
A primeira vez que li sobre Luiza fiquei com uma estranha sensação de ter perdido a piada.
Afastei-me poucos dias da Internet e, quando retorno, a frase “Menos Luiza, que está no Canadá”, bomba no Twitter.
Depois de correr os olhos para a direita e notar o assunto nos “trending topics”, começo a busca por pistas.
Inicialmente pensei que se tratasse de uma piadinha baseada na declaração de algum entrevistado do programa “Chegadas e Partidas”, no GNT, mas graças ao Google fiquei ainda mais embasbacada.
Luiza é uma estudante paraibana de 17 anos que estava fazendo um intercâmbio no Canadá havia seis meses. Seu pai – colunista social em João Pessoa – estreou recentemente a propaganda de um empreendimento imobiliário em que diz a frase rodeado por porta-retratos da filha. E só.
Montar a equação foi simples: roteirista publicitário brega + pai sem noção = “celebridade” + grana do bolso do proprietário do empreendimento imobiliário.
Valeu pela criação do bordão – que realmente surge a partir das situações mais bobas.
No episódio, choca o comportamento surreal da mídia, que se encarregou de transformar em circo o que era só um hit da Internet.
Luiza foi personagem de uma matéria com mais de cinco minutos no “Bom Dia Brasil” e de outros três no “Jornal Hoje”. Foi aplaudida na redação da TV Globo. Luiza esteve na “São Paulo Fashion Week” (o repórter de um programa de fofocas que a abordou perguntou tudo o que pode: se está namorando, se aceitaria um convite para posar nua… Só faltou querer saber o que ela comeu no almoço).
A “Folha de S. Paulo” informa que Luiza estará no domingo no programa de Eliana, no SBT.
Para falar sobre o quê? Sobre o frio do Canadá? Ou sobre como é um programa de intercâmbio?
No mesmo SBT, Carlos Nascimento foi o único a empregar o bordão de forma crítica: “Luiza já voltou do Canadá, e nós já fomos mais inteligentes”.
Luiza não tem sobrenome. É simplesmente Luiza que estava no Canadá ou Luiza que voltou do Canadá. Luiza não falou nada, não fez nada e (diz que) não está entendendo nada.
Por conta do sucesso, a estudante retornou da viagem antes do previsto e desde então tem se dedicado a conceder entrevistas declarando-se assustada.
Ora, nem tanto. Ela tem recebido inúmeros convites para estrelar novos comerciais e já está cobrando R$ 15 mil para dar “presença vip” (aparecer num evento, posar para fotos e dar tchau).
Na Internet, o povo já está em outra. Resta saber por mais quanto tempo jornais e revistas falarão sobre a estudante. Talvez só quando Luiza for pra Portugal e perder o lugar.

Mesmo que tentemos fugir da maldição de termos surgido como nação por meios tortos, a História está aí para nos lembrar dos detalhes.
O Espaço Cultural da Marinha localiza-se na região central do Rio, próximo à igreja da Candelária, ao Centro Cultural Banco do Brasil e ao lado de um lugar horroroso: sujo, cheio de mendigos e pombas e com forte cheiro de urina. A sensação é mais ou menos como perambular pela área do Minhocão, em São Paulo.
Ele já foi palco para carnavais do passado, já recebeu grandes nomes da música internacional e por muito pouco não virou um favelão antes de completar 100 anos.
Como em toda cidade turística, há o Rio de Janeiro do cartão-postal e a versão realidade, aquela em que os bueiros explodem e os meninos de rua confiscam até o refrigerante de um turista distraído.


As semanas de Moda do Rio e de São Paulo estão aí.

O ano praticamente nem começou, mas já temos uma forte candidata à manchete do ano: “Stephen Hawking: O homem que entende o Universo, acha que as mulheres são um mistério”.

Em novembro do ano passado um dente molar de John Lennon – cariado – foi vendido por mais de R$ 54 mil. O comprador, um dentista, tinha planos de exibir o dente do astro em seu consultório.
A coletânea de abobrinhas que temos de engolir no período de festas é absurda.
Todo Natal é a mesma coisa. Enquanto as propagandas de TV falam no “espírito do Natal”, o povo se mata no supermercado por um cacho de uva Itália ou um peru em promoção. No trânsito, em vez de juntar os polegares para fazer a pomba da paz, o pessoal desenrola o dedo médio. Tudo assim bem natalino.


Kyle Bean faria um ótimo presépio.
“Ele pode ser o decano da indústria do entretenimento – com um ego tão grande quanto sua conta bancária multimilionária –, mas Simon Cowell está longe de ser coroado o Messias. Mesmo que ele já tenha tentado nos convencer do contrário”, diz o jornal “The Daily Mail”.

No ano passado, mais ou menos nesta mesma época, fomos apresentados a um incrível personagem natalino da região da Catalunha, na Espanha: o 
Hoje uma dica de presente de Natal para colegas e familiares com perfil “cool”: o CD “One Pig” (“Um Porco”).