O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/12/10

DA MONTANHA À LAMA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 07:34

 

Em agosto deste ano, Woodstock, o festival de música mais conhecido do mundo, completou 40 anos. Para celebrar a data e colocar “dinheilinho” no bolso, Ang Lee volta às telas com “Aconteceu em Woodstock”, primeiro trabalho pós-“O Segredo de Brokeback Mountain”.
Baseado numa história real, o foco não incide sobre os “três dias de paz e música”, mas nas transformações ocorridas na vida de uma única personagem, Elliot Tiber.
Elliot trabalhava como designer de interiores em Nova York, mas volta à sua cidade natal por causa da doença do pai. Elliot – que na época tinha 34 anos – dividia seu tempo entre os afazeres no “resort” quase falido administrado pelos pais e o trabalho como presidente da Câmara de Comércio de White Lake – comunidade vizinha à cidade onde ocorreu o festival, Bethel.
Ao descobrir que o local que sediaria o evento não havia conseguido licença de funcionamento, Elliot intermediou o aluguel de uma fazenda na região, tirou a família do sufoco e atraiu mais de um milhão de pessoas a Bethel. Tudo regado a Toddynho.
Mesmo se pinçarmos uma frase espirituosa aqui e outra ali, “Aconteceu em Woodstock” é quase um “docudrama” – e não comédia, como está sendo vendido. Há pouco sexo e rock and roll, pero drogas, que las hay, las hay.
A opção de não cair no lugar-comum de falar sobre música e mostrar ripongas como seres mal-educados é acertada, mas Ang Lee poderia pelo menos ter feito algo mais vibrante. Em vez da aura louca que cerca Woodstock, o que se tem é um filme frio e arrastado.
Algumas soluções são tão criativas que talvez você e eu tivéssemos pensado em alternativas melhores.
Como sinalizar que um sujeito está viajandão? Animando desenhos psicodélicos, oras. Como passar a impressão que uma multidão é um “mar de gente”? Inserindo um efeito “waves” na pós-edição.
O comediante Demetri Martin – rosto conhecido no “The Daily Show” – tem carisma o suficiente para se segurar como protagonista, a personagem é quem não desperta simpatia. Está sempre travado, pensando na morte da bezerra – o “travado” aqui não no sentido de “aditivado”, mas de bobo mesmo.
Ainda com todos estes problemas, “Aconteceu em Woodstock” é mais palatável do que “O Tigre e o Dragão” graças, em parte, ao talento de Liev Schreiber (como Vilma) e Imelda Staunton (como Sonia, a mãe de Elliot).

Visitem o site oficial e “psychedelic yourselves” AQUI

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