O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/25

MAKTUB

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:16

 

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camera3Esqueçam a sinopse divulgada pela imprensa de que “Quem Quer Ser Um Milionário?” é sobre um menino que sonha ficar rico. Nada mais equivocado. O filme que levou o Oscar narra uma história de amor.

A turma do contra argumenta que “Slumdog Millionaire” é piegas e sentimentaloide. Mas se histórias de amor tivessem quaisquer outras características serviriam de enredos para ficções científicas.

Programado para estrear no Brasil dia 06 de março, o longa mostra uma Índia que não aparece na novela das oito. Em vez de saris coloridos e lindos Bahuans como Marcio Garcia, o que se tem é uma colcha de retalhos surrada. Colorida, mas ainda assim uma colcha de retalhos – ou para não soar tão pejorativo, “patchwork”.

Rodado em Mumbai, o elenco é formado por atores locais e teve orçamento apertado. Os custos reduzidos, entretanto, não atrapalharam o acordo do diretor Danny Boyle com os três atores-mirins principais: o de que o cachê só estaria à disposição deles quando completassem os estudos. Contrato firmado, a produção empregou um motorista para levá-los à escola diariamente até os 16 anos.

A grana esteve tão curta que cogitou-se a possibilidade de o filme ser lançado diretamente em DVD. Seria uma pena, porque “Slumdog Millionaire” é um achado.

O favelado Jamal Malik se inscreve para participar da versão indiana do “Show do Milhão” por saber que o alvo de sua estima, Latika, era assídua telespectadora. Quando o apresentador – ele mesmo milionário graças ao programa – põe em xeque a honestidade de Jamal tem início a narrativa.

Os enquadramentos calculados de “O Curioso Caso de Benjamin Button” não são páreo para a palheta de cores que é “Slumdog Millionaire”. As imagens são belíssimas e exploram tão bem o jogo de luz e sombra que se não abocanhassem o prêmio de fotografia a marmelada ficaria evidente.

Novamente o pessoal do contra pode alegar que Danny Boyle fez de “Slumdog Millionaire” um grande videoclipe – seguindo a tendência que já havia dado certo em “Trainspotting – Sem Limites”.

De fato, o ritmo e a edição são alucinantes, mas deem de ombros. Em alguns momentos a música faz o espectador tremer por dentro. Foram mais do que merecidos os troféus de mixagem de som, edição, trilha sonora e canção original.

A trilha sonora de A. R. Rahman foi composta em apenas 20 dias, mas contagiante mesmo é “Paper Planes”, da rapper inglesa M.I.A.

Já durante os créditos finais, é a faixa “Jai Ho” que nos inspira a agir como os indianos nas salas de cinema: dançar animadamente junto com o filme que está sendo exibido.

Por fim, “Slumdog Millionaire” reacende em nós, brasileiros, a esperança de que um dia nossos filmes com temática mundo-cão tenham alguma chance em Hollywood. Basta ser bem-feito e contar uma boa história.

 

Ouçam a música de M.I.A AQUI

 

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