
“Portabilidade estará disponível em todo o país na semana que vem”. Essa foi a manchete de vários jornais nesta sexta-feira. As matérias traziam frases do tipo “Quarenta milhões de consumidores que ainda não tinham esse direito vão poder exercê-lo”.
Qual direito? O da saúde gratuita e de boa qualidade? Ou o do emprego digno?
Seria maravilhoso se os nossos problemas – e os do país – se resumissem a mudar de operadora sem trocar o número do celular.
A portabilidade é a trufa branca da temporada.
Qual o motivo de tanta comemoração? Acharam ouro em Copacabana? O pessoal do Congresso vai parar com a pilantragem? Lula desistiu de tentar a re-reeleição? Ou estamos livres dos impostos?
A resposta é bem mais simples. O celular é o RG do brasileiro. É o que determina se ele é uma pessoa ou um rato. Há tempos deixou de ser luxo ou símbolo de status.
Mesmo quem chega ao fim do mês com R$ 1 no bolso pode ter um telefone móvel. Basta usar o singelo valor para abrir um crediário nas Casas Bahia – e o primeiro pagamento é só depois do Natal.
Opções de modelos não faltam: pré ou pós-pago, com ou sem câmera fotográfica e filmadora, com ou sem acesso à Internet, com ou sem MP3, abrir deslizando ou abrir abrindo. Sem falar nos acessórios, disponíveis nos melhores camelôs da cidade.
O sucesso do celular por essas bandas – sem trocadilhos – é que ele é encarado como um brinquedinho. 80% das pessoas não usam o aparelho para socorrê-las numa emergência ou como um utensílio que alivia certos males da vida moderna.
O que importa é tirar fotos, ouvir música, mandar torpedos, ter um som legal quando ele toca e outros fru-frus. Tudo sem culpa e sem saia-justa. Constrangimento só mesmo quando o aparelho toca.
Dia desses, num restaurante, presenciei uma mulher ficar desconcertada depois que seu celular bradou aos quatro ventos um “Keep it Coming Love” – a inconfundível música-tema do “Programa Amaury Junior”.
Também já vi gente se justificando porque o telefone desembestou a gritar a voz do filho com a frase: “Mamãe, atende!”. Se era para ficar sem-graça, o mais inteligente seria selecionar o toque-padrão.
Atitudes como essas demonstram o quão estreita é a mente brasileira.
Outra questão paira no ar: por que de uma hora para outra o povo sentiu necessidade de ser encontrado até dentro do banheiro e de portas fechadas? Portabilidade é bom, mas o direito à intimidade é melhor ainda.
O mistério persiste se levarmos em consideração que alguns brasileiros fazem o impossível para ficarem fora da área de cobertura. Não a do celular, mas a da vida. De que adianta ser “encontrável” se assumir responsabilidades não é com elas? Se preferem transferi-las para terceiros – filhos, marido ou papagaio?
Respostas na minha caixa postal, por favor.

Em fevereiro o Japão também se transforma numa Sapucaí. Mas em vez do brilho, dos carros abre-alas megalomaníacos, das alegorias pesadas ou das mulheres seminuas, um cenário mais simples: alas de homens pelados correndo de tanga debaixo de chuva e frio.
Até o Gmail, o serviço de email gratuito do Google, caiu na folia. Aproveitou a terça-feira gorda de Carnaval para ficar fora do ar por mais de três horas.

Que ninguém compre a ideia de que o Carnaval é a festa da comunidade – estou convicta de que os leitores deste blog não são ingênuos a esse ponto.
Hollywood desistiu de ignorar a importância e o crescimento da genérica Bollywood e consagrou a Índia na noite do 81º Oscar.
Enquanto Mickey Mouse amarga um 


Existem diversas modalidades de preconceito racial. A perseguição aos judeus talvez tenha sido a que alcançou maior repercussão, mas negros e mulheres – loiras ou não – ainda são alvo de manifestações hostis. A menos pior delas veiculada em forma de piadinhas que questionam a capacidade intelectual de ambos.

Tati Quebra-Barraco é precoce porque vai se tornar avó aos 29 anos?

Para promover o DVD do filme “The Wackness” no Reino Unido a “Revolver Entertainment” está com uma super-promoção. Quem encontrar o bilhete premiado entre os primeiros mil DVDs colocados à venda leva para casa um saco de maconha e uma viagem com acompanhante para Amsterdã. Michael Phelps já foi às compras.
Barack Obama não é pop só porque Jay-Z está na playlist de seu iPod ou porque serve de inspiração para bonecos em miniatura. As atitudes demonstradas pelo 44º presidente norte-americano indicam que ele é forte candidato a ser o mais reproduzido da história dos Estados Unidos – o reproduzido aqui é no sentido de propagado, fabricado em série.
Enquanto na Suíça um grupo nacionalista é suspeito de violentar uma brasileira, na Índia uma outra agremiação nacionalista trata de revirar os estômagos mais sensíveis.
Apesar de incômodas, máscaras de Carnaval são tradição. As mais simples – que cobriam apenas os olhos e eram carregadas na lantejoula – deram lugar a peças mais globalizadas. Bush, Obama e até Bin Laden apareceram na nossa folia.
As quatro fases da vida


Ao contrário do que se poderia supor, as ideias de jerico não nasceram com os primeiros jericos, mas com os primeiros seres humanos. Nem vamos falar de guerras, de extermínio de minorias ou das regras da nova ortografia da Língua Portuguesa que nos obrigam a escrever “ideia” sem acento. Fiquemos em assuntos mais amenos e cotidianos, como a inspeção veicular em São Paulo.