O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/12/12

O MINISTÉRIO DA CULTURA RECOMENDA: ASSISTAM

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:33

Premiações nem sempre são justas – desde as que elegem o melhor pastel da feira até as que coroam um filme com a estatueta do Oscar. Há muito mais interesses envolvidos do que imagina a tola cabecinha do público.
Em vários casos, a condecoração – que deveria servir como credencial – se torna sinônimo de repulsa. Ainda mais se os prêmios forem concedidos por críticos da área ou pelo júri.
Mas de vez em quando o talento fala mais alto do que o dinheiro ou o ego e surpresas positivas acontecem. “É Proibido Fumar”, de Anna Muylaert, foi eleito o melhor filme pelo júri oficial do Festival de Brasília deste ano. Também papou os prêmios de ator (Paulo Miklos), atriz (Glória Pires), montagem, trilha sonora, direção de arte, roteiro e atriz coadjuvante.
O reconhecimento de trabalhos do nível de “É Proibido Fumar” nos anima a pensar que nem só dos péssimos extremos vive o cinema brasileiro – que vai da cabecice de “A Festa da Menina Morta” ao esculacho de “Os Normais 2”.
Felizmente também há espaço para uma história bem contada.
Em primeiro lugar, é bom ficar claro que “É Proibido Fumar” não é um documentário sobre os males do tabaco ou sequer narra a luta de fumantes para driblar a Lei Antifumo que vigora em São Paulo.
A diretora e roteirista Anna Muylaert parte da vida simples de dois vizinhos – Max (Paulo Miklos) e Baby (Glória Pires) – para contar um grande caso de amor. A menção ao cigarro é porque Baby considera parar de fumar quando se interessa por Max.
O filme é uma graça e nos fisga pela atenção aos detalhes, pela história amarradinha com zero de maneirismos e ótimo elenco.
Paulo Miklos novamente dá um show – sua feiúra é proporcional ao talento. Em 2001, pelo seu papel em “O Invasor”, recebeu o Candango de ator-revelação. Agora, o bis vem pela interpretação do músico Max.
Mas o melhor de “É Proibido Fumar” são os atores do elenco de apoio. Coadjuvantes que mereceriam todos um Candango-revelação: o corretor que diz que fechar o boxe do banheiro é questão de jeito (Lourenço Mutarelli); a depiladora que insiste em fazer uma “brazilian” em Baby; o porteiro que, cansado das humilhações, sonha em voltar para sua terra natal; e a mais figura de todos: a senhorinha que tenta aprender a tocar violão mas que claramente não tem dom para a música (Lili Angel).
Há ainda participações especiais de Antonio e André Abujamra, Paulo César Pereio e Marisa Orth.
“É Proibido Fumar” não faz mal à saúde como “2012” ou como os filmes brasileiros citados acima. Não percam.

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