O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/11/19

INVERNO EM PLENO VERÃO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 07:30

Antes do início do filme, o diretor alerta: “Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais terá sido mera coincidência”. Mas acaba se entregando ao dedicá-lo a uma tal de Jenny Beckman. “Bitch”.
À tentativa frustrada de não parecer uma obra com toques autobiográficos acrescente-se o aviso de que não se trata de uma história de amor com final feliz.
E lá estamos nós diante de “500 Dias Com Ela”, trabalho de estreia do diretor de videoclipes Marc Webb com o desconhecido Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel (de “Sim Senhor” e “Quase Famosos”).
Acompanhar os 500 dias de (des) aventuras é bem agradável. Singelo e inteligente como o cinema deveria ser. Em grande parte, essa satisfação é atribuída ao descompromisso das comédias independentes, que com uma boa ideia na cabeça e um orçamento Gata Borralheira no bolso têm resultado em algo sensível e divertido – caso de “Pequena Miss Sunshine” e “Juno” – este em menores proporções.
O filme narra a história de Tom e Summer. Ele, um apaixonado que cresceu ouvindo músicas inglesas tristes e que acredita que um dia encontrará sua cara-metade. Ela, uma garota que após o divórcio dos pais passa a amar apenas uma coisa na vida: seu cabelo. Amor para ela é algo tão ficcional quanto Papai Noel.
Tom e Summer, mas poderia ser Tom e Jerry.
O conflito de personalidades é permeado por uma trilha sonora da melhor qualidade: The Smiths, Regina Spektor, Simon & Garfunkel, Carla Bruni, e menções a bandas como Belle & Sebastian ou canções como “Here Comes Your Man”.
“500 Dias Com Ela” é ainda um filme que vai agradar em cheio quem viveu a adolescência nos anos 80. Além da trilha oitentista, há referências a personagens conhecidos da época, como a menina-robô Super Vicky, o seriado “Super Máquina” ou o baixista da Sex Pistols, Sid Vicious. Outro toque anos 80 é o melhor amigo do protagonista – uma mistura de Kiko do “Chaves” com João Armentano.
A liberdade dada pela “independência” permite a “500 Dias Com Ela” unir elementos tão opostos sem parecer pedante: citações a René Magritte, Bruce Springsteen, coreografia no parque à la “Clube do Mickey” com direito a inserção de passarinho azul animado, e a preferência da protagonista por Ringo Star – e não por Lennon ou McCartney.
Mas até a independência tem seu preço. Infelizmente o filme está quase saindo de cartaz em São Paulo – onde está há duas semanas. Corram.

Vejam o site oficial (com som) AQUI

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