma proeza: redigir o próprio Programa Nacional de Direitos Humanos sem lê-lo.
Divulgado em dezembro do ano passado, o texto causou grita geral.
Mas na semana passada Vannuchi se rendeu às críticas – ou simplesmente leu o que escreveu –, voltou atrás e declarou que vai alterar todos os pontos polêmicos do plano, como o que colocaria em risco a liberdade de imprensa.
Mas a maior peripécia de Vannuchi não chegou ao conhecimento da sociedade. Talvez por inveja do colega Arruda – cuja “masmorra” tem ar condicionado, frigobar e beliche com colchão –, Vannuchi fez uma licitação para comprar uma cama para seu gabinete. O negócio foi interrompido assim que foi publicado por parte dos meios de comunicação.
Antes da aquisição do berço esplêndido, uma empresa de arquitetura fez até um lay-out do gabinete para a instalação do móvel: cama de solteiro com espuma revestida de poliuretano e tecido 50% poliéster e 50% algodão, antiácaro, antifungo e antialérgico. A altura do provável usuário seria de 1,70m a 1,80m, e o peso, de 80 a 100 quilos.
Segundo a assessoria de imprensa, a cama seria comprada porque Vannuchi estaria sofrendo de uma grave crise de hérnia de disco e por recomendação médica precisaria esticar a coluna.
A pergunta que fica é se a dor do ministro é diretamente proporcional à divulgação de suas estripulias.
De qualquer forma, Vannuchi prova – ainda que involuntariamente – que é o homem certo no lugar certo: é ministro dos Direitos Humanos, mas não tem a menor vocação para faquir.
Esse papel é nosso.

2010/03/23

DIETA FORÇADA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:37

A Segunda Guerra Mundial não deixou cicatrizes apenas nas almas dos combatentes que sobreviveram ou dos que tiveram algum parente morto no conflito.
Numa visão mais fútil e gulosa, deixou estômagos roncando. Não de fome, mas de vontade de saborear uma porcaria de fim de tarde.
Antes e depois da guerra houve um racionamento de comida na Inglaterra que durou 14 anos – de 1940 a 1954.
A exposição “Ministry of Food”, em cartaz no Museu Imperial da Guerra, comemora os 70 anos do início deste fracionamento alimentício.
A mostra exibe uma típica cozinha inglesa da época – com fogão a gás, despensa, acessórios, livros de receitas – além de peças publicitárias governamentais que alertavam para o problema do desperdício ou ensinavam a plantar.
Entre 1942 e 1946 o Ministério da Agricultura divulgou mais de 200 filmetes com propagandas de personagens como o “Pete Batata” e o “Dr. Cenoura”.
O racionamento forçou as donas-de-casa a se tornarem mais frugais e criativas – apesar de terem de ficar horas nas filas para trocarem os selos do governo por mantimentos. Em 1943 a porção semanal de comida liberada para cada pessoa incluía: 100 g de bacon e presunto, 75 g de queijo, 50 g de óleo de cozinha, 50 g de manteiga, 225 g de açúcar, 50 g de chá, 1 ovo. Durante todo o mês permitia-se apenas 300 g de doces.
Vegetais e frutas não eram racionados, mas bananas, cebolas e laranjas eram itens quase impossíveis de serem encontrados.
O pão esteve disponível durante toda a guerra, mas em 1946 começou a rarear. O povo era encorajado a comer pão integral e comida pronta, como ovos desidratados, “Spam” (genérico de presunto enlatado) e “snoek” – peixe similar à barracuda. Produtos como o feijão enlatado “Heinz” eram listados como essenciais pelo próprio governo.
O fracionamento alimentício serviu até de inspiração para o grupo “Monty Pyton”, que escreveu um quadro ironizando a situação. Nele, um casal discute com uma garçonete sobre a quantidade de “Spam” dos pratos.
Depois de visitar a exposição, a sobremesa: degustar os pratos da época no “Kitchen Front”, o café-restaurante do Museu Imperial da Guerra.
No menu, ensopado de porco com rebolho e maçã e pão-de-ló recheado com uma finíssima camada de geléia – raríssima neste período.

Vejam fotos da exposição AQUI

2010/03/22

ESPINHO PARA OS OUVIDOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 07:50

Sempre que vou ao teatro ou ao cinema observo um comportamento que instiga muito mais pessoas do que supunha: as manifestações da audiência.
No cinema essa “interação” atinge, por motivos óbvios, apenas a platéia. É gente comendo pipoca com a boca aberta, sofrendo de síndrome de pernas inquietas e balançando a fileira inteira e o pior dos tipos: os que comentam cada cena que se passa na tela.
No teatro esse cenário é um pouco mais complexo porque atinge também o artista. Além de todos os perfis citados acima, há os que insistem em deixar o celular ligado, os que aguardam o espetáculo começar para desembrulhar um Sonho de Valsa, os que tossem e os que têm motivado até palestras: os que aplaudem na hora errada. Mas, surpreendentemente, eles são bem-vindos.
Alex Ross – crítico de música erudita da revista “New Yorker” – deu uma palestra em Londres sobre o assunto há duas semanas: “Segure seu Aplauso: Inventando e Reinventando o Concerto Clássico”.
Na conversa, ele falou da evolução da etiqueta dos concertos e observou que atualmente o público está preso a uma camisa-de-força.
Ao contrário do que o título sugere, Alex não condena os efusivos, acha que o público deve aplaudir quando tiver vontade. “Gostaria de ver algo mais flexível. A natureza do trabalho dita a natureza da apresentação e, consequentemente, a resposta da audiência”.
Em seu blog, Gerald Klickstein – guitarrista e professor da Escola de Artes da Universidade da Carolina do Norte – compartilha da opinião de Alex: “Não há uma maneira certa de aplaudir. O músico deve adaptar sua apresentação ao repertório, à personalidade no palco e principalmente ao público que o assiste”.
O pianista Stephen Hough fica no meio termo. Em um artigo para o jornal “The Telegraph” no ano passado intitulado “Palmas entre os movimentos? Por favor!” ele diz que “há certos movimentos no repertório que absolutamente pedem aplausos”.
Aplaudir ou não?
Durante um concerto no ano passado na Casa Branca, Obama deu seu veredicto: “Se há alguém aí não conhece música clássica e não tem certeza da hora de bater palma, não fique nervoso. Aparentemente o presidente Kennedy tinha o mesmo problema. Jackie e ele assistiram a vários concertos aqui e ele aplaudia no momento errado. O secretário acabou resolvendo o problema fazendo um sinal para ele através do buraco de uma porta. Felizmente eu tenho Michelle para me dizer quando devo aplaudir. Mas vocês estão por conta própria”.
O conselho é usar o bom senso. Ele nunca falha.
Para nossa tristeza, o público brasileiro não está familiarizado com nada do que sugerem os músicos estrangeiros: da etiqueta à mesa à etiqueta do concerto. O próprio bom senso nos é caro.

2010/03/21

BOAS VINDAS AO TIGRE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:23

Muitos brasileiros têm o costume de no primeiro dia do ano oferecer presentes a Iemanjá, pular sete ondinhas, vestir-se com cores que representem seu maior desejo ou um bem-bolado de tudo só para garantir.
Na China o lance é outro. Atrair boa sorte só no segundo dia do segundo mês após o Ano Novo. A data é conhecida como “Er Yue Er” ou “Longtaitou” – algo como “o dragão levanta a cabeça”.
Nesta quarta-feira (dia 17) os barbeiros de lá tiveram de atacar de “Edward Mãos-de-Tesoura”. Vários chineses acreditam que dar um tapa na juba no mesmo dia em que o “dragão levanta a cabeça” traz sorte – segundo a antiga cultura chinesa, o dragão tinha um importante papel na agricultura porque trazia as chuvas.
Ainda de acordo com a superstição, se a pessoa corta o cabelo durante o primeiro mês do calendário lunar, seu tio materno morrerá.
Para evitar esse mau agouro, as barbearias permaneceram abertas 18 horas por dia no período que antecedeu o Ano Novo – comemorado em 14 de fevereiro. Foi grande a correria de gente por um corte que durasse pelo menos duas semanas.
Neste dia, nem as criancinhas são poupadas.
A lenda que deu origem à crendice fala sobre um barbeiro pobre que adorava seu tio. Como não tinha dinheiro para comprar uma lembrança de Ano Novo para ele, fez um corte tão bom que o tio ficou com uma aparência bem mais jovem. Contente com o resultado, o tio disse que todos os anos gostaria de ganhar um corte de presente.
Depois da morte do tio, o barbeiro sentiu muito sua falta e passou a chorar a cada Ano Novo.
Segundo Zhang Wangchun, especialista em folclore chinês da Universidade de Xi’an, a história foi passada de forma incorreta de geração em geração – na língua chinesa, as palavras “saudade” e “morte” são homônimas.
Os carecas podem ficar tranquilos. Há outras maneiras de se comemorar o “Er Yue Er”: comer “noodles” (Miojo) ou panqueca, queimar várias ervas ou visitar templos.

P.S.: O sortudo acima dá um trato no visoo numa barbearia em Huaibei, província de Anhui

Vejam outros sortudos AQUI

2010/03/20

O SEGREDINHO DO RECEITÃO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:34

Depois de assistir a “O Segredo dos Teus Olhos” – que acaba de faturar a estatueta de melhor filme estrangeiro – fica muito mais simples entender porque o nosso possível representante no Oscar (“Salve Geral”) não pode nem ver uma nesga da cor do tapete vermelho.
Enquanto Sérgio Rezende se limita a fazer praticamente um documentário sobre o PCC, seu adversário argentino marca um gol de bicicleta e do meio do campo.
Além de levar o boneco dourado para a estante, o diretor Juan José Campanella bateu um recorde: “O Segredo dos Teus Olhos” foi o filme mais visto nos cinemas dos hermanos desde 1983, com mais de três milhões de espectadores.
Se o bairrismo contra os argentinos falasse mais alto, poderíamos dizer que Campanella foi o vencedor da noite porque tem trânsito fácil em Hollywood – dirigiu diversos episódios de “House” e “Law & Order”. Mas o diretor está quicando na área há tempos. Em “O Filho da Noiva” (2001) já havia dado pistas de que se fosse deixado sem marcação faria gol.
A história é baseada em novela policial do escritor Eduardo Sacheri e se passa em dois tempos – no passado e no presente. Nela um oficial de Justiça – Ricardo Darin, presente em onze de dez filmes argentinos – tenta transformar em romance a história de um assassinato que investigou há 35 anos.
Decifrar o autor da morte de uma mulher é um enigma tão intricado quanto o filme – um quebra-cabeças que Campanella monta brilhante e lentamente e que chega a caminhos que nos surpreende. Misturar romance, suspense, pitadas policiais e ainda sair ileso e com (boa) história para contar é caso raro.
O melhor personagem – e responsável pelo tom de humor – é o do ator Guillermo Francella (Pablo Sandoval), cujo hobby é encher a cara na happy hour e arranjar briga.
Amigo de repartição do oficial de Justiça Benjamin, costuma atender o telefone com boas-vindas do tipo: “Comando Tático Revolucionário, boa tarde” ou “Banco de esperma, seção de empréstimos, em que posso ajudá-lo?”.
Sandoval também joga galanteios para sua chefe juíza e se justifica dizendo a Benjamin: “você me vê vestido de sapo, mas no fundo eu sou um príncipe encantado”.
Apesar de acomodado e cara-de-pau, é Sandoval quem dá o “start” tanto para a investigação quanto para as dúvidas que permeiam a cabeça de Benjamin: “Um homem pode trocar de tudo: de rosto, de casa, de família, de namorada, de religião, de Deus. Mas há algo que ele não pode mudar: sua paixão”.
Inteligente e sábio, “O Segredo dos Teus Olhos” nos deixa uma mensagem através de uma das personagens: “Não fique mais imaginando, pensando no porquê, no que aconteceu, no que não aconteceu, senão vai ter mil passados e nenhum futuro”.
Essa é para matutar no fim-de-semana.

O ganhador da camiseta do filme “Ninja Assassino” é Eduardo Siqueira, de Macaé (RJ). Parabéns, seu prêmio será enviado pelo correio.

2010/03/19

DIA DE FINADOS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 12:38

Celebrar o primeiro aniversário é um momento especial para qualquer mãe, mas a festa vira velório quando se comemora um ano de um “Mc Lanche Feliz” – ou, no caso, “Mc Lanche Triste”.
Disposta a provar o quão nocivo o fast food pode ser à saúde, uma mãe americana fez um teste inédito: comprou o combo infantil do McDonalds, o deixou na prateleira do escritório por um ano e observou as alterações durante o período.
A maior surpresa foi notar que o lanche apresentou pouquíssimas variações. Após 365 dias permaneceu quase intacto – pronto para ser servido ao primeiro faminto que passasse por sua porta.
Em março do ano passado Nonna Joann adquiriu um “Mc Lanche Feliz” e assim o descreveu em seu blog, o “Baby Bites: Transformando o Comedor Fresco em Saudável”: “Meu ‘Mc Lanche Feliz’ tem um cheirinho delicioso e é bem colorido. Recebi um cachorrinho em miniatura numa casinha amarela de plástico junto com o hambúrguer, as fritas pequenas e um refrigerante”.
Um semana depois ela relatou que o “Mc Lanche Feliz” ainda tinha uma cara feliz. “As batatinhas não mudaram quase nada apesar de o cheiro de fritura já ter sumido. Já o hambúrguer parece ter sido feito hoje”.
Depois de nove meses o lanche estava relativamente o mesmo. Mais três meses e apresentava-se como uma múmia e sem nenhum sinal de decomposição.
No dia 3 de março deste ano ela escreveu: “Ele NUNCA cheirou mal. NÃO se decompôs. Ele NÃO mofou. O dia de hoje é um marco”.
Apesar de o tomate não ter demorado nem uma semana para apodrecer, até o catchup não se estragou.
Avaliar negativamente o cardápio do McDonalds por seu teor nutritivo não chega a ser novidade. Há dois anos, uma pesquisa realizada pelo jornal “The Independent” mostrou que os hambúrgueres e as bebidas da rede americana estão carregadas de químicos – incluindo alguns que desencadeiam problemas de comportamento.
O “Big Mac” leva 18 aditivos em sua composição, o cheeseburguer, 17, e o milk shake de chocolate, oito.
A conclusão de Nonna sobre a experiência é perfeita: “Acho que formigas, ratos e moscas são mais espertos do que nós. Eles nunca tocaram no ‘Mc Lanche Feliz’. As crianças deveriam fazer o mesmo”.
Precisa dizer mais?
Acima, o lanche-múmia

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2010/03/18

FUNCIONÁRIOS DO MÊS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:30

No ano passado uma vaga para trabalhar como zelador na paradisíaca ilha Hamilton, na Austrália, movimentou o mercado de empregos.
Milhares de interessados em todo o mundo se candidataram para desfrutar das mordomias e do salário de U$ 105 mil, mas o felizardo foi um britânico.
Agora, uma nova chance aos sonhadores. Uma agência de viagens irlandesa especializada em casamentos e luas-de-mel em lugares exóticos está com promoção semelhante para comemorar o lançamento de seu site.
Em parceria com o jornal “Irish Times”, a “Runaway Bride and Groom” está em busca de interessados em atuar como “honeymoon tester” – algo como “degustador de lua-de-mel”.
Na página inicial do site, o convite: “Você gostaria de tomar champanhe deitado na rede debaixo de coqueiros numa praia de areias brancas com seu amor ao lado? Nós procuramos o par perfeito para pesquisar e experimentar os mais modernos e românticos roteiros e depois reportar seu veredicto”.
Para zanzar por seis meses por locais como Maldivas e Zanzibar testando coquetéis e jacuzzis, o casal vai receber 20 mil euros (cerca de R$ 48 mil).
Além das exigências de praxe – como ter mais de 18 anos, facilidade de comunicação e disponibilidade de horário – outros pré-requisitos são: “saber curtir a vida, ter uma cara-metade que atenda às expectativas da vaga e esteja disposta a acompanhá-lo na viagem”.
Os candidatos – que não precisam ser irlandeses ou residirem na Irlanda – devem submeter um vídeo de até 80 segundos dizendo por que a Irlanda é um bom destino para casamentos e luas-de-mel e porque você e seu par são perfeitos para o trabalho.
Os vídeos serão colocados no site e estarão sujeitos à votação pública. No entanto, todos eles serão analisados e avaliados por seu conteúdo – e não pelo número de votos.
O prazo para inscrição é até 31 de março. O contrato tem início no primeiro dia da viagem (10 de maio de 2010) e termina em 19 de novembro.

Gostaram? Inscrevam-se AQUI

Participem da promoção “Grilo na Cuca”: se vocês fossem pintar ou desenhar algo na cabeça, o que seria? Enviem suas respostas até 19/03 para tatianarezende@hotmail.com e concorram a uma camiseta do filme “Ninja Assassino”.

2010/03/17

O VÍCIO QUE LEVA AO LONGE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:54

As pessoas mais sensíveis não podem tomar café expresso depois das cinco da tarde. Ficam tão ligadas que se imaginam capazes de percorrer a distância São Paulo-Rio de Janeiro com a mesma rapidez de um Papa-Léguas.
Para quem ainda duvida dos superpoderes da cafeína, a novidade é um carro lançado no início do mês na Inglaterra. Trata-se do “Car-puccino”.
O automóvel ganhou vida na carcaça de um Volkswagen Scirocco modelo 1988 – escolhido pela semelhança com o “DeLorean”, o famoso carro do cientista de “De Volta Para o Futuro”.
A conversão foi feita pela equipe do programa “Bang Goes the Theory” – do canal britânico BBC1 – e o objetivo era promover uma feira de ciências em Manchester. Para testar a invenção, os cientistas percorreram a distância de 330 quilômetros a partir de Londres.
A viagem custou o equivalente a 70 quilos de café – ou 11.760 expressos – e a equipe teve de fazer intervalos entre 48 e 72 km para reabastecimento. Eles também tiveram de parar a cada 96 km para limpar os filtros – que armazenam a fuligem gerada pelo processo.
O “Car-puccino” alcança os 100 km/h, mas com tantas paradas, a viagem durou cerca de dez horas.
“Quando o carro chegou, o motorista buzinou e as pessoas acenaram – provavelmente tentando pedir um cappuccino”, disse o apresentador Jem Stansfield.
“As crianças sabem que o café dá energia às pessoas, mas muitas delas provavelmente não têm ideia de que ele tem energia suficiente para movimentar um carro”, explicou Jem.
Nick Watson, produtor do “Bang Goes The Theory”, disse que “o café, assim como a madeira ou o carvão, tem algum componente de carbono que pode ser usado como combustível. Os grãos precisam estar bem secos para permitir que o ar circule pelo monte de café que é aquecido”.
O sistema do “Car-puccino” utiliza carvão para aquecer os grãos de café a 700ºC e libera uma mistura de hidrogênio e dióxido de carbono que é arrefecida num radiador colocado no teto. O gás é filtrado e enviado para o motor.
Para economizar e ajudar o meio ambiente, a equipe envolvida no projeto abastece o carro com grãos de café descartados pela rede “Costa Coffee”.
Já imaginaram o “Car-puccino” com um aditivo à base de Coca-Cola?

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2010/03/16

GRILO NA CUCA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:58

Pergunta para os leitores masculinos do blog: se seus cabelos começassem a cair vocês ficariam mais criativos, mais interessados em descobrir lojas boas de perucas, mais estressados à procura de poções mágicas que fizessem crescer novos fios ou simplesmente raspariam tudo?
No caso de Philip Levine, a criatividade começou a aflorar à medida que seus cabelos caíam.
Philip é londrino e passou a usar a cuca como tela há cerca de quatro anos, quando a careca teimou em aparecer. Resistente à ideia de raspar a cabeça, começou a pintá-la.
Influenciado por artistas como David Bowie, Grace Jones, Boy George e Freddie Mercury, Philip bolou inúmeros looks. Além dos mais tradicionais, com pinturas variadas, já se cobriu com olhinhos ondulantes, costurou-se com botões e virou uma bola de espelho.
Também já trabalhou com um acupunturista que lhe aplicou 70 agulhas com três diferentes espessuras para lhe dar o aspecto de uma borboleta. “Eu tive de tomar pílulas de arnica para reduzir o inchaço e as escoriações, além dos remédios para dor”.
Mas o look preferido de Philip – e que desperta mais a curiosidade alheia – é a cabeça com mil cristais Swarovski.
Para realizar suas “obras” Philip conta com a ajuda de Kat Sinclair – uma especialista em pintura de corpos. Cada desenho leva mais de duas horas para ficar pronto. “Ao contrário da peruca, que esconde o que talvez seja uma deformidade, eu digo às pessoas para se sentirem especiais, originais e pensarem que o que é uma fraqueza pode ser transformado em força”, conta Philip.
Aos poucos, seus trabalhos estão se tornando conhecidos no mundinho fashion e cênico de Londres e também no Japão e na China. Na estação passada, o designer americano Indashio inspirou-se em Philip e pintou a cabeça das modelos num dos principais eventos de moda de Nova York, o “New York Fashion Show”.
Atualmente Philip planeja uma exposição com mais de cem modelos de cabeças.

Conheçam o site de Philip AQUI

Promoção “Grilo na Cuca”
Se vocês fossem Philip, o que fariam na cabeça?
Já que o lance é aparecer, eu pintaria uma melancia.
Mandem suas respostas até 19/03 para tatianarezende@hotmail.com e concorram a uma camiseta do filme “Ninja Assassino”

2010/03/15

O PESO DA ESCOLHA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:24

A onda de obesidade que tem assolado o mundo deixou de ser um drama considerado como fútil e se transformou num problema de saúde pública.
No entanto, apenas uma pessoa no globo terrestre parece não estar preocupada com essa questão: Donna Simpson, 42 anos, 273 quilos, moradora de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Ela está empenhada a dobrar de tamanho para conseguir o título de mulher mais gorda do mundo. Sua meta é alcançar os 450 quilos em dois anos.
Para cumprir o objetivo, Donna terá de ingerir 12 mil calorias por dia – a média recomendada para as mulheres é de cerca de 2 mil.
Donna está no “Guiness – Livro dos Recordes” desde 2007 como a mãe mais gorda do mundo. Na época, precisou da ajuda de uma equipe de 30 médicos para dar à luz Jacqueline numa cesárea de alto risco.
Donna usa roupas XXXXXXXL, devora montes de junk food ao dia e tenta se movimentar o mínimo possível. Ela faz questão de frisar que é saudável – apesar de ter de usar um carrinho para se locomover. “Será difícil porque correr atrás da minha filha me faz perder peso”.
“Meu prato favorito é sushi, mas ao contrário das pessoas, posso devorar 70 deles numa sentada. Também gosto de bolos e doces – donuts são meus preferidos”.
Philippe, seu atual companheiro, a encoraja a comer cada vez mais.
Eles se conheceram num site de namoro para gordos, gosta de obesas, mas pesa apenas 68 quilos. “Acho que ele gostaria que eu fosse maior. Ele é o verdadeiro homem-barriga e me apóia completamente”, conta Donna.
Os problemas dela com a balança começaram cedo. As porções generosas que lhe eram servidas pela mãe fizeram com que ela pesasse 83 quilos aos 9 anos de idade. “Comida era a única maneira que ela encontrava para mostrar que nos amava”.
Depois da morte da mãe, o pai de Donna se casou com uma mulher que colocou os filhos numa dieta rígida. “Eu costumava roubar comida da despensa – que sempre estava cheia porque minha mãe armazenava muita coisa”.
Conforme foi crescendo, Donna passou a se preocupar com seu peso e começou a tomar pílulas emagrecedoras. Entre os 14 e os 18 anos chegou aos 70 quilos, mas ainda continuava infeliz porque pensava em comer o tempo inteiro.
Aos 19 anos tudo mudou quando se casou pela primeira vez. O marido – chef de um restaurante de carnes – trazia sobras para a casa. Às duas, três da manhã eles se acabavam com pilhas de carne com purê de batatas e molho amanteigado.
“Eu engordei e meu marido gostou, disse que eu era mais sexy gorda. E eu me sentia mais feliz também”.
Aos 27 anos e 159 quilos ela engravidou de seu filho mais velho, Devin, e se separou. Aos 31 e aos 273 quilos ela decidiu emagrecer: perdeu cerca de 12 quilos em seis meses e estava pronta para uma cirurgia de estômago. Prestes a entrar na faca, um amigo morreu durante operação semelhante e ela desistiu.
Algum tempo depois Donna passou a visitar um site que celebrava a mulher gorda e a receber emails de admiradores. “Eles me mandam vários presentes pelo correio, como shake de proteínas para que eu ganhe peso mais rápido. Eu amo comer e as pessoas adoram me ver comendo. Faço os outros felizes e não prejudico ninguém”.
No entanto, o mais inacreditável de toda a história não é a meta de Donna. Para dar conta da despesa semanal de 750 dólares (cerca de R$ 1.320) semanais que gasta com comida, ela mantém um site no qual homens pagam para vê-la se deliciando com fast food.
E aí, quem dá mais?

2010/03/14

A TPM VAI À GUERRA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 08:34

“A guerra é uma droga”. As informações sobre o autor da frase que apresenta o vencedor do Oscar deste ano são contraditórias.
Algumas reportagens a creditam a um ex-correspondente do “The New York Times” na Guerra do Iraque e outras dizem que ela foi pinçada de uma coleção de poemas de um soldado aposentado que também esteve no local.
Entretanto, a confusão se dissipa no momento de avaliar o filme que rendeu seis Oscar a Kathryn Bigelow: trata-se de um belíssimo trabalho.
A temática e a palavra “guerra” no título seriam o suficiente para que o associássemos a um filme de ação, mas em “Guerra ao Terror” há poucas explosões e zero de corre-corre, perseguições, artilharias ou voos rasantes. Enfim, o extremo oposto da filmografia de Spielberg. O filme da ex-mulher de James Cameron é altamente tenso.
Durante mais da metade da projeção ficamos com a respiração em suspense, ombros encolhidos, olhos arregalados e taquicardia. Sim, o vencedor do Oscar não é um drama de guerra, é um suspense.
Houve quem resumisse a história ao vício em adrenalina do sargento James (o desconhecido e talentoso Jeremy Renner), integrante de um grupo encarregado de desarmar bombas em Bagdá.
Mas mais do que um viciado em aventuras, o sargento é um apaixonado pelo que faz. Tanto, que guarda embaixo da cama objetos que quase o mataram – como dispositivos de bombas e sua aliança de casamento. Daí o título original, “The Hurt Locker”.
Pauleira e sensível ao mesmo tempo, é quase inacreditável que “Guerra ao Terror” tenha sido dirigido por uma mulher. Além do tema agradável aos ouvidos masculinos, alguns diálogos são altamente machistas.
O toque feminino está nos detalhes, na valorização do silêncio, na névoa, na pipa no céu, no gatinho manco que atravessa um cenário triste ou na cena do sargento no corredor de cereais do supermercado. Seria o filme perfeito se não apelasse para o mesmo final piegas de “Up in The Air”.
A cada sessão de “Guerra ao Terror” a distribuidora brasileira do filme deve se autoflagelar. Isso porque decidiu lançá-lo diretamente em DVD – achou que não havia astros no elenco e que o assunto não seria de interesse do público. Cem chibatadas.
No cinema ou em DVD, o importante é que a cada cena identifiquem por que ele é merecedor de cada uma das estatuetas. Imperdível.

2010/03/13

SÍNDROME DE ESTOCOLMO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:23

O problema não é a droga. É a falta dela.
Esta é a lição que tiramos da morte do cartunista Glauco, assassinado por um dos seguidores de sua igreja num momento de crise de abstinência.
Aparentemente, apenas uma pessoa pensa ser Jesus Cristo em seu estado normal: Inri Cristo. Todos os demais sofrem as consequências do uso ou da falta de substâncias ilícitas.
Como o assassino é de classe média alta e frequentava o culto com o objetivo de se curar do vício em cocaína, podemos encaixá-lo no segundo grupo.
O fato é que as informações desencontradas sobre o crime – chegaram a falar em assalto e em tentativa de sequestro – nos levam a pensar que se trata de um cuidado das testemunhas ou até de seus amigos jornalistas para proteger o cartunista de alguma saia justa ligada às drogas.
O preciosismo nem era tão necessário. A relação de Glauco e de outros artistas com as “essências” que alteram a consciência não é segredo para ninguém. Não havia entrevista em que o assunto não era abordado – uns porque se livraram de seus vícios e outros porque admitem o uso “recreativo”. No caso de Glauco, porque virou religião.
Se a Céu de Maria não é reconhecida como crença sagrada por conservadores ou beatos, pelo menos sua “hóstia” conseguiu se livrar da perseguição. Em janeiro deste ano o governo brasileiro oficializou a utilização ritual do ayuhasca – o chá alucinógeno usado nas cerimônias do Santo Daime.
O governo diz que tomou a decisão em nome da liberdade religiosa, mas talvez seja mais prudente manter em segredo o real motivo da descriminalização – para não comprometer daimistas federais.
E eis que chegamos num problema de faca e legumes. Enquanto a ayuhasca é consumida no gueto, cura dependentes químicos e gera experiências libertadoras, tudo ótimo. Mas e quando algo dá errado?
Segundo o irmão do assassino de Glauco, “os problemas que ele teve foram com o Santo Daime, que mexe com o cérebro. Tomava todo dia. Num Réveillon ele surtou”.
Quando a liberdade não liberta a saída é Inri Cristo? Ou o gosto amargo como o diabo do chá de Glauco?

2010/03/12

ABRA A BOCA E FECHE OS OLHOS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:40

Atenção, leitoras: vendo a foto acima não bate uma vontade de ser homem por alguns minutos só pra tirar água do joelho e despejá-la nesse penico?
A peça é ideia do artista plástico Clark Sorensen e, segundo ele, é uma resposta aos oito anos de administração Bush.
O “The Presidencial Urinal” integra uma série de três peças que estão em exibição numa galeria de São Francisco. Além deste, há um urinol cuja pintura é a bandeira americana indo pelo ralo – “The Legacy of George W. Bush” – e outro que mostra os índices da Bolsa de Valores descendo pelo cano – “Down the Drain”.
Clark explica em seu site: “O urinol parece a metáfora perfeita. Meu objetivo era usar o humor e um objeto que fosse familiar a todos para cutucar Bush e ao mesmo tempo dizer algo crítico sobre seu legado. Estou ciente da crueldade e da irreverência desta mostra, mas às vezes é apropriado ser inapropriado. A propósito: ninguém foi enganado, mutilado, morto, passado pra trás, torturado, falsamente aprisionado ou levado à falência durante a criação da obra”.
Os trabalhos estão causando polêmica, mas há cerca de cinco anos a especialidade de Clark Sorensen tem sido a criação de urinóis e pias em forma de flores: hibiscos, orquídeas, tulipa, papoula e narcisos.
Todas as peças são feitas em cerâmica cozida a altas temperaturas e demoram entre cinco e oito meses para ficarem prontas. O esmero do trabalho se reflete no preço, que varia entre U$ 6.500 e U$ 10.500.
Clark Sorensen é de Salt Lake City e durante 15 anos inventou joguinhos para os videogames “Atari” até alcançar destaque com seus urinóis.
Tanto os urinóis quanto as pias não acompanham canos ou instruções de instalação.

Confiram fotos AQUI

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