O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/11/08

QUEM DÁ MENOS?

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:17

twofishes

moneyLeiloar a virgindade pela Internet é uma onda recente. Duas norte-americanas, duas inglesas, uma romena, uma italiana e até uma equatoriana já se livraram de seus cintos de castidade por um bom preço. Exceto a equatoriana – que vivia na Espanha e pretendia voltar para casa – as outras alegaram que o dinheiro seria usado para custear os estudos.
Mas a tendência do verão 2010 acaba de ser lançada: o leilão de beijo.
A proposta é de uma universitária – que não é da Uniban, mas da Universidade de Chichester, no sul da Inglaterra. Trata-se da estudante Amanda DeZilva, de Sussex. Ela está leiloando seu primeiro beijo depois de um ano em que quase virou, como dizem os pré-adolescentes, “BV”.
Na página principal do site, a explicação: “Senhoras e senhores, vocês estão perto de se tornarem parte da História. O Digital-kiss é um projeto de arte conceitual que mostra os vários significados de um beijo, mas fundamentalmente e especificamente como uma commodity. Um beijo tem sido guardado por um ano e será vendido através de um leilão”.
Os interessados – que precisam ser maiores de 16 anos – têm até 14 de dezembro para fazerem suas propostas pelo site. Até o momento em que este post é escrito, DeZilva já havia recebido 19 lances – os últimos seis do mesmo “Orlandinei”, que está pagando 601 libras (cerca de R$ 1.700).
Ao que parece, Orlandinei foi seduzido pela propaganda: “Altamente desejável. Extraespecial. Customizado. Em condições perfeitas. Totalmente, deliciosamente e maravilhosamente único. Extraordinariamente provocante!”.
Escolhido o contemplado, “artista” e vencedor farão um exame de sangue antes de chegarem ao ósculo de fato. O regulamento deixa claro ainda que o pagamento é adiantado, que o vencedor tem de reclamar o prêmio até sete dias depois de anunciado e que DeZilva vai entregar o prêmio em domicílio.
O verdadeiro motivo do leilão é, digamos, incerto. Apesar de citá-lo como parte de um “projeto de arte conceitual”, DeZilva disse à BBC que também pretende usar o dinheiro para pagar as dívidas acumuladas durante seu mestrado em Belas Artes e doar 25% do valor arrecadado para uma instituição de caridade que cuida da saúde bucal de menores carentes.
O que colar, colou. O importante mesmo é conquistar uma brecha na mídia. Pelo menos aqui ela já conseguiu.

Visitem o site AQUI

2009/11/07

BARBEIROS EM CRISE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:09

movember

tesouraHomens que fogem da lâmina de barbear porque têm preguiça ou problemas decorrentes do contato com a lâmina – alergias, irritações, pelo encravado – arranjaram uma boa desculpa para se transformarem em Belchior, Sarney ou Salvador Dalí durante o mês de novembro.
Dia 1º teve início o “Movember” – junção de “Moustache” (bigode, em inglês) e “November”. A campanha acontece anualmente em países como Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha e Irlanda e incentiva os homens a cultivarem bigodes durante todo o mês.
O objetivo – além de tentar trazer o bigode à moda – é chamar a atenção para problemas de saúde masculinos e arrecadar fundos para instituições que tratam de doenças como câncer de próstata.
Os participantes se autodenominam “Mo Bros” e contam com a ajuda das “Mo Sistas” – namoradas ou esposas. São elas quem organizam o “grand finale”: as festas de gala em que os “Mos” se vestem à imagem e semelhança dos bigodudos que tentam copiar, como Tom Selleck ou Gandhi. O melhor é eleito o “Homem de Movember”.
Através do site, os “Mos” se registram com o rosto bundinha de nenê e passam o resto do mês deixando o bigode ganhar vida própria para arrecadar fundos.
O movimento – criado em 2003 na Austrália e que já recolheu 52 milhões de dólares – tomou proporções tão grandes que marcas famosas cresceram o olho. A patrocinadora deste ano é a Pepsi, que lançou o “Mo-Mento Maker”, um aplicativo do Facebook que permite que o “Mo” faça um “stop motion” do próprio rosto com a evolução do bigodón.
Quem se anima? Ainda dá tempo de começar. Sarney já aderiu.

Assistam ao vídeo da campanha AQUI e visitem o site AQUI

Para as mulheres que quiserem participar, encontrei um site legal. Vejam AQUI

2009/11/06

O ROTO E O ESFARRAPADO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:28

arvores

alvoRoberto Requião andou fazendo piadinhas homofóbicas e Papai do Céu interveio rapidamente na discussão. Ontem, durante o discurso do governador numa cidade próxima a Curitiba, derrubou o palco de três metros de altura em que o governador estava. Parêntese: segundo José Simão, “praga de gay é pior do que praga de sogra”.
Caetano Veloso também tem a língua afiada, mas é um abençoado – no mesmo dia em que deu uma declaração polêmica sobre Lula, Caetano conquistou o Grammy Latino de melhor álbum de cantor e compositor pelo CD “Zii e Zie”.
Das duas, uma: ou os deuses estão com Caê ou reservam algo mais especial para ele.
Ontem, numa entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, Caetano louvou Marina Silva e jogou pesado contra Lula: “Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”.
O tema Lula e analfabetismo é extenso, mas pelo menos desta vez esqueçamos o conteúdo da afirmação e nos concentremos apenas no cantor.
Quem conhece o repertório de polêmicas de Caetano não chega a se assustar. Além da histórica rixa com Lobão, já ficou no disse-me-disse com Luana Piovani, que o chamou de “Banana de Pijama”.
Por outro lado, quando é alvo de críticas, Caetano se comporta como o dono da bola. Em junho o cantor perdeu a paciência com uma repórter do jornal “Folha de S. Paulo” após ser questionado sobre o projeto de captação de R$ 2 milhões à lei Rouanet para a turnê de “Zii e Zie”. Irritado, expulsou a repórter do camarim.
Esse leãozinho está precisando ser domado.
Em viagem a Londres, é provável que Lula já tenha sido informado das declarações de Caetano e, coincidentemente, afirmou que o Brasil vive uma “revolução silenciosa” com a recuperação da auto-estima da sociedade.
Talvez esteja aí o segredo do sucesso de Lula: resgatar o amor-próprio a cada dia. Contra tudo e contra todos.

2009/11/05

SE PIORAR MELHORA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:03

postejoaninhas

gatopretoNuma época em que a busca pela felicidade é uma obsessão igual ou maior do que a magreza e livros como “O Sucesso É Ser Feliz” e “O Sucesso Não Ocorre por Acaso” são best-sellers há anos, duas notícias publicadas nesta semana nos deixam de orelhas em pé.
A novidade é que o pensamento negativo e as leis da repulsa estão na moda.
O primeiro bálsamo para os ouvidos dos Hardy vem da Austrália. Segundo um estudo da Universidade de Nova Gales do Sul, pessoas mal-humoradas tendem a lidar melhor com situações difíceis, são menos ingênuas e se comportam melhor na hora de tomar uma decisão.
O psicólogo-chefe que participou da pesquisa diz que “enquanto a alegria fomenta a criatividade, a flexibilidade e a cooperação, a melancolia propicia a atenção e o pensamento cauteloso”.
Apesar do nome da universidade – Nova Gales do Sul – não inspirar muita credibilidade, o resultado é pertinente. O difícil é conviver com pessoas com esse perfil.
O raciocínio do psicólogo vai mais ou menos na linha do “não ter um sonho não é tão ruim porque a possibilidade de quebrar a cara é menor”. Há controvérsias.
A segunda boa-nova para os pessimistas vem da Universidade de Michigan e foi publicada pela BBC.
De acordo com um artigo da edição deste mês do “Health Psychology Journal”, perder as esperanças pode tornar mais felizes as pessoas que sofrem com doenças sérias. “Esperança é parte importante da felicidade, mas há o lado negro da esperança”, alertam os estudiosos.
Após analisarem 71 pacientes que tiveram seus cólons removidos, os cientistas observaram que aqueles que souberam que não havia mais nada a fazer exceto andar com a bolsa de colostomia eram muito mais felizes do que os que tinham a chance de terem seu intestino reconectado.
“Nós achamos que eles eram mais alegres porque seguiram em frente. Perceberam que as cartas estavam dadas e não tinham outra opção a não ser jogar com elas. Não estamos dizendo que esperança é algo ruim, mas pode levar as pessoas a deixarem a vida em suspenso”.
Portanto, cautela ao repetirem “a esperança é a última que morre” perto de um paciente. Se ele já estiver doente do pé, corre o risco de ficar também ruim da cabeça.
De tudo isso, me lembrei da frase de Chanel que aprendi recentemente: “Não perca tempo batendo em uma parede esperando que ela se transforme em uma porta”.

2009/11/04

ENTROU ÁGUA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:31

coposanimados

banheiroRecentemente Chávez pediu aos venezuelanos a redução do tempo no banho. Numa reunião ministerial transmitida pela TV disse que “algumas pessoas cantam no chuveiro, ficam meia hora no chuveiro. Não, meninos, três minutos é mais do que suficiente. Eu contei, três minutos, e não cheiro mal”.
Televisão ainda não emana cheirinhos, mas por aqui – graças às chuvas que têm destruído cidades pelo país – não ouvimos nenhuma gracinha de Lula sobre o assunto.
Passamos perto do cúmulo no mês de maio, quando a Fundação SOS Mata Atlântica lançou a campanha “Xixi no Banho”. Segundo seus idealizadores, fazer xixi no banho é ecologicamente correto: economiza água e faz bem ao meio ambiente.
Enquanto estavámos todos atentos olhando para a TV com Chávez e os naturebas, um baixinho aprontava suas traquinagens.
Na semana passada, jornais franceses publicaram a notícia de que Nicolas Sarkozy resolveu dar um banho no Grand Palais. Era lá que se hospedaria durante uma cúpula da União Europeia em 2008. Deu-se um chuveiro de luxo e redecorou o palácio para o encontro com seus coleguinhas. O tapa no visual saiu por US$ 16 milhões.
Cerca de 500 técnicos trabalharam todos os dias. Só com o banquete para os presentes gastou-se US$ 1,5 milhão. Mais US$ 500 mil por um púlpito, US$ 150 mil em tapetes, US$ 320 mil em jardins. Enfim, uma das mais caras conferências da história da União Europeia – e que durou apenas três dias.
O chuveiro levaria Chávez às lágrimas. Arquitetos, técnicos e operários especializados criaram um modelo com ar condicionado, rádio com som surround e outros adereços imponentes. Precinho: US$ 410 mil.
Apesar de a extravagância ter ocorrido há mais de um ano só boiou agora, depois que os auditores apresentaram o resultado de seus trabalhos. Os franceses estão indignados.
O pior de tudo isso é que Sarkozy nem pode contribuir com a campanha “Xixi no Banho”. O chuveiro não chegou a ser usado. Na hora H preferiu tomar sua ducha no Palais de l’Elysée. Très chic.

2009/11/03

VAI PRO TRONO OU NÃO VAI?

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:31

chacrinha

camera“Alô, Alô, Terezinha” trilhou o mesmo caminho que “Tropa de Elite” e virou sensação antes de mesmo da estreia. Um por causa da pirataria, o outro graças a Biafra e seu pesadelo de Ícaro com um parapente.
O filme de Nelson Hoineff não é um documentário-padrão sobre a vida de Chacrinha. Há poucas informações sobre o Velho Guerreiro – apenas o suficiente para apresentar aos nascidos pós-década de 80 um perfil de atração fadada à extinção.
Entre bacalhaus e sacos de farinha furados, o apresentador misturava num mesmo programa Baby Consuelo, Caetano Veloso, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Chiclete com Banana, Clara Nunes e Titãs. Hoje não é apenas a carência de nomes na MPB que dificultaria esse caldeirão, mas o cerceamento por parte das gravadoras ou o preconceito dos próprios artistas de se apresentarem em programas muito populares.
Chacrinha seguia à risca um de seus bordões, o de “quem não se comunica, se trumbica”. Além das clássicas buzinadas, provocava câmeras, tirava o sarro dos calouros, tinha incompreensíveis ataques histéricos no palco e seu comportamento politicamente incorreto seria alvo de vários processos judiciais se ainda estivesse no ar.
O diretor Nelson Hoineff segue essa mesma escola “sádica” e o resultado é instável – ele vai para o trono ou merece o troféu abacaxi?
Na tentativa de reviver um passado de glamour, as chacretes se transformam em “X-9”. Enquanto uma entrega que Chacrinha teria tido um affair com Clara Nunes, Vera Furacão diz que Silvio Santos não podia ver uma loira. Após o caso dos dois, a pergunta recorrente era sobre a homossexualidade do homem do Baú.
Vera também narra peripécias não-sexuais de Chico Buarque bêbado e o sonoplasta “My Boy” conta que Rita Cadillac, “apesar de ser a mais analfabeta”, foi a que se saiu melhor e permanece na mídia ate hoje.
Mas não é a troca de gentilezas que perturba. “Alô, Alô, Terezinha” tem o mérito de resgatar parte da história da TV ouvindo personagens que viveram essa época, mas derrapa ao provocar gargalhadas através da maneira mais fácil: revelando segredos constrangedores de personalidades ou rindo de estereótipos como o feio, o pobre ou o desdentado. Ao que parece, entrevistar calouros com visíveis problemas mentais ou gagos soa engraçado para grande parte da plateia.
“Alô, Alô, Terezinha” tem sim seus momentos divertidos, mas não resiste a uma análise final desprovida das emoções como as causadas por Biafra. Trata-se na verdade de um filme triste que mostra o que o tempo é capaz de fazer com as pessoas. Enfim, vem para confundir, não para explicar.

2009/11/02

A TERRA NÃO É AZUL

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:51

simulacro

fechaduraNa semana passada, se um astronauta desavisado caísse no campus da Uniban de São Bernardo do Campo seria possível rodarmos um “De Volta ao Planeta dos Macacos”.
Todos devem estar por dentro do ocorrido. Se não, a sinopse: estudante vai à faculdade com um microvestido pink e causa reações contraditórias entre os alunos, que vão da indignação à admiração que os fanáticos têm por seus ídolos. Enquanto uns amaldiçoam até a quinta geração da garota, os mais sedentos fotografam e filmam tudo com celulares. Os com instintos mais primitivos chegam a se pendurar na parede da sala em que está a jovem para poder vê-la e filmá-la melhor. Desesperadas, as colegas da estudante chamam a polícia – que precisa usar spray de pimenta para conter a multidão.
O episódio parece mesmo coisa de filme, mas não tem nada de ficção científica. É a mais dura realidade.
Situações assim jamais aconteceriam na Suíça, na Bélgica ou na Finlândia. Mas se por acaso ocorressem, ainda que inaceitáveis, seriam compreensíveis. Eles não estão familiarizados com a ideia da mulher-fruta, com as coreografias de duplo sentido ou com a maneira libidinosa com que a mulher é vista – principalmente no Brasil.
É justamente isso que desperta curiosidade no caso Uniban. Por que a reação agressiva? A aluna não era uma astronauta. Estamos expostos a esse açougue diariamente e em qualquer lugar – a própria agredida chegou a dizer que no ônibus não sofreu nenhuma ameaça.
Infelizmente certas mulheres – em missão especial ou não – alimentam o comportamento masculino com roupas que cairiam bem na Sapucaí ou na Lua. Ainda assim, a cena dos alunos da Uniban é injustificável e descabida.
Difícil encontrar culpados, mas se existe um mais aparente é a proliferação das faculdades-consórcio. Após participarem de um processo seletivo muito duvidoso, os alunos pagam o curso em suaves prestações e ao final de quatro anos são sorteados com um diploma. Sem esforço, sem interesse.
Aqui, o preconceito fala mais alto: não esperem elegância, sutileza e comprometimento com a sociedade de estudantes desse nível.
Cantam por aí que está faltando emprego no “Planeta dos Macacos”. Falta emprego ou preparo? A resposta dá margem a muita polêmica, mas algo é certo: sobram macacos.

P.S.: bolão: em quantos dias a estudante estará na capa da Playboy?

2009/11/01

MADEMOISELLE CHANEL

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 07:55

cocochanel

rolofilme2Pouca gente liga o nome à pessoa diante do nome Chanel. O sobrenome hoje é sinônimo de corte de cabelo, perfume e bolsa – necessariamente nesta ordem.
Mas não contem com a estreia de “Coco Antes de Chanel” para reparar os equívocos. Como o próprio título sugere, o filme acompanha a trajetória de Gabrielle Bonheur Chanel antes de ela se tornar o ícone da moda mundial. Quem espera se desfazer em lágrimas ou assistir a um desfile de moda irá se decepcionar. “Coco Antes de Chanel” é um filme morno, contido. Sóbrio como Chanel.
Infelizmente a criatividade e o pioneirismo que fizeram a fama da estilista não alcançam a tela. No lugar da inventividade, a segurança de uma narração uniforme – inclusive em ordem cronólogica.
No entanto, ao optar por um recorte restrito da biografia de Chanel, a diretora Anne Fontaine evitou dois problemas: transformar o filme num Ben-Hur com três horas de duração e colocar a mão no vespeiro que é a vida da estilista.
Fontaine se concentra apenas em dois dos vários romances atribuídos a Chanel: Etienne Balsan – um aristocrata “bon vivant” que no fundo é o pai que ela não teve – e o inglês “Boy” Capel – que se casou com uma inglesa mesmo apaixonado por Chanel e financiou o início da carreira da estilista em Paris.
Ficaram de fora polêmicas como o envolvimento dela com o Duque de Westminster e com um jovem alemão 13 anos mais novo – supostamente um espião nazista.
Segundo sua biógrafa, durante a Segunda Guerra Chanel foi acusada de colaborar com o nazismo. Há quem diga que o logo “CC” seja uma referência ao “SS” dos uniformes da polícia de Hitler. Verdade ou boato, o filme passa à margem de tudo isso.
Dois fatores jogam contra “Coco Antes de Chanel”. 1) Por mais simpatia que se tenha pela eterna Amelie Poulain Audrey Tatou, Marion Cotillard segue imbatível com sua encarnação de Piaf. 2) Em 2005, Marília Pera estreou a peça “Mademoiselle Chanel”. Além da interpretação magnífica de Marília e dos figurinos confeccionados pela própria Maison Chanel de Paris, o texto de Maria Adelaide Amaral conseguia unir com muita sensibilidade e inteligência a história e as criações da estilista que ditou a moda nos anos 20. Placar final: Maria Adelaide 2 x Anne Fontaine 0.
Diante de duas referências tão marcantes, as comparações tornam-se inevitáveis.
No desenrolar dos créditos finais a esperança da plateia é por um “to be continued”. “Coco Antes de Chanel” terá fôlego para algo como “Enfim, Chanel”? Aguardemos.

Por enquanto, fiquem com algumas frases fabulosas atribuídas à estilista:

– “Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher”;
– “A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50”;
– “Uma garota deve ser duas coisas: clássica e fabulosa”;
– “Quando você aprende que os homens são como crianças, você aprende tudo”;
– “Não perca tempo batendo em uma parede esperando que ela se transforme em uma porta”;
– “O luxo não está na riqueza e na ostentação, está na ausência de vulgaridade”;
– “Para ser insubstituível você tem que ser sempre diferente”;
– “Para conseguir grandes coisas, temos que ter primeiro um sonho”.

2009/10/31

O PRÓPRIO UMBIGO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:32

stuffwhite

oculosVocê compra comida orgânica? Adora sushi? É fã de Belle & Sebastian? Precisa de iPod, iPhone e outros produtos da Apple? Gosta de livros grandes sobre arquitetura? Vinhos? Festas anos 80? Entrou na onda da reciclagem? Frequenta o Starbucks? Faz ioga? Usa óculos grandes e se sente estiloso? Faz bolão no Oscar e cita obras de Michel Gondry para impressionar?
Então, bem-vindo ao clube “clichês da classe média”.
A ideia do livro “Stuff White People Like” (“Coisas que Branco Gosta”) é justamente essa: rir de si mesmo ou de quem se leva muito a sério.
O autor, Christian Lander, é um canadense que mora em Los Angeles e tirou a inspiração de seu blog homônimo. Após a página receber uma quantidade de visitas espetacular em menos de 90 dias no ar, Lander assinou com uma editora e largou o emprego.
O “branco” do título é obviamente uma ironia – denomina uma categoria de descolados da classe média que se sente especial.
O “guia definitivo para o gosto único de milhões”, como diz o subtítulo, surgiu a partir das próprias experiências do autor. Certo dia, conversando com um amigo filipino sobre o quanto eles eram fãs da série policial “The Wire”, chegou à conclusão de que várias pessoas com o mesmo perfil gostavam de itens que, no fundo, são um grande lugar-comum.
Lançado no ano passado, o livro permaneceu por várias semanas na lista de mais vendidos do “The New York Times”. O autor não para de dar entrevistas e há projetos de transformar “Stuff White People Like” em programa de TV.
Com tanto sucesso, o fato é que Lander se transforma num dos itens citados no livro: “Gosta de Barack Obama? Sanduíches caros? Do livro de Christian Lander?”.
Num dos últimos capítulos, há um questionário para você descobrir seu “nível de brancura” – o próprio autor quase gabaritou, atingindo a incrível marca de 92%.

Conheçam o blog AQUI

2009/10/30

ETERNOS ENQUANTO DUREM

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:25

bizarrewedding

binoculosNesta época a indústria casamenteira faz a festa. Maio é o “Mês das Noivas”, mas é a proximidade das festas de fim de ano que aquece o mercado – com o décimo terceiro no bolso, muitos pombinhos planejam começar o ano novo com o pé direito.
Fotógrafos, banqueteiros, estilistas, proprietários de bufês e decoradores exibem um olhar tão brillhante quanto o das noivas.
Esses “padrinhos” realizam qualquer tipo de fantasia – basta inserir a moedinha.
A “Mas Altos”, uma empresa de sapatos espanhóis, acaba de lançar a linha “Dia D”, exclusiva para homens. Noivos de baixa estatura podem escolher entre 13 modelos de couro feitos à mão e por encomenda com valores que variam entre 99 euros (cerca de R$ 300) a 248 euros (R$ 745).
A novidade tem batido recordes de vendas: nove mil pares em três meses.
Os fabricantes dizem que podem dar uma forcinha para quase todos os noivos – desde que precisem ganhar até sete centímetros de altura. Mais do que isso é um exagero e a solução é pedir para a noiva, literalmente, descer do salto.
Em Michigan há uma empresa que aluga bolos de mentirinha, a “Cake Rental”. Da seção “Perguntas e respostas mais frequentes” do site: “Quantos sabores vocês têm?”. Resposta: “Apenas um: isopor! Não providenciamos a parte comestível. Isso é por sua conta”.
O negócio da “Cake Rental” é só a casca. Na camada de baixo de um bolo de vários andares há um compartimento para o bolo real – ou parte dele. Preços entre 175 e 275 dólares (R$ 306 e R$ 480).
Os que não têm condições de alimentar a indústria comandada em nome de Santo Antônio se viram como podem – em casamentos coletivos. Sábado passado, em Londrina (PR), cerca de 300 casais disseram sim num ginásio esportivo. Ontem, em Nova Delhi, na Índia, mais de 400 pombinhos participaram de uma cerimônia coletiva.
Das mais sofisticadas às mais simples, nem todas as solenidades saem nos conformes. Pensando nisso surgiu o “Wedinator”, um site cujo slogan explica tudo: “Zoar seu dia especial é a nossa prioridade”.
O site é feito a partir de colaborações de internautas que enviam fotos que celebram o pior do casamento: noivas que são praticamente árvores de Natal, bizarras cerimônias temáticas, ideias como a da foto acima e flagrantes cujos envolvidos gostariam de sumir.

Vejam mais fotos do “Wedinator” AQUI

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