
“2012” não esconde seu perfil caça-níqueis. Desde pegar carona num tema que desperta a preocupação da população mundial, passando pela referência à negritude do presidente americano (Danny Glover) até a estreia, numa sexta-feira 13. Nada é por acaso no novo filme de Roland Emmerich.
Depois da descoberta do poder de Bollywood e da conquista do Oscar por “Quem Quer Ser Um Milionário?”, virou moda em Hollywood inserir um indiano em algum lugar. Neste caso, o representante é justamente o cientista que com a ajuda de um amigo descobre que o fim do mundo está próximo – o filme se baseia numa previsão maia de que o mundo se acaba em 21/12/2012.
Mas “2012” é uma grande piada. É muito difícil não conter as gargalhadas diante de tantos absurdos. Equivocado está quem espera algo mais de um filme-catástrofe senão tragédias muito bem reproduzidas por computador, um apanhado de cenas previsíveis e o final feliz.
Seria razoável ainda que o filme não se levasse a sério. Ao que parece, o objetivo do roteirista era esse ao salpicar diálogos supostamente engraçados e espirituosos mas que resultam em piadinhas gratuitas – destaque para a fala do comandante Sasha para o seu cargueiro Antonov durante uma decolagem.
Além de errar no tom, “2012” abusa de cenas óbvias e repetitivas. Os carros do mocinho John Cusack são mais velozes do que o fim do mundo e até o Antonov é capaz de decolar quase sem pista. No terremoto que atinge o Vaticano – e consequentemente a Capela Sistina – a rachadura passa bem no meio do famoso teto, na pequena distância que separa os dedos de Deus dos de Adão. Para rolar de rir.
As filmagens foram realizadas em estruturas megalomaníacas. Galpões contavam com uma base hidráulica capaz de recriar terremotos de até 9 pontos na escala Richter.
Numa coletiva de imprensa, o diretor Roland Emmerich – o mesmo de “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã” – disse que a intenção não era fazer mais um filme-catástrofe. Só decidiu que era uma história que precisava ser contada quando viu que era uma nova versão da Arca de Noé.
No cataclisma vão-se todos os símbolos nacionais que conhecemos – inclusive o nosso representante, o Cristo Redentor, cujo desmoronamento é divulgado no filme pela “Globo News”.
Se há algo que se salva neste fim de mundo é Woody Harrelson, maravilhoso no papel de um maluco que se revela não tão maluco assim.
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