O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/07/31

EPITÁFIO ONLINE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:52

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alvoOs que escapam ao ciclo-padrão do nascem, crescem, reproduzem-se e morrem não podem fugir à realidade de que tudo tem começo, meio e fim. Relacionamentos vão e vêm e quando eles não dão certo em quem colocar a culpa? Talvez no cupido nó-cego.
A partir de duas experiências marcantes a jornalista americana Kathleen Horan criou um site que ajuda a exorcizar o sentimento da perda: o “Relationship Obituaries” (“Obituários de Relacionamentos”), no qual qualquer um pode tornar pública sua dor.
A ideia surgiu quando Kathleen passou por um inferno pessoal. Duas semanas depois de colocar um fim num namoro de três anos teve de enfrentar a morte do pai. Ao escrever a nota de falecimento, percebeu o quanto isso era reconfortante. Descobriu que o relato tornava a vida dele muito mais real e ao mesmo tempo a ajudava a se recuperar da perda.
Quando Kathleen chegou em casa juntou tudo o que lembrasse seu ex-namorado e colocou numa caixa, na esperança de esquecê-lo. Sem efeito. Então, decidiu começar a escrever um outro obituário, desta vez sobre o ex-relacionamento: como começou, a causa da morte e quem foram os sobreviventes. A princípio se sentiu meio boba, mas ela conseguiu tirar o ex da cabeça.
O site já registra mais de mil obituários. Os melhores entraram para o livro “Relationship Obits: The Final Resting Place for Love Gone Wrong” (“Obituários de Relacionamentos: O Lugar de Descanso Eterno para Amores Malsucedidos ”) lançado em junho.
As histórias variam entre absurdas – o de uma mulher que foi traída pelo marido após ter câncer e passar pela quimioterapia – e engraçadas – a de um rapaz que diz que seu relacionamento foi assassinado por um amigo, que falou mentiras sobre ele para a namorada.

Visitem o site AQUI

2009/07/30

FLY ME TO THE MOON

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:58

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malaAs iniciativas da prefeitura paulistana são sempre motivo de muita polêmica. Num ano a gritaria é causada pela implantação da lei Cidade Limpa, no outro é a ideia do pedágio urbano que mexe com os ânimos. Nesta semana, a restrição à circulação de ônibus fretados gerou uma série de protestos.
Enquanto isso, Nova York usufrui das benesses de um país de primeiro mundo.
Desde 2007 a administração de Michael Bloomberg dá passagens para os sem-teto deixarem a cidade. Os bilhetes são só de ida – e para qualquer lugar do mundo. Segundo a prefeitura, é muito mais barato transferir o problema do que gastar com o sistema de albergues, que representa um custo de cerca de US$ 36 mil ao ano por família aos cofres municipais.
Qualquer família pode se candidatar. Basta que tenha parentes em condições de recebê-la – inclusive em outra cidade americana. O plano é tão bem elaborado que torna-se sonho não apenas para os sem-teto. Afinal, além de arcar com os custos do visto, o departamento vai ao consulado, providencia cartas e paga pelos passaportes.
O programa custa US$ 500 mil por ano à prefeitura e já despachou cerca de 550 famílias – nenhuma delas voltou. Os destinos mais procurados são San Juan (US$ 484), Paris (US$ 6.332), Orlando (US$ 858,40) e Johannesburgo (U$ 2.550).
A questão dos sem-teto mexe com a cidade. Só nos últimos três anos o número de famílias desabrigadas que se inscreveu para ter lugar em um abrigo no verão cresceu 28% em relação ao restante do ano.
Por aqui a piada da passagem só de ida continua fazendo muito sentido. Podemos usá-la em situações de fúria quando pretendemos nos livrar de alguém indesejável.
Em Nova York é assunto sério – como é praxe no primeiro mundo.

2009/07/29

POR QUE POUPAR? POUPAR PRA QUÊ?

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:49

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tomadaPor que a galinha sobe e desce o pescoço enquanto anda? Os engraçadinhos costumam responder que é porque ela não tem braços.
Mas essa obviedade começa a fazer algum sentido graças a um estudo realizado pela Universidade de Michigan.
Um grupo de pesquisadores americanos e holandeses se dedicou a estudar por que o ser humano balança os braços quando caminha. E descobriram: vantagem mesmo, nenhuma. Os cientistas explicam que o hábito é uma relíquia evolucionária do tempo de nossos ancestrais quadrúpedes.
Apesar de não ter um fim em si mesmo, o balançar de braços é algo na linha do “melhor prevenir do que remediar”. Trata-se de uma economia de energia muito chinfrim.
Segundo os pesquisadores, quando fazemos esse movimento temos um gasto calórico para colocarmos em ação os músculos do ombro. Através de um teste realizado com dez voluntários, concluiu-se que quando alguém anda com o braço preso precisa de 12% a mais de energia metabólica.
O movimento pendular dos braços ajuda no equilíbrio e consequentemente faz com que não gastemos tanta energia com os músculos da perna.
A luta contra a balança é mesmo inglória. Enquanto damos preferência à escada em vez do elevador, vamos ao supermercado a pé e resistimos aos doces, o corpo só vai nos sabotando. Por que será que ele está sempre se preparando para um longo período de hibernação? Devemos seguir o exemplo de nossas irmãs galinhas e ficarmos no ninho?
Portanto, a dica aos xiitas da dieta é andar sempre com os braços presos ou atados ao corpo. Não é nada, não é nada, mas são 12% na conta.

2009/07/28

AS VIDAS DO GATO DO PELO ACAJU

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:46

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bolaferroJosé Sarney foi o senador que mais faltou no primeiro semestre deste ano. Ele não marcou presença em 17 das 60 sessões deliberativas.
Se há algo a se lamentar na informação veiculada pelo site “Congresso em Foco” é que notícias desse tipo não nos chocam mais. Pelo contrário, tornam-se de uma obviedade sem tamanho.
Sarney estava ocupado. Ora cuidando do umbigo de seus familiares, ora de seu próprio pescoço. Durante o preparo dessa feijoada, foi construindo sua história.
E é justamente no curriculum de Sarney que Lula encontra um álibi para defendê-lo: “O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.
Não faz sentido comentar esta e quaisquer outras declarações do presidente. A “Lulândia” é tão mágica que inebria e causa este tipo de alucinação. Nós, pessoas comuns, não entramos nesta dimensão – e nem no mérito dos pensamentos gerados lá.
Diante de acusações que estouram a cada 24 horas envolvendo o nome do Hércules maranhense, a afirmação sobre não bater em cachorro morto até faria sentido. Mas Sarney está mais serelepe do que nunca. Mais vivo até do que Michael Jackson em vida. Ou que os zumbis Eduardo Suplicy e Garibaldi Alves juntos.
Sobre Sarney, a conclusão é a mesma proferida pelo Ministério Público de São Paulo sobre Suzane von Richthofen. O promotor concluiu que ela não está apta a conviver em sociedade por apresentar “comportamento dissimulado e manipulador”.
Ou alguém conhece outra boa receita para se construir uma “história” dentro do Senado?

2009/07/27

EMPRESTAR É UMA ARTE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:47

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penteEm maio acompanhamos o incrível “Campeonato Internacional de Barba e Bigode”, que reuniu mais de 300 competidores de 15 países na cidade de Anchorage, no Alasca.
Pois agora este blog descobre um tema que serviria para uma competição tanto ou mais divertida do que a dos bigodudos: a de “comb over”.
O “comb over” é um penteado usado por carecas – ou pelos que estão quase lá – em que os longos cabelos de uma porção da cabeça são emprestados ao lado oposto, de forma a disfarçar a calvície. Talvez o patrono da categoria seja Donald Trump.
O assunto vem rendendo há algum tempo. Foi tema de um documentário em 2006 – “Comb Over – O Filme”, de Chris Marino. Filmado por 16 meses em várias cidades dos Estados Unidos, o documentário ouve de “praticantes” a psicólogos.
Chris Marino explica que sempre foi fascinado por esse “nível de negação” entre os carecas e revela que Nova York é a capital dos “comb overs”. Chris diz que a maioria dos entrevistados hesitava e tinha dificuldades para falar sobre o assunto e que em Fort Lauderdale até levou um soco de um “praticante” que não queria gravar um depoimento.
Além do filme, uma variação do penteado foi patenteada em Orlando, na Flórida, em 1977. Donald e seu pai, Frank Smith, inventaram uma maneira de cobrir a careca usando os fios de cabelo de três direções, como explica a foto abaixo.
No Japão, os adeptos do “comb over” são chamados de “homens-código-de-barras”, já que o visual estriado da cabeça muito se assemelha aos números e caracteres que propiciam a leitura óptica de um produto.
Além de uma boa dose de cara-de-pau, o detentor desta verdadeira obra-de-arte capilar precisa estar sempre munido de um pente e de um espírito “nem te ligo”.
Se as mulheres que fazem chapinha rezam para não chover, os senhores “comb over” torcem para que um tornado jamais se aproxime. Ao menor sinal de mudança do tempo, trancam-se em casa. Não há “comb over” que resista a uma reles brisa, quanto mais a um tornado.

Assistam a um trailer AQUI

Visitem o site do documentário, com mais trailers, AQUI

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2009/07/26

TÚNEL DO TEMPO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:47

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oculosA ararinha azul e o mico-leão dourado praticamente já tomaram Doril e há quem aposte que os jornais impressos irão pelo mesmo caminho.
Os destinos da informação ainda são incertos, afinal, houve quem imaginasse que os aparelhos de DVD fariam o cinema sofrer uma queda significativa no número de espectadores.
Se for capaz de acabar com os jornais em papel a Internet exterminará também as bibliotecas públicas? O bolão está lançado.
Não foi com o objetivo de catalogar obras raras e clássicas fadadas à extinção que duas bibliotecárias de Michigan criaram o blog “Awful Library Books” (“Péssimos Livros de Biblioteca”).
A meta é bem mais prosaica. Mary Kelly e Holly Hibner decidiram reunir os livros mais bizarros que encontraram na biblioteca pública em que trabalham. O critério usado foi o da mera diversão: obras ultrapassadas, irrelevantes, politicamente incorretas, feias ou inacreditáveis.
Desde abril estão no ar títulos como “O que há de Errado com a Minha Cobra?”, “Faxina Fácil e Rápida”, “Faça Seus Próprios Caixões – Para Animais de Estimação e Pessoas”, “Paixão por Burros”, “Roupas para Deficientes Físicos”, “A História do Guarda-Chuva”, “Guia para o Retorno do Cometa Halley”, “Como Lidar com os Pais e Outros Problemas”, “Introdução à Comunicação Celular: O Novo Sistema de Telefonia Móvel” e o mais chocante, “As Espetaculares Sanguessugas”.  
Trecho de uma página escaneada do livro “Convivendo com a Gravidez”, de 1975: “Com todo o respeito pela liberação feminina, alguém tem de fazer o serviço de casa e todas as outras tarefas chatas. Na verdade, o trabalho nem é tão demorado e esta foto mostra Judith usando o aspirador de pó. Vejam como ela mantém a excelente postura enquanto anda pela sala e arrasta a máquina sobre o carpete. Seus ombros estão relaxados e sua cabeça alta durante a entediante – mas ocasionalmente necessária – tarefa. Ela está atenta à postura, suportando bem o bebê com os músculos abdominais”.
À revista “Time” as autoras demonstraram-se surpresas com o sucesso do blog, que chamaram de “projeto nerd”. Apesar disso, a dupla acredita que está fazendo sua parte para encorajar autoridades a reciclarem os acervos das bibliotecas.

Visitem o site AQUI

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2009/07/25

SER E PARECER

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:56

islam

religiaoO mundo tem motivos de sobra para pensar que todo brasileiro é ladrão. Sabemos que não é isso – é quase.
Da mesma forma, algumas ações de islâmicos nos levam a julgá-los como terroristas fanáticos ou como torturadores de mulheres. De acordo com Roger Du Pasquier, jornalista suíço e autor de vários livros sobre o assunto, há pelo menos dez malentendidos envolvendo Islamismo e muçulmanos:

1. Muçulmanos são terroristas
A maior das distorções. Du Pasquier alerta para o fato de que quando um grupo de pessoas ataca outro aconteceu um crime, mas se um muçulmano abre fogo contra alguém é terrorismo. A mídia é a grande culpada. Segundo Du Pasquier há inúmeros versos no Alcorão que são contra a ideia de terrorismo, como “lute por Alá, mas não ultrapasse os limites por um deus que não ama transgressores”.

2. O Islamismo se expandiu na ponta da espada
Não há registros disso na História. O Islamismo chegou a vários países graças às igrejas privadas e sinagogas construídas para os não-islâmicos. Inicialmente um pequeno grupo espalhou a religião da Espanha ao Marrocos e da Índia à China, mas não houve imposição.

3. Mulheres não têm direitos
De fato, há países muçulmanos que impõem duras regras às mulheres, mas esse comportamento vai contra os ensinamentos do Islamismo. À mulher islâmica é permitido rejeitar um pretendente ao casamento, pedir divórcio, dirigir ou sair de casa. A busca pelo conhecimento é obrigatória, sendo considerado um pecado o contrário.

4. Muçulmanos são selvagens e bárbaros durante uma guerra
Pelo contrário. Há dez regras que eles devem seguir: não trair; não se desviar do caminho certo; não mutilar corpos; não matar crianças, mulheres e velhos; não machucar ou queimar árvores; não destruir prédios; não exterminar o rebanho inimigo (a não ser que seja para consumo) e ao encontrar pessoas que dedicam a vida ao monastério, deixá-las em paz.

5. Maomé era pedófilo
O fato de o profeta ter sido casado com uma menina de 9 anos não constitui pedofilia. Historicamente, a idade com que uma garota era vista como pronta para o casamento era a puberdade. Nesta época, tanto o homem quanto a mulher se tornavam legalmente responsáveis pelos seus atos.

6. “Jihad” é o mesmo que lutar em nome de Deus
O verdadeiro significado em árabe é esforço, grande empenho. Existem várias formas de “jihad”, as principais são “jihad al-nafs” (contra uma pessoa), “jihad bil-lisan” (usando a palavra), “jihad bil yad” (através da ação) e “jihad bis saif” (pelo uso da espada). Há registros de que quando Maomé retornava de uma guerra dizia que voltou de uma “lesser jihad” (batalha) para uma “greater jihad” (o esforço pela alma). Um muçulmano se empenhando contra sua própria alma é mais importante do que partir numa “jihad” para a guerra.

7. O Islamismo é intolerante com outras religiões
“Matar os infiéis” é a frase que muitos acreditam ser a ideologia dos muçulmanos, mas o Islamismo respeita outros tipos de fé. Segundo o Alcorão, Deus ama o justo.

8. Crianças não têm direitos
De acordo com as leis islâmicas a criança goza de vários direitos, como o de crescer, receber boa educação e ser tratada como igual. Ela também pode usar parte da riqueza do pai para o sustento se este se recusar a lhe dar uma vida digna. Uma criança não pode apanhar no rosto ou ser açoitada com qualquer objeto maior que um lápis.

9. Muçulmanos odeiam Jesus
Há muitas similaridades e referências históricas entre o Cristianismo e o Islamismo. Muita gente se espanta com a informação de que Jesus é considerado um dos grandes mensageiros de Deus. Jesus é citado diversas vezes no Alcorão como exemplo de virtude e caráter.

10. Todo muçulmano é arabe
Apenas 15% dos muçulmanos são árabes. O Oriente Médio vem em terceiro na formação da população islâmica. A maior parte é do leste asiático (69%), seguido pela África (27%). Outra distorção comum é sobre a ideia de que todos os árabes são muçulmanos. Quase. Cerca de 75% deles seguem as leis islâmicas.

2009/07/24

O HOMEM FEMININO

Arquivado em: Matutando — trezende @ 14:21

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paraboDurante muitos séculos associou-se mulher a sexo frágil. O tempo se encarregou de provar que a relação não era assim tão verdadeira na prática. E foi além: vem mostrando que se existe um sexo frágil é o masculino.
Recentemente presenciei algumas situações que reforçam a tendência.
A primeira foi há poucas semanas, durante entrevista com a vidente Archalus Hamparian, que faz a leitura da borra do café. De cinco clientes que a procuram, três são homens – ansiosos pela previsão do futuro formado pelos desenhos do pó numa xícara de café.
O curioso é que as questões para o oráculo cafeeiro não são exatamente relacionadas a assuntos profissionais ou financeiros. Os temas do coração predominam – há pouquíssimo tempo recorrer ao tarô, ao baralho cigano, às runas e até à bola de cristal eram artifícios de mulher abandonada.
Ontem, durante o almoço numa praça de alimentação, mais informações que comprovam a tese do macho sofredor. Sentado do meu lado esquerdo, um casal de amigos do sexo masculino. O mesmo ocorria pela mesa do lado direito. Em ambas, um chorava as pitangas amorosas para o colega da frente.
À direita, ao que tudo indicava, o pai solteiro reclamava sobre a mãe do filho: “depois que descobri que ela pegava o dinheiro da pensão e ia pra balada, larguei mão”. E punha-se a contar outras experiências: “essa outra era muito legal, a gente trocava mó ideia e ela era mó boa, cara, até pagou um lanche prum menino de rua uma vez. E não era bonita, hein?”. E o outro: “Ah, mas ela era bonita por dentro, né, cara?”.
Estava interessada no papo da beleza interior, mas fui obrigada a acionar meu modo “surround e estereo” quando ouvi algo vindo da esquerda: “Ela subiu a escada e disse que ia pensar, mas que talvez a resposta não fosse bem a que eu queria ouvir”.
Olhei para o autor da frase e tive pena. O coitado mostrava-se tão desolado que quase lhe paguei um lanche. Tinha levado um fora e não sabia como agir, afinal, tinha decidido que a tal da Simone era a mulher com quem ele passaria o resto da vida.
Lembrei-me da Archalus, do pó de café e fiquei pesarosa com o fato de não ter nenhum cartãozinho da vidente à mão para deixar sobre a mesa. Assim, como quem não quer nada.

2009/07/23

ACEITA PASSE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 14:34

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BWBW1512É com uma ideia simples e um cardápio na mão que o grupo de teatro Santa Víscera atrai olhares curiosos. O nome – uma alusão à cidade de Santa Maria (RS), local onde seus três integrantes se conheceram – chega a passar batido.
Marco Antonio, Lara e Graciane criaram o “Vendem-se Cenas”, uma espécie de teatro fast-food encenado aos domingos em alguns pontos da avenida Paulista.
O propósito é vender cenas – e não um espetáculo inteiro. O freguês pode solicitar o cardápio e optar por uma das 14 cenas selecionadas pelo grupo. Alguns trechos são clássicos, outros adaptados de textos dos próprios atores. As encenações duram entre 1 e 5 minutos, custam a partir de R$ 4 e não fazem ninguém perder o ônibus.
A lâmpada da criatividade acendeu por acaso, numa noite em que Marco Antonio e um ex-integrante vendiam brigadeiros e empadinhas que as meninas assavam. Ao oferecerem os quitutes a um casal gay, este propôs um desafio após descobrir que estava diante de uma dupla de atores: “a gente até compra um brigadeiro, mas primeiro vocês vão ter de fazer uma cena pra gente”.
Deu certo. O público varia de estudantes a motoboys – que dividem a preferência pelas comédias. O Santa Víscera se utiliza de poucos elementos. Sem cenários ou iluminação, usa acessórios simples como uma peruca ou um chapéu.
Belo começo para três malucos que saíram do sul do país com o sonho de conquistarem São Paulo.

2009/07/22

EXPOSIÇÃO DE ALCOVA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:58

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mascarasSilvio Berlusconi se sentiria em casa. Foi reaberto no início deste mês em Bruxelas, na Bélgica, o “Musee du Slip” (“Museu da Roupa Íntima”).
A exposição que traz o local de volta ao circuito das artes pela segunda vez em 25 anos é do artista Jan Bucquoy e reúne uma série de quadros de lingeries masculinas e femininas doadas por artistas, cantores, políticos e celebridades em geral, como John Kennedy, Lady Di, Abraham Lincoln, Margaret Thatcher, o ministro das Finanças da Bélgica Didier Reynders ou a ex-atriz pornô francesa Brigitte Lahaie.
Os que não quiseram contribuir foram brindados com uma peça cuidadosamente escolhida pelo artista. Cada exemplar é apresentado com um certificado que comprova sua autenticidade.
Bucquoy afirma que se ele tivesse aberto o museu em 1930, na Alemanha, exibindo quadros de Hitler com cuecas na cabeça ele poderia ter evitado a Segunda Guerra Mundial. “Se alguém parece aterrorizante, apenas a imagine em suas roupas íntimas. O conceito de hierarquia desaparece e você percebe que ele é um cara como outro qualquer. Somos iguais, universais”.
Uma das peças mais polêmicas é a do presidente francês Nicolas Sarkozy nas cores de seu país, obviamente.
Inspirado pelo surrealismo do conterrâneo Rene Magritte, não há indícios de que Bucquoy seja um dos mensaleiros, mas ele definitivamente sabe encher sua cueca de dólares.
Os quadros estão à venda por preços que variam entre US$ 564 e US$ 1.200. Uma peça relativa à Rainha Fabíola da Bélgica foi vendida na semana passada por US$ 775,8. A cuequinha colorida de Sarkozy também já foi comercializada.
Assim como os mensaleiros, Bucquoy tem uma justificativa para os valores dos trabalhos: “quando você compra um Picasso ou um van Gogh por 50 milhões está levando um pedaço de pintura a óleo – e nem tão bem pintada assim. Tanto no caso da ‘amarelidão’ do van Gogh quanto no caso da mulher com três olhos e dois narizes do Picasso. Quem pagaria 50 milhões por aquilo?”.
A exposição seguirá no outono para Paris, onde Bucquoy pretende conseguir a lingerie de Carla Bruni. O artista também tem planos de tentar algo do Papa ou do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. “As pessoas fariam fila”, diz Bucquoy.

2009/07/21

LARANJINHA E ACEROLA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:20

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megafoneMal começou, a CPI da Petrobras já desenterrou coisas do arco da velha. MV Bill, o paladino dos fracos e “reféns do medo”, segundo o próprio, é revelado o Sarney da favela.
Segundo a coluna de Diogo Mainardi, tudo teve início na época do lançamento do livro “Falcão: Mulheres e o Tráfico”. Os direitos autorais da obra, em vez de pertencerem a MV Bill e ao coautor Celso Athayde, são da “R.A. Brandão Produções Artísticas”.
O estranho é que essa empresa presta serviços à Petrobras e recebeu, além de R$ 48 mil de dois ministérios, R$ 4,5 milhões da Petrobras em 2008.
A “R.A. Brandão Produções Artísticas” faz qualquer negócio: cartilha sobre o meio ambiente, bufê em obras de terraplanagem, dicionário de personalidades da História do Brasil e até “design ecológico em produtos sociais”.
No mesmo endereço da R.A. está sediada a “Guanumbi Promoções”, que já recebeu R$ 3,7 milhões da Petrobras e é ainda mais eclética. Faz ações de “disseminação de informações estatísticas e geocientíficas”, “delimitação das áreas marinhas ecologicamente sensíveis” e “funcionamento de cursos de graduação da UFRJ”.
Para quem ainda não via maldade nisso, a informação que faltava: o endereço das empresas – Estrada do Guanumbi, em Jacarepaguá – aponta para uma casa de classe média alta onde o morador diz não conhecer a “R.A. Brandão Produções Artísticas”, nem MV Bill, nem Celso Athayde – vai ver até odeia hip hop.
MV Bill se defendeu em seu blog: “assim como não nos cabe acompanhar o relacionamento dos nossos fornecedores com terceiros, não faz o menor sentido estabelecer qualquer conexão entre essas partes”.
Ora, mas se MV Bill é tão contestador e defensor da ética, por que não estranhou o fato de ter de repassar seus direitos autorais a uma empresa?
De qualquer forma, antes de colocá-lo ainda mais contra a parede, partamos do pressuposto de que ele pode ter sido ingênuo ou estar desinformado das armações políticas. Talvez seus questionamentos só se apliquem às músicas e não à vida real. Idealista como os artistas, só tenha pensado em uma forma de publicar seu livro e entrou de gaiato.
Mas, depois dessa, torna-se constrangedor entoar versinhos como “(…) peço proteção de quem não teme nada, só mais confusão e mais gente machucada, favela ocupada o medo dominando, quem é trabalhador fica em segundo plano. O sangue marcando, o povo enterrando, imposto pagando, desacreditando, justiça clamando por Deus implorando (…)”.

2009/07/20

DA ARGILA À PORCELANA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:42

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ampulhetaEstamos a dois passos da fórmula da pílula da juventude. Para alguns, dois passos que os separam do paraíso.
Nesta semana, um time de cientistas que trabalha para a Procter & Gamble acredita ter identificado os genes responsáveis pelo envelhecimento da pele. Através de dados fornecidos pelo projeto Genoma Humano, os pesquisadores mapearam os 1.500 genes que decidem por quanto tempo o indivíduo terá uma cútis bundinha de nenê.
A indústria de cosméticos já torrou bilhões para desenvolver cremes e loções que teriam o poder de apaziguar ou reverter os efeitos do envelhecimento, mas agora é só uma questão de organização.
Segundo Jay Tiesman – um dos cientistas da divisão de beleza da Procter & Gamble – a pele envelhece de oito maneiras diferentes, cada uma delas controlada por um grupo de genes. “Envelhecer bem como Cliff Richard ou enrugado como Keith Richards depende parte de seu estilo de vida e parte desses genes”, avisa Jay.
Uma informação está mais do que confirmada: o fundamental é a hidratação – a forma com que a pele recolhe a umidade e a conserva utilizando moléculas que “dão a liga” entre a água e a pele.
Quanto mais velinhas apagamos, menos ativos ficam os genes que controlam este processo. A pele retém menos umidade e o resultado é a nossa aparência uva-passa.
O mesmo ocorre com a produção de colágeno – a proteína que dá sustentação à tez. Os cientistas creem que apenas no “colapso” do colágeno estejam envolvidos 40 genes.
Um outro grupo de genes é responsável pela forma como nossa pele reage à luz solar e uma outra turminha pelos radicais livres – as moléculas que podem destruir as células sadias do nosso corpo.
O fato é que nem com tanto gene dando duro o organismo é capaz de impedir a lei da gravidade. Portanto, o jeito é apelar para as poções mágicas que estão sendo desenvolvidas por esses bruxos chamados cientistas.
Preparem os bolsos. E o caixão de cristal.

2009/07/19

PROPOSTA DECENTE

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:39

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claqueteAlgumas atrizes são subestimadas em Hollywood. Esse parece ser o caso de Sandra Bullock –em parte, por culpa dela mesmo.
Apesar de boa atriz, Sandra não põe o bom senso com que atua a serviço da seleção de seus papéis. Limitada às comédias românticas ou filmes sem grande expressão, tem na sequência “Miss Simpatia” sua grande vitrine. Uma pena.
Bullock tem todas as características para despertar maiores simpatias. Bonita, carismática, sem afetação, pouco revela sobre sua vida pessoal. Distante dos paparazzi e das revistas de celebridades, aparenta ser disciplinada o suficiente para interpretar personagens que pudessem lhe valer um Oscar.
A comédia romântica da vez é “A Proposta”, no qual divide a cena com Ryan Reynolds – ex de Alanis Morissette e atual de Scarlett Johansson. Mencionar as opções amorosas de Reynolds é relevante para dar a noção de que o ator está tentando acertar – inclusive na carreira. Difícil é se acostumar à sua cara plastificada.
Bullock é Margaret Tate, uma dama-de-ferro que obriga seu braço-direito a se casar com ela para não ser deportada para o Canadá por causa do visto vencido.
Não é preciso ter no currículo nenhum filme do gênero para imaginar como essa história termina. Mesmo assim “A Proposta” é delicioso. A forma divertida com que é encaminhado ao já esperado final feliz é que o torna uma boa pedida.
Alguns críticos chegaram a escrever que Betty White – que interpreta a avó de Reynolds – rouba a cena. Mas essa função fica a cargo do ator cubano Oscar Nuñez, que vive o onipresente Ramone.
Ramone é tão eficiente quanto as facas Ginsu – pode ser dançarino erótico ou padre. Garantia de boas risadas.
Enfim, “A Proposta” não vai mudar a vida de ninguém nem tampouco será lembrado daqui a um ano, mas é uma ótima diversão sem compromisso.

2009/07/18

CHIQUEIRO CHIQUE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:02

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BWBW1107Nadar com golfinhos e mergulhar em meio a tubarões brancos são passeios comuns em viagens turísticas pelo mundo. Até no Brasil temos algumas versões selvagens, que são pescar piranhas ou nadar com os golfinhos que vivem nas águas sujas nos fundos de um bar-restaurante às margens do rio Negro, em Barcelos, no Amazonas.
Mas é nas Bahamas que se encontra atração mais surreal do que nadar com cações. Na praia de Pig Beach (Praia do Porco), localizada na ilha de Big Major Spot, é possível dividir a faixa de areia ou pegar jacarés com simpáticos porquinhos.
A descoberta aconteceu por acaso. O fotógrafo Eric Cheng estava no sul das Bahamas para fotografar tubarões brancos quando o capitão de sua expedição lhe contou sobre os Babes.
Ninguém faz ideia de como os porcos foram dar na praia, mas são velhos habitantes da ilha. Além de nadarem tranquilamente entre os turistas, são alimentados há vários anos pelos moradores.
Por enquanto não há registro de casos de gripe suína nas Bahamas, essa sim a legítima baía dos Porcos. Vale correr o risco.

Vejam fotos AQUI

2009/07/17

WHO LET THE DOGS OUT?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:15

yeda

algemasA foto acima, que ilustra a capa da “Folha de S. Paulo” de hoje, deveria figurar na porta da geladeira de todo brasileiro. É um registro inédito de uma situação que, puxando pela memória, não me recordo de ter presenciado antes: o de um político à beira de um ataque de nervos.
Desgrenhada, cuspindo fogo, com olheiras, pele maltratada e ainda atrás das grades, sem poder sair de casa, Yeda é o próprio símbolo do desespero diante dos milhares que acamparam em frente à sua residência em Porto Alegre para pedirem seu impeachment.
Nem a cena de Collor deixando o Palácio do Planalto em 1992 em companhia de Roseane foi tão marcante. O momento em que o casal embarcou no helicóptero da Presidência em direção à Casa da Dinda nos deixou com a alma lavada, mas não foi deprimente do ponto de vista físico. Collor estava elegantemente arrumado e engomado como de costume. E ainda partiu de helicóptero.
O ineditismo da imagem da Yeda contrasta com o comportamento-padrão dos políticos, que é um grande dar de ombros. Sergio Moraes – o deputado que se lixa para a opinião pública – já se reproduziu e nos entregou um filhote: o senador Paulo Duque, que um dia após ser eleito para comandar o Conselho de Ética do Senado afirmou que não teme cobranças porque a opinião pública é volúvel.
Se as declarações públicas dos parlamentares são nesse nível, é de se imaginar o que não falam – e fazem – nos bastidores. A cada absolvição, um brinde. Ou um top-top.
Portanto, assim como as pessoas que têm como meta emagrecer, coloquemos a foto de Yeda num lugar bem visível – na geladeira, no espelho do banheiro – para termos em mente de que maneira gostaríamos que os políticos se apresentassem à nação.

Crédito da foto: Roberto Vinicius/Agência Freelancer

2009/07/16

CASTIGO VOLUNTÁRIO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:02

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joiaDepois de Susan Boyle, um novo fenômeno aparece na Internet – em menor proporção, no Facebook. É o “Lying Down Game”, cujo objetivo único é tirar uma foto de barriga para baixo em algum lugar. Quanto mais estranho, melhor.
O desafio conta com duas regras básicas: manter os braços paralelos ao corpo e os dedões dos pés apontados para o chão. É considerado um bom participante quem faz o clique em locais públicos e envolve grande número de pessoas.
Segundo Gary Clarkson, o inventor do “Lying Down Game”, cerca de 3 mil competidores de diversos países já enviaram suas fotos para a comunidade do jogo no Facebook. Entre elas, gente em tetos de trens, telhados, galhos de árvores, bagageiros e até na turbina de um avião.
Gary Clarkson tem 27 anos e trabalha como vendedor em Taunton, na Inglaterra. Ele conta que tudo começou quando tinha 16, 17 anos e ia para o centro da cidade aos sábados com seus amigos. Eles abordavam os transeuntes, perguntavam as horas e se deitavam na frente da pessoa só para sentirem a reação. Depois evoluíram: passaram a perguntar se elas queriam ver o “truque mágico” e se estatelavam do mesmo jeito.
Rapidamente seu grupo juntou 350 fotos, que foram parar na comunidade do Facebook. De olho no negócio, Gary até registrou os direitos autorais do “Lying Down Game” por 25 libras.
Não vai ser difícil nós, brasileiros, aderirmos. Graças ao constrangimento causado pela galera do Congresso e arredores, faremos boas imagens com a cara virada para baixo. Em breve, minha contribuição.

Vejam fotos AQUI

2009/07/15

PRATO DO DIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:01

pig

saltpepperEntra ano, sai ano e o governo Lula cada vez mais se parece com o famoso arroz biro-biro ou qualquer tipo de arroz que conte com outras firulas que não sejam apenas o próprio cereal.
 Só nesta semana o governo – ou o presidente diretamente – se envolveu com todo tipo de ingrediente adormecido. Misturados e bem temperados, ninguém é capaz de distinguir a cenoura da ervilha ou a abobrinha do pimentão. Mas dependendo do paladar dos que estão à mesa, é o que menos interessa.
O importante para a dona-de-casa é juntar tudo o que há na geladeira e dar de comer aos famintos.
Ontem Lula deixou de lado os bigodes maranhenses e passou o dia entre os bigodes alagoanos da família Farias em Palmeira dos Índios. Inaugurou um sistema de abastecimento de água cuja adutora recebeu o nome de um dos deputados acusados de integrar a chamada máfia dos sanguessugas.
Se um de nós tivesse sido enviado à Marte em meados dos anos 80 e voltasse à Terra ontem é provável que imaginasse ter aterrissado em outro planeta.
Durante seu discurso, Lula agradeceu os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros, “que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado”.
A declaração foi surreal, mas mais do que previsível. Safo, o presidente jamais se atreveria a maldizer filhos tão queridos daquela terra. Além do mais, tinha de retribuir o afago recebido em maio, quando Collor defendeu um terceiro mandato para ele. E o principal: Lula precisava fazer o jantar.
Quem diria que um dia Collor se transformaria num ingrediente-curinga. Mata a fome e pode caçar os marajás dentro do próprio governo.
O bem-bolado de sanguessuga, Sarney, Collor e Renan é um tipo de arroz que atualmente tem saciado as entranhas presidenciais. Resta saber quando virá a indigestão. Ou a intoxicação alimentar.

2009/07/14

BOLADONA

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:08

chicle2

cerejaO que aconteceu com o chiclete, clássico de todas as épocas, de todas as bocas, de todos os baleiros?
Dia desses, numa das filas do caixa rápido de supermercado – que aliás lembram muito o corredor da morte –, me espantei com uma cena. Numa das gaiolinhas expositoras, a goma de mascar sabor menta fresca sem açúcar “Mentos” por uma pechincha: R$ 8,63.
A princípio imaginei que algum repositor descontente por trabalhar até altas horas havia trocado a etiqueta de uma lâmina de barbear pela de chiclete. Mas não. Bastaram mais dois passinhos rumo à forca para encontrar o tira-dúvidas: goma de mascar “Fruit Mix” Trident por R$ 9,17. Ainda pior.
Não olhei mais para os lados temendo pisar num calabouço. Fui estarrecida até em casa com algumas músicas-chiclete repetindo-se como mantra em minha cabeça: “Bolets o que é? O pirulito que é chiclé!”. Entre uma estrofe e outra, vinha a do “Bubbaloo”: “Não há nada mais gostoso que o Bubbaloo banana. O chiclé cheio de sabor. Ê, que recheeeioo! Bubbaloo banana que chegou”.
Chegou mas já foi embora. Não conseguiu sobreviver ao monopólio dos chicletes “sugar free”.
Convenhamos, chiclete é uma droga mesmo. Provoca cáries, gastrite, engorda – porque abre o apetite – e nos transforma num bando de ruminantes. Mas diante de preços tão salgados começam as especulações. Podemos supor até que alguma droga esteja entrando na lista de ingredientes – lembram-se do boato de que “injetavam” cocaína nas balas “VanMelle”?
O palpite do recheio sabor droga não é tão absurdo se lembrarmos que mascar folhas de coca já é um hábito comum entre muitos povos na América do Sul. É a evolução chegando à boca do povo e à indústria dos vícios em geral.
Mas a questão permanece: o que está acontecendo com a pastilha elástica que adoça a nossa vida? Não é a primeira surpresa desagradável envolvendo a guloseima. Há pouco tempo, depois de uns dez anos longe do “Bubbaloo”, experimentei um novo sabor do chiclete que foi sucesso na década de 80.
O rótulo do “Bubbaloo Cereja Ácida” prometia. Além da grande quantidade de recheio líquido, a foto valorizava o granulado de cereja. Após rasgar o papel sem a menor resistência, a decepção: além de pequeno e incapaz de formar uma bola, bastaram duas mastigadas para todo o gosto escafeder-se. Cereja não era. Muito menos ácida. Que saudades do “Bubbaloo” banana, esse sim o chiclé cheio de sabor.
Eis que voltamos à discussão da goma de mascar sabor droga: vai ver o ácido só entre na composição do chiclete.
O “Ping Pong” e o “Ploc” devem estar se revirando no caixão. Ou melhor, nos cimentos de algum piso por aí.

Saibam mais sobre o chiclete AQUI

2009/07/13

O CALCANHAR-DE-AQUILES DE HÉRCULES

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 07:41

broches

lupaJosé Alencar já passou por 14 cirurgias na luta contra um câncer no intestino e segue de cabeça erguida em sua cruzada contra a doença.
Nós também sofremos com um câncer, mas ele tem cabeça, ombro, perna e pé, atende pelo nome de José Sarney e conta com atividades ilícitas que se multiplicam com muito mais velocidade do que as metástases no corpo do pobre vice-presidente.
Se no momento em que escrevo não pipocou nenhum novo trabalho do Hércules maranhense, o saldo de acusações é o seguinte: beneficiar-se dos atos secretos para nomear e exonerar parentes, receber auxílio-moradia ilegalmente, emprestar apartamento funcional, desviar recursos de um patrocínio da Petrobrás para sua Fundação José Sarney, ter uma conta bancária no exterior não-declarada à Receita Federal, empregar parentes em gabinetes de colegas e ainda ter um netinho que intermedia operações de crédito consignado dentro do Senado. Se continuar nesse ritmo, vai realizar os 12 trabalhos com facilidade.
O ponto positivo de tanta mazela é que finalmente a CPI da Petrobrás está para sair do mundo das ideias. Se vai investigar alguma informação relevante tendo como líderes o pessoal do governo é uma questão – tão boa quanto saber se o Hércules maranhense vai resistir a tamanha pressão.
Os que não foram fiscais do Sarney na época do Plano Cruzado, têm uma nova chance. A diferença é que agora não vamos controlar os estabelecimentos que vendem produtos com ágio, mas botar os olhos no ágil presidente do Senado.
Alguma sugestão de broche para os novos fiscais do Sarney?

2009/07/12

MAL-TRAÇADAS LINHAS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:56

caneta2

distintivoO mundo está cada vez mais descomplicado para os estudantes. Até meados do século 20, os que não tinham boas notas não passavam de ano. Mas desde 1998 – quando foi instituído o sistema de “progressão continuada” pelo governo de São Paulo – a reprovação de alunos é coisa do passado.
Repetência é praticamente uma palavra extinta nos colégios.
Além dessa mamata, alunos que ficam na última fileira da sala girando a caneta entre os dedos e de saco cheio têm uma boa desculpa: podem dizer que são praticantes do “pen spinning”.
O esporte é tão absurdo quanto os campeonatos de aviões de papel patrocinados pela Red Bull, mas é uma febre em diversos países asiáticos.
O “pen spinning” – que consiste em malabarismos com canetas, lápis ou lapiseiras usando apenas os dedos, a palma ou o dorso da mão – começou no Japão e ganhou adeptos em várias partes do mundo.
A prática deve causar uma boa tendinite, mas profissionalizou-se tão rapidamente que além de campeonatos mundiais, tem um vocabulário específico. “Tricks” são todos os movimentos feitos com a caneta; “Combo” é uma combinação de manobras; “Mod” são as canetas modificadas para um melhor desempenho; “Insert” são os papéis coloridos ou imagens que enfeitam os tubos das canetas.
Uma fabricante de brinquedos japonesa até desenvolveu uma coleção de canetas especiais. Além do comprimento maior em relação às comuns, a novidade conta com pequenas argolas ajustáveis nas extremidades que garantem mais equilíbrio e estabilidade nas manobras. Uma outra empresa, no lugar de pesos, colocou leds que acendem quando a caneta roda.
Blindados pela “progressão continuada”, os brasileiros já aderiram ao novo esporte. No Brasil há fóruns na Internet em que eles discutem manobras e trocam canetas, mas são peso-pena se comparados aos japoneses e tailandeses.
Caneta: mil e uma utilidades. Barack Obama, pouco depois de assumir a presidência, usou dez canetas para assinar um pacote anti-crise. Segundo a tradição, a grande quantidade de canetas representa que muitas pessoas teriam sido responsáveis pela criação do plano.
No Brasil também são usadas milhares de canetas – para assinar documentos ou atos secretos dos quais ninguém se recorda de ter passado os olhos. É duro reconhecer que não somos craques no “pen spinning”. O esporte nacional é a canetada.

Vejam um vídeo de estudantes tailandeses AQUI

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