O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/01/29

PAUSE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 21:58

SÓ NÃO VALE DAR RISADA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:23

Num mundo cada vez mais confuso, o ramo da autoajuda encontra terreno fértil. Depois das palestras de gurus como Lair Ribeiro, dos livros e dos filmes inspirados nesses best-sellers é o momento dos DVDs. Pelo menos no Japão.
A bola da vez chama-se “Miterudake for Lady” e pretende ajudar tímidos na incrível arte do flerte – em japonês, “miterudake” significa “apenas olhando”.
O princípio é o mesmo tanto na versão feminina quanto na masculina – “Miterudake for Men”.
No caso das mulheres, o vídeo traz 51 imagens de homens olhando para a câmera por cerca de um minuto. Pelo número já possível imaginar a variedade – uma boa prova para quem acha que japonês é tudo igual.
Eles não demonstram nenhuma expressão. Não sorriem, não flertam, não falam, não fazem caretas e não encostam a língua na ponta do nariz. Ficam apenas na base da “poker face”.
O DVD para homens é ainda mais sortido. Há desde uma garotinha de uns 6 anos de idade que parece não entender a brincadeira até uma senhorinha descabelada.
“Miterudake for Men” foi lançado há dois anos e é anterior à versão feminina, que chegou ao site da “Amazon” em novembro do ano passado. Segundo o fabricante, o objetivo é auxiliar homens que sofrem de “ansiedade social”.
Já o desenvolvido para mulheres é útil àquelas cujos corações estiveram “quase partidos no amor ou em outras relações pessoais”.
Infelizmente minha fluência no japonês não é suficiente para entender os comentários dos leitores que já testaram o DVD. Gostaria muito de saber se alguma japa cometeu harakiri após assisti-lo.
Olhando de fora, o vídeo consegue efeito oposto ao sugerido pelo fabricante. Em vez de paquerar, a vontade é de brincar de jogo do sério – o único problema é que os “modelos” vencerão sempre.
Talvez se olhassem para a Monalisa tivessem melhor resultado – e ainda economizariam cerca de R$ 50.

Assistam ao “Miterudake for Lady” AQUI

O blog faz uma nova pausa. Nos próximos dias estarei em Cancun e retorno dia 08/02. Até!

2010/01/28

APERTEM OS CINTOS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:14

Graças à potente máquina de blockbusters americana, certo filmes mobilizam mídia e público antes mesmo da estreia.
“Amor Sem Escalas” se encaixa nesta categoria. O barulho foi grande, mas ele passou quase que non-stop pela cerimônia do Globo de Ouro deste ano. Concorrendo a seis prêmios, só levou o de melhor roteiro – escrito pelo também diretor Jason Reitman.
“Up in the Air” – pessimamente traduzido como “Amor Sem Escalas” – é baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Walter Kirn. Conta a história de Ryan Bingham, cuja existência se resume a viagens profissionais. Seu fardo consiste em demitir funcionários de diversas empresas em diferentes Estados americanos e seu único objetivo de vida é acumular milhas – 10 milhões delas lhe rendem o cartão-fidelidade de sétimo passageiro no mundo a conquistar a façanha.
Entre ataques de fúria e lágrimas alheias, técnicas para arrumar a mala e para fazer o check-in com rapidez ele leva sua vidinha. Mas aí Ryan se apaixona e o que estava redondo começa a descer quadrado e resulta numa mensagem piegas. Estava indo realmente bem.
“Amor Sem Escalas” é sobretudo uma incógnita. Apesar de ser bem-escrito, contar com a atuação sempre honesta de George Clooney e não subestimar a astúcia do espectador, está distante de fazer jus às indicações que recebeu. Primeiro porque é careta demais – com direito a lição de moral no final.
Como um diretor que já fez obras consideradas cult como “Obrigado por Fumar” e “Juno” pode ter produzido algo tão convencional, tão tipicamente americano? Se o Globo de Ouro é tido como uma prévia do Oscar, por que “Amor Sem Escalas” não conquistou mais prêmios? Ah, os mistérios da indústria cinematográfica…
Pelo menos para o “encaretamento” do diretor há uma explicação. Matérias sobre o filme dão conta de que Jason Reitman começou a trabalhar no roteiro em 2002, mas as oportunidades de dirigir “Obrigado por Fumar” e “Juno” se apresentaram antes.
Uma pena. Se Jason tivesse relido o roteiro talvez percebesse sua evolução em relação aos trabalhos anteriores e concluísse que seria necessário reescrever o que já estava pelo caminho. “Amor Sem Escalas” soa como um retrocesso em sua carreira.
Ainda assim vale a pena conferir.
Uma curiosidade: a “American Airlines” não reserva nenhum privilégio especial aos passageiros que acumulam 10 milhões de milhas. Trata-se apenas de licença poética.

2010/01/27

HORA DA VERDADE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:41

Demorou, mas finalmente chega às livrarias um conto-de-fadas moderno que abre os olhos daquelas que ainda acreditam em Papai Noel – tanto que estão cansadas de beijar sapos na tentativa de encontrar o príncipe encantado.
“La Cenicienta que no queria comer perdices” (“A Cinderela que não queria comer perdizes”) tem sido um sucesso em seu país de lançamento, a Espanha. Em seis semanas vendeu mais de 50 mil exemplares.
A história – criada a quatro mãos pela escritora Nunila López Salamero e pela desenhista Myriam Cameros Sierra – atualiza com muito humor o clássico da Gata Borralheira.
A heroína do século 21 é baladeira e “chega do baile às 12, mas às 12 do dia seguinte”. Diante de um sapato de cristal números abaixo do seu, faz de tudo para calçá-lo e descolar o príncipe. A partir daí começam seus problemas: vive com os pés machucados e tem vertigens por causa do salto alto. Mas seu maior drama é que o príncipe adora perdizes, mas ela é vegetariana.
Cansada de ouvir as reclamações do marido – que diz que as perdizes estavam salgadas, cruas ou queimadas –, Cinderela sai de casa e descobre que “os príncipes não te salvam. Nem os caminhoneiros, nem os DJs, nem os pasteleiros”.
Após se afundar numa depressão, descobre que é a única capaz de salvar-se. Dá a volta por cima, encontra suas outras amigas dos contos-de-fada e abre um restaurante-cabaré vegetariano chamado “Me Sobra Harmonia” – que à noite funciona como “Me Falta Harmonia”.
Dentre os frequentadores, Bela Adormecida e Branca de Neve – que estão se desintoxicando do Prozac –, Pinóquio – que está farto de mentiras – e o Homem de Lata – que após muito sofrimento encontra um coração.
Segundo as autoras, a versão contemporânea de Cinderela é dedicada a todas as mulheres valentes que querem mudar de vida – e a todas aquelas que a perderam. Definitivamente não é um livro infantil.
A obra tem previsão de lançamento no Brasil ainda este ano.

2010/01/26

AMOR À ITALIANA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:04

Independentemente da nacionalidade ou do estilo dos profissionais envolvidos, a fórmula de uma comédia romântica sofre poucas variações. A receita gira em torno de casal feliz + conflito + sofrimento = redenção e final previsível. E como nós gostamos disso.
Apesar de mínimas, as diferenças existem. O que distingue, por exemplo, uma comédia romântica americana de uma italiana?
Os americanos sabem levar a história com leveza – e com aquele inevitável clipe lá pelo meio da projeção que marca a mudança na vida das personagens. Já os italianos, nem no que poderia ser um filme leve e descompromissado se esquecem de seu lado dramático e passional. Aliás, em todos os gêneros – há algo mais dramático do que Pinóquio?
A passionalidade italiana está presente em “Ah… O Amor”, indicado a nove “David di Donatello”, considerado o prêmio mais importante da Itália. Ele concorre nas categorias melhor filme, diretor (Fausto Brizzi), atriz e ator protagonista, edição, roteiro, canção original, som e composição musical.
A premiação será em maio, mas podemos engrossar o coro de “já ganhou” com segurança.
“Ah… O Amor” – cujo título original é simplesmente “Ex” – parte do princípio de que se todos não amaram uma única vez na vida, pelo menos uma certeza podem ter: a de que serão ex de alguém um dia.
Para sustentar a teoria, o filme mostra a história de cinco casais que passam por problemas de relacionamento. Um está em vias de se casar, outro de se separar e um terceiro de se divorciar. Há também o ex que vira atual e o que será ex para sempre porque sua parceira é morta.
“Ah… O Amor” é principalmente sobre a tentativa de recuperar um tempo que já passou. Num momento de crise cada uma das personagens luta para retomar algo – uma juventude perdida, um convívio com os filhos que nunca existiu ou até um amor do passado que acreditava-se enterrado por obra de Deus.
O elenco é desconhecido para o público brasileiro, mas pelo menos um nos é familiar: Silvio Orlando, que esteve por aqui no ano passado e em 2008 ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza por sua atuação no filme “Il Papà di Giovanna”.
Vale a pena conferir.

2010/01/25

ÚLTIMO CAPÍTULO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:14

Com o aguaceiro que desaba em todo o Brasil seria muita sorte não precisar trocar o guarda-sol pelo guarda-chuva em algum momento da viagem.
Com o dia nublado e com uma ou outra abertura de sol, uma boa saída foi conhecer o centro histórico de Porto Seguro – também chamado de “Cidade Alta”, já que se localiza no cume de um morro. Lá de cima, uma incrível vista das praias de Cruzeiro, Curuípe, Mundaí e da formação de corais de “Recife de Fora”.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1973, o centro recebeu maior atenção das autoridades graças às comemorações dos 500 anos do Descobrimento. Em 2000 ganhou iluminação e foi reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade.
Numa vilinha simpática e muito bem-cuidada estão casinhas coloridas, três igrejas – São Benedito, Nossa Senhora da Pena e Misericórdia –, a antiga Cadeia Pública – que hoje funciona como museu – e algumas lojinhas de artesanato. Um passeio agradável.
Na parte da tarde, com um São Pedro inspiradíssimo, a programação segue na linha “Em busca das origens”. Na praia de Coroa Vermelha – já no município de Santa Cruz de Cabrália – está o marco da primeira missa celebrada no Brasil pelo frei Henrique Soares de Coimbra, em 26 de abril de 1.500. No mesmo local está instalada uma aldeia indígena pataxó e uma onipresente feirinha de quinquilharias – “Pataxopping” para os íntimos.
Apesar da iniciação católica, à noite Porto Seguro toma o caminho da perdição. A partir das seis da tarde começa a ser montada perto do cais a “Passarela do Álcool”, que espalhou a fama da cidade para o resto do Brasil.
Pela passarela desfila-se de tudo. Vale fazer tererê nos cabelos, servir de modelo para um artista de rua, comprar acarajé, cocada, maiôs, bijuterias, produtos falsificados, DVDs com coreografias de grupos de axé ou saborear o drinque típico de Porto Seguro, o “Capeta” – guaraná em pó, vodca, leite condensado e frutas ao gosto do freguês.
Os que não capotam com o Capeta podem prosseguir a noitada na Ilha dos Aquários, tentar encontrar um Drácula na casa noturna temática “Transilvânia” ou suar com as coreografias nas megabarracas de praia que têm programação noturna. O menu é variado.
O diário de bordo se encerra por aqui. Espero que tenham curtido e que as informações lhes sejam úteis algum dia. A seguir cenas do próximo capítulo…

Vejam fotos AQUI

2010/01/24

PRAIA À VISTA!

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:57

Almoço no Quadrado: R$ 35. Ingresso do “Arraial D`Ajuda Eco Park”: R$ 60. Admirar a natureza quase que como foi criada: não tem preço.
O troféu de melhor praia do roteiro vai para Santo André, no litoral norte. Desprovida de qualquer talento poético para descrevê-la, recorro jocosamente a Armandinho, cantor-de-um-hit-só: “quando Deus a desenhou ele tava namorando”.
Santo André é um povoado de pescadores alcançado a partir da balsa que sai em intervalos de meia hora de Santa Cruz Cabrália.
Enquanto aguardamos a saída da embarcação observando as escunas ancoradas, temos a sensação de que Cabral irá descer de alguma delas. Além do cenário propício, há ambulantes fantasiados de índios vendendo cocares, brincos de penas coloridas e, se bobear, até flechas.
A travessia pelo rio João de Tiba já vale o passeio. O rio é belíssimo e a paisagem exuberante.
Saltando da balsa, são mais dois quilômetros até a praia.
Na chegada, a constatação de que Santo André é a mistura perfeita. De um lado, banho de mar em águas calmas. De outro, a piscina formada pelo rio João de Tiba. E tranquilidade em toda parte.
Santo André é a praia mais sossegada, mas conta com uma boa estrutura para o turismo – oferece vários restaurantes e pousadinhas charmosas.
Na caminhada em direção à praia vizinha, Santo Antônio, a paisagem se torna cada vez mais desértica. Primeiro a Praia das Tartarugas, que abriga apenas o hotel e pousada “Fazenda Amendoeira” e está num cantinho em que piscinas naturais formam-se durante a maré baixa. Quem tiver fôlego para cruzar uma trilha no meio do mangue chega à Praia das Conchas e, depois, a Santo Antônio.
De Santo Antônio tem-se a melhor visão de Coroa Alta, um misto de banco de areia com recifes de corais cujo nome oficial é “Parque Marinho de Coroa Alta”.
Esta é Santo André. Rio, mar, conchas e até o que considero o maior programa-de-índio do mundo: visitar banco de areia. Se bem que na Costa do Descobrimento tudo é – ou já foi – programa de índio.

Acima, “indiozinho” aguarda a balsa

Confiram fotos AQUI

2010/01/23

REFLETINDO SOBRE A BELEZA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 07:36

Nelson Rodrigues já disse que toda unanimidade é burra. Além de polêmica, a afirmação é generalista e radical, mas tem lá um certo sentido.
Isso porque o assunto em questão é a Praia do Espelho. Localizada a cerca de 20 km de Trancoso, mais em direção ao sul, vira-e-mexe a praia aparece na lista das mais belas do Brasil.
Ainda não conheço as maravilhas de Fernando de Noronha, mas as praias de Carro Quebrado e Gunga – ambas em Alagoas – e Praia Bela – na Paraíba – são bem mais fascinantes do que a do Espelho.
Infelizmente há milhares de turistas que se influenciam por rankings do tipo “o mais belo”, “o melhor” ou “os dez mais”. E pronto: o mito está construído.
De fato, a Praia do Espelho – cujo nome oficial é Curuípe – é bonita, serena, tem areia branquinha, sossego sonoro e também abriga um riozinho ótimo que ajuda a nos livrarmos do sal que gruda no corpo. Mas a propaganda é melhor do que a realidade e frustra a expectativa de quem imagina que vai chegar ao paraíso.
Formada basicamente por recifes visíveis durante a maré baixa, a Praia do Espelho é “caminhável” apenas até um certo horário. Depois tudo vira mar e o jeito é se espreguiçar debaixo dos coqueiros e curtir o visual. O nome surgiu por causa do efeito espelho provocado pelo reflexo do sol nas piscinas naturais.
Se gosto não se discute, uma coisa é certa: a Praia do Espelho pode tranquilamente figurar no ranking de “praia de mais difícil acesso”. Os quilômetros finais do percurso que leva à localidade tornam-se uma aventura porque são percorridos numa estradinha de terra péssima – talvez isso faça parte do encanto.
Estive na praia um dia antes do início da cobrança da taxa de visitação de R$ 15 por pessoa. Segundo a prefeitura, o dinheiro arrecadado será investido na limpeza e na segurança do lugar. Mas a melhoria da estrada de acesso também não cairia mal.
Graças à fama e à contribuição financeira dos turistas, a praia pode continuar indagando às suas piscinas naturais: “Espelho, espelho meu, existe alguma praia mais bela do que eu?”.

Mais fotos AQUI

2010/01/22

CADA UM NO SEU QUADRADO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:17

Trancoso fica a cerca de 24 km de Arraial D’Ajuda. O vilarejo – que ganhou as páginas de revistas de turismo e celebridades a partir da década de 80 – se tornou o destino preferido de nove entre dez celebridades. Ainda assim, Trancoso oferece paz e tranquilidade para todos os estômagos e ouvidos.
Além de o vilarejo ser sempre associado a Elba Ramalho – que virou até nome de colégio por lá –, Trancoso tem outras duas palavras-chave: Club Med – localizado na praia de Taípe, quase em Arraial D’Ajuda – e Quadrado.
O Quadrado é um grande gramado retangular cercado por restaurantes, lojas made in São Paulo ou Rio e pousadas. Todos eles abençoados pela Igreja de São João que, a exemplo de Arraial D’Ajuda, conta com um mirante na parte de trás de onde é possível ter uma boa visão das praias dos Coqueiros e dos Nativos.
O Quadrado dá uma dimensão do ecletismo de Trancoso. Além de abrigar pousadas como a “Jacaré do Brasil” ou a “El Gordo”, acolhe bolsos mais modestos no albergue “Café Esmeralda” – o mais bem localizado do Brasil?
Lá embaixo, as praias dos Coqueiros e Nativos são divididas pela foz do rio Trancoso. Cristalino, é ele quem se encarrega de separar dois mundos. De um lado, a praia da galera, a dos Coqueiros, com axé e gente se enterrando na areia. De outro, a dos Nativos, senão exclusiva, um pouco mais calma.
Imediatamente após a travessia do rio Trancoso está o Tostex – bar que nasceu na praia há dez verões e depois de alguns anos migrou para a região dos Jardins, em São Paulo. A decoração é tão espetacular que até o simples sanduíche na chapa que dá nome ao lugar se torna um banquete.
Um pouco mais adiante está a hospedaria dos chiques e famosos, a “Estrela D’Água”, num local praticamente deserto da praia dos Nativos. A pousada encontrou naturalmente uma maneira de dificultar a visão de seu interior, já que se instalou no alto de uma falésia.
Enfim, em Trancoso, cada um está, literalmente, no seu quadrado.

Acima, o rio Trancoso

Confiram fotos AQUI

2010/01/21

ARRAIÁ BOM DEMAIS

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:57

Arraial D’Ajuda já foi reduto de hippies. Hoje é uma vilinha cheia de charme e badalação – mas sem a exclusividade de Trancoso.
O caminho até Arraial é um convite ao sossego. A paisagem começa a fazer bem aos olhos durante a travessia da balsa pelo rio Buranhém a partir do cais de Porto Seguro. Em pouco mais de cinco minutos de navegação temos belíssimas imagens – na retina e na câmera fotográfica. Já do outro lado, são cerca de quatro quilômetros até o alto da vila.
As praias mais famosas de Arraial são Pitinga e, mais em direção ao sul, Taípe – ambas com gigantescas falésias.
Mas gostosa e aconchegante é Mucugê, sem axé alto, sem dança da bundinha, sem vendedores insistentes e sem megabarracas. Enfim, sem farofa.
As barracas de Mucugê são, na verdade, tendas montadas fora da areia numa parte mais elevada. Uns fazem massagens, alguns leem e outros preferem gastar R$ 60 para entrar no “Arraial D’Ajuda Eco Park” – o “Wet n´Wild” baiano.
Fim de tarde é hora de conhecer melhor o centrinho. Passando pela “Broadway” – rua com algumas lanchonetes e comércio –, chega-se ao Largo da Ajuda. Ladeado pelas clássicas lojinhas pega-turista, lá está o principal monumento histórico local – a igreja de Nossa Senhora D’Ajuda.
Na mesma praça, um jardim abriga um monumento horroroso formado por três aviões que parecem querer reproduzir manobras da Esquadrilha da Fumaça (aceito teorias e explicações para o enigma).
Mas o melhor está atrás da igreja, de onde se pode admirar a beleza das praias de Arraial a partir de um mirante privilegiado. À tarde, com a sombra e a brisa, é o lugar ideal para descansar a moleira depois de um dia inteiro lagarteando sob o sol.
É também o cenário perfeito para planejar a incursão do dia seguinte: Trancoso.

Acima, por-do-sol no rio Buranhém. Vejam outras fotos AQUI

2010/01/20

COM O PÉ NA BACIA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:42

Sabem para o que servem as férias? Para abandonarmos a casca, trocarmos de pele – literalmente – e nos darmos conta de que somos uma merrequinha de grão de areia no oceano. Enquanto nos distraímos – ou nos iludimos – com nossas demandas diárias importantes e inadiáveis, seres em vários cantos do mundo têm atividades mais ou menos redentoras, rentáveis ou improrrogáveis do que as nossas e podem ser mais ou menos felizes do que julgamos. Mas isso nem é tão relevante. O ponto é o confronto de realidades tão distintas.
Às seis da tarde, enquanto um sujeito está parado num trânsito infernal, um queima o pé na areia quente da praia e outro arranca uma mandioca da terra alheio a terremotos e outras desgraças – as naturais e as civilizadas.
Férias é o momento em que nos deparamos com situações díspares como essas, nos surpreendemos e filosofamos “baratamente” sobre a experiência.
Poucos dias longe da rotina e já somos capazes de jurar que é possível viver apenas com um biquíni e um par de Havaianas. Quem precisa de mais? Mas viramos abóbora assim que encaramos o aeroporto de São Paulo.
Foi essa a minha sensação após uma rápida temporada em localidades do sul da Bahia, como Arraial d´Ajuda, Trancoso, Praia do Espelho, Santo André, Santo Antônio e Mutá – esta próxima ao centro de Porto Seguro.
O agito que fez a fama de Porto Seguro é justamente seu maior vilão. Megabarracas de praia como “Barramares”, “Axé Moi” ou “Tôa Tôa” são mais indicadas para os que querem se sentir na 25 de Março em pleno litoral baiano. As tendas praianas estão para a 25 de Março assim como a “Passarela do Álcool”, no centro da cidade, está para a praça da Sé. Ambas são o inferno na Terra.
Para aproveitar a viagem, o ideal é passar bem longe dali. Nos próximos dias, um relato de minhas impressões e, claro, fotos. Aguardem!

2010/01/11

PAUSE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 19:08

TINHA UM BURACO NO MEIO DO CAMINHO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 13:11

Quando a vida te der um buraco, faça uma macarronada. Ou um churrasquinho. O prato vai depender do apetite, do tamanho da cratera e, principalmente, do talento das vítimas.
E foi exatamente criatividade o que não faltou a dois fotógrafos canadenses quando dirigiam sua caranga em direção a Outremont – um bairro chique nos arredores de Montreal.
Claudia Ficca e Davide Luciano caíram num buraco que lhes rendeu um prejuízo de 600 dólares e a ideia para o projeto “Potholes” (“Buracos”).
Apesar da dor de cabeça e do custo para o conserto do carro, o incidente levou a dupla a fantasiar várias cenas que poderiam se passar dentro de um buraco. “Não seria engraçado se víssemos uma mulher lavando roupa?”. A partir daí eles começaram a criar e a fotografar situações inusitadas em Montreal, Nova York e Los Angeles.
Além da lavadeira, há uma em que o buraco é uma pia batismal, outra em que é um recipiente para fritura de donuts – ou para gelar as bebidas para um churrrasco –, um reservatório para amassar uvas para a produção de vinhos, uma fenda para a entrada de um mergulhador ou até a sepultura para um cão.
A cena do macarrão com almôndegas foi a única clicada em Nova York, na Greenwich Street.
A dupla conta que não teve dificuldades para elaborar o cenário. Tudo foi rápido. Somente a visita de um ou outro motorista curioso e de alguns policiais que não chegaram a pedir explicações.
O comilão da foto é o irmão de Davide Luciano.
Claudia e Davide elaboraram 13 cenas em Montreal, uma em Nova York, três em Los Angeles e no ano passado planejavam viagens para a Austrália, Japão, Sudeste Asiático e Europa.
Infelizmente o Brasil não está no roteiro, mas como é do conhecimento de todos, temos cenários paradisíacos no quesito buracos. Os nossos, por estarem num período fértil graças às chuvas de verão, renderiam mais do que cenas. Há crateras que abrigariam cenários para filmes – de terror, diga-se de passagem.

Vejam mais fotos de Claudia e Davide AQUI

Amigos, este blog faz uma pausa para girar por Trancoso e arredores. Estamos de volta com novidades dia 19/01. Até!

2010/01/10

QUICAR É PRECISO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:31

O “Jogo do Deitado”, do Facebook, já era. A moda do momento na Internet é o “Bed Jumping”. A brincadeira consiste em fotografar-se pulando sobre uma cama de hotel ou de casa.
Os participantes – que são mais encorajados à prática em camas de hotéis – devem posicionar a câmera num bom lugar, ajustar o timer e saltar com uma expressão feliz. E só. Mas o criador do site oficial descreve a atividade como “completamente intoxicante”.
O site recebe inúmeras contribuições de todo o mundo e sua página no Flickr tem mais de 17 mil fotografias de “bed jumping”.
Apesar de ter conquistado adeptos recentes, a brincadeira é antiga e encontrou uma parceira de peso: a rede de hotéis Intercontinental.
Em maio do ano passado a empresa lançou uma promoção a fim de quebrar o recorde de maior “bed jumping” do mundo. Cerca de 20 mil pessoas saracotearam nas camas confeccionadas especialmente para o evento em quatro cidades: Xangai, Paris, Londres e Nova York.
As camas, gigantescas, foram construídas em locais estratégicos – na Place de la Defense, em Paris, e em Covent Garden, em Londres. Elas tinham cerca de 13 x 8 metros e contavam com colchões que eram praticamente camas elásticas.
No fundo, o objetivo, mais do que quebrar recorde de “bed jumping”, era chamar a atenção para uma ação promocional dos hotéis Intercontinental. Na “get a free night”, o cliente que se hospedasse por duas noites ganhava outra em qualquer hotel da rede.
O gerente de marketing, no entanto, declarou que a ideia era ajudar as pessoas a “redescobrir a alegria de pular na cama com um sorriso no rosto” – tão convincente quanto o “completamente intoxicante” do outro.
Os adeptos, alheios ao rumo marqueteiro da brincadeira, mandam fotos divertidas para o site. Alguns alcançam boas alturas, outros fazem caretas, saltam nus, em grupo e até olimpicamente.

Vale a pena dar uma olhada no site AQUI

E na ação promocional do Intercontinental AQUI

Em breve, minha tentativa!

2010/01/09

QUANDO É HORA DE CONTAR ATÉ DEZ

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 09:32

Enumerar coisas, situações, frases ou pessoas irritantes pode ser tão trivial quanto preparar um Miojo. Ou se transformar numa conversa épica – daquelas em que discute se o ovo veio primeiro do que a galinha.
O assunto é tão palpitante que já foi alvo de inúmeras pesquisas. Há dois anos, uma lista apresentada pela Sociedade Australiana de Psicologia revelou quais eram as coisas mais irritantes do mundo para 4.400 australianos. Em primeiro lugar, ligações de telemarketing, seguidas de maus motoristas e atendimento ruim no setor de serviços.
A mesma pesquisa mostrou que, para combater as chateações, 36% dos entrevistados usa o humor como arma.
O ano mal começou e já há um novo estudo sobre esse tipo de comportamento. Nesta sexta-feira, uma reportagem do jornal britânico “Telegraph” estreita um pouco o foco e aponta o resultado de uma pesquisa sobre as mais irritantes tecnologias já inventadas.
A matéria não cita quem encomendou o levantamento, diz apenas que cerca de cinco mil pessoas foram ouvidas.
Encabeçando a lista, imbatível, o alarme de carro. Na vice-liderança, a ampulheta que aparece na tela do computador e, em terceiro, computadores que não funcionam.
Segundo o porta-voz de um site que recicla telefones celulares, “não importa o quanto isso nos irrita. Eles foram pensados para tornar nossa vida mais fácil apesar de nos frustrarem algumas vezes”.
O levantamento também concluiu que 68% dos homens lidam muito melhor com os problemas gerados pelos gadgets tecnológicos do que as mulheres. Além disso, as pessoas se aborrecem com algum deles pelo menos quatro vezes ao dia – o que gera uma média de seis minutos de fúria.
A despeito de tudo isso, dois terços dos entrevistados odeia ter de reconhecer que não viveria sem essas facilidades.

O top 20 das invenções tecnológicas mais irritantes de todos os tempos:

1) Alarmes de carro
2) Ampulheta aparecendo na tela do computador
3) Computador pifado
4) Radares
5) Menus telefônicos
6) Campainhas modernas
7) CDs que pulam de faixa
8) O sonoro “pam” do Windows
9) Fones de ouvido desconfortáveis
10) Impressoras
11) Respostas automáticas do tipo “ausente do escritório”
12) Palavras que se autocompletam quando você está escrevendo uma mensagem de texto
13) Voz do GPS dos automóveis
14) Despertadores
15) Mouse de bolinha
16) GPSs
17) Luzes de segurança
18) Alarmes de residência
19) Televisão interativa
20) Sensores de estacionamento dentro do carro

Inaugurando a ferramenta “Enquete”…

2010/01/08

VENDER PEIXE É UMA ARTE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:52

Sou apaixonada por fotos e anúncios publicitários antigos. Não só pelo visual, mas pelas mensagens involuntariamente engraçadas boladas pelos Olivettos de priscas eras.
Tenho alguns sites preferidos sobre o tema, como o “Plan 59”, uma ampla galeria com imagens maravilhosas. Recentemente descobri mais um para figurar na minha lista de favoritos, o “Found in Mom´s Basement” (“Achado no Sótão da Mamãe”), que existe há mais de quatro anos.
Como define o próprio autor: “Anúncios antigos – encontrados no sótão da mamãe, em mercados de pulga e pela Internet – desempoeirados e publicados para seu deleite visual”.
Percorrer o site em alguns minutos é uma tarefa difícil. Cada anúncio merece ser visto com atenção para total “deleite visual”.
Na maioria, a tentativa de demonstrar pioneirismo resulta em algo bonito, ingênuo, politicamente (in) correto e tosco num só tempo – especialmente os das décadas de 50 e 60.
Algumas características são recorrentes. A mais marcante é que em toda publicidade de cozinha as mulheres, mesmo que estejam preparando uma buchada de bode, são retratadas em vias de sair para uma festa – com saias rodadas e colares de pérolas.
Há também dicas absurdas, como um anúncio da “Seven-Up” que recomenda misturá-la ao leite – em partes iguais – porque “dá ao leite um sabor especial que agrada às crianças”.

Abaixo, uma seleção dos mais toscos:

Esse remédio para hemorróidas promete a cura sem cirurgia. Qual a intenção de colocar a possível paciente de costas? (1946)

Mais machista impossível. Diz o anúncio das gravatas “van Heusen”: “Mostre a ela que o mundo é dos homens” (1951)

Cursos por correspondência existem antes do famoso “Instituto Universal Brasileiro”. Esse oferece lições de hipnose: “É facil hipnotizar – quando você sabe como” (1952)

Gêmeos asfixiados: o celofane da DuPont apela para um tipo de venda perigosa. “Boas coisas são duplamente boas num celofane” (1954)

“Boneca instantânea para festas – para o escritório, praia, piscina… Ela senta, fica em pé, dança e flutua”. Essa avó das bonecas infláveis “vai deixá-lo sem ar” (1964)

Gasparzinhos-trash: “Nenhum fantasma elegante vai se contentar com menos do que os lençóis Dan River”. A ideia é causar riso ou medo? (1964)

O.J. Simpson já usou botas em três pernas (1979)

A mensagem das cuecas francesas é simples: “Pra quê gastar tanto para tão pouco?” (1979)

Politicamente incorretíssimo: “Os cigarros são tão longos que nós vamos perder o casamento. Mas eu sou a noiva. Eles vão esperar” (1989)

2010/01/07

DANDO UMA ESPIADINHA

Arquivado em: Cultura inútil — trezende @ 08:40

Uma boa e uma má notícia para quem não suporta reality shows. A boa: os valores dos prêmios aumentaram. A ruim: eles vieram para ficar.
Dez anos após sua invenção – o primeiro foi “Survivor” –, eles têm conseguido manter um público fiel e apresentar novas versões a cada ano e a cada país que passam.
O bebê cresceu e já virou um pré-adolescente, mas grande parte dos telespectadores continua dizendo que ignora sua presença em casa.
Na próxima terça-feira começa a décima edição do “Big Brother Brasil” – apesar de “A Fazenda 2” continuar no ar. Um dia antes da estreia de BBB 10, o SBT terá transmitido seu novo “vida ao vivo show”. A exemplo de “Casa dos Artistas” deve causar polêmica.
Trata-se de “Solitários”, cujo objetivo não é testar a boa convivência entre os confinados, mas pôr à prova seus limites físicos. Eles ficarão totalmente isolados num cubículo sem janelas durante sete semanas. No local, só um compartimento para depósito de refeições, uma ante-sala e um banheiro químico.
O reality do senhor Abravanel passará do voyeurismo ao sadismo. Ou à selvageria?
Além desses, há uma infinidade de programas semelhantes na grade de programação mundial: “Esquadrão da Moda”, “Supernanny”, “Brazil´s Next Top Model” (e outros filhotes pelo planeta), “Simple Life”, “O Aprendiz” (agora com João Doria Jr.), “Ídolos” e todo tipo de “Namoro na TV”.
Tão ou mais bizarro do que “Solitários” é o que chega às TVs holandesas em junho: “Prisioneiro do Amor”.
O título é divertido, mas o resultado, tão arriscado quanto o produto de Silvio Santos.
No programa, exibido pela NCRV, um bando de mulheres desesperadas para subir ao altar terão encontros às cegas com detentos recém-saídos da prisão.
Roy Aalderink, diretor da produtora responsável pelo formato, admite que a atração é controversa, mas acredita que o público reconhecerá que os ex-presidiários são pessoas normais e têm o direito de encontrar o amor.
Ele também declarou: “O Ministro da Justiça da Holanda disse que três coisas são fundamentais para um ex-preso começar uma nova vida. Uma nova casa, um novo trabalho e o mais importante: uma esposa”.
O romantismo será reservado para poucas – somente para as três que forem selecionadas pelos novos “positivos e operantes”.
O programa acompanhará o convívio do trio e, no fim da temporada, as participantes terão de adivinhar por que seus príncipes estiveram engaiolados. Se acertarem – e sobreviverem –, ganham um prêmio. A dúvida é se o troféu é o marido.
O medo de ficar pra titia é maior do que considerar a hipótese de encontrar um Hannibal Lecter pela frente. No mínimo.
Nós, telespectadores, assistimos a tudo – ou não – da poltrona. Será que esse pré-adolescente chega à maioridade ou vai para o paredão?

2010/01/06

PREVENINDO OU REMEDIANDO?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:22

Dia sim, outro também somos informados sobre famosos achados mortos em seus apartamentos por uso de drogas. Uns pelo abuso de tranquilizantes, outros de remédio para emagrecer, crack, heroína, cocaína ou por aquelas que nem o nome sabemos ao certo.
Se abrirmos o leque para o mundo dos mortais, notícias com esse teor estarão no ar 24 horas por dia.
Assim como a variedade de substâncias ilícitas, evoluem também as formas de consumo.
Segundo a BBC, a moda na Espanha é consumir LSD pelo olho. Por que esperar pelos efeitos por 40 minutos se eles podem chegar em 15?
As autoridades de saúde dizem que consumir LSD pela mucosa ocular acelera os efeitos alucinógenos porque, sem passar pelo fígado, a substância chega mais rápido ao sistema nervoso central. Alegria a olhos vistos.
O único problema é que, além de causar danos ao sistema nervoso central, pode levar à cegueira.
Já em Nova York, uma iniciativa do Departamento de Saúde e Higiene Mental está causando a fúria de quem paga impostos.
A ideia é semelhante à da Ong brasileira “É de Lei”, que tem um projeto de “redução de danos” junto a usuários de crack do centro de São Paulo – aquele que distribui piteiras de silicone e manteiga de cacau aos viciados.
O departamento novaiorquino lançou uma cartilha direcionada a usuários de heroína: “Take Charge, Take Care: 10 Tips for Safer Use” (algo como “Assuma o controle, se cuide: 10 dicas para um consumo mais seguro”).
Em 16 páginas, o manual dá conselhos ilustrados de como evitar maiores estragos durante o uso. De acordo com o Departamento de Saúde, a medida é necessária porque a overdose acidental é a quarta causa de morte entre adultos em Nova York. Estima-se que sejam cerca de 600 por ano. Foram distribuídas 70 mil cartilhas ao custo de mais de 32 mil dólares.
As dicas são divididas em capítulos do tipo “como prevenir a overdose”, “preparando as drogas cuidadosamente”, “use seringas novas” e “tome cuidado com suas veias”. Uma das sugestões: “Aqueça seu corpo (pule para cima e para baixo) para que suas veias fiquem à mostra. Encontre a veia antes de injetar”.
Diante de cidadãos indignados, nesta segunda-feira o prefeito Michael Bloomberg declarou: “Eu não acho que há uma maneira saudável de usar heroína, mas talvez existam jeitos menos danosos para fazer certas coisas”.
Ainda que tímida e disfarçadamente, começam a ser dados os primeiros passos no caminho à descriminação. Tô certa ou tô errada?

2010/01/05

FIADO SÓ AMANHÃ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:39

Janeiro é o mês em que o brasileiro tem a chance de demonstrar um de seus maiores talentos: o de mágico.
O gostinho do champanhe que porventura possa persistir na boca torna-se amargo. É o momento de pagar contas: IPVA, IPTU, fatura do cartão de crédito – que te faz lembrar dos delírios de consumo de dezembro –, matrícula e compra de material escolar para os que têm filhos em idade escolar.
O planeta também escolheu esta época do ano para seu acerto de contas com a humanidade. Em dezembro de 2004, apenas um dia após o Natal, assistimos quase que ao vivo à catástrofe causada pelo tsunami que se formou no Oceano Índico e matou mais de 200 mil pessoas.
Neste início de ano, em menos de três dias, o proprietário planetar visitou inquilinos em diferentes Estados brasileiros. A conta está saindo cara e em prestações nada suaves.
A que teve mais destaque na mídia – até por ser o oásis de ricos e famosos – foi a que levou pânico à Angra dos Reis. Na madrugada do primeiro dia do ano, mais de 50 pessoas deram adeus a 2010.
Tragédias com prejuízos emocionais e financeiros também ocorreram em Cunha (SP), Jacarepaguá (RJ), Sobradinho (RS) e Guararema (SP).
Mas a cena mais impressionante veio de São Luís do Paraitinga (SP). A imagem da torre de uma igreja centenária se desfazendo em tijolos e poeira no centro da cidade foi mais chocante do que a do Cristo Redentor no blockbuster “2012”.
Segundo uma profecia maia, o mundo desaparecerá em 21/12/2012. Não resistiríamos a Nibiru, um desconhecido planeta do sistema solar que estaria vindo em direção à Terra.
Será que o Brasil não terá a chance de abrigar suas Olimpíadas em 2016? Pouco provável. O mundo chegará ao fim – já passou por isso outras vezes –, mas daqui a bilhões e bilhões de anos.
De qualquer forma, a sucessão de desgraças nos leva a concluir que o planeta está interpretando ao pé da letra a expressão “põe na conta do papa”. Sim, sobrou até para o velho Ratzinger, vítima de uma beata desgovernada em plena Missa do Galo.
Sem querer fazer terrorismo, te cuida, Bento 16. Porque pelo menos na ficção, um terremoto devastará o Vaticano.

Para quem ainda quer fazer suas promessas para 2010, dica AQUI

2010/01/04

A TEIMOSIA VENCEU O MEDO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:56

Nunca antes na história deste blog uma estreia foi tão aguardada quanto “Lula, O Filho do Brasil”.
Parêntese: esqueçamos quaisquer mensagens subliminares de um lançamento como esse em ano tão oportuno e nos concentremos em seu objetivo mais prosaico: o da diversão.
Na página oficial do filme há uma frase do diretor de arte Clovis Bueno que auxilia na argumentação contra o longa de Fabio Barreto: “Em cinema, não basta ser verdadeiro – tem que ser convincente”. E “Lula, O Filho do Brasil” não convence.
Sobretudo porque é chato – para usar uma palavra muito simples e até infantil, mas que se aplica perfeitamente aqui.
Barreto parece ter ignorado que mesmo as boas histórias precisam ser bem contadas. Walter Salles, com o mesmo roteiro, teria feito um clássico.
Comentários de quem teve acesso ao filme antes da estreia davam conta de que a história levaria às lágrimas grande parte dos espectadores e causaria uma salva de aplausos ao final da projeção. Observações tão exageradas quanto os elogios à atuação de Glória Pires como Dona Lindu, a mãe de Lula. Glória está somente honesta.
No início o público é avisado de que os investimentos para a realização da obra não vieram de nenhuma lei de incentivo, mas de patrocinadores. Segue-se uma extensa lista, mas os principais são as construtoras Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa, a Oi, o Senai, a Grendene, a Souza Cruz, a Volkswagen, a Hyundai e, por motivos óbvios, a AmBev – representada pela Brahma. Até uma graninha do grupo EBX, de Eike Batista, entrou.
Enumerados os financiadores, chegamos ao segundo problema. Além de chato, o filme é mal dirigido. Certos equívocos são imperdoáveis no cinema: atores flagrados olhando para a câmera e barriga de grávida falsa. Ambos os problemas aparecem em “Lula, O Filho do Brasil”.
Quer dizer que Barreto e cia. ganham dinheiro da Odebrecht e apresentam uma barriga de oito meses de gravidez que é um travesseiro gigantesco e torto sobre a pança da atriz? Ora, trata-se de uma cinebiografia sobre o presidente do país, não de uma paródia dos Trapalhões.
Na história – baseada no livro homônimo de Denise Paraná – estão fatos já conhecidos da trajetória de Lula, como a infância miserável no sertão nordestino, a viagem de 13 dias até São Paulo, a relação conturbada com o pai alcoólatra, a morte da primeira esposa e do filho que ela esperava e a perda do mindinho num torno mecânico.
No entanto, mais da metade do filme trata da carreira de Lula como sindicalista. Pronto. A chatice está explicada.
É possível apostar que Lula tenha feito um pedido pessoal – que obviamente jamais será confirmado – para que o enredo enfatizasse com todas as cores sua vida de metalúrgico engajado que chegou a ser preso por militares. Afinal, quanto mais o povão se identificar com ele, melhor.
Para facilitar ainda mais esse reconhecimento, “Lula, O Filho do Brasil” não chega aos dias atuais, de popularidade recorde. Ele se desenrola apenas até a época das vacas magras, a década de 80, e termina com a morte de Dona Lindu – a precursora do slogan “Sou brasileiro, não desisto nunca”.
Outra sutileza: apesar de 70% do filme mostrar Lula às voltas com sindicato, greves e discursos inflamados, o que se ressalta em vários momentos é que seu objetivo não era a arruaça. O envolvimento de Lula se deveu às circunstâncias da vida – a recente viuvez – e à atuação política do irmão Ziza.
Sorry, o objetivo não era tanto mencionar as mensagens subliminares, mas foi inevitável.

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