O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/04/30

SIN CITY

Filed under: Cultura inútil — trezende @ 10:01

mapas1

chapeuE se pudéssemos mapear a distribuição dos sete pecados capitais pelo Brasil? Que Estado seria o campeão em preguiça? Qual seria o mais guloso? Ou o mais invejoso?
Pois nos Estados Unidos a pesquisa já começou. Geógrafos da Universidade de Kansas divulgaram no fim de março os resultados da pesquisa “A distribuição espacial dos sete pecados capitais no Estado de Nevada”.
O que inicialmente parecia apenas uma diversão erudita de geógrafos se transformou numa convenção disputadíssima durante o “Encontro Anual da Associação dos Geógrafos Americanos”, no Estado de Riviera. Foram cerca de 6 mil espectadores.
Os pesquisadores utilizaram dados estatísticos para quantificar e localizar os pecados e produziram mapas que mostram, distrito a distrito, os níveis de luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e orgulho pelo Estado de Nevada. Através de bancos de dados nacionais sobre taxas de doenças sexualmente transmissíveis (luxúria) ou assassinatos per capita (ira), os geógrafos chegaram a um “índice do pecado”. Os mapas têm sete cores – uma para cada pecado. Quanto mais escuro o tom, mais “malvado” é o distrito.
Para calcular a ira compararam o número de crimes violentos – assassinatos, assaltos e estupros – fornecidos pelo FBI. Já o nível de gula foi medido pela quantidade de restaurantes fast food per capita, enquanto os dados sobre preguiça foram conseguidos relacionando-se gastos com Artes, entretenimento e recreação com a taxa de emprego. Na maioria dos sete pecados o distrito de Clark foi o que obteve os piores índices.
Os pesquisadores levaram quatro semanas para concluírem o estudo, mas eles também conseguiram dados de mais 3 mil distritos pelo país. Os resultados de Nevada tornam-se inexpressivos se comparados aos demais, como o Texas, que ficou bem colocado no quesito gula. Já a Flórida e distritos vizinhos se saíram bem na questão da ira.
Enquanto alguém não decide fazer levantamento parecido no Brasil, mandem seus palpites para o Estado mais: tarado, pão-duro, preguiçoso, guloso, nervoso, invejoso e orgulhoso.

Acima, a distribuição da inveja (à esquerda) e da ira nos Estados Unidos

2009/04/29

INJEÇÃO DE ÂNIMO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:32

 

cuequinhas

banana1Se no campo profissional a igualdade entre homens e mulheres ainda está para ser alcançada, no quesito beleza eles estão próximos de nos deixarem para trás.
Além de tirarem a sobrancelha, fazerem depilação, bronzeamento artificial, massagens e cirurgias estéticas, agora têm lingerie igual à nossa.
Mulheres com pouco seio – ou as que querem dar uma valorizada no que já tem – contam com o “Wonderbra”, aquele sutiã acolchoado que dá uma levantada nos ânimos. Eles também acabam de ganhar uma versão turbinada.
A ideia é do estilista croata Roland Lodoli, que criou a “La Bomba”, uma cueca com o mesmo princípio do “Wonderbra”. A peça tem um bolso costurado por dentro que abriga e levanta os testículos. Com isso, dá a impressão de mais volume.
O efeito é algo parecido ao que Ben Stiller consegue no filme “Dodgeball” (“Com a Bola Toda”) ou o de Borat com seu inesquecível maiô.
Além da cueca, Roland já lançou uma linha de cuecas samba-canção transparentes e acaba de criar uma sunga com o mesmo objetivo da “La Bomba”. De acordo com o estilista, “o mar é frio, mas os resultados são grandes”.
Mas descobri que essa espécie de “Wonderballs” não é novidade. Uma confecção canadense, a “Basixx”, tem uma linha parecida. Há cuecas com tiras de couro, modelos “boxer” e “jock straps” – usadas por esportistas, em que a parte anterior é formada apenas por duas tiras. Alguns desses modelos incluem uma parte removível em poliuretano.
De qualquer forma, a ideia do croata ainda é um achado: pela propaganda involuntária embutida no nome do estilista (Roland) e pela escolha da marca, “La Bomba”.
Aos interessados: por enquanto as cuequinhas mágicas de Roland encontram-se à venda nas duas lojas do estilista, em Zagreb, mas em breve estarão disponíveis no site.

2009/04/28

MENOS, BEM MENOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:26

 

mascara1

socorroMais surreal do que um porco gripado e com o nariz escorrendo é o que a doença do animal está causando: pânico. Os principais focos estão no México e nos Estados Unidos, mas o mundo está desesperado diante da possibilidade de uma pandemia.
No Brasil não é diferente. Se era necessário um símbolo para que o brasileiro encarasse o problema como grave aí está ele: a máscara cirúrgica.
Mas mais uma vez os japoneses saíram na frente. Há muito tempo que as máscaras cirúrgicas são acessórios fashion por lá. Há opções para pessoas que usam óculos, as infantis, as que não borram a maquiagem e as temáticas – com personagens como Hello Kitty e Mickey Mouse.
O artefato médico inicialmente era usado por causa das alergias causadas pela “febre do feno”. Cerca de 25 milhões de japoneses sofrem com as alergias desencadeadas pelo pólen, cujos sintomas são coriza, olhos lacrimejantes e tosse.
Após a Segunda Guerra Mundial o governo subsidiou os custos da plantação de árvores como o sugi (cedro-japonês) e o hinoki (cipreste parecido com o cedro) em áreas montanhosas. Depois que as plantas cresceram, o problema: o vento passou a espalhar o pólen pelo país e hoje as “condições do pólen” são assunto até dos boletins meteorológicos.
Na região de Tokai, os pólens de cedro intensificam-se entre meados de fevereiro e final de abril. Os de hinoki, no início de abril a meados de maio.
Há quem diga que os japoneses usam máscara para serem solidários e não espalharem seus germes para os outros, mas há uma corrente que acredita nas máscaras como ícone fashion ou fetiche.
Resta-nos torcer para que as máscaras que os mexicanos vestem hoje também percam seu caráter médico e virem moda ou fetiche. Os que detestam notícias e comportamentos alarmistas agradecem.

P.S.: o tema febre suína é muito mais antigo do que se poderia imaginar. Confiram um comercial de 1976 AQUI

2009/04/27

OS LEGÍTIMOS DOUTORES DA ALEGRIA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:30

fooxcaixa

seringa2Cerca de 50 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Mas o problema da doação de órgãos é uma questão mundial e motivo de discussão em áreas inimagináveis, como nas Artes.
David Foox – artista norte-americano de Denver, Colorado – criou bonecos que com certeza vão ajudar a suscitar nas crianças o espírito de solidariedade.
Trata-se da coleção de bonequinhos doadores de órgãos.
 A inspiração veio de um episódio ocorrido com o tio de David, que sofria de fibrose cística nos pulmões e teve muita sorte ao receber pulmões novos de um atleta de Iron Man.
Os bonequinhos são vendidos em caixas-surpresa e não informam ao comprador o órgão representado pelo boneco e nem a cor – 24 tons, no total.
Os bonequinhos estão vestidos com aventais de hospital – aqueles abertos na parte de trás – e cada um é o mascote de um tipo de transplante. Há os de pulmão, coração, cérebro, rins, fígado, olhos/córneas, plasma, glóbulos vermelhos e brancos.
Os que representam os rins vêm em duas opções: o normal e o edição limitada “rim de mercado negro”. Os de pulmão contam com três modelos: os de fumantes, os de aço – representando os do atleta que salvou a vida do tio de David – e os “invencíveis”. Há uma versão do boneco de fígado chamada “Lecter”.
Segundo David, os principais compradores são colecionadores de objetos de vinil, mas também têm sido vendidos em hospitais, para pacientes transplantados, como lembrancinhas para estudantes de Medicina ou enfeites.

Vejam os bonecos AQUI

2009/04/26

DEPOIS DO BIG BROTHER, O BIG FATHER

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 07:55

 

lugo

bananaNas décadas de 30/40 tínhamos Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”. Veio Tancredo, o “pai da democracia”, seguido por Sarney, o “pai do Plano Cruzado”. Depois seguiu-se uma discussão quanto à paternidade do Real: Itamar Franco ou Fernando Henrique?
Já no Paraguai não restam dúvidas: Fernando Lugo é o pai de todos.
No momento em que escrevo, três filhos vieram a público. Uma das mães, no entanto, afirma que o presidente do Paraguai é pai de pelo menos seis crianças.
Enquanto por aqui instalamos CPIs a fim de investigarmos os abusos cometidos por nossos representantes no Congresso, no Paraguai eles acabam de formar um grupo de trabalho para administrar os casos de paternidade do ex-bispo católico.
Mais: no Brasil os parlamentares precisam devolver aos cofres públicos a grana relativa às peripécias aéreas. No Paraguai, Lugo pedirá a restituição de parte de seu salário – que havia sido doado a obras sociais – para pagar a pensão dos meninos.
É necessário dizer que sobram piadas sobre o assunto?
Um grupo de um gênero musical chamado “cumbia” lançou uma música que já é o hit do momento no Paraguai: “Lugaucho”. O refrão diz que ele tem corazón, mas não usou condón (preservativo).
Ouvintes ligaram para diversas emissoras de rádio para comentar o assunto. Um deles disse que “Lugo pecava, mas logo confessava, porque era bispo”.
O tema virou mote até para uma peça teatral, que deve estrear dia 1º de maio: “Os Niños Cantores de Lugo”. Segundo o grupo humorístico Ab Ovoque, como não param de aparecer filhos, eles prepararam um coral inteiro de crianças para representá-los no palco.
Com tanta piada, torna-se difícil criar uma original. Mas a minha é que Lugo deve sim ter usado preservativo, mas o legítimo paraguaio. Deu no que deu.
A preocupação fica por conta da visita de Fernando Lugo ao Brasil, nos dias 7 e 8 de maio. Inri Cristo terá de providenciar cinto de castidade para suas “inrizetes”. E eu já comprei uma caixa de legítimos Cohiba para presentear o paraguaio.

Confiram o vídeo “Lugaucho” AQUI

2009/04/25

A GRAÇA DA VIDA

Filed under: Folheando — trezende @ 07:21

sedaris

oculosO escritor americano David Sedaris esteve no Brasil no ano passado para a Festa Literária Internacional de Paraty. Na ocasião falou sobre seu mais recente livro, “Eu Falar Bonito Um Dia”.
Só nesta semana liguei o nome à pessoa ao me divertir com algumas de suas crônicas publicadas no site da revista “New Yorker”. Em busca de informações sobre ele, tomei conhecimento de sua passagem pelo Brasil e descobri que é um dos autores mais lidos nos Estados Unidos – já vendeu mais de sete milhões de exemplares. Além disso, foi eleito o humorista do ano de 2001 pela revista “Time”.
Sedaris já afirmou em entrevistas que 97% de seus textos são autobiográficos. Todas suas experiências cotidianas são registradas num pequeno caderno que carrega no bolso. Nada escapa ao espírito sagaz do autor.
Quando esteve no Brasil conta que viajou pela TAM. “Fiquei surpreso, pois recebi um babador antes de minhas refeições. Você sabia disso? Eu nunca tinha recebido um babador em um voo. E o mais incrível é que eles não dão muita chance para usá-lo. Assim que você coloca aquilo, eles servem uma barrinha de cereal e um refrigerante (risos)”.
O trabalho mais recente de Sedaris é “When You Are Engulfed in Flames” (“Quando Você É Tragado Pela Fumaça”), ainda não lançado no Brasil. É uma coleção de crônicas hilárias sobre situações cotidianas – de sua infância, adolescência e vida adulta nos Estados Unidos e na França.
O texto que dá nome ao livro, no último capítulo, narra sua tentativa de largar o cigarro. Para tanto, decidiu que precisava de uma mudança de cenário. Ele deixa sua casa em Paris e embarca para Tóquio, onde mora por dois meses no 26º andar de um prédio pertencente a uma rede de supermercados.
Outras passagens interessantes tratam do dia em que usou a água de um vaso de flores para fazer café e a vez em que blindou suas janelas com capas de LPs para se proteger da cantoria de pássaros neuróticos.
Há também a descrição do uso de um dispositivo para fazer xixi sem ir ao banheiro – uma espécie de cateter improvisado formado por uma “camisinha adesiva” ligada a um saco plástico para ser amarrado à perna.
Ele chega à conclusão de que é difícil fazer xixi e outras coisas ao mesmo tempo, como ler em voz alta, discutir as opções de bebida com a aeromoça ou fazer check-in num hotel. Segundo ele, cada uma dessas atividades exige uma forma de concentração.
Embora ninguém soubesse do uso do cateter, estava claro, pelo seu rosto, que alguma coisa acontecia. Além disso, sua panturrilha estava estranhamente inchada.
Além de “Eu Falar Bonito Um Dia”, dois de seus livros já foram traduzidos por aqui: “Pelado” e “De Veludo Cotelê e Jeans”.
Ficam aí algumas dicas de leitura para o final de semana.

2009/04/24

PRIMEIRO ROUND

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:07

briga1

capaceteA imagem da Justiça sai arranhada com o bate-boca no Supremo Tribunal Federal? A resposta são outras duas perguntas. Que imagem? Desde quando políticos e suas respectivas Casas gozam de alguma credibilidade no Brasil?
O imbróglio em que se transformou a questão do uso de passagens aéreas e até irregularidades na concessão de bolsas do Prouni colocam qualquer possibilidade de confiança em cheque.
A discussão entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa foi um barraco? Sim, mas um barraco necessário.
Apesar de novamente ter tirado da cartola mais uma de suas metáforas futebolísticas, Lula acertou ao dizer que o episódio é importante para o desenvolvimento da democracia.
Seria desejável que discussões nos outros dois Poderes acontecessem. Seria, pelo menos, sinal de que há confronto, oposição, enfim. Lamentável é perceber – como neste caso da farra aérea – que todos os parlamentares têm a mesma opinião. Um cartel de ideias entre seres tão suspeitos não pode ser boa coisa.
Saudável também foi a exposição do barraco. Até os mais informados não têm paciência e nem tempo para prestigiarem a programação da TV Justiça, mas os canais abertos estavam aí para levar o bate-boca ao conhecimento do povão – mesmo que os protagonistas lhes sejam figuras estranhas.
Foi interessante assistir a uma briga nos tons formais que a Corte exige. “Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém”. E o outro: “E nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar!”.
O episódio informa e educa – no mínimo, ensina como xingar alguém do jeito mais polido possível.
Como geralmente acontece em situações assim, ninguém está com a razão. Joaquim Barbosa é conhecido por sua personalidade agressiva. Já brigou com meio mundo – Marco Aurélio Mello e Eros Grau nem falam com ele.
Glimar Mendes – apesar de ter contado com a solidariedade de oito ministros – está longe de receber o troféu de “Mister Simpatia”. Além da fama de mandão e de tratar com descaso seus pares, no STF a principal reclamação é a de que ele age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Assume uma postura de liderança, entra em conflito até com os demais Poderes e deixa o tribunal suscetível a críticas.
Lamentemos, portanto, a qualidade de nossos políticos e instituições, mas não a discussão de opiniões divergentes.

2009/04/23

MADE IN JAPAN

Filed under: Cultura inútil — trezende @ 08:53

livrojapa

boneLisa Katayama é autora do blog “TokyoMango” e trabalha como jornalista freelancer escrevendo sobre tecnologia, direitos humanos e cultura japonesa em revistas como “Wired”, “Make” e “PopSci”.
No ano passado Lisa publicou “Urawaza: Secret Everyday Tips and Tricks from Japan” (“Urawaza: Dicas e Truques para o Dia-a-Dia Diretamente do Japão”).
O livro – uma coleção de 108 “conselhos” que resolvem os problemas e divertem os envolvidos – foi inspirado num artigo que ela escreveu para a revista “Wired” em 2006 e que rapidamente chegou à TV.
Segundo Lisa, toda família tem uma receitinha caseira. Esses métodos – cientificamente comprovados ou não – são passados de geração em geração e até acrescentam à doença um senso de segurança e conforto.
Sua avó japonesa sempre tinha um remedinho para tudo. Lisa achava tão gostoso ficar doente na presença dela que algumas vezes realmente queria ter algo quando ia visitá-la.
Os capítulos tratam de temas como saúde, questões alimentares, de higiene, limpeza e traz dicas de como impressionar os amigos. Há cura para quase tudo: dar um jeito no nariz entupido, na dor de garganta, curar dor nas costas, prevenir pé-de-atleta, o mau cheiro corporal, fazer seu parceiro parar de roncar, eliminar soluços, tirar nota alta no karaokê, calar o choro de um bebê, tirar os arranhões de um CD arranhado, deixar as unhas brilhantes, consertar batom quebrado, tirar adesivos de um espelho, recolher cacos de vidro, livrar-se de baratas, remover mancha de café do carpete, prevenir que o espelho do banheiro fique embaçado, desfazer o nó de uma gargantilha, retirar mancha de chá da caneca ou cheiro de cigarro da roupa, remover chiclete do cabelo ou da roupa e até andar na chuva sem escorregar.
Algumas soluções: para o nariz entupido, basta enfiar uma cebolinha verde em cada narina. Para a dor de garganta, usar uma toalha embebida em “shochu” (uma bebida destilada japonesa) ao redor do pescoço. Dores no ombro? Grude um pedaço de durex das laterais dos olhos até as têmporas.
Se o bebê não para de chorar, o segredo está em produzir o mesmo som de quando se está provando vinho. O ruído é parecido ao do útero.
Para se precaver de maus odores, um bom desodorante natural é uma mistura de bicarbonato de sódio e suco de limão. Homens que fazem a barba após o banho e não querem o espelho embaçado podem cortar uma batata ao meio e esfregá-la no espelho. CD arranhado? Limpe-o com pasta de dente.
Para as dores nas costas algo que já descobrimos neste blog: mostarda.
Se as dicas funcionam ou não, só a prática irá nos dizer. Entretanto, várias delas têm efeitos colaterais. O marido se livra do espelho embaçado, mas não da reclamação da mulher por ter emporcalhado o móvel. Pagar o mico de ficar com durex grudado no rosto ou continuar com dor nas costas? A escolha é sua.

2009/04/22

SOBRE DOMAR A JUBA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 13:47

leao

espanadorQuantas vezes por semana o brasileiro põe a cabeça debaixo do chuveiro? Essa é uma questão que nem nossos institutos de pesquisa têm a resposta. De fato, o assunto é pouco relevante, mas não menos curioso.
De acordo com uma pesquisa feita pela Procter & Gamble, os americanos lavam o cabelo, em média, 4,59 vezes por semana – o dobro dos italianos e espanhois.
Mas para dermatologistas e cabeleireiros, é muito. Lavar as madeixas diariamente remove o óleo dos cabelos, o que pode danificá-los.
Os shampoos para uso diário viraram moda em 1908, quando o jornal “The New York Times” publicou uma coluna “autorizando” as mulheres a lavarem os cabelos a cada 15 dias – o comum, na época, era uma vez por mês.
Décadas depois, as propagandas na TV começaram a nos convencer de que o correto era a lavagem diária. Segundo um dos executivos responsáveis pela campanha publicitária do shampoo de Farrah Fawcett, na década de 70, bastava mostrar a atriz correndo na praia, em câmera lenta, com as madeixas balançando ao vento, para vender a ideia de “lave seu cabelo com isso e você também poderá se tornar uma Farrah Fawcett”.
Os anúncios foram nos convencendo ainda de que lavar o cabelo diariamente era saudável. Paulatinamente o hábito se encarregou de fazer nossas cabeças.
Apesar da propensão cultural ao uso do produto, alguns grupos ecologicamente corretos estão deixando o shampoo de lado.
A autora do blog “Life Less Plastic” (algo como “Uma Vida Menos Plástica”), que estimula as leitoras a usarem menos embalagens plásticas, lavou o cabelo durante três meses com uma mistura de bicarbonato de sódio e um creme enxaguante à base de vinagre.
A experiência terminou depois que ela começou a ter caspa. Ela fez questão de frisar, entretanto, que a mistura não deixava mau cheiro e que os fios nunca ficavam oleosos – atualmente ela usa shampoo em barra algumas vezes na semana.
Especialistas afirmam que esse relato não é tão absurdo. Como ela lavava poucas vezes, as glândulas sebáceas produziam menos e a possibilidade de fios oleosos era afastada.
Uma dermatologista da Universidade de Columbia recomenda que os cabelos sejam lavados não mais que duas ou três vezes por semana.
Há um outro alerta: sobre tipos de cabelos. Afrodescendentes e pessoas com fios encaracolados podem ficar mais tempo sem lavá-los do que os que têm cabelos lisos. Fios retos podem ficar oleosos rapidamente porque o óleo desliza com mais facilidade até as pontas.
Cientes das recomendações, utilizem-nas com bom senso. Não abusem dos bonés, rabos-de-cavalo, narizes alheios e, principalmente, não mintam para o Datafolha.

2009/04/21

ALEGRIA DE BELCHIOR

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 14:32

novaz2

distintivo2Felizmente nem todos os acidentes aéreos terminam em tragédia. Os que contam com um piloto sagaz, equipamentos confiáveis ou com a intervenção divina poupam passageiros e a própria aeronave da desgraça.
Mas que fim levam esses aviões – como o que realizou um pouso forçado no rio Hudson, em Nova York, ou os que simplesmente viraram Sucatões? No Brasil eles continuam voando, mas em vários países do mundo são transformados em residências, hotéis, motéis, restaurantes e cafés.
Uma opção tradicional é oferecida pelo Museu Nacional da Escócia, a “Concord Experience”, uma exposição dentro do famoso Concorde. Além de contar toda a história do avião e várias curiosidades – apenas 20 foram construídos –, exibe filmes e promove passeios guiados dentro da aeronave.
Alguns projetos mais ousados para reutilizar esses aviões ainda nem saíram do papel. Um deles é o “avião-bonde”. A ideia é de uma empresa americana que oferece em seu site o “The Highway in the Sky” (“A Rodovia no Céu”). A carcaça do avião deslizaria sobre trilhos instalados entre 18 e 30 metros de altura.
Além de confortáveis e silenciosos, o novo meio de transporte não seria afetado pelo tráfego ou pelas condições de temperatura da cidade e atingiria uma velocidade entre 320 e 400 km/h.
Outro que ainda está em fase embrionária é a Biblioteca de New Jalisco, em Guadalajara, cujo prédio seria formado somente por fuselagens. Para o concurso, um escritório novaiorquino apresentou um estudo utilizando-se de mais de 200 carcaças de aviões a jato, de Boeings 727 e 737.
Na categoria hotéis, dois exemplos surpreendentes. Um Jumbo construído em 1976 e que estava abandonado no aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, virou o “Jumbo Hostel” em 2002. Ele tem 25 quartos com TVs de tela plana – incluindo uma suíte de luxo no cockpit – e acomoda 85 hóspedes. A fuselagem passou por uma ampla reforma, quando os 450 assentos foram arrancados e o avião ganhou uma decoração moderna.
Já o Hotel Costa Verde, na Costa Rica, oferece uma suíte incomum feita com a carcaça de um Boeing 727 de 1965. Os pedaços de um avião encontrado em São José, capital do país, foram transportados para dentro do Parque Nacional Manuel Antonio e remontados em um pedestal de 15 metros de altura.
A suíte é decorada com peças feitas à mão de Java, na Indonésia, e suas paredes são conectadas com pedaços de madeira. O avião tem ainda um quarto com ar condicionado, duas camas queen-size, dois banheiros e uma televisão de tela plana.
Até as escolas de lata da gestão Marta Suplicy estão para ganhar uma versão de luxo na Inglaterra. Dentro de poucos meses um antigo “Short 360” – que realizava voos comerciais entre a Irlanda e a Espanha – vai virar sala de aula. O cockpit será equipado com lousas, carteiras e laptops para atender a 30 crianças.

Acima, a cafeteria “Cookie Time”, na Nova Zelândia

Vejam algumas fotos AQUI

2009/04/20

FRITA O PEIXE, OLHA O GATO

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:24

 

eyeglasses1

cadeirarodasAlguns assuntos, vídeos ou fotografias viram hits na web. Em questão de minutos dominam blogs, sites de notícias, ganham milhões de acessos e com a mesma velocidade são alvos de paródias.
É possível que vocês já tenham assistido ao vídeo do garoto de 7 anos que ficou doidão após visita ao dentista e, mais recentemente, acompanhado o caso de Susan Boyle.
A escocesa de 47 anos virou celebridade após participar de um dos programas de maior audiência na TV britânica, o “Britain’s Got Talent”. O desdém inicial da plateia deu lugar às lágrimas após Susan cantar “I Dreamed a Dream”, do musical “Os Miseráveis”. O vídeo da atuação de Susan já teve mais de 12 milhões de acessos no Youtube.
Em menor proporção, a foto acima teve destaque em vários blogs. Esses óculos de papelão estão sendo distribuídos a todos os visitantes do zoológico de Roterdã, na Holanda, a fim de evitar o contato visual com os gorilas.
A iniciativa foi do seguro-saúde do zoo, que após um incidente com o gorila Bokito resolveu entregar dois mil “Bokito Viewers” a todos os que passam pelo lugar.
Em maio de 2007 Bokito se enfezou, atravessou o canal que o separava dos visitantes, pulou o vidro e atacou diversas pessoas, ferindo mais gravemente uma mulher. Trancado na lanchonete, foi preciso mais de uma hora até que os veterinários conseguissem sedá-lo.
A mulher costumava visitar o local cerca de quatro vezes por semana e tinha o hábito de tocar o vidro, olhar e sorrir para Bokito – atitudes previamente não-recomendadas por primatologistas, que dizem que os macacos interpretam sorrisos humanos como ameaça. Mesmo alertada do perigo, ela afirmava que havia uma forte ligação entre eles. O resultado da “forte ligação” foram mais de cem mordidas e vários ossos quebrados.
O interessante é que o episódio Bokito ocorreu há quase dois anos, mas só nesta semana ecoou pelo mundo. Graças à genial ideia dos óculos e ao poder de mobilização da Internet.
Já considero a possibilidade de visitar o zoológico de Roterdã apenas para conseguir um “Bokito Viewer”. É uma ótima opção para evitar contato visual com os Bokitos que fugiram do zoo.

2009/04/19

GUERRA QUENTE

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:23

muro2

muroNo colégio aprendemos que os burgos eram pequenas cidades protegidas por muralhas. Dentro delas residiam os comerciantes que mais tarde seriam chamados de burgueses.
Sobrevivemos ao bug do milênio, chegamos ao século 21 e podemos dizer que os favelados cariocas não guardam qualquer semelhança com os habitantes dos burgos, mas o governo do Rio está com um plano tão retrógrado que a ideia parece saída do século 12: erguer muros ao redor de diversas comunidades carentes da cidade.
Faltou avisar ao governador e aos idealizadores do projeto que se o objetivo é conter ou diminuir a violência, a medida será tão inócua como tentar extirpar um câncer tomando Epocler.
Não é hora para brincar de Lego. Enquanto nos trancamos em bunkers, os bandidos estão por aí tocando terror. Portanto, o mais indicado seria transformar o Rio de Janeiro num grande burgo. Que se construa a Grande Muralha da China antes que o Rio vire genérico da cidade medieval portuguesa Óbidos e seja batizado oficialmente de “Óbitos”.
A população carioca está dividida. Segundo pesquisa Datafolha, 47% são a favor e 44% contra. Independentemente da vontade dos cidadãos, no Morro Dona Marta as obras já começaram. E o governo estadual já fez licitação para construir seis quilômetros de concreto ao redor dos morros da Rocinha, Chácara do Céu e Pedra Branca.
No total, serão mais de 11 mil metros de muro para conter o surgimento de novas construções populares. O cerco erguido nas comunidades terá o mesmo padrão: será feito de concreto, com base em vergalhões de ferro e terá três metros de altura.
Que outra utilidade terão as paredes que não a de serem usadas como escudo pelos traficantes? Se derrubadas, darão ótimas trincheiras.
As construções já estão em curso e, ao que tudo indica, serão realidade. Sonhemos então para que num futuro muito distante o muro caia, os habitantes do lado ocidental conheçam familiares da parte oriental e do muro só sobrem pedaços que virarão relíquias de museu.

2009/04/18

COM TODO O CARINHO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 06:37

 

capzigzag

torrada1Existem corridas de jerico, de carrinho de mão, de garçons, torneios de xadrez, de futebol na lama, concursos de fantasias de cães, de idoso mais belo e até campeonato de arremesso de aviões de papel.
Na área gastronômica, entretanto, as competições não se limitam às disputas entre quem come mais cachorro quente, hambúrguer ou asa de frango. Há um verdadeiro mundo de campeonatos de arte em café.
Desde que tomar um simples cafezinho virou um evento, os torneios de “latte art”, “coffee art” ou “free pour latte art” se tornaram comuns em praticamente todo o mundo.
Os participantes – majoritariamente baristas – utilizam-se de uma xícara de café expresso, leite com espuma e poucos utensílios para desenhar figuras na superfície da bebida. O mimo não tem nenhuma utilidade, só a de alegrar um pouco o nosso dia.
Existem dois métodos:  o primeiro é quase como preparar um pingado de padaria. Consiste em formar o desenho apenas despejando o leite sobre o café, sem a ajuda de coringas. Já o segundo, além da habilidade para colocar o leite, necessita de alguns acessórios – que podem ser palitos, calda de chocolate ou um estêncil.
O mais importante, segundo os especialistas, é que o café expresso seja de boa qualidade e bem tirado. Nas competições, os jurados avaliam quesitos como sabor, apresentação, originalidade e preparação / limpeza.
Numa “Rosetta” – desenho que representa uma folha – são examinados outros três itens: se tem quatro ou mais folhas, se o contorno entre o leite e o café está bem definido e se tudo está bem distribuído no centro da xícara.
Além dos eventos, a indústria do café lucra com produtos como DVDs que ensinam todas as técnicas, livros para “baristas avançados”, aulas-show e escolas especializadas na “latte art” que têm até “laboratório de expresso”.
Será que eles também sabem preparar um “Carioca”?

Vejam algumas xícaras decoradas AQUI

Assistam à preparação dessas obras de arte AQUI

2009/04/17

QUADRILHA DA FUMAÇA

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:24

 

panam

aviaoEnquanto nos distraímos com os 15 minutos de fama de Lula diante do mundo, em Brasília o bundalelê rola solto.
Investigação na capital federal é que nem consulta médica: aparentemente está tudo bem, mas basta um exame rápido para probleminhas virem à tona. É um meio grau de miopia aqui, um sopro no coração ali, uma cárie acolá. E lá vamos nós gastar nosso precioso tempo com exames e retornos.
No caso de Brasília, uma investigação superficial já é o suficiente para serem diagnosticados verdadeiros cânceres. O da vez atende pelo nome de cotas aéreas – até Adriane Galisteu já riscou esses ares com o nosso dinheiro.
O ex-namorado da apresentadora, o deputado federal Fábio Faria, patrocinou voos de Galisteu e sua mãe, Ema, para Miami e também dos atores Kayky Brito, Sthefany Brito e Samara Felippo para participarem do carnaval fora de época em Natal. Talvez se investigarem um pouco mais descubram até quem bancou as passagens para o aniversário de 80 anos da Hebe na Disney.
Não é a primeira vez que um parlamentar tenta ficar bem na foto com a sogra. No ano passado, o governador do Ceará, Cid Gomes, levou a dele para uma viagem à Europa.
O Congresso em Foco divulgou outras informações preciosas. O deputado João Paulo Cunha emitiu passagens para ele, a mulher, a filha, sua secretária e outras três pessoas para Bariloche. Inocêncio Oliveira financiou passeio da mulher, filhas e neta para Nova York e Europa. Já a viúva do senador Jefferson Péres chutou o pau da barraca. Solicitou que o valor da cota aérea do defunto fosse revertido em dinheiro. Pedido aceito, recebeu R$ 118.651,20 em espécie.
Após os escândalos, Câmara e Senado trataram de mostrar serviço e divulgaram normas para delimitar o uso do benefício. Mas o que era ótimo agora é apenas bom. Os parlamentares ficam permitidos de repassar a mulheres, filhos, parentes e correligionários as passagens “se houver interesse para o mandato parlamentar”.
Além disso, o Senado legalizou o fretamento de jatinhos, desde que o aluguel seja para dentro do Estado. Tasso Jereissati, porém, continua devendo explicações – ele viajou para outros Estados.
Mais triste ainda é a piadinha de mau gosto do primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes. Perguntado se namoradas também podem viajar com dinheiro da Casa, a exemplo do que ocorreu com Galisteu, ele brincou: “Se for bonita, pode”.
O típico comentário de um Shrek como ele.
Por favor, onde é a saída de emergência?

2009/04/16

THE SOUND OF MUSIC

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 14:41

 

mapas

tomadaPara a maioria das pessoas a rotina é massacrante. Passar pelos mesmos locais, observar as mesmas pessoas, realizar as mesmas tarefas e até dizer as mesmas frases – geralmente nos mesmos horários –, estressa e causa o efeito “Feitiço do Tempo”.
Por isso é admirável quando alguém é capaz de extrair um algo mais desse cotidiano aparentemente vulgar.
No ano passado, no falecido blog, comentei sobre a “Orquestra dos Vegetais”. O grupo, nascido em Viena, transforma legumes em instrumentos musicais. Alho-poró vira violino; cenoura, flauta doce e abóbora, bateria.
No final das apresentações, fazem uma sopa com os legumes que ainda ficaram em condições para o consumo.
Ben Langham, um inglês de 28 anos, também lançou mão de seu olhar observador e fez a diferença. Durante o dia ele trabalha como engenheiro. É o responsável pelo bom funcionamento das escadas rolantes e elevadores no metrô de Londres. À noite ele troca os subterrâneos por uma outra escuridão: a das boates. É como DJ que ele une os dois mundos.
Olhos e ouvidos atentos e de posse de um gravador portátil, ele registrou ruídos de escadas rolantes, catracas, trilhos e freadas dos trens nas estações. Acrescentou sons sintéticos, scratches e instrumentos e transformou tudo em música. O resultado será o álbum “Tunnels” – ainda em fase de produção – que contará com os vocais de uma artista chamada Plum.
Ben é DJ há dez anos e há quatro passou a usar barulhos inusitados – como torradeiras, chaleiras, passos, gatos miando e mosquitos – para inspirar-se musicalmente.

Assistam AQUI

2009/04/15

LOBO EM PELE DE CORDEIRO

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 05:07

 

common-cold-l_0

pirocopteroWalt Disney está para os roedores assim como Drew Oliver para os micróbios.
Drew Oliver teve a genial ideia de transformar seres mortais em simpáticos personagens de pelúcia na linha “Micróbios Gigantes”. Entre os retratados, o vírus da gripe (esse aí em cima), o Ebola e até o HIV.
A inspiração veio quando ainda cursava a faculdade de Direito, em 2002. Drew ficou pensativo após a leitura de “O senhor está brincando, Sr. Feynman!”, do físico Richard Feynman. Na obra o autor relata, entre outras coisas, seu encantamento após examinar um micróbio numa gota d´água.
Drew imaginou que fazer bichinhos de pelúcia representando germes, bactérias e vírus aumentando alguns bilhões de vezes seu tamanho real poderia dar samba. Declarou que queria fazer para os micróbios o mesmo que Walt Disney fez pelos roedores.
O resultado é que cerca de 17 anos depois sua linha de “Micróbios Gigantes” já conta com mais de 50 itens e está à venda em farmácias, lojinhas de hospitais, museus de Ciência e catálogos educacionais em mais de 20 países.
Cada um dos personagens acompanha sua imagem microscópica real e algumas informações sobre o estrago que causa no organismo. Tudo bem-humorado e educativo. A linha é dividida em categorias como “Exóticos”, “Tropicais”, “Alimentares” ou “Venéreos”.
Como seu conhecimento biológico e científico era nulo, Drew pesquisou muito no Google e contou com a ajuda de organizações como a Câmara Americana de Comércio para procurar matérias-primas na Ásia e resolver questões de estocagem e distribuição, além de conhecer as regulamentações de cada país quanto ao uso dos compostos químicos usados para rechear os bichinhos.
O textinho que acompanha a bactéria causadora da peste negra diz: “antes que você pense que este brinquedo está ultrapassado, preste atenção nos milhares de casos da doença que ainda são registrados pela Organização Mundial de Saúde todos os anos. Adquira um pedaço de História levando para casa uma réplica deste pequeno micróbio que mudou a Idade Média”. Preço: US$ 7,95.

Vejam algumas fotos AQUI

Confiram o site de Drew Oliver AQUI

2009/04/14

DOIS EM UM

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:06

 

coelhonopao

 

sacodinheiroEsconder drogas ou dinheiro em peças íntimas é um truque conhecido entre policiais, traficantes e mulas.
O “mulas” aqui tem um duplo sentido. Podem ser tanto aqueles que são contratados para fazer o transporte da mercadoria ilegal quanto as mulas mensaleiras que tentam embarcar com US$ 100 mil na cueca.

Mas há mulas e mulas. É o que nos mostram duas notícias publicadas ontem.

Uma, da BBC, dá conta de que uma brasileira foi impedida de entrar na Grã-Bretanha por estar com a mala cheia de lingeries.
Após chegar à cidade de Newcastle em um voo vindo de Genebra, na Suíça, oficiais da imigração britânica suspeitaram que ela estaria envolvida com a indústria do sexo. Isso porque ela já tinha sido barrada em janeiro, quando encontraram em sua bagagem vários acessórios sexuais e listas de agências e sites de prostituição.

Das duas, três: ou a brasileira tinha cara de bisca ou os policiais ingleses têm ótima memória ou as lingeries estavam tão bem escondidas quanto o coelho aí em cima.

Outra notícia, publicada por alguns sites, fala do assalto a um ônibus em Salvador. Uma mulher de 58 anos foi baleada, mas como carregava dinheiro no sutiã, o tiro foi amortecido e ela só foi atingida de raspão.

Quem diria. Um pouco de verdinha na calçola – ou em alguma outra parte estratégica – pode levar uns ao fracasso, mas pode até salvar uma vida.

Examinem bem onde estão as de vocês. Não façam papel de mula.

 

2009/04/13

NENHUMA DAS ANTERIORES

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:36

 

cola

lapisTemos um caminhão de sujeira para limpar, um tanque de roupa suja para lavar e milhares de arestas para aparar, mas o governo está empenhado mesmo em duas missões: desfilar com Dilma em carro aberto e extinguir o vestibular. Esse último assunto domina o noticiário e tem sido motivo de muita polêmica.
O sistema proposto pelo Ministério da Educação é semelhante ao aplicado em universidades americanas, o SAT (Scholastic Assesment Test). A diferença é que nossos estudantes estão a anos-luz de distância dos americanos e europeus. Os ensinos fundamental e médio no Brasil preparam os alunos para, no máximo, digitar mensagens curtas pelo celular usando palavras como “aki” e “naum”.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que a proposta do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é pra valer. 2010 pode ser o ano do enterro do vestibular.
O teste será constituído de uma redação e quatro provas de múltipla escolha – nos Estados Unidos a nota da redação não influi no resultado final. Se usarmos o mesmo critério, a cobra vai fumar. Um estudante que não sabe juntar duas palavras não tem condições de frequentar uma universidade.
O Enem é uma avaliação com questões de múltipla escolha. Num dia de sorte, um desavisado pode acertar na Megasena ou entrar no ITA. Além disso, o propósito do exame é avaliar a situação das instituições de ensino, não os alunos. Sem falar na falta de uniformidade na correção – que é feita em diversas partes do país por diferentes examinadores – e na ausência de provas específicas.
Portanto, muito ainda terá de ser discutido e rediscutido. O Enem não vai ser nada mais do que um substituto do vestibular. Continuará a ser um processo seletivo tão ou mais excludente do que as provas de hoje. E mais: altamente suscetível às fraudes.
Enquanto não forem feitos investimentos no ensino de base não haverá ideia de processo seletivo melhor do que o vestibular. É massacrante, é dolorido e é uma mina de ouro para os donos de cursos pré-vestibulares, mas no Brasil é um mal necessário.

2009/04/12

A INVEJA DO TIO PATINHAS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:26

 

goldeneggs

poteEnquanto você degusta seu ovinho de Páscoa e, quiçá, o bacalhau pelo qual esperou o ano inteiro, tem gente por aí saboreando algo para poucos em tempos de crise: ouro.
Mesmo com os mercados estagnados, a indústria do ouro comestível não para de crescer, investindo em apetite e opulência.
Um restaurante em Nova York, o “Blackstone Steakhouse”, inova ao servir o frango dourado. Meio frango orgânico desossado é assado num forno de tijolos. Para acompanhar, presunto, purê de batata-doce e folhas de ouro de 24 quilates.
Já a “Goldschlaeger”, uma espécie de aguardente à base de frutas, contém toques de canela e flocos de ouro. No entanto, o volume de ouro é mínimo (0,1 grama por garrafa) se comparado ao teor alcoolico da bebida: 40%.
O restaurante “Sushi Roku”, no Caesar Palace de Las Vegas, serve um sushi para paladares mais do que requintados. Ele é recheado com carne de Kobe, lagosta, trufas negras e enrolado em folhas de ouro 24 quilates.
Mas se você tem mais de mil dólares no bolso, loucura por bagel e grana para ir a Nova York, conheça o restaurante do hotel “New York Westin”, em Times Square. O chef Frank Tujague’s criou um bagel que leva queijo cremoso, trufas brancas, uma fruta chinesa chamada “goji berry” e geleia de folha de ouro. A trufa branca é considerada o segundo ingrediente mais caro do mundo, atrás do caviar.
E que tal um sundae que já entrou para o Guinness como o sundae mais caro do mundo, US$ 1 mil? É o “Sunday Dourado da Opulência”, ideia do restaurante “Serendipity 3” de Nova York. O local recebe personalidades tão caras quanto seus pratos, entre eles, Bill Clinton e Cameron Diaz.
Trata-se de um sundae de chocolate coberto com folhas de ouro 23 quilates recheado com pílulas de ouro e servido numa colher de ouro 18 quilates – que não pode ser levada para casa. A reserva para a sobremesa precisa ser feita com 48 horas de antecedência.
Do contrário, experimente a “Humble Pie” (“Torta Humilde”), com pasta de amendoim e biscoito cream cracker. Preço: US$ 7,50.
Já em Manila (Filipinas) o empresário Angelito Araneta Jr.,de  21 anos, inventou um bolo com o objetivo de atingir os homens que pensam em pedir a namorada em casamento. O bolo de chocolate coberto com folhas de ouro 24 quilates e 15 pequenos diamantes africanos sai por cerca de US$ 2.500. Mais fácil e barato presentear com um carro.
Se você tem muito, mas muito dinheiro, já foi para Nova York, já experimentou o “Sunday  Dourado da Opulência” e quer desbravar o mundo, tente Dubai. O hotel “Abu Dhabi’s Emirates Palace” oferece várias opções comestíveis no quesito ouro, inclusive bebida.
Além do capuccino salpicado com ouro no lugar de canela em pó (US$ 25 a xícara pequena), o hotel tem um champanhe rosé de três litros com ouro 24 quilates. Uma garrafa não sai por menos de US$ 2.995.
E, finalmente, um caviar de 24 quilates. Esse é de mentirinha, para eventos, e tem um leve sabor de limão e vinho branco. Perfeito para decorar pratos de frutos-do-mar ou doces. Uma embalagem que serve de seis a oito porções custa US$ 145.
Depois de tudo isso, melhor mesmo encher a cara com o ovinho comprado nas Lojas Americanas. Boa Páscoa!

Vejam as fotos AQUI

2009/04/11

QUEM VEM PARA O JANTAR?

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:19

 ultimaceia1

jantarNada como anos e anos de repetição de uma pintura clássica para que mentes criativas a transformem em cultura pop. A obra, no caso, é “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. Realizada no século 15, é, juntamente com “Monalisa”, um dos quadros mais famosos do mundo.
Existem mais de 50 versões de “A Última Ceia” feitas por artistas de diversas nacionalidades – desde algumas de “Os Simpsons”, passando por “Star Wars” até uma da série “House”.
Há pouca variação do cenário – a mesa –, mas em todas elas os convidados têm rostos bem menos sofridos do que os representados pelo pintor italiano.
Na versão Mickey Mouse, o artista Ron English põe personagens da Disney e da Warner Bros. à mesa. Mickey é Jesus. Pluto, Judas.
Na hollywoodiana, o Cristo é Marilyn Monroe, e Judas, Clark Gable. Há quem explique a escolha de Gable pelo fato de que no último filme dos dois – “Os Desajustados” – Marilyn causou muitos problemas. Gable teria dito que ela quase fez com que ele tivesse um ataque do coração. Três dias após o término das filmagens, ele sofreu um infarto e morreu.
A versão Popeye, do artista ATLbladerunner, demorou três meses para ficar pronta. Olívia Palito aparece no lugar do apóstolo João – que alguns acreditam ser Maria Madalena – e Brutus no de Judas.
Até mascotes das redes de fast food ganharam uma representação. O velhinho do KFC se transforma em Jesus e o entregador da Domino’s Pizza (Noid) faz as vezes de Judas. Ronald McDonald também aparece no quadro.
A de Elvis Presley foi ideia de Guy Peellaert, considerado o maior artista pop europeu. Em 1974 a revista “Elle” chegou a chamá-lo de “Michelangelo do Pop”. Elvis, o Messias, é retratado ao lado de figuras como Tom Jones. Todos comem hamburgueres e saboreiam Coca-Cola.
A minha preferida é a dos cientologistas. À mesa estão Tom Cristo Cruise, Katie Holmes, Kirstie Alley, John Travolta e Will Smith. Reparem nos pisantes de Tom Cruise.

Vejam essas e outras versões de “A Última Ceia” AQUI

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