O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2008/12/16

DIA DE LARVA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 18:26

show

music1Madonna literalmente debutou no Maracanã no domingo. Fazia exatos 15 anos que ela não pisava no Brasil. E a festa foi bonita – não a trocaria por uma viagem à Disney.
Os bailarinos fizeram as vezes de cadetes; nós, de padrinhos e madrinhas; e Madonna, claro, no papel dela mesma: a de estrela da noite.
O show foi tão inesquecível quanto a valsa das que celebram seus 15 anos.
Além da qualidade da produção e de toda parafernália tecnológica – telões com imagens de fotos e clipes, efeitos de laser, palco que sobe, que desce, trono que aparece e desaparece, carro que entra e que sai, DJ internacional e várias trocas de roupa – Madonna escolheu o repertório a dedo. Agradou fãs antigos – com “Borderline”, “Vogue”, “La Isla Bonita”, “Into the Groove”, “Express Yourself”, “Human Nature” e “Ray of Light” – e os recém-conquistados com “Hung Up”, “Give it 2 Me” e “Four Minutes”.
Mas Madonna despertou a larva adormecida dentro do público com “Like a Prayer”, que transformou o Maracanã numa grande lata de “Mexican Jumping Beans”. Foi lindo assistir ao pula-pula num dos hits mais polêmicos da cantora – estão lembrados daquele videoclipe em que ela beija um santo negro?
A chuva não arredou pé. Em certos momentos apertava e parecia o dilúvio. A bicharada até começou a se juntar aos pares. Não para entrar na Arca de Noé, mas para dividir o guarda-chuva – item teoricamente proibido, assim como máquinas fotográficas.
A chuva estava tão forte que foi necessária a presença de um guarda-costas no palco para segurar a sombrinha para a cantora. Apesar de tentar passar batido, impossível não notá-lo com  a imagem dele estampada nos telões. Cena curiosa.
Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de assistir ao vivo ao maior fenômeno da música pop de que se tem notícia.
Estive no show de 1993, no Morumbi, mas tenho poucas lembranças. Estava então com 17 anos e cheguei aos portões do estádio às 8 da manhã. À tarde, sem aviso, Madonna entra no palco para ensaiar. Consegui vê-la de muito perto, já que estava na fila do gargarejo. Impressionou-me o tamanho dela – pequenininha – e sua pele branco-leite. Do show não me recordo muito bem. Era a turnê de “The Girlie Show”.
Desta vez Madonna está “Grudenta e Doce”(“Sticky and Sweet”). A turnê termina no Brasil com os shows de São Paulo. Há quem diga que seja a última da cantora. Alega-se que ela já está com 50 anos e que pensa em ficar mais sossegada. Mera especulação.
Madonna pode até não voltar ao Brasil para uma nova excursão, mas está bem longe da aposentadoria. Parece uma perereca elétrica. Perereca por conta de sua forma física; e elétrica pelo que faz no palco – dança, toca guitarra, se arrisca na “pole dance”, pula corda, luta boxe e ainda canta.
Com tanto para ser comentado, é lamentável destacar o escorregão que ela tomou graças ao palco molhado. Ontem, no jornal “SBT Brasil”, a manchete era algo como “Madonna estréia no Maracanã com tombo”. Nascimento, tem certeza de que essa é mesmo a notícia?
O show terminou antes da meia-noite, mas nós viramos mariposas no momento em que os telões mostraram o “Game Over” (“Fim de Jogo”).  
Abandonamos a latinha e voamos – torcendo para que ela não demore mais 15 anos.

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