O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/06/30

DE ATORMENTADO PARA TORTURADO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:19

abobora

gramofoneA tortura musical foi tema deste blog na semana passada. A safra bichada dos novos cantores nacionais é fato, assim como a constatação de que vão-se os bons e sobram “pseudagens” do naipe de Mallu Magalhães.
O assunto é sério. A música é realmente usada como arma. Mas na luta contra o terror.
O que Christina Aguilera, Metallica, Bruce Springsteen e o dinossauro Barney têm em comum? São mandados ouvido abaixo dos prisioneiros americanos durante agressivos interrogatórios no Iraque, Afeganistão, baía de Guantánamo e Cuba.
O abuso intencional da música é um procedimento-padrão para minar a resistência dos presos – outros artifícios são alterar o padrão do sono, privá-los de qualquer contato sensorial, expô-los a altas temperaturas, humilhá-los sexualmente e submetê-los a vários tipos de estresse.
A notícia sobre o tratamento dado a prisioneiros acusados de atividades terroristas chega através de um artigo escrito por Suzanne Cusick, musicóloga da Universidade de Nova York.
Segundo ela, a música tem sido usada como ferramenta para interrogatórios desde os anos 60 e de duas formas: uma, assustando e desorientando os detentos através da exposição a sons muito altos para “acentuar o efeito da privação de sono e para abafar seus pensamentos profundos”. A outra é colocando os acusados em contato prolongado com músicas americanas a fim de ofender a sensibilidade dos prisioneiros fundamentalistas muçulmanos.
Os interrogadores parecem escolher o repertório aleatoriamente, mas as preferidas são as de heavy metal. O relato de uma soldada que costumava participar das sessões dá a noção do quadro: “Na primeira resposta errada, as luzes eram apagadas, luzes estroboscópicas eram ligadas e algum heavy metal era colocado – sempre em volume muito alto”.
Os presos também costumam ouvir muito James Taylor, Queen, Britney Spears, “The Star-Spangled Banner” e coletâneas de disco music e rap.
Mohammed al Qahtani – suspeito de ter participado do atentado de 11 de Setembro – sofreu em Guantánamo. Enquanto gotas d´água pingavam intermitentemente em sua testa, ouvia “Dirrty”, de Christina Aguilera.
Um cidadão espanhol – também acusado de ter ligações com a rede Al-Qaeda – declarou que na maioria de seus interrogatórios era obrigado a ouvir Bruce Springsteen.
A conclusão é simples: esses prisioneiros estão muito bem de repertório. E nós, que somos atormentados com Mallu, Calypso, Dado Dollabela, Roberto Justus e Armandinho?

Cansados de todo esse circo? A dica é desabafar e amaldiçoar pseudo-cantores, terroristas ou soldados americanos AQUI

2009/06/29

A ARTE QUE IMITA A VIDA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:04

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lampadaNão é exatamente por honra ao mérito que um brasileiro vira tema de reportagem no exterior. Grosso modo, ou matou ou morreu.
Portanto, quando um dos nossos marca um gol temos de comemorar e divulgar o feito. Esse é o caso de Jorge Lopes, personagem de uma matéria publicada na última sexta-feira pelo jornal britânico “Daily Mail”.
Jorge Lopes faz doutorado em design no Royal College of Art em Londres e é o pioneiro no uso de uma técnica que permite às mães ansiosas terem a exata noção do bebê que está para chegar.
Através da conversão de dados do ultrassom e de ressonância magnética, ele cria um molde de gesso do embrião em 3D e em tamanho natural. O método, quase artesanal, chama-se prototipagem rápida.
Jorge Lopes não é um calouro nesse assunto. Coordenador do Laboratório de Modelos Tridimensionais do Instituto Nacional de Tecnologia, usa a prototipagem para as peças do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Ele utiliza a mesma técnica para reconstituir parte do acervo do museu. Um exemplo é a estatueta de Osíris – deus egípcio da morte e da vegetação. Jorge também foi responsável pela reprodução do crânio de Luzia – considerada a mulher mais antiga das Américas e que viveu há aproximadamente 10 mil anos.
Patrocinado pelo governo brasileiro, o uso da prototipagem para fetos é o tema da tese de doutorado de Jorge no Royal College of Art, que começou sua pesquisa com múmias, passou para dinossauros e evoluiu para os fetos.
Parte das peças integra uma exposição inaugurada nesta sexta-feira no Royal College of Art.
Apesar de ser o sonho de qualquer grávida curiosa, a ideia ainda não está sendo usada com fins comerciais. Em Londres, a prototipagem é testada com algumas pacientes do orientador de Jorge. No Brasil, o foco da pesquisa é ajudar no estudo da má-formação dos fetos.

2009/06/28

O MAGO VAI À FLORESTA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:29

festa-de-menina-morta

camera“A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, foi recebido com glória em diversos festivais de cinema. Além de seis Kikitos no Festival de Gramado, levou o prêmio de melhor filme latino-americano no 27º Festival Internacional de Cinema do Uruguai.
Na ocasião do lançamento, algumas notícias já davam conta de que se tratava de mais um espécime dos filmes-cabeça. Mas, de tão premiado, o pagar pra ver é uma fatalidade.
A história fala da devoção de uma comunidade ribeirinha do Amazonas a uma menina desaparecida. Após seu sumiço, envia, através de um cachorro, trapos de seu vestido a Santinho (Daniel de Oliveira, o Cazuza). A partir deste episódio, ele se transforma em líder espiritual / curandeiro / milagreiro entre o povo.
O filme se desenrola nos dias que antecedem a comemoração do 20º aniversário da festa da menina morta – momento em que Santinho passa à comunidade a revelação que lhe foi feita pela falecida no decorrer do ano.
Apesar de aplaudida por diversos bonequinhos, a estreia de Matheus Nachtergaele na direção apresenta uma série de problemas – a começar pelo próprio argumento.
Não ficam claros pontos fundamentais, como por que Santinho é considerado santo; em que circustâncias a garota some ou ainda o motivo pelo qual as oferendas a ela são queimadas numa fogueira construída dentro de um círculo.
Nem a relação ambígua entre Santinho e o pai (Jackson Araújo, o Charles Bronson da caatinga) nem a cabecice do roteiro são os principais responsáveis pelo merecimento do troféu abacaxi. A culpada é a mensagem que o filme se empenha em passar: “quem tem medo da dor, tem medo do dia e da noite”.
No fim, um gosto amargo de “O Alquimista” vem à boca. No livro, o mago gasta mais de 200 páginas para dizer o óbvio – não sem antes premiar o leitor com frases do tipo “O medo de sofrer é pior do que o próprio sofrimento”. Alguma semelhança com o recado de Nachtergaele?
O acerto está em tentar mostrar as manifestações culturais de um povo – na maioria das vezes movidas por razões religiosas. Toda tentativa de documentar nossas tradições serão sempre bem-vindas.
Sobre o elenco, duas observações: 1) filme amazônico sem Dira Paes não é filme amazônico. 2) Daniel de Oliveira está assustador como Santinho. Digno de todos os prêmios que recebeu – melhor ator nos festivais do Rio, de Gramado e Luso-Brasileiro.
Quanto a Nachtergaele, não faria feio se continuasse em seu perfil de dar vida a personagens maluquetes, como o João Grilo de “O Auto da Compadecida” ou o Sandro Cenoura, de “Cidade de Deus”.
Confundir esse tipo de maluquice com direção é que é o problema.

2009/06/27

TOMOU?

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:43

milk

mamadeiraJovens adultos não estão tomando leite o suficiente. Essa foi a conclusão do estudo de um grupo de pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. O tema principal do trabalho era o cálcio.
Cálcio e leite estão sempre associados – mas a real é que suco de vaca não é a melhor fonte do nutriente.
O estudo mostra que na passagem da adolescência para a idade adulta homens e mulheres reduzem o consumo diário de cálcio. Segundo os pesquisadores, é algo preocupante, porque entre os 20 e os 30 anos a massa óssea ainda está se formando.
Para explicar o problema, usam a metáfora do fundo de aposentadoria: é preciso começar a depositar algo no banco de cálcio porque ele vai secando lentamente ao longo da vida.
A quantidade de cálcio de que nosso organismo necessita é uma questão sem resposta. O nível recomendado é de 1.300 miligramas diárias entre os 9 e os 18 anos; 1.000 miligramas entre os 19 e os 50; e 1.200 miligramas depois dos 51.
Atenção: esses níveis têm como base o padrão americano – são levados em conta a freqüência de exercícios físicos e a quantidade de carne que eles consomem.
Conforme vão crescendo, as crianças perdem o hábito de tomar leite. É o esperado, segundo os pesquisadores, que acrescentam que o conselho de ingestão diária de três copos de leite é um pouco ultrajante. Não se encaixa bem em nosso perfil evolutivo e muitas pessoas são intolerantes à lactose.
Há concordância quanto à necessidade de cálcio, mas ele pode vir de outras fontes, como o tofu, o gergelim e o iogurte. Couve e outras folhas verdes também são melhores – com o benefício extra de que as verduras têm vitamina K, fundamental para ossos fortes e saudáveis.
Interessante notar ainda que numerosos estudos nunca encontraram relação entre alto consumo de cálcio e o baixo risco de fratura. Uma dieta pobre em leite não torna o indivíduo carente de cálcio, mas de gordura saturada.
Alguns vegetarianos mais radicais chegam a dizer que leite até causaria osteoporose. E justificam sua teoria usando como exemplo os “inuit” – nome genérico para povos que habitam o Ártico. Eles consomem altas doses de proteína e têm as maiores taxas de osteoporose do mundo.
Se a afirmação for verdadeira, é mais provável que isso ocorra porque estão pouco expostos aos raios solares e também sua pele escura bloqueia a entrada dos raios ultravioleta – indispensáveis para o processamento da vitamina D.
Bezerra que sou, não fui entrevistada pelos pesquisadores da Universidade de Minnesota. Poderia dar uma declaração sobre o que é consumir quase um litro de leite por dia.
Com certeza, a conclusão de que jovens adultos não estão tomando leite o suficiente cairia por terra.

2009/06/26

E FEZ-SE O SILÊNCIO

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:35

michael

gramofone

Michael Jackson não aguentou esperar mais alguns dias para ter uma boa ideia – o astro ia completar 51 anos em agosto. Lamentavelmente partiu de sua Neverland e numa hora dessas está realizando “in loco” o passo que virou sua marca registrada: o moonwalk (algo como “andando na lua”).
O rei do pop não resistiu ao Incrível Hulk. Michael estava se preparando para uma turnê que faria em Londres a partir de 13 de julho com um treinador acima de qualquer suspeita: Lou Ferrigno – que interpretou o Incrível Hulk na série de TV dos anos 70.
É pouco provável, entretanto, que a parada cardíaca que levou o maior astro pop do século 20 tenha sido causada por excesso de exercícios físicos. Michael sempre teve saúde frágil – a física e principalmente a psicológica.
Ninguém nunca soube o que era – ou o que foi – Michael Jackson. Parecia, de fato, viver no mundo da lua.
O que ele pensava da vida? Era black ou white? Adulto ou criança? Homem ou mulher? Abusava de crianças ou sua fama e riqueza o tornavam presa fácil para pais especuladores? Seu problema de pele era câncer, vitiligo ou apenas resultado de uma operação para embranquecer? O nariz era nariz ou prótese? O que o teria levado à falência, a ponto de ter de leiloar bens para pagar as contas?
Na morte o mistério que sempre o envolveu persistiu. Durante horas nenhum meio de comunicação soube dizer se Michael havia partido. Por volta das 7 da noite o site do jornal “Los Angeles Times” ficou indisponível e o Twitter entrou em pane.
Acompanhando a transmissão desde o início, não foi difícil pressupor que algo terrível havia mesmo ocorrido. No fim da tarde a polícia tratou de interditar os arredores do centro médico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, com uma faixa zebrada. Era o sinal mais evidente de que podíamos nos preparar para o pior.
O pior incluiu também análises absurdas de pessoas ligadas à música. Um deles, Álvaro Pereira Jr., chegou ao ponto de compará-lo a Mallu Magalhães (“a Mallu só tem 16 anos e já achamos um talento. Imaginem ele, que começou muito antes disso”). Sobraram também devaneios de Gabriel, o Pensador, para quem Michael “deixou muita música boa. Realmente era um artista diferenciado. O cara respirava música”.
E de pensar que teremos de continuar aspirando essas asneiras sem uma trilha sonora decente para abafá-las.
A estrela de Michael brilhou cedo – aos 10, 11 anos. E com certeza, onde ele estiver, vai continuar emanando sua luz.

2009/06/25

BRINCANDO DE JACK SPARROW

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:17

hermesapple

pirataA relação entre dinheiro e felicidade é um assunto que pode ser discutido exaustivamente sem se chegar a um acordo.
Mas se há uma certeza é a de que os multimilionários vivem quebrando a cabeça para conseguir gastar tanta grana. Uns saboreiam champanhes com cristais de ouro, outros carregam maçã numa bolsinha da Hermès e alguns saem por aí rasgando mesmo.
Nesta semana o jornal austríaco “Wirtschaftsblatt” divulgou uma matéria sobre um passeio que está sendo feito por excêntricos milionários russos: um cruzeiro que singra as águas africanas num luxuoso iate.
Apesar de Roberto Carlos não estar a bordo, bem que o cruzeiro poderia ser batizado de “Emoções”. Acreditem: o objetivo dos passageiros endinheirados é servir de isca para os piratas somalis que agem no golfo de Aden.
Um dia a bordo do navio fretado “Kreuzfahrschiffes” custa US$ 5.790. A rota – que vai de Djibouti, no nordeste da África, a Mombasa, no Quênia – tem cerca de 1.800 quilômetros.
O percurso é feito a uma velocidade de menos de 10 km/h na tentativa de atrair os ladrões.
Aparentemente indefeso, o iate é navegado até a área onde ocorrem as abordagens dos piratas.
Na eventualidade de um ataque, os passageiros podem revidar – desde que paguem alguns extras: um AK-47 fica à disposição por US$ 9 por dia, assim como um cartucho de munição com cem balas (US$ 12) e um lançador com três granadas (US$ 175).
Já que o objetivo é cutucar a onça com vara curta, os russos tomaram providências no quesito segurança. Os passageiros contam com a proteção especial de um esquadrão de ex-soldados de tropas especiais russas. Além disso, atiradores de elite ficam a postos a noite inteira.
Difícil é pegar no sono num clima desses.
Resta saber quantos cruzeiros serão necessários para os piratas se cansarem da brincadeira e iniciarem outra: batalha naval.

P.S.: a propósito, a lancheira-maçã da Hermès sai por US$ 365

2009/06/24

ALICIAMENTO ESCOLAR

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:09

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oculosUma escola na cidade de Wellington, na Tailândia, teve uma iniciativa inusitada para fazer com que seus alunos abandonem o Playstation ou redes sociais como o Facebook e leiam livros. Criou uma espécie de clube da leitura premiado.
O colégio está gastando milhares de dólares com os agrados, que vão de cupons em redes de fast-food, ingressos de cinema a cartões com crédito para celulares.
Os prêmios variam de acordo com o número de livros lidos:
– Dois: um refrigerante em lata;
– Cinco: uma passagem de metrô;
– Dez: um ingresso de cinema;
– Vinte: créditos no celular;
– Os dois melhores alunos-leitores de cada classe: um casaco do colégio;
– Os três melhores da escola: um cupom de US$ 50 para gastar numa loja esportiva.

Para comprovar que estão de fato passando os olhos pelas obras, os alunos precisam preencher um diário de leitura. Além disso, é necessário explicar porque gostaram ou não do livro e os pais têm de confirmar as sessões de leitura em casa.
O professor que idealizou o programa admite que trata-se de um quase suborno, mas que faria qualquer coisa para incitar os jovens à leitura. Deixa claro ainda que o objetivo não é transformá-los em estudantes ingleses, apenas quer que eles leiam mais livros – a maioria só lê um por ano.
O concurso já está sendo considerado um sucesso: o número de livros retirados na biblioteca dobrou. A previsão era de que a “promoção” terminasse no fim do ano, mas a escola está tão entusiasmada que deve estendê-la. A meta é fazer com que 250 estudantes participem do desafio e leiam dez obras até dezembro.
O plano custa cerca de US$ 5 mil e é patrocinado pelo Lions Club e pela Associação de Pais e Mestres do colégio.
A ministra da Educação tailandesa elogiou a iniciativa, mas o diretor do colégio está convencido de que os alunos estão começando a ler por motivos errados. Para ele, ao terminar a leitura, a recompensa da criança seria dada pelos pais através de um tapinha nas costas.
Mas num ponto o diretor tem de dar mão à palmatória: é preciso começar de alguma maneira.
E, pelo menos na Tailândia, não há notícias de livros – didáticos ou não – com erros de informação e palavrões.

P.S.: acima, uma sugestão de leitura para as crianças tailandesas

2009/06/23

A DOR E A DELÍCIA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:10

caramel

claqueteEntrar na sessão de um filme sem conhecer a sinopse ou quaisquer outras características é minha prática comum. Os resultados, obviamente, refletem essa atitude-camicase.
Às vezes o avião dá sinais de turbulência e a projeção é abandonada sem pesares. Mas há as agradáveis surpresas, caso deste “Caramelo”.
Decerto houve um calafrio inicial, o de descobrir pelos créditos que se tratava de um filme libanês – algo perceptível graças às palavras em forma de cobrinhas seguidas por um “Lebanon”. Mas a apreensão cedeu lugar à calma diante das cenas da preparação de um doce.
O caramelo do título refere-se à cera de depilação usada no salão de beleza que serve de cenário principal.
Feminino sem ser feminista, emotivo sem ser piegas e sutil sem ser lento, o filme retrata a vida de um grupo de mulheres com perfis bem distintos. A que tem medo de envelhecer, a que é amante de um homem casado, a lésbica, a pseudo-noivinha, a senhora que ainda busca o amor na terceira idade e a que resume tudo isso: a louca.
A união se estabelece através dos dramas particulares. Nos momentos de dificuldade as guerreiras se juntam para amenizar a inquietação da sofredora da vez.
A figura masculina é quase inexistente. Apenas dois homens aparecem e, mesmo assim, à mercê do poder feminino.
Uma das cenas mais criativas sugere um diálogo por telepatia ou algo do tipo. Olhando através do vidro da janela, uma mulher fala ao telefone. Do outro lado da rua, também resguardado por uma janela, o homem apaixonado vê o objeto amado e pensa alto.
São necessários alguns segundos até nos darmos conta de que são situações independentes – mas que também fariam sentido se fossem complementares.
No final, aguardei os créditos para conferir o nome do diretor. Como não se tratava de Almodóvar, pensei: ou ele é gay, ou conviveu numa casa com muitas mulheres ou foi casado diversas vezes. Nada disso, tratava-se de uma diretora: Nadine Labaki.
Numa busca na Internet, informações adicionais: Nadine, além de diretora e roteirista libanesa, é uma das atrizes (Layale, a amante). Além disso, “Caramelo” ganhou vários prêmios em festivais internacionais de cinema e foi o representante do Líbano ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Se pairam dúvidas sobre a cri-crítica, as credenciais estão dadas.

2009/06/22

SHOW DE CALOUROS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:15

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gramofoneNa semana passada ocorreu no Recife a 4ª edição do “Porto Musical”, uma espécie de feira da música internacional que reúne vários dos envolvidos no processo de produção musical, como representantes de selos e gravadoras, músicos e produtores.
Uma das palestras foi de Nelson Motta: “Música brasileira na atualidade – O futuro da indústria fonográfica com o advento das novas tecnologias e meios de comunicação”.
O título era pomposo, mas Motta tratou de simplificá-lo com afirmações modestas e pertinentes. Declarou que considera corajoso um músico que diz produzir MPB. “Fazer MPB depois de tudo que foi feito? Se não for para fazer melhor, é melhor não fazer”. Disse ainda que 90% do que se produz atualmente é “porcaria” e que quanto mais tecnologia vê, mais acredita no talento.
Corajoso foi Motta em dizer algo tão controverso para uma plateia que provavelmente estava lotada de artistas banquinho e violão com uma “proposta nova”.
Radical? Talvez, mas coberto de razão. Não é questão de saudosismo – até porque nem tenho idade para isso –, mas realmente a produção musical brasileira está de doer até os ossos. Canções ruins – na forma e no conteúdo –, gente sem repertório, com voz esganiçada, sem talento e sem carisma.
A tecnologia é capaz de corrigir tudo isso e até de criar um fenômeno musical virtual, mas não consegue remendar algo que sequer existe.
Uma boa amostra do drama pelo qual passamos são os concursos musicais que se tornaram frequentes desde a ideia de Raul Gil de dar espaço a talentos em seu show de calouros. A partir desta experiência surgiram atrações como a versão brasileira de “Ídolos”, “Astros”, “Olha Minha Banda”, “Garagem do Faustão” e outros.
Em mais de dez anos de tentativas, nada. Um deserto. Nem uma Susan Boyle. Além de nenhuma novidade, os que conseguiram algum destaque em períodos anteriores têm se repetido. Assim como os jogadores de futebol ou os Los Hermanos, alguns artistas já deveriam ter pendurado as chuteiras. O reconhecimento de que não têm mais nada a dizer ou que estão carente de criatividade é honesto com o público e com eles mesmos.
Por que será que Pelé ou Secos & Molhados deixaram saudades?

2009/06/21

ESCRAVOS DA MODA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:58

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desodoranteNa época em que foi prefeita de São Paulo Marta Suplicy mexeu com os ânimos dos paulistanos ao instaurar a “Operação Belezura”. Com a ajuda de voluntários, limpava muros, fachadas e lugares públicos em geral e enfeitava os canteiros centrais das avenidas mais movimentadas da capital com os coqueiros fornecidos pela empresa de seu então marido, Luís Favre.
O tempo passou, o botox de Marta caiu e Gilberto Kassab chegou com um projeto na mesma linha – “Operação Cidade Limpa” –, que retirou todas as propagandas da cidade. Apesar de a ideia ser muito semelhante, o nome com que o plano foi batizado não deu margem a especulações de que Kassab estaria realizando algo cosmético – Marta foi acusada de perua.
Nenhum dos dois, entretanto, quis dar um tapa no visual do paulistano. Mas em Brooksville, na Flórida, esse é o assunto das bocas.
O conselho da cidade implantou nesta terça-feira um “dress code” que orienta os trabalhadores locais a observarem um rigoroso cuidado com a higiene pessoal e exige que usem desodorante e roupas íntimas.
A nova lei proíbe também que roupas de baixo fiquem à mostra; camisetas com palavrões, desenhos de nus ou seminus ou que incitem o uso de drogas; trajes sexualmente provocantes e piercings. Cortes e machucados devem estar cobertos.
Os funcionários que insistirem serão mandados para casa para trocarem de roupa e não receberão pela hora não-trabalhada. Se reincidentes, serão demitidos.
O único que se declarou contra as medidas foi o prefeito, Joe Bernadini, para quem o uso obrigatório de roupas íntimas fere a liberdade de escolha.
Uma coisa é pensar em presentear um manobrista com um Rexona. Outra é obrigar todos os paulistanos a usarem cueca e calcinha.
Como será a fiscalização em Brooksville? É bem capaz que o prefeito Bernadini – que já deu pistas de que gosta de deixar o bicho solto – sugira algo como um “casual day” para as roupas de baixo às sextas-feiras.
De concreto, por enquanto, é a constatação de que algumas celebridades são “non gratas” em Brooksville: Paris Hilton, Britney Spears e Sharon Stone.
Bem fazem os ingleses que se vaporizam com o “Flame” e saem pela rua atraindo todos os cães de Londres.

Alguém aí afim de uma Operação Belezura no visual? Este site AQUI te transforma na celebridade de Hollywood que quiser: Cameron Diaz, Eva Longoria, Katie Holmes, Michelle Obama, Fergie… São 63 opções. Olhem só como ficou a Tati Aniston. Divirtam-se.

tatianiston

2009/06/20

PESCOÇO A PRÊMIO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:55

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stopParece piadinha sem-graça de Dia da Mentira, mas encerrou-se no mês passado no Canadá a temporada de caça e matança de focas. O período – que vai de 15 de novembro a 15 de maio – é estabelecido pelo Departamento de Pesca e Oceanos.
Desde 1995 as regras são bem claras: é permitido àqueles que morem próximo às áreas de caça – Newfoundland, Labrador e Quebec – que peguem até seis focas para consumo próprio. Já os que residem a  53° ao norte da costa – aborígenes ou não – podem caçar sem a licença apenas para subsistência.
O governo defende, encoraja e justifica a prática com vários argumentos. As focas são úteis em termos alimentares, fósseis e estéticos (retirada da pele). Além disso, a carne é rica em Ômega 3.
O site do Departamento de Pesca e Oceanos é macabro. A visita começa tranquila, com informações sobre as (seis) espécies de foca existentes na costa canadense. Fica-se sabendo que a população das “Harp” – abundante desde a década de 70 – praticamente triplicou. Estima-se que atualmente elas sejam mais de 5,5 milhões.
Mas no sexto item da seção “Perguntas Mais Frequentes” a situação começa a se complicar: “Que tipos de armas são usadas para matar focas?”. A resposta: de acordo com as normas referentes aos mamíferos marinhos, apenas rifles poderosos, armas de fogo, porretes ou picaretas podem ser utilizados.
Conforme rola-se a página, rolam também lágrimas dos leitores mais sensíveis diante da explicação dos três passos “para que as focas não sofram desnecessariamente”. Após o golpe certeiro no topo do crânio, o caçador precisa apalpar as têmporas da caça para se certificar de que foi bem-sucedido. Depois, basta cortar as duas artérias auxiliares localizadas debaixo das nadadeiras anteriores e deixar o bichinho sangrando por um minuto.
Mas o vai tirar o sono de muitos ainda está por vir: na seção de vídeos “Seal Hunt 2009” (“Caça à Foca 2009”), um Jack estripador explica que muitas vezes, depois do golpe, elas parecem estar vivas. Que nada. Isso é apenas um reflexo involuntário. Quando são depeladas já estão completamente mortas.
Apenas neste ano o governo autorizou a caça de mais de 300 mil focas. Os caçadores recebem, em média, o equivalente a R$ 77 por pele.
E o pescocinho dessa moçada, quanto vale?

Visitem o site AQUI

2009/06/19

O JORNAL TÁ CARO

Filed under: Cultura inútil — trezende @ 09:13

banheiro2

rolopapelHoje, numa homenagem ao Senado, abriremos os trabalhos com 15 fatos interessantes sobre banheiro, vaso sanitário e afins.
Alguns sites dão conta de que o vaso foi criado em 1596 por “sir” John Harrington para a sua avó, a Rainha Elizabeth I.
Confiram outras 15 curiosidades:

1. O filme “Psicose” (1960) foi o primeiro a mostrar um vaso sanitário – a cena gerou reclamações sobre indecência;

2. Romãs recheadas com trevos de quatro folhas foram os primeiros sachês perfumados de que se tem notícia;

3. Hermann Goering, membro do partido nazista, numa recusa em usar papel higiênico, comprou lenços brancos e macios a granel;

4. Mais de 100 mil dólares foram gastos numa pesquisa para determinar se as pessoas colocam a aba do rolo do papel higiênico para a frente ou para trás. A resposta: três em cada quatro pessoas deixam a aba para frente;

5. O rei da Inglaterra George II morreu sobre um vaso sanitário em 25 de outubro de 1760 após sofrer um aneurisma da aorta;

6. Uma pessoa normal passa três anos de sua vida sentada no trono;

7. Geralmente a primeira cabine sanitária é a menos usada (e consequentemente é a mais limpa);

8. Cerca de 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a instalações sanitárias – principalmente em áreas rurais da China e da Índia;

9. Em vez do papel higiênico, o Exército romano usava uma esponja molhada espetada numa vareta;

10. Durante o Super Bowl a descarga é acionada mais vezes do que em todas as outras épocas do ano;

11. Cerca de 90% dos medicamentos consumidos pelas pessoas são eliminados pela urina. Um recente estudo da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos revelou que vários peixes contêm traços de estrogênio, colesterol, antibióticos, cafeína e anti-depressivos;

12. A falta de condições sanitárias mata aproximadamente 1,8 milhões de pessoas por ano – a maioria crianças;

13. Um banheiro publico pode ter mais de 40 mil germes por metro quadrado;

14. Apesar de não ter inventado a privada, o encanador inglês Thomas Crapper aperfeiçoou o sistema de sifão que conhecemos hoje. Thomas nasceu no povoado de Thorne – anagrama de “throne” (trono);

15. Em uma pesquisa feita em 1992, os banheiros públicos ingleses foram eleitos os piores do mundo – seguidos pelos da Tailândia, Grécia e França.

A provável explicação para o Brasil não aparecer entre os países com banheiros mais sujos do mundo é porque nem sanitários públicos temos a oferecer.

E, encerrando a sessão de hoje, fotos incríveis de privadas AQUI

2009/06/18

NÃO À MÃEJOANICE

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 12:53

jornalista

maqescreverO Supremo Tribunal Federal bateu o martelo: não é mais necessário o diploma para ser jornalista.
O assunto é polêmico, divide opiniões entre os próprios profissionais da imprensa e chama a atenção porque é discutido num momento de crise política – péssimo para se comprar briga com a categoria.
Numa análise fria e realista, ser formado numa faculdade de Jornalismo não é relevante. A maioria dos cursos é deficiente e não dá a formação necessária aos alunos. São consórcios que fornecem um diploma no fim do pagamento das prestações.
As universidades – mesmo as mais conceituadas – não ensinam os alunos a escreverem. Ou chega-se sabendo ou chega-se sabendo. Não há outra opção. O curso propicia algumas técnicas que podem facilmente ser absorvidas na prática.
Mais vantajoso para o interessado em trabalhar como jornalista é fazer um, ou dois, ou três cursos na área de Humanas, ler bastante, ser bem informado e o mais importante: ter bom senso – algo que não se aprende nem em Harvard.
Portanto, são mais do que pertinentes os argumentos do ministro Lewandowski, que disse que o Jornalismo prescinde de diploma pois requer “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Justo.
Gilmar Mendes foi um pouco além e demonstrou total desinformação. Depois de comparar jornalistas a cozinheiros, declarou que a profissão não oferece perigo de dano à coletividade como Medicina, Engenharia ou Direito.
Aí é que a porca torce o rabo. De fato, um jornalista não é capaz de matar ninguém como um médico numa cirurgia ou como um Sergio Naya ao construir prédios treme-treme. Mas o mau Jornalismo acaba com a vida de uma pessoa em apenas uma frase ou uma imagem – o caso da escola Base é o exemplo mais famoso do poder arrasador da imprensa. Talvez esteja na hora de Gilmar Mendes rever seus conceitos.
Todos os argumentos a favor da extinção do diploma são justos, mas como tudo na vida, a profissão precisa seguir algumas regras. O melhor protesto veio do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade: “deixamos de ser uma categoria e passamos a ser um amontoado”.
Pouco importa se as empresas de comunicação vão ou não exigir o diploma. Os bons profissionais sempre terão lugar garantido. O fundamental é que se lute para que normas sejam seguidas, que os maus profissionais sejam passíveis de punição e que a profissão não vire uma terra-sem-lei.

2009/06/17

AMO MUITO TUDO ISSO – PARTE 2

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:58

flame

hashiPrimeiro foi a promoção “Whopper Sacrifice”, que premiava com um vale-Whopper os que removessem dez amigos de seus perfis no Facebook. Depois, a polêmica campanha “One way ticket to Rio not necessary. You’ll feel like you´re robbing us” (algo como “Não é necessário uma passagem só de ida para o Rio. Você vai achar que está nos roubando”).
Agora, mais uma jogada de mestre dos publicitários da rede de lanchonetes Burger King.
A novidade é o “Flame”, um desodorante masculino que cheira a carne grelhada com um “toque suave de catchup”. Além de reproduzir fielmente o cheirinho do Whopper, aumenta a libido.
Segundo o porta-voz do Burger King, o odor é bem masculino, quase um ferormônio. Ou “O Aroma da Sedução”, como diz o slogan. Mas o mais provável é que cause a repulsa do sexo oposto.
O produto foi lançado nos Estados Unidos no ano passado, mas sem o estardalhaço causado desta vez pelos ingleses.
Até na escolha do garoto-propaganda do “Flame” os publicitários não deram ponto sem nó e escalaram Piers Morgan. Difícil ligar o nome à pessoa – principalmente com a ajuda do Photoshop. Depois de examinar a foto com a devida atenção, a descoberta de que se trata de um dos integrantes do júri do programa “Britain’s Got Talent”, que revelou Susan Boyle.
O perfume foi lançado nesta segunfa-feira na Inglaterra e está disponível em sites de compras e em algumas lojas de departamentos. Custa entre 3,99 e 4,99 euros.
Vale a pena também dar uma conferida no site do produto. Nele, a piscadinha de Piers Morgan convida a uma esguichada do desodorante. A cada pressionada, o cenário se transforma.

Vejam o site AQUI

A fim de seguirem o exemplo de Piers Morgan e terem um produto com a sua cara?
Inventem um sabor de sorvete e coloquem a sua foto no rótulo AQUI

2009/06/16

ARE BABA!

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 10:25

snake2

capaceteUma das atrações turísticas mais conhecidas da Índia são os encantadores de cobras. Além das imagens do Ganges, é um registro fotográfico que com certeza consta no álbum de qualquer um que visite a terra de Gandhi. É quase como ir a Pisa e não tirar uma foto “empurrando” a torre ou em Paris não fazer pose colocando a Torre Eiffel na palma da mão.
Mesmo sendo uma atividade proibida na Índia desde 1972, a prática ainda é bastante comum – a única fonte de renda entre a população pobre.
Chocante é descobrir que o encantamento de serpentes é assunto sério entre os Vadi, uma tribo nômade da região de Gujarat, sul da Índia. Eles sentem orgulho de ter uma relação quase mítica com as serpentes e passam o ensinamento de pai para filho. Há até escolas de encantamento para crianças na tribo.
Separados em turmas de meninos e meninas, as aulas começam quando eles têm apenas 2 anos de idade e, aos 12, já dominam a técnica.
Os garotos aprendem a encantá-la com a tradicional flauta, enquanto as garotas são treinadas para terem contato com as serpentes enquanto os maridos ou irmãos não estão por perto – a elas só é reservado o direito de manipulação e outros truques.
Eles aprendem que é preciso devolver a cobra ao seu habitat natural após sete meses, no máximo, e a alimentá-la com uma mistura de ervas que neutraliza seu veneno – por isso não é necessária a remoção das presas.
O encantador de cobras-chefe, Babanath Mithunath Madari, de 60 anos, explica que as serpentes são bem tratadas porque são como crianças para eles. Em toda sua carreira como encantador viu apenas um homem ser picado – porque não retornou a cobra após sete meses de uso.
A tradição é interessante. Pena que tenha se desvirtuado e se transformado num espetáculo reservado a pedintes que são capazes de se utilizarem de meios violentos para arrancarem dinheiro do turista.

2009/06/15

BOLO DE REIS

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:19

santaclaus

algemasEra véspera do feriado de Corpus Christi e o assunto passou batido. Mas vale amplificar as novas falcatruas made in Brasília trazidas à tona pelo jornal “O Estado de S. Paulo” na quarta-feira.
Maracutaia da grossa, essa: a existência de um universo paralelo dentro do Senado.
Nos quase 15 anos em que Agaciel Maia esteve à frente da diretoria-geral da Casa diversos atos administrativos secretos foram usados para resolver alguns probleminhas sem que a imprensa e o país tivessem a mais remota noção.
Atos administrativos – que eram do conhecimento apenas de alguns pouquíssimo eleitos – foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos, aumentar salários, pagar horas extras, reajustar auxílio-refeição e até estender a assistência odontológica e psicológica vitalícia a marido ou mulher de ex-parlamentares.
O novo escândalo já está sendo chamado, por alguns cientistas sociais, de “a cereja do bolo”. Pedro Simon é mais realista e acredita que chegamos ao fundo do poço.
De saída, falou-se em 300 atos secretos, mas há informações dando conta de que passariam de 500.
Eles são considerados secretos porque deveriam ter sido divulgados na intranet do Senado – a publicação dos boletins é de responsabilidade da Secretaria de Recursos Humanos. Leia-se: João Carlos Zoghbi – aquele mesmo que usou a babá como laranja e aquele mesmo cuja mulher tentou comprar uma repórter oferecendo um carro.
Agora, uma comissão interna está examinando os atos de 1995 até março deste ano.
Difícil vai ser encontrar algum senador que não tenha o rabo preso. No início de junho, a direção do Senado convocou uma reunião para que os colegas sabatinassem Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi. Dos 81, apenas 4 se interessaram: Marconi Perillo, Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Tião Viana.
Sarney deu uma de Lula e declarou que não sabia de nada. Garibaldi Alves – que assinou algumas das medidas – disse que não se lembra e precisa ver o que aconteceu.
Lamentável é que esses atos não podem ser anulados porque, na prática, não existem.
Resta-nos aguardar os próximos capítulos, mas não ficaremos espantados com o envolvimento de senadores e muito menos o de Agaciel, o onipresente – ele aparece em 11 dos últimos 10 escândalos.
Heráclito Fortes saiu-se com esta para explicar o fenômeno Agaciel: “Ninguém fica tanto tempo num cargo como esse se não virar um Papai Noel”.
É o nome das crianças presenteadas – e os regalos que receberam – que queremos conhecer.

2009/06/14

MOSCA NA SOPA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:19

chef2

saltpepperFeriado prolongado é sinônimo de descanso no trabalho, nos estudos e, consequentemente, na dieta. Nosso nível de adrenalina fica tão baixo que é comum praticarmos a autoindulgência à mesa. Saboreia-se de tudo, sem a menor culpa ou cuidado.
O desleixo não aparece apenas na alquimia de alimentos tão parecidos como o sushi, o feijão, a farofa e a buchada, mas na falta de atenção ao próprio ambiente – o restaurante, no caso.
Um livro lançado no ano passado presta grande serviço aos frequentadores de bodegas nos finais de semana: “Thanks for the Tip – Confessions of a Cynical Waiter” (“Obrigado Pela Gorjeta – Confissões de um Garçom Cínico”), de Steve Dublanica, também conhecido como “O Garçom”.
O autor trabalha em Nova York e manteve-se no anonimato por muitos anos antes de o seu blog – o “Waiter Rant” (“Arenga de Garçom”) – começar a fazer sucesso. Além de dar algumas dicas para o cliente ser bem servido, ensina a “etiqueta da gorjeta”, revela as técnicas usadas pelos garçons para ganharem uma caixinha mais polpuda e várias outras maldades aplicadas pela categoria.
Segundo Steve, 80% dos clientes são pessoas legais que estão apenas procurando algo para comer. Os outros 20%, no entanto, são psicopatas. É com esses tipos que os garçons aprontam. Podem desde cuspir no prato devolvido ou, assim que o cliente se levantar, ligar para a polícia para dizer que um frequentador bêbado está de saída.

Atenção às verdades que um garçom jamais dirá a você:

- Evite comer em restaurantes em feriados ou sábados à noite. O grande número de clientes faz com que o pessoal da cozinha seja exigido a tal ponto que os pratos nunca saem como deveriam;
– Dificilmente um funcionário da cozinha falta ao trabalho por causa de algum problema de saúde familiar. Ele não vai deixar de ganhar 100 dólares para ficar em casa cuidando do filho. E é esse cara que vai lidar com a sua comida;
– Quando a insatisfação do cliente resvala para ataques pessoais, adulterar a comida ou a bebida é a forma que o garçom encontra para se vingar. Não é difícil ele cuspir no prato devolvido e servi-lo a você novamente;
– Nunca diga que é amigo do dono do restaurante. Segundo o autor, eles não têm amigos. Isso só vai fazer você parecer um esnobe;
– Nunca estale os dedos para chamar um garçom;
– Não peça pratos que estão fora do cardápio. Isso vai forçar o chef a preparar algo que não estava no programa, que corre o risco de sair mal-feito e de retornar à cozinha;
– Dividir entradas ou pratos não é problema, mas não peça água, limão ou açúcar para preparar uma limonada à mesa. O próximo passo é pedir uvas para fazer seu próprio vinho;
– Se você tem um garçom preferido, sente-se na área atendida por ele. Ele ficará agradecido e o atenderá bem;
– Não pode dar gorjeta? Então você não está preparado para comer num restaurante;
– Confira a conta sempre. Às vezes, em grandes comemorações, algumas gratuidades são oferecidas e os clientes não percebem. Os garçons também costumam fazer vista grossa;
– Se quer permanecer à mesa conversando, aumente o valor da gorjeta;
– Nunca entre num local 15 minutos antes do fechamento. Todos estarão cansados e vão preparar qualquer coisa para se verem livres de você.

Fiquem atentos. Bom apetite!

2009/06/13

QUANDO O GARGAMEL É VOCÊ

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:51

smurfs

champanheO mundo gira, a Lusitana roda e a relação entre o estresse e a demência vai ficando cada vez mais atual, um clássico do pensamento contemporâneo.
As pressões e tensões geradas pelas cobranças do dia-a-dia estão transformando os seres humanos em criaturas infantilizadas, com sérios comprometimentos mentais e reduzida capacidade de adaptação a situações sociais reais.
É o que poderia ser concluído após assistirmos a uma série de manifestações comportamentais que têm se tornado frequentes ao redor do globo: Dia Mundial da Guerra dos Travesseiros, Torneio de Arremesso de Celular, Passeata dos Solteiros e Silly Walk – cujo objetivo é caminhar como num quadro do programa do grupo “Monty Python”, de chapéu e guarda-chuva.
Sem falar nas reuniões dos fãs de “Star Trek”, do pessoal do “Cosplay” – aqueles que se fantasiam de personagens de filmes ou desenhos animados – ou de tribos como a dos “Ancient Battles” – que estudam lutas antigas de períodos anteriores a Cristo e se reúnem para despertar o “guerreiro interior” que há dentro deles.
A princípio esses ajuntamentos excêntricos me causaram estranheza e trouxeram questionamentos sobre a finalidade, a falta de noção – e do que fazer – dos participantes.
Mas eles conquistaram minha simpatia. O mundo real já é um estorvo, o que torna a atitude dessa galera digna de mérito. Apesar de tudo, ainda têm energia, cara-de-pau e principalmente bom humor para fazerem parte desse tipo de festa.
Uma das mais hilárias aconteceu na segunda-feira, na Inglaterra, quando mais de 2.500 estudantes fantasiaram-se de Smurfs – com os corpos pintados de azul e tudo.
O objetivo era quebrar o recorde anterior, dos irlandeses, que conseguiram reunir 1.253 Smurfs em julho do ano passado.
O recorde é difícil de ser batido porque as regras são rígidas. Cada participante precisa estar com o corpo totalmente azul, sem nenhum resquício de pele à mostra.
Demente ou lunático é quem se deixa abater pelos aborrecimentos do dia-a-dia e se esquece de que as palhaçadas estão aí para serem usadas a nosso favor. Seja você palhaço ou plateia.

P.S.: tem dias que eu estou tão Lair Ribeiro…

2009/06/12

YOKO COM CIÚME

Filed under: Folheando — trezende @ 10:46

walrus

oculosNem Tarcísio e Glória, nem Eduardo e Mônica. O casal-símbolo do Dia dos Namorados sempre foi e continuará sendo John Lennon e Yoko Ono.
Afinal, que homem hoje se apaixonaria por uma mulher através de uma obra? Em visita a uma exposição de Yoko, Lennon avistou uma escada embaixo de uma pintura no teto com um “yes” escrito em letras minúsculas. Foi o suficiente para ele perceber que havia achado a tampa de sua panela.
O resto da história todo mundo já sabe.
Uma das cenas mais marcantes do casal é numa cama de um hotel em Toronto durante o protesto “Bed In”. Além de dar origem à famosa imagem, o episódio rendeu quase uma versão real – e desconhecida – de “Almost Famous”.
Em 1969, aos 14 anos, o menino Jerry Levitan conseguiu entrar na suíte 769 e entrevistar Lennon por 40 minutos. Quatro décadas depois, o resultado chega às livrarias: “I Met the Walrus: How One Day with John Lennon Changed My Life Forever” (“Eu me Encontrei com os Walrus: Como Um Dia com John Lennon Mudou Minha Vida pra Sempre”). O livro ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
A história é contada sob o ponto de vista de um fã que sequer havia preparado as perguntas. Começa com o relato de como o garoto se apaixonou pelos Beatles, passa pela análise de como os discos da banda afetaram sua vida e culmina no dia da entrevista com o ídolo.
O livro – ilustrado quase que de maneira infantil por James Braithwaite – acompanha fotos inéditas do casal, um CD e um DVD com o áudio original de Jerry e Lennon. A gravação, aliás, serviu de inspiração para o curta-metragem de animação “I Met the Walrus”, indicado ao Oscar em 2008.
Ao descobrir que a dupla estava no “King Edward Hotel”, em Toronto, Jerry entra em contato com a rádio local perguntando se poderia tentar uma exclusiva com os ídolos. Por alguma razão inexplicável, Lennon vai com a cara de Jerry, o recebe e ainda o convida para voltar depois.
No livro, Jerry também revela que seu bate-papo com o cantor chegou a ser veiculado pela radio local, mas além de ele ter sido excluído da gravação, não recebeu nenhum crédito pelo feito. Assim como o amor, o Jornalismo não evoluiu tanto assim.

P.S.: O “Walrus” do título faz menção à “I am the Walrus”, uma música dos Beatles que, segundo Lennon, foi composta em uma de suas viagens com drogas. A letra não faz muito sentido e “walrus” significa “morsa”, em sueco. Na Suécia, o animal é o símbolo da morte. “Eu Sou a Morte”, portanto.

Assistam ao curta AQUI

2009/06/11

TERROR ONLINE

Filed under: Cultura inútil — trezende @ 10:00

twitter

zumbiO Twitter é a febre do momento.
O site – que permite que os usuários mandem mensagens curtas, de até 140 caracteres, para páginas na Internet ou celulares – abriga perfis bem variados. Há desde padarias avisando a que horas saem mais pães quentinhos até políticos brasileiros seguindo o exemplo de Obama – que tem mais de 1,2 milhão de seguidores.
Delcídio Amaral, César Maia e José Serra já aderiram.
Mal chegou, Serra já se meteu em polêmica. O cantor Roger, do Ultrage a Rigor, aproveitou a presença virtual do governador de São Paulo para fazer um abaixo-assinado. Nele, pede medidas contra roubos e desvios de dinheiro público – e já conta com mais de mil membros.
José Serra respondeu, disse que acha a manifestação legítima, mas colocou a culpa no nosso sistema eleitoral. Melhor um início de diálogo do que nada.
Mas como tudo o que cai na Internet, o Twitter já ganhou uma versão-paródia, o “Twitter Vampire”.
Na seção “Como jogar”,  as explicações são dirigidas às “Criaturas da Internight”:
“Morda aqueles patéticos escravos que você chama de amigos. Mergulhe os dentes em suculentos pescoços, sugue o sangue, ganhe pontos e se transforme num vampiro poderoso. Fique atento, pois há vampiros se escondendo em vários lugares no Twitter. Se for muito mordido, terminará como presa suculenta”.
A pontuação funciona da seguinte forma: a pessoa ganha 20 pontos cada vez que dá uma dentada em alguém e perde 10 quando leva. Só é possível morder uma vez por dia.
Quando você morde um amigo, uma mensagem da sua conta no Twitter é enviada para as suas presas dando conta de que elas tiveram seu sangue chupado.
Para abocanhar alguém é preciso ter energia, que é recarregada uma hora após uma mordida.
Qual a utilidade do “Twitter Vampire”? Nenhuma, é apenas mais uma ferramenta para preencher nossos raros momentos de ócio – ou para descarregar nossa ira contra os políticos.
A escolha é sua. Você pode optar entre fazer parte do abaixo-assinado de Roger, ir à padaria ou morder um político. Mas lembrem-se da fama do Serra.
Conheçam o “Twitter Vampire” AQUI

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