O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/01/28

APERTEM OS CINTOS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:14

Graças à potente máquina de blockbusters americana, certo filmes mobilizam mídia e público antes mesmo da estreia.
“Amor Sem Escalas” se encaixa nesta categoria. O barulho foi grande, mas ele passou quase que non-stop pela cerimônia do Globo de Ouro deste ano. Concorrendo a seis prêmios, só levou o de melhor roteiro – escrito pelo também diretor Jason Reitman.
“Up in the Air” – pessimamente traduzido como “Amor Sem Escalas” – é baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Walter Kirn. Conta a história de Ryan Bingham, cuja existência se resume a viagens profissionais. Seu fardo consiste em demitir funcionários de diversas empresas em diferentes Estados americanos e seu único objetivo de vida é acumular milhas – 10 milhões delas lhe rendem o cartão-fidelidade de sétimo passageiro no mundo a conquistar a façanha.
Entre ataques de fúria e lágrimas alheias, técnicas para arrumar a mala e para fazer o check-in com rapidez ele leva sua vidinha. Mas aí Ryan se apaixona e o que estava redondo começa a descer quadrado e resulta numa mensagem piegas. Estava indo realmente bem.
“Amor Sem Escalas” é sobretudo uma incógnita. Apesar de ser bem-escrito, contar com a atuação sempre honesta de George Clooney e não subestimar a astúcia do espectador, está distante de fazer jus às indicações que recebeu. Primeiro porque é careta demais – com direito a lição de moral no final.
Como um diretor que já fez obras consideradas cult como “Obrigado por Fumar” e “Juno” pode ter produzido algo tão convencional, tão tipicamente americano? Se o Globo de Ouro é tido como uma prévia do Oscar, por que “Amor Sem Escalas” não conquistou mais prêmios? Ah, os mistérios da indústria cinematográfica…
Pelo menos para o “encaretamento” do diretor há uma explicação. Matérias sobre o filme dão conta de que Jason Reitman começou a trabalhar no roteiro em 2002, mas as oportunidades de dirigir “Obrigado por Fumar” e “Juno” se apresentaram antes.
Uma pena. Se Jason tivesse relido o roteiro talvez percebesse sua evolução em relação aos trabalhos anteriores e concluísse que seria necessário reescrever o que já estava pelo caminho. “Amor Sem Escalas” soa como um retrocesso em sua carreira.
Ainda assim vale a pena conferir.
Uma curiosidade: a “American Airlines” não reserva nenhum privilégio especial aos passageiros que acumulam 10 milhões de milhas. Trata-se apenas de licença poética.

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