
O mundo tem motivos de sobra para pensar que todo brasileiro é ladrão. Sabemos que não é isso – é quase.
Da mesma forma, algumas ações de islâmicos nos levam a julgá-los como terroristas fanáticos ou como torturadores de mulheres. De acordo com Roger Du Pasquier, jornalista suíço e autor de vários livros sobre o assunto, há pelo menos dez malentendidos envolvendo Islamismo e muçulmanos:
1. Muçulmanos são terroristas
A maior das distorções. Du Pasquier alerta para o fato de que quando um grupo de pessoas ataca outro aconteceu um crime, mas se um muçulmano abre fogo contra alguém é terrorismo. A mídia é a grande culpada. Segundo Du Pasquier há inúmeros versos no Alcorão que são contra a ideia de terrorismo, como “lute por Alá, mas não ultrapasse os limites por um deus que não ama transgressores”.
2. O Islamismo se expandiu na ponta da espada
Não há registros disso na História. O Islamismo chegou a vários países graças às igrejas privadas e sinagogas construídas para os não-islâmicos. Inicialmente um pequeno grupo espalhou a religião da Espanha ao Marrocos e da Índia à China, mas não houve imposição.
3. Mulheres não têm direitos
De fato, há países muçulmanos que impõem duras regras às mulheres, mas esse comportamento vai contra os ensinamentos do Islamismo. À mulher islâmica é permitido rejeitar um pretendente ao casamento, pedir divórcio, dirigir ou sair de casa. A busca pelo conhecimento é obrigatória, sendo considerado um pecado o contrário.
4. Muçulmanos são selvagens e bárbaros durante uma guerra
Pelo contrário. Há dez regras que eles devem seguir: não trair; não se desviar do caminho certo; não mutilar corpos; não matar crianças, mulheres e velhos; não machucar ou queimar árvores; não destruir prédios; não exterminar o rebanho inimigo (a não ser que seja para consumo) e ao encontrar pessoas que dedicam a vida ao monastério, deixá-las em paz.
5. Maomé era pedófilo
O fato de o profeta ter sido casado com uma menina de 9 anos não constitui pedofilia. Historicamente, a idade com que uma garota era vista como pronta para o casamento era a puberdade. Nesta época, tanto o homem quanto a mulher se tornavam legalmente responsáveis pelos seus atos.
6. “Jihad” é o mesmo que lutar em nome de Deus
O verdadeiro significado em árabe é esforço, grande empenho. Existem várias formas de “jihad”, as principais são “jihad al-nafs” (contra uma pessoa), “jihad bil-lisan” (usando a palavra), “jihad bil yad” (através da ação) e “jihad bis saif” (pelo uso da espada). Há registros de que quando Maomé retornava de uma guerra dizia que voltou de uma “lesser jihad” (batalha) para uma “greater jihad” (o esforço pela alma). Um muçulmano se empenhando contra sua própria alma é mais importante do que partir numa “jihad” para a guerra.
7. O Islamismo é intolerante com outras religiões
“Matar os infiéis” é a frase que muitos acreditam ser a ideologia dos muçulmanos, mas o Islamismo respeita outros tipos de fé. Segundo o Alcorão, Deus ama o justo.
8. Crianças não têm direitos
De acordo com as leis islâmicas a criança goza de vários direitos, como o de crescer, receber boa educação e ser tratada como igual. Ela também pode usar parte da riqueza do pai para o sustento se este se recusar a lhe dar uma vida digna. Uma criança não pode apanhar no rosto ou ser açoitada com qualquer objeto maior que um lápis.
9. Muçulmanos odeiam Jesus
Há muitas similaridades e referências históricas entre o Cristianismo e o Islamismo. Muita gente se espanta com a informação de que Jesus é considerado um dos grandes mensageiros de Deus. Jesus é citado diversas vezes no Alcorão como exemplo de virtude e caráter.
10. Todo muçulmano é arabe
Apenas 15% dos muçulmanos são árabes. O Oriente Médio vem em terceiro na formação da população islâmica. A maior parte é do leste asiático (69%), seguido pela África (27%). Outra distorção comum é sobre a ideia de que todos os árabes são muçulmanos. Quase. Cerca de 75% deles seguem as leis islâmicas.