O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/02/09

PASSE DE MÁGICA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:36

Chichén-Itzá foi uma cidade que funcionou como o mais importante centro político e econômico durante o auge da civilização maia – de 200 a 900 depois de Cristo. Na língua maia, Chichén-Itzá quer dizer “A boca do poço dos bruxos d’água”.
Eleita há cerca de três anos como uma das Sete Maravilhas do Novo Mundo, Chichén-Itzá fica a 205 quilômetros de Cancun, já no Estado de Yucatán, e seu cartão-postal é a pirâmide de Kukulkán (acima).
O guia que nos acompanha por Chichén-Itzá informa que o mundo maia espalhou-se por cinco países: México, Belize, Guatemala, Honduras e El Salvador. Das 11 mil zonas arqueológicas já descobertas, apenas 104 estão abertas ao público.
Apesar de a pirâmide mais famosa ser a de Kukulkán, a mais alta – a La Danta – está na Guatemala, em El Mirador, e vai a mais de 70 metros.
O título de uma das novas sete maravilhas do mundo, entretanto, não foi conquistado graças à beleza da pirâmide, mas pelo o que ela representa. A Kukulkán é na verdade um calendário cheio de significados que demonstra todo o talento dos maias na Matemática, na Astronomia e na Engenharia.
Cada lado da pirâmide tem 91 degraus (91 x 4 = 364) que somados à plataforma superior resultam em 365, número de dias do ano. Além disso, cada um dos lados está voltado para um dos pontos cardeais e há 52 painéis em suas paredes – uma referência aos 52 anos do ciclo de destruição e reconstrução do mundo.
O mais impressionante é que nos equinócios de primavera e outono a sombra do sol numa das escadarias forma a silhueta de uma serpente. Trata-se da sombra de Kukulkán, o deus-serpente dos maias em homenagem ao qual a pirâmide foi erguida.
Outra curiosidade é que ao batermos palmas a partir de um certo ponto de distância da pirâmide o eco que se tem é o canto de um pássaro. Simplesmente mágico.
O centro arqueológico conta com várias outras construções, como o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas e o Campo de Jogo de Pelota – cujo significado será explicado em outro post.
Há por volta de 17 “cenotes” (poços) pelas ruínas. O maior deles – o “Cenote Sagrado”, que batizou o lugar – era usado para despejar os restos mortais das vítimas dos sacrifícios humanos realizados em nome dos deuses.
O poço tem 60 metros de diâmetro, o espelho d’água está a 22 metros e a profundidade é de 13 metros. Depois de descoberto foi explorado por arqueólogos, que encontraram no fundo das águas cerca de 35 mil oferendas que incluíam pedras preciosas e ossos humanos – a maioria de crianças.
Estima-se que a população em Chichén-Itzá era algo entre 40 e 60 mil pessoas da alta classe que viviam separadas do restante dos habitantes por muros que cercavam a cidade.
Só há um ponto a se lamentar em Chichén-Itzá: apesar de o ingresso ao local ser tarifado e o controle de pulseiras ser rígido, o acesso de ambulantes é permitido. Entre as ruínas realiza-se um verdadeiro mercado a céu aberto cujos vendedores não dão sossego nem aos turistas nem às almas penadas que vagam pelo lugar.

No capítulo de amanhã, o parque “Xcaret”

Vejam fotos AQUI

2010/02/08

CENÁRIO PERFEITO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 12:34

E cá estamos de volta ao mundo real diretamente da ilha da fantasia.
Oito horas de voo nos separam de Cancun, um pedaço de paraíso montado com o objetivo exclusivo de receber turistas de todos os cantos do mundo. Grande parte dos visitantes é de canadenses e americanos, que carimbam a marca da regata no corpo em 22 quilômetros de praias e cerca de 240 hotéis.
Apesar de toda a estrutura e do mar maravilhoso que cerca a cidade, as melhores atrações estão nos arredores de Cancun, como Playa del Carmen, Chichén-Itzá – eleita em 2007 uma das Sete Maravilhas do Novo Mundo – os parques Xcaret e Xel-há, as ilhas de Cozumel e Isla Mujeres e o complexo arqueológico de Tulum.
Prestes a completar 40 anos em abril, Cancun – “ninho de serpentes”, na língua maia – sofreu com a destruição provocada pelos ventos de até 210 km/h do furacão Vilma, em 2005. Além das casas, diversos hotéis ficaram fechados por mais de um ano para serem remodelados, caso do Hilton.
Cancun é como Brasília. Tem marajás por toda a parte e é dividida em quadras, mas em vez de cobras venenosas, o que encontramos pelas ruas são lagartos. Gigantes, lentos e destemidos.
É inevitável também que a cidade carregue as dores e delícias de ser um cenário. O conforto da zona hoteleira faz com que a maioria dos turistas nem tenha interesse em conhecer a Cancun real – ou downtown, como eles chamam.
No centro os ônibus são lotados e velhos como os de Cuba, há vans que fazem lotação para as localidades nas quais os funcionários dos hotéis residem, supermercados e shoppings mais modestos frequentados pelos habitantes, como o Plaza Las Americas.
O resultado é que a Cancun da zona hoteleira transforma-se num local sem vida, cenográfico mesmo. Mas os visitantes parecem pouco se importar, porque curtem o mar em três tons de azul durante o dia e curtem a noite em lugares como Hard Rock Cafe, Planet Hollywood e alguns bares.
Há algo imperdível para se aproveitar em Cancun: a boate Coco Bongo.
Ainda não conheço os shows de Las Vegas ou os clubes noturnos de Nova York, mas a Coco Bongo não deixa nada a desejar aos bons espetáculos. O local não é apenas uma danceteria. Nas primeiras duas horas e meia apresenta um show com covers de Elvis, Madonna, Beyoncé, Michael Jackson e atrações como cordas acrobáticas. Vale cada centavo de dólar.
Mas a dica para quem planeja ir à região é hospedar-se em Playa del Carmen, a cerca de uma hora de Cancun. Playa é uma mistura de Arraial D’Ajuda com Trancoso, porém muito mais agitada. Playa respira vida.
Além do mar estupendo, oferece opções de hospedagem e de alimentação para quem tem ou não caranguejo no bolso e está mais próxima de atrações como Chichén-Itzá, Xcaret, Xel-há, Cozumel e Tulum.
Foi o funcionário de um hotel em Cozumel quem melhor definiu o espírito entre Cancun e Playa: Cancun é americana. Playa, européia.
No capítulo de amanhã, uma das novas maravilhas do mundo: Chichén-Itzá.

Acima, minha contribuição ao “Bed Jumping”

Confiram algumas fotos AQUI

2010/01/29

PAUSE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 21:58

SÓ NÃO VALE DAR RISADA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:23

Num mundo cada vez mais confuso, o ramo da autoajuda encontra terreno fértil. Depois das palestras de gurus como Lair Ribeiro, dos livros e dos filmes inspirados nesses best-sellers é o momento dos DVDs. Pelo menos no Japão.
A bola da vez chama-se “Miterudake for Lady” e pretende ajudar tímidos na incrível arte do flerte – em japonês, “miterudake” significa “apenas olhando”.
O princípio é o mesmo tanto na versão feminina quanto na masculina – “Miterudake for Men”.
No caso das mulheres, o vídeo traz 51 imagens de homens olhando para a câmera por cerca de um minuto. Pelo número já possível imaginar a variedade – uma boa prova para quem acha que japonês é tudo igual.
Eles não demonstram nenhuma expressão. Não sorriem, não flertam, não falam, não fazem caretas e não encostam a língua na ponta do nariz. Ficam apenas na base da “poker face”.
O DVD para homens é ainda mais sortido. Há desde uma garotinha de uns 6 anos de idade que parece não entender a brincadeira até uma senhorinha descabelada.
“Miterudake for Men” foi lançado há dois anos e é anterior à versão feminina, que chegou ao site da “Amazon” em novembro do ano passado. Segundo o fabricante, o objetivo é auxiliar homens que sofrem de “ansiedade social”.
Já o desenvolvido para mulheres é útil àquelas cujos corações estiveram “quase partidos no amor ou em outras relações pessoais”.
Infelizmente minha fluência no japonês não é suficiente para entender os comentários dos leitores que já testaram o DVD. Gostaria muito de saber se alguma japa cometeu harakiri após assisti-lo.
Olhando de fora, o vídeo consegue efeito oposto ao sugerido pelo fabricante. Em vez de paquerar, a vontade é de brincar de jogo do sério – o único problema é que os “modelos” vencerão sempre.
Talvez se olhassem para a Monalisa tivessem melhor resultado – e ainda economizariam cerca de R$ 50.

Assistam ao “Miterudake for Lady” AQUI

O blog faz uma nova pausa. Nos próximos dias estarei em Cancun e retorno dia 08/02. Até!

2010/01/28

APERTEM OS CINTOS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:14

Graças à potente máquina de blockbusters americana, certo filmes mobilizam mídia e público antes mesmo da estreia.
“Amor Sem Escalas” se encaixa nesta categoria. O barulho foi grande, mas ele passou quase que non-stop pela cerimônia do Globo de Ouro deste ano. Concorrendo a seis prêmios, só levou o de melhor roteiro – escrito pelo também diretor Jason Reitman.
“Up in the Air” – pessimamente traduzido como “Amor Sem Escalas” – é baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Walter Kirn. Conta a história de Ryan Bingham, cuja existência se resume a viagens profissionais. Seu fardo consiste em demitir funcionários de diversas empresas em diferentes Estados americanos e seu único objetivo de vida é acumular milhas – 10 milhões delas lhe rendem o cartão-fidelidade de sétimo passageiro no mundo a conquistar a façanha.
Entre ataques de fúria e lágrimas alheias, técnicas para arrumar a mala e para fazer o check-in com rapidez ele leva sua vidinha. Mas aí Ryan se apaixona e o que estava redondo começa a descer quadrado e resulta numa mensagem piegas. Estava indo realmente bem.
“Amor Sem Escalas” é sobretudo uma incógnita. Apesar de ser bem-escrito, contar com a atuação sempre honesta de George Clooney e não subestimar a astúcia do espectador, está distante de fazer jus às indicações que recebeu. Primeiro porque é careta demais – com direito a lição de moral no final.
Como um diretor que já fez obras consideradas cult como “Obrigado por Fumar” e “Juno” pode ter produzido algo tão convencional, tão tipicamente americano? Se o Globo de Ouro é tido como uma prévia do Oscar, por que “Amor Sem Escalas” não conquistou mais prêmios? Ah, os mistérios da indústria cinematográfica…
Pelo menos para o “encaretamento” do diretor há uma explicação. Matérias sobre o filme dão conta de que Jason Reitman começou a trabalhar no roteiro em 2002, mas as oportunidades de dirigir “Obrigado por Fumar” e “Juno” se apresentaram antes.
Uma pena. Se Jason tivesse relido o roteiro talvez percebesse sua evolução em relação aos trabalhos anteriores e concluísse que seria necessário reescrever o que já estava pelo caminho. “Amor Sem Escalas” soa como um retrocesso em sua carreira.
Ainda assim vale a pena conferir.
Uma curiosidade: a “American Airlines” não reserva nenhum privilégio especial aos passageiros que acumulam 10 milhões de milhas. Trata-se apenas de licença poética.

2010/01/27

HORA DA VERDADE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:41

Demorou, mas finalmente chega às livrarias um conto-de-fadas moderno que abre os olhos daquelas que ainda acreditam em Papai Noel – tanto que estão cansadas de beijar sapos na tentativa de encontrar o príncipe encantado.
“La Cenicienta que no queria comer perdices” (“A Cinderela que não queria comer perdizes”) tem sido um sucesso em seu país de lançamento, a Espanha. Em seis semanas vendeu mais de 50 mil exemplares.
A história – criada a quatro mãos pela escritora Nunila López Salamero e pela desenhista Myriam Cameros Sierra – atualiza com muito humor o clássico da Gata Borralheira.
A heroína do século 21 é baladeira e “chega do baile às 12, mas às 12 do dia seguinte”. Diante de um sapato de cristal números abaixo do seu, faz de tudo para calçá-lo e descolar o príncipe. A partir daí começam seus problemas: vive com os pés machucados e tem vertigens por causa do salto alto. Mas seu maior drama é que o príncipe adora perdizes, mas ela é vegetariana.
Cansada de ouvir as reclamações do marido – que diz que as perdizes estavam salgadas, cruas ou queimadas –, Cinderela sai de casa e descobre que “os príncipes não te salvam. Nem os caminhoneiros, nem os DJs, nem os pasteleiros”.
Após se afundar numa depressão, descobre que é a única capaz de salvar-se. Dá a volta por cima, encontra suas outras amigas dos contos-de-fada e abre um restaurante-cabaré vegetariano chamado “Me Sobra Harmonia” – que à noite funciona como “Me Falta Harmonia”.
Dentre os frequentadores, Bela Adormecida e Branca de Neve – que estão se desintoxicando do Prozac –, Pinóquio – que está farto de mentiras – e o Homem de Lata – que após muito sofrimento encontra um coração.
Segundo as autoras, a versão contemporânea de Cinderela é dedicada a todas as mulheres valentes que querem mudar de vida – e a todas aquelas que a perderam. Definitivamente não é um livro infantil.
A obra tem previsão de lançamento no Brasil ainda este ano.

2010/01/26

AMOR À ITALIANA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:04

Independentemente da nacionalidade ou do estilo dos profissionais envolvidos, a fórmula de uma comédia romântica sofre poucas variações. A receita gira em torno de casal feliz + conflito + sofrimento = redenção e final previsível. E como nós gostamos disso.
Apesar de mínimas, as diferenças existem. O que distingue, por exemplo, uma comédia romântica americana de uma italiana?
Os americanos sabem levar a história com leveza – e com aquele inevitável clipe lá pelo meio da projeção que marca a mudança na vida das personagens. Já os italianos, nem no que poderia ser um filme leve e descompromissado se esquecem de seu lado dramático e passional. Aliás, em todos os gêneros – há algo mais dramático do que Pinóquio?
A passionalidade italiana está presente em “Ah… O Amor”, indicado a nove “David di Donatello”, considerado o prêmio mais importante da Itália. Ele concorre nas categorias melhor filme, diretor (Fausto Brizzi), atriz e ator protagonista, edição, roteiro, canção original, som e composição musical.
A premiação será em maio, mas podemos engrossar o coro de “já ganhou” com segurança.
“Ah… O Amor” – cujo título original é simplesmente “Ex” – parte do princípio de que se todos não amaram uma única vez na vida, pelo menos uma certeza podem ter: a de que serão ex de alguém um dia.
Para sustentar a teoria, o filme mostra a história de cinco casais que passam por problemas de relacionamento. Um está em vias de se casar, outro de se separar e um terceiro de se divorciar. Há também o ex que vira atual e o que será ex para sempre porque sua parceira é morta.
“Ah… O Amor” é principalmente sobre a tentativa de recuperar um tempo que já passou. Num momento de crise cada uma das personagens luta para retomar algo – uma juventude perdida, um convívio com os filhos que nunca existiu ou até um amor do passado que acreditava-se enterrado por obra de Deus.
O elenco é desconhecido para o público brasileiro, mas pelo menos um nos é familiar: Silvio Orlando, que esteve por aqui no ano passado e em 2008 ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza por sua atuação no filme “Il Papà di Giovanna”.
Vale a pena conferir.

2010/01/25

ÚLTIMO CAPÍTULO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:14

Com o aguaceiro que desaba em todo o Brasil seria muita sorte não precisar trocar o guarda-sol pelo guarda-chuva em algum momento da viagem.
Com o dia nublado e com uma ou outra abertura de sol, uma boa saída foi conhecer o centro histórico de Porto Seguro – também chamado de “Cidade Alta”, já que se localiza no cume de um morro. Lá de cima, uma incrível vista das praias de Cruzeiro, Curuípe, Mundaí e da formação de corais de “Recife de Fora”.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1973, o centro recebeu maior atenção das autoridades graças às comemorações dos 500 anos do Descobrimento. Em 2000 ganhou iluminação e foi reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade.
Numa vilinha simpática e muito bem-cuidada estão casinhas coloridas, três igrejas – São Benedito, Nossa Senhora da Pena e Misericórdia –, a antiga Cadeia Pública – que hoje funciona como museu – e algumas lojinhas de artesanato. Um passeio agradável.
Na parte da tarde, com um São Pedro inspiradíssimo, a programação segue na linha “Em busca das origens”. Na praia de Coroa Vermelha – já no município de Santa Cruz de Cabrália – está o marco da primeira missa celebrada no Brasil pelo frei Henrique Soares de Coimbra, em 26 de abril de 1.500. No mesmo local está instalada uma aldeia indígena pataxó e uma onipresente feirinha de quinquilharias – “Pataxopping” para os íntimos.
Apesar da iniciação católica, à noite Porto Seguro toma o caminho da perdição. A partir das seis da tarde começa a ser montada perto do cais a “Passarela do Álcool”, que espalhou a fama da cidade para o resto do Brasil.
Pela passarela desfila-se de tudo. Vale fazer tererê nos cabelos, servir de modelo para um artista de rua, comprar acarajé, cocada, maiôs, bijuterias, produtos falsificados, DVDs com coreografias de grupos de axé ou saborear o drinque típico de Porto Seguro, o “Capeta” – guaraná em pó, vodca, leite condensado e frutas ao gosto do freguês.
Os que não capotam com o Capeta podem prosseguir a noitada na Ilha dos Aquários, tentar encontrar um Drácula na casa noturna temática “Transilvânia” ou suar com as coreografias nas megabarracas de praia que têm programação noturna. O menu é variado.
O diário de bordo se encerra por aqui. Espero que tenham curtido e que as informações lhes sejam úteis algum dia. A seguir cenas do próximo capítulo…

Vejam fotos AQUI

2010/01/24

PRAIA À VISTA!

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:57

Almoço no Quadrado: R$ 35. Ingresso do “Arraial D`Ajuda Eco Park”: R$ 60. Admirar a natureza quase que como foi criada: não tem preço.
O troféu de melhor praia do roteiro vai para Santo André, no litoral norte. Desprovida de qualquer talento poético para descrevê-la, recorro jocosamente a Armandinho, cantor-de-um-hit-só: “quando Deus a desenhou ele tava namorando”.
Santo André é um povoado de pescadores alcançado a partir da balsa que sai em intervalos de meia hora de Santa Cruz Cabrália.
Enquanto aguardamos a saída da embarcação observando as escunas ancoradas, temos a sensação de que Cabral irá descer de alguma delas. Além do cenário propício, há ambulantes fantasiados de índios vendendo cocares, brincos de penas coloridas e, se bobear, até flechas.
A travessia pelo rio João de Tiba já vale o passeio. O rio é belíssimo e a paisagem exuberante.
Saltando da balsa, são mais dois quilômetros até a praia.
Na chegada, a constatação de que Santo André é a mistura perfeita. De um lado, banho de mar em águas calmas. De outro, a piscina formada pelo rio João de Tiba. E tranquilidade em toda parte.
Santo André é a praia mais sossegada, mas conta com uma boa estrutura para o turismo – oferece vários restaurantes e pousadinhas charmosas.
Na caminhada em direção à praia vizinha, Santo Antônio, a paisagem se torna cada vez mais desértica. Primeiro a Praia das Tartarugas, que abriga apenas o hotel e pousada “Fazenda Amendoeira” e está num cantinho em que piscinas naturais formam-se durante a maré baixa. Quem tiver fôlego para cruzar uma trilha no meio do mangue chega à Praia das Conchas e, depois, a Santo Antônio.
De Santo Antônio tem-se a melhor visão de Coroa Alta, um misto de banco de areia com recifes de corais cujo nome oficial é “Parque Marinho de Coroa Alta”.
Esta é Santo André. Rio, mar, conchas e até o que considero o maior programa-de-índio do mundo: visitar banco de areia. Se bem que na Costa do Descobrimento tudo é – ou já foi – programa de índio.

Acima, “indiozinho” aguarda a balsa

Confiram fotos AQUI

2010/01/23

REFLETINDO SOBRE A BELEZA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 07:36

Nelson Rodrigues já disse que toda unanimidade é burra. Além de polêmica, a afirmação é generalista e radical, mas tem lá um certo sentido.
Isso porque o assunto em questão é a Praia do Espelho. Localizada a cerca de 20 km de Trancoso, mais em direção ao sul, vira-e-mexe a praia aparece na lista das mais belas do Brasil.
Ainda não conheço as maravilhas de Fernando de Noronha, mas as praias de Carro Quebrado e Gunga – ambas em Alagoas – e Praia Bela – na Paraíba – são bem mais fascinantes do que a do Espelho.
Infelizmente há milhares de turistas que se influenciam por rankings do tipo “o mais belo”, “o melhor” ou “os dez mais”. E pronto: o mito está construído.
De fato, a Praia do Espelho – cujo nome oficial é Curuípe – é bonita, serena, tem areia branquinha, sossego sonoro e também abriga um riozinho ótimo que ajuda a nos livrarmos do sal que gruda no corpo. Mas a propaganda é melhor do que a realidade e frustra a expectativa de quem imagina que vai chegar ao paraíso.
Formada basicamente por recifes visíveis durante a maré baixa, a Praia do Espelho é “caminhável” apenas até um certo horário. Depois tudo vira mar e o jeito é se espreguiçar debaixo dos coqueiros e curtir o visual. O nome surgiu por causa do efeito espelho provocado pelo reflexo do sol nas piscinas naturais.
Se gosto não se discute, uma coisa é certa: a Praia do Espelho pode tranquilamente figurar no ranking de “praia de mais difícil acesso”. Os quilômetros finais do percurso que leva à localidade tornam-se uma aventura porque são percorridos numa estradinha de terra péssima – talvez isso faça parte do encanto.
Estive na praia um dia antes do início da cobrança da taxa de visitação de R$ 15 por pessoa. Segundo a prefeitura, o dinheiro arrecadado será investido na limpeza e na segurança do lugar. Mas a melhoria da estrada de acesso também não cairia mal.
Graças à fama e à contribuição financeira dos turistas, a praia pode continuar indagando às suas piscinas naturais: “Espelho, espelho meu, existe alguma praia mais bela do que eu?”.

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