O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/06/22

SHOW DE CALOUROS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:15

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gramofoneNa semana passada ocorreu no Recife a 4ª edição do “Porto Musical”, uma espécie de feira da música internacional que reúne vários dos envolvidos no processo de produção musical, como representantes de selos e gravadoras, músicos e produtores.
Uma das palestras foi de Nelson Motta: “Música brasileira na atualidade – O futuro da indústria fonográfica com o advento das novas tecnologias e meios de comunicação”.
O título era pomposo, mas Motta tratou de simplificá-lo com afirmações modestas e pertinentes. Declarou que considera corajoso um músico que diz produzir MPB. “Fazer MPB depois de tudo que foi feito? Se não for para fazer melhor, é melhor não fazer”. Disse ainda que 90% do que se produz atualmente é “porcaria” e que quanto mais tecnologia vê, mais acredita no talento.
Corajoso foi Motta em dizer algo tão controverso para uma plateia que provavelmente estava lotada de artistas banquinho e violão com uma “proposta nova”.
Radical? Talvez, mas coberto de razão. Não é questão de saudosismo – até porque nem tenho idade para isso –, mas realmente a produção musical brasileira está de doer até os ossos. Canções ruins – na forma e no conteúdo –, gente sem repertório, com voz esganiçada, sem talento e sem carisma.
A tecnologia é capaz de corrigir tudo isso e até de criar um fenômeno musical virtual, mas não consegue remendar algo que sequer existe.
Uma boa amostra do drama pelo qual passamos são os concursos musicais que se tornaram frequentes desde a ideia de Raul Gil de dar espaço a talentos em seu show de calouros. A partir desta experiência surgiram atrações como a versão brasileira de “Ídolos”, “Astros”, “Olha Minha Banda”, “Garagem do Faustão” e outros.
Em mais de dez anos de tentativas, nada. Um deserto. Nem uma Susan Boyle. Além de nenhuma novidade, os que conseguiram algum destaque em períodos anteriores têm se repetido. Assim como os jogadores de futebol ou os Los Hermanos, alguns artistas já deveriam ter pendurado as chuteiras. O reconhecimento de que não têm mais nada a dizer ou que estão carente de criatividade é honesto com o público e com eles mesmos.
Por que será que Pelé ou Secos & Molhados deixaram saudades?

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