O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/12/22

HOMEM DE FERRO

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:49

O clichê de Sherlock Holmes é o mesmo em qualquer lugar do mundo: o do inglês sério, com chapéu de caçador, casaco de lã, cachimbo e que entre um caso e outro profere o manjado “Elementar, meu caro Watson”.
Entretanto, foram as informações que não fazem parte do senso comum que parecem ter servido de mote para o cineasta Guy Ritchie levar às telas um Holmes moderno e pouco conhecido.
O filme estreia dia 25 de dezembro nos Estados Unidos. No Brasil está programado para 8 de janeiro, mas como o mundo gira e a Lusitana roda, este blog já o assistiu em primeira mão.
No elenco, Robert Downey Jr. – indicado ao Globo de Ouro como melhor ator de comédia ou musical pelo papel –, Jude Law (como Watson) e Rachel McAdams.
A descoberta de que Sherlock Holmes era boxeador já seria o suficiente para Guy Ritchie – fã de pancadaria – transformar um suspense num filme de ação. Mas Guy constrói um detetive que é quase uma máquina, o que talvez afugente vários fãs da personagem.
Além de explorar um tom meio “Matrix”, há muito sangue, um vilão vamp que é a cara do Andy Garcia, sequências num matadouro de porcos, perseguições, diamantes, piadinhas ágeis e “inteligentes” e, como já é praxe nos trabalhos de Guy Ritchie, uma história confusa e longa – duas horas e dez minutos.
Enfim, quem entrar na sessão inadvertidamente se sentirá como em “RocknRolla”: numa grande roubada.
O que não se discute é a escolha de Robert Downey Jr. para encarnar o detetive. O ator – que andou na rua da amargura por causa de sua relação com drogas – já havia exibido seu ótimo preparo físico em “Homem de Ferro”. Novamente não decepciona, mostra que pode ser mais do que um intérprete dramático e que está aparentemente recuperado.
É possível ainda que um ponto comum na biografia de Holmes e Downey Jr. contribua para a verossimilhança da personagem: o detetive inglês era usuário de cocaína. O filme não faz qualquer menção à droga – o ator dá apenas algumas fungadinhas.
Holmes não era adepto só da farinha. Ele fazia uso também de morfina, charuto, cachimbo e passava noites sem comer ou dormir.
Isso era elementar para vocês, meus caros Watsons?
Mas não se precipitem. A dica é aguardar mais um pouco para assistir a uma versão de Sherlock Holmes que promete ser bem melhor do que a de Guy Ritchie. A Columbia anunciou a produção de uma comédia estrelada por Sacha “Borat” Cohen e Will Ferrell. Sacha será Sherlock e Will, Watson.

P.S.: Enigma que segue indecifrado: de onde será que vem a fixação de Guy Ritchie por porcos e diamantes?

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